Leandrinho fez careta depois de uma dividida, olhou para o banco e vislumbrou Renato Abreu, que já se preparava para entrar nos eu lugar. O jogo estava parado. A bola, a cerca de 40 metros do gol do Internacional, esperava pelo cobrador da falta. Renato Abreu, que se confessa santista desde criança, entrou em campo não com o número 10, mas com o número 20 às costas. Entrou e foi direto para a bola.

Grandes cobradores têm a mania de acariciar a bola com as mãos, como se esculpissem um delicado vaso de argila. Mas Renato nem tocou na menina. Tomou distância e – pimba! -, na sua primeira intervenção mandou a gorduchinha para o fundo do gol do time gaúcho, que contava com a vitória sobre o Santos para se aproximar do G4. Agora, se vencer o seu jogo atrasado, o Santos passa a quinto colocado, atrás apenas de Cruzeiro, Botafogo, Grêmio e Atlético/PR.

Mas ontem parecia que os deuses do futebol estavam bronqueados com o Santos. Antes de entrar em campo, Durval e Gabriel foram vetados. Com a bola rolando, Alan Santos (músculo da perna) e Giva (pulso esquerdo) também acabaram substituídos. Mesmo assim, o Alvinegro Praiano tocou melhor no primeiro tempo e mereceu terminar a etapa com a vantagem de 1 a 0, gol de Thiago Ribeiro aos 27 minutos, completando uma cabeçada de Cícero após um escanteio.

No segundo período, quando o Inter mais pressionava – mas sempre acabava caindo na teia do nosso Aranha negra -, surgiu o gol de falta de Renato Abreu que elevou a vantagem para 2 a 0 e desnorteou o colorado. No desespero, o time do técnico Dunga só chegaria ao seu gol aos 30 minutos, por meio de uma bola na mão que o árbitro Marcelo de Lima Henrique resolveu transformar em pênalti.

O gol solitário fez o time do Sul se atirar ao ataque em busca do empate, mas o Santos se defendeu bem. Aranha jogou demais; o garoto Gustavo Henrique, como sempre, substituiu Durval com vantagem; Alison e Alan Santos foram os leões de sempre e Thiago Ribeiro se destacou no ataque. É até injusto, porém, destacar um ou outro em uma vitória significativa como esta. Ganhar do Inter fora de casa é façanha de time que pode sonhar alto nesse Brasileiro. Esse jogo foi o chamado divisor de águas.

E vejamos que o Santos atuou com seis garotos vindos da base e sem seis jogadores que naturalmente seriam titulares, casos de Durval, Mena, Gabriel, Montillo e Arouca. Ou seja, nosso bravo Claudinei Oliveira provou contra o time do Dunga que não fica nada a dever a muito técnico afamado.

Internacional 1 x 2 Santos, em Novo Hamburgo

Internacional: Alisson, Jackson (Alex), Alan, Juan e Fabrício; Ygor, Willians, Otávio (Rafael Moura) e D’Alessandro; Scocco (Caio) e Leandro Damião. Técnico: Dunga.

Santos: Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Émerson Palmieri; Alison, Alan Santos (Renê Júnior), Cícero e Leandrinho (Renato Abreu); Giva (Éverton Costa) e Thiago Ribeiro. Técnico: Claudinei Oliveira.

Gols: Thiago Ribeiro, aos 27 minutos do primeiro tempo; Renato Abreu, cobrando falta, aos 21 minutos, e D’Alessandro, de pênalti, aos 30 minutos do segundo.

Árbitragem: Marcelo de Lima Henrique (RJ), auxiliado por Bruno Boschilla (PR) e Wagner de Almeida Santos (RJ). Cartões amarelos: Willians (Internacional); Cicinho, Alison e Edu Dracena (Santos). Cartão vermelho: Fabrício (Internacional).

Veja os melhores lances dessa grande vitória santista:
http://youtu.be/8tH-rZUR60w

Confira os bastidores da viagem do Santos para enfrentar o Inter:

E pra você, qual o significado dessa vitória, fora de casa, sobre o Inter?