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Perdeu, como podia empatar ou até ganhar. Bola pra frente…

O jogo foi equilibrado, a torcida compareceu desta vez e o Santos não jogou mal. A derrota por 2 a 1 para o Botafogo foi decidida em algumas jogadas. Quando o Santos era melhor, Thiago Ribeiro perdeu um gol feito e chegou atrasado em um cruzamento de Cicinho que seria outro gol. O time carioca, por sua vez, aproveitou a chance que teve para abrir o marcador, aproveitando uma jogada nas costas de Cicinho e um passe na área que caiu entre Durval e Mena.

No segundo tempo, em outra jogada pelos flancos, desta vez pela esquerda, outro cruzamento que passou entre Durval e Dracena e outro gol. Cícero diminuiu, em um belo chute de fora da área. Foi 2 a 1 para o Botafogo, uma equipe um pouco mais experiente e ajustada, mas poderia ser diferente. Faltam alguns ajustes no Santos. Torçamos para que Claudinei tenha visão e iniciativa de fazê-los.

Confira os melhores momentos de Santos 1 x Botafogo 2:
http://youtu.be/DfEe4zW2Pho

Hoje é dia do maior jogo que o futebol brasileiro já produziu

De um lado Pelé; do outro Garrincha; de um lado Zito, Pepe, Coutinho; do outro Didi, Zagalo, Amarildo; de um lado Gylmar, Mauro Ramos de Oliveira, Mengálvio e Lima; do outro Manga, Quarentinha, Rildo, Joel… Eu ia escrever que Santos e Botafogo, os melhores times do mundo em 1962 e 63, estrelavam um confronto do mesmo nível de um Barcelona e Real Madrid hoje, mas, pensando bem, eram mais do que isso. Havia mais magia em campo…

O centro do futebol era aqui e os dois alvinegros representavam o melhor futebol que o mundo tinha visto até aquele momento. Mas o Santos era ainda mais poderoso do que o rival. Nos três confrontos mais importantes que fizeram, o Santos fez 13 gols e sofreu apenas um: 4 a 1 na final do Tereza Herrera, na Espanha, em 1959, quando o mundo estava de olho no duelo dos times que tinham os astros da Copa da Suécia; 5 a 0 na final da Taça Brasil de 1962 (jogado em abril de 1963) e 4 a 0 na semifinal da Libertadores de 1963. Por isso, para a história, o Santos ficou como o grande vencedor desse desafio.

Hoje, às 18h30, na Vila Belmiro, voltam a se enfrentar em um jogo importante, no qual a vitória interessa a ambos. O carioca quer continuar perseguindo o líder Cruzeiro, o Santos anseia chegar mais perto do G4 – o que três pontos hoje e três pontos sobre o Náutico, em jogo atrasado, tornarão plenamente possível. O ingresso está barato e o santista precisa comparecer para empurrar o time.

Arouca e Montillo voltam

Arouca e Montillo, recuperados de lesões musculares, devem voltar ao time, dando ao técnico Claudinei Oliveira o privilégio de escalar o melhor que este Santos pode oferecer. O Botafogo vem com seus destaques, o veterano Seedorf e o garoto Hyuri. O ex-santista Renato também está escalado e acho que seria muito legal a torcida bater palmas para ele quando adentrar a Vila Belmiro onde jogou tantas vezes e tanto ajudou o Santos, principalmente na conquista do Brasileiro de 2002.

O Santos deve jogar com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Durval e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa (Gabriel) e Thiago Ribeiro. O Botafogo, do técnico Osvaldo de Oliveira, provavelmente entrará em campo com Jefferson, Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos e Renato; Hyuri, Seedorf Rafael Marques; Elias.

A arbitragem será de Andre Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por
Cristhian Passos Sorence (GO) e Nadine Schramm Camara Bastos (SC).

Todas as circunstâncias indicam um bom jogo, disputado e com boa técnica. Os times se equivalem e o resultado natural seria o empate. Mas o fato de jogar em casa e vir de uma derrota obriga os santistas a buscarem mais a vitória. O adversário é forte e matreiro, mas o Santos tem de se impor.

Reveja o maior jogo do mundo, no maior estádio do mundo, na era do ouro do futebol, neste belo trabalho de Wesley Miranda:

E você, o que acha de Santos x Botafogo?

O futebol que temos é este…

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Meninos da Vila talentosos jogando pra frente: este é o sonho eterno dos santistas.

O futebol brasileiro está em crise e parece que as pessoas que vivem em torno dele também. Entre o que ele poderia ser e o que realmente é, há um abismo. Vivemos essa crise em todos os sentidos: técnico, tático, ético, de popularidade e, conseqüentemente, financeiro.

Falta fundamento aos jogadores, coragem e estratégia aos técnicos, moralidade aos organizadores e público nos estádios. Não é à toa que – sinal dos tempos – o outrora orgulhoso São Paulo está vendendo ingressos a dois reais. Daqui a pouco os clubes jogarão com portões abertos e mesmo assim os estádios não se encherão.

Uma seqüência de fatores, entre eles o espírito colonizado de nossa imprensa esportiva, tirou a credibilidade do futebol brasileiro e deixou claro para todos uma situação antes não declarada, ou seja, a subserviência do nosso jeito de jogar e fazer futebol ao decantado modelo europeu. Já fomos o centro, mas hoje somos o subúrbio, o arrabalde, a periferia do futebol.

Diante dessa dura realidade, os torcedores precisam criar fatos para alimentar sua paixão, ou ela também morrerá. Não importa que o Santos, sem dinheiro, esteja sobrevivendo graças a uma mescla de veteranos e garotos dirigidos por um técnico sem experiência. O torcedor quer esse time voando, como se uma equipe de Gylmar a Pepe estivesse em campo.

