Quando terminou o primeiro tempo eu até falei pra Suzana:”Amor, o Santos está melhor do que o Grêmio. Mais posse de bola, mais chances de gol. Se continuar assim no segundo tempo, pode até vencer. Mas o problema é que o Grêmio não vai continuar assim…”

Alison tinha acertado a trave, em bela jogada, e o Santos permanecera 57% com a posse da bola. O juizão, caseiro, o tal de Péricles Bassols (Fifa-RJ), fazia vistas grossas a algumas faltas nos santistas, mas era só um jogador do Grêmio cair e ele apitava. Com isso, a todo momento tinha bola na área de Aranha.

Mas, como eu temia, mal a segunda etapa começou e deu para perceber que o Grêmio era o único time inconformado com o empate. Montillo assistia às jogadas, Cícero estava cheio de toquinhos, Gabriel não ganhava uma, Thiago Ribeiro corria em vão.

Renato Gaúcho colocou Elano, depois Vargas… O Grêmio ganhou o meio-campo (Arouca e Montillo estariam cansados?) e passou a pressionar a defesa santista, principalmente do lado do temerário Galhardo, que não defendia e nem apoiava. O Santos ficou sem ligação entre defesa e ataque.

Mal entrou e Vargas fez boa jogada correndo por entre vários santistas, tocou na direita para Elano, livre, que bateu forte da entrada da área para abrir o marcador. Confesso que nesse momento imaginei que o Santos não teria forças para reagir.

Preparado psicologicamente apenas para impedir o gol adversário e especular alguma coisa no ataque, o Santos se viu perdido nos minutos seguintes ao gol. A bola queimava nos pés dos santistas e o tricolor gaúcho teve o seu melhor momento no jogo, a ponto de ficar perto do segundo gol.

Mesmo tardiamente, Claudinei Oliveira resolveu mexer. Colocou Willian José no lugar de Montillo, Pedro Castro no de Alison e Bruno Peres no de Galhardo. As substituições deram resultado e o Santos, ajudado pela acomodação do Grêmio, passou a dominar novamente o jogo.

Só para confirmar que às vezes a vontade vale muito mais do que a classe, Willian José recebeu de Thiago Ribeiro e acertou belo chute de esquerda, de fora da área, para empatar a partida. E desta vez o Santos continuou no ataque, transformando os últimos dez minutos em puro desespero para o time gaúcho.

Nesses últimos minutos Thiago Ribeiro acertou o travessão, com uma cabeçada, e o time conseguiu fazer um gol, mas o árbitro marcou falta de Thiago Ribeiro no defensor gremista.

O empate não foi um resultado ruim, mas o jogo mostrou que o Santos poderia ter vencido caso fosse mais ambicioso. Claudinei substituiu bem, mas demorou para mexer no time – o que deveria ter feito no máximo aos 15 minutos da segunda etapa, quando ficou evidente que só um time jogava.

Gostei de Gustavo Henrique, agora titular da zaga, e gostei muito de Alison, um dos melhores em campo enquanto teve fôlego. Arouca e Montillo começaram bem, mas foram caindo, caindo…

Cícero fez jogadas de alta categoria, mas às vezes parece que joga só para ele. Cisma de driblar e perde a bola em lances importantes. Precisa jogar mais sério e mais para o time, mas no todo foi bem.

Galhardo e Gabriel é que não foram nada bem. Erráticos, perderam muitas bolas e pouco fizeram de útil. Thiago Ribeiro jogou isolado pela esquerda. Mena, discretíssimo, não conseguiu apoiar o ataque.

Agora o Santos fará dois jogos na Vila Belmiro – contra Criciúma e Náutico – e terá totais possibilidades de vencê-los e se aproximar do G4. O empate contra o Grêmio, em Porto Alegre, mostrou que apesar de seus problemas, o Santos pode, sim, jogar de igual para igual com os melhores times desse Brasileiro.

Veja os melhores momentos de Grêmio 1 x 1 Santos e confirme se o Santos não teve mesmo mais chances de gol:
http://youtu.be/UbL1SXSXn8A

E você, o que achou de Grêmio 1 x 1 Santos?

gustavo henrique - ricardo saibun
Gustavo Henrique, enfim titular. Força garoto! (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC)

Daqui a pouco, às 19h30, com transmissão do Sportv,o Santos enfrenta o Grêmio em Porto Alegre e todos sabemos que o jogo será difícil. Talvez uma vitória santista seja algo bem próximo do impossível. Mas e daí? Quando resolvemos torcer por um time, não o escolhemos porque era imune a derrotas ou tristezas. O escolhemos por amor. E às vezes é só isso que falta para levar um time adiante.

Ao compararmos jogador por jogador, talvez tenhamos a impressão de que a tarefa do Santos não seja tão árdua, mas a verdade é que a equipe gaúcha é mais experiente e tem jogadores mais conceituados no momento. Veja que enquanto o Santos terá em campo Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Arouca (Renê Júnior), Cícero e Montillo (Renato Abreu); Gabriel e Thiago Ribeiro, o tricolor gaúcho deverá iniciar com Dida, Gabriel, Rhodolfo e Bressan; Pará, Souza, Riveros, Zé Roberto e Alex Telles; Kleber e Barcos.

O fator que mais influencia, porém é o estádio, a torcida. Sei que não deveria, pois as dimensões do campo, a bola e as regras são as mesmas para os dois contendores, mas na prática sabemos que o time de casa tende a atacar e o visitante a defender. Uma gloriosa exceção era o Santos dos anos 60, que neste mesmo Olímpico venceu o Grêmio por 3 a 1, na Taça Brasil, fora o show de Pelee e Coutinho.

Sabemos, também, que outro fator que pode influir é a arbitragem. Quando dá para ser caseira, o time de fora não ganha mesmo. Hoje o árbitro será Péricles Bassols (Fifa-RJ), auxiliado por Marrubson Melo Freitas (DF) e Ivan Carlos Bohn (PR). Que sejam felizes.

Meus votos de que o Santos e nós, santistas, tenhamos a fortuna que nos tem escapado nas últimas partidas. Que a bola que não entrou, entre (o time está merecendo um pouco mais de sorte). Que os deuses iluminem as ideias de nosso estrategista Claudinei Oliveira e os jogadores tenham forças e categoria para buscar um bom resultado.

Torço, principalmente, para boas atuações de Arouca e Montillo, que estão voltando de contusão, e para os garotos Gustavo Henrique, finalmente titular, e Gabriel. Que eles provem que sempre vale a pena confiar nos Meninos da Vila.

Ah, como seria fantástica uma vitória no Sul. Até mesmo o empate não seria de todo ruim. Porém, se houver luta, entrega, dedicação, e mesmo assim a derrota vier, paciência. Não temos o direito de perder a fé por um simples revés no futebol. Se você não concorda, veja este filme da SantosTV e não se emocione se for capaz:

Ao final do jogo volte aqui para deixar suas impressões sobre a partida e os jogadores. Sua opinião ajuda o Santos e o futebol a se tornarem melhores.