Não importa que o Corinthians venha de três jogos sem marcar um único gol e nem esteja no G4, apesar de ainda ostentar o título de campeão do mundo; não importa que o Palmeiras, por mais vitórias que consiga, dispute apenas a Série B; não importa que o São Paulo, na zona de rebaixamento, tenha de se humilhar para atrair os torcedores para o seu Morumbi. O torcedor precisa acreditar que é só uma fase passageira e que ainda há motivos para vangloriar-se de que o seu time é o maior.

Porém, nas crises surgem as teorias oportunistas que buscam jogar por terra os valores amealhados ao longo da história e, no lugar deles, inserir outros que alimentem o caos e a descrença. Até mesmo o estilo vistoso e ofensivo que caracterizou nosso futebol tem sido contestado por alguns – e como muitos leitores não têm conhecimento suficiente para raciocinar em cima do que lhe é imposto, a tese ganha adeptos.

Juro que li em algum lugar que esse negócio de DNA ofensivo é bobagem minha. Que o Santos tem de jogar feio e retrancado mesmo, pois o importante é vencer. Ora, é claro que vencer é importante, mas quem disse que jogando feio e retrancado o time terá mais chance de vencer do que se jogar bonito e com uma mentalidade ofensiva?

Perceba que escrevi “mentalidade ofensiva”, pois ela é essencial para um time marcar gols. Isso não quer dizer que tenha de jogar com cinco atacantes, como nos anos 60. Mas tem de entrar em campo com planos definidos e bem treinados de se chegar ao gol adversário, pois isso ainda é a alma do futebol.

O grande Santos dos anos 60, o melhor time que já existiu, sabia da importância da defesa e provou isso ao não tomar gols e ao mesmo tempo golear o Botafogo duas vezes, nos jogos mais importantes que fizeram. Com um ataque que começava em Garrincha e terminava em Zagalo, o alvinegro carioca também era uma máquina de fazer gols. Mas perdeu para o Santos a final da Taça Brasil por 5 a 0 e a semifinal da Copa Libertadores de 1963 por 4 a 0, ambas no Maracanã, porque o Alvinegro Praiano era mais completo: além de um ataque incomparável, tinha uma excelente defesa e, mais do que isso, uma mentalidade ofensiva que prevalecia mesmo quando se defendia.

É pra se defender? Vamos defender com tudo. Mas quando temos a bola, precisamos de estratégias concretas para atacar e marcar gols. O que não pode é um time grande treinar 40 maneiras de destruir os ataques adversários, mas não saber o que fazer com a bola quando a tem. O ataque sempre foi o forte do Santos e sem ele o time se torna um qualquer. Se utilizar um monte de volantes e se defender loucamente fosse a solução dos problemas, os times pequenos seriam grandes e vice-versa.

Quando dominou o mundo o Santos tinha sempre o ataque mais positivo e nem sempre a defesa menos vazada. Em 1964 ele foi campeão paulista com 95 gols marcados e 47 sofridos. O segundo time com mais gols feitos, o Palmeiras, marcou 70. Porém, veja só quantas equipes sofreram menos gols do que o Santos: Portuguesa e Corinthians (34), América de São José do Rio Preto (35), Palmeiras (36), São Bento (38), São Paulo (40), Ferroviária (41), Guarani (44) e Comercial (45). Notou que o América sofreu 12 gols a menos do que o Santos no campeonato inteiro? Eu lhe pergunto: e daí?

O que nos resta

Sem craques notáveis; sem ídolos; sem técnicos mirabolantes capazes de formar times fantásticos, como foram Lula, Bella Guttmann e Telê Santana; o que resta ao torcedor brasileiro é transformar o pouco em muito. Ele sabe que, mesmo no campeonato de pior nível técnico, ainda assim haverá um campeão, haverá classificados para a Libertadores e equipes rebaixadas, e se apega a essas funcionalidades para viver o futebol do que jeito que dá.

Cada time tem sua cultura, seu DNA, que resiste, sobrevive e se sobrepõe ao longo do tempo. Descobri o do Santos estudando a história do clube desde o princípio, e usei esse termo – DNA – no livro Time dos Sonhos, lido e repercutido por outros santistas. Há expressões que são marqueteiras, forjadas, oportunistas, mas esta é o resultado de um longo estudo.

A reverência aos Meninos da Vila também não é uma invenção gratuita. Eles escreveram os capítulos mais brilhantes da história santista, pois estiveram majoritariamente presentes nos times formados em 1912, 1927, 1955, 1964, 1978, 1995, 2002 e 2010. Extirpe essas etapas da vida do Santos e pouco sobrará.

Portanto, se apesar do precário panorama geral do futebol brasileiro, o santista ainda tem no que acreditar, por que não fazê-lo? Se ainda temos uma história baseada no jogo ofensivo e na revelação de grandes jogadores – quase todos atacantes –, por que trocar essa vocação por desempenhos feios e medrosos?

Se o clube não tem dinheiro para grandes contratações, por que não preparar esses Meninos com carinho e dar-lhes reais oportunidades de se tornarem ótimos profissionais? O que não se pode é deixá-los ao Deus-dará. Nessa fase da carreira o que mais precisam é de um acompanhamento pessoal, de alguém que os dirija ao caminho do sucesso. O trabalho com as divisões de base é a melhor opção e a grande esperança para esse futebol brasileiro obrigado a se reinventar.

E pra você, o que deve ser feito para o futebol brasileiro voltar a ser grande?