Enquanto o técnico Claudinei Oliveira reluta em lançar os Meninos da Vila que ele mesmo dirigiu nas categorias de base – a ponto de pedir para o veterano Léo aceitar jogar novamente na lateral-esquerda, em vez de escalar o garoto Émerson Palmieri –, outros clubes estão descobrindo o poder da garotada.

No grande jogo da rodada, e talvez o melhor até aqui deste Campeonato Brasileiro, dois rapazes de 20 anos roubaram o espetáculo: Lucas Silva, do Cruzeiro, e Willie, do Vasco, ambos autores de dois gols no jogaço que terminou 5 a 3 para a equipe de Minas Gerais, no novo MIneirão.

Na verdade, não há muito segredo e nem muita saída para este coadjuvante futebol brasileiro, que há muito deixou de ser o melhor do mundo e que diminui cada vez seu prestígio quando um garoto com potencial para craque vai embora, como agora está ocorrendo com Vitinho, do Botafogo.

O jeito é armar equipes mesclando garotos promissores com bons veteranos e alguns jogadores meia-boca que estão sem clube e por isso podem ser contratados baratinho. No máximo dá para contratar três jogadores caros e valorizados pelo mercado.

E apesar da limitação técnica que se estende a todos os profissionais do nosso futebol, os salários nos times grandes – hoje times pequenos se comparados aos grandes europeus – são irreais para nossa realidade. Assim como um técnico não pode ganhar mais do que 80 mil reais por mês, nenhum jogador deveria receber mais do que 200 mil, por exemplo. Mas os clubes, movidos pela paixão e pelo amadorismo, evitam estabelecer tetos salariais.

Santos tentou um modelo superior, mas não teve apoio

Com Ganso e Neymar, o Santos de Laor tentou ser um Cirque du Soleil, com alto faturamento e altos salários. Passou a ser o clube que mais pagava no Brasil. Mas a fórmula mantinha uma pressão constante na equipe de marketing, que precisava faturar muito para cobrir todos os buracos e pagar as crescentes despesas fixas.

Se o plano do Santos, ou ao menos parte dele, fosse apoiado pelo mercado, não só o Alvinegro Praiano, mas o futebol brasileiro ganharia muito com isso e talvez pudesse quebrar o paradigma atual. Mantendo-se os grandes craques por aqui – como Neymar, Lucas, Hernanes, Vitinho e muitos outros –, os espetáculos dariam mais ibope na tevê, os estádios estariam mais cheios, haveria mais interesse das empresas patrocinadoras e o Campeonato Brasileiro teria um valor muito maior no mercado mundial.

Para isso, porém, seria preciso um entendimento e um apoio bem maior da mídia. Não seria uma questão de apoiar o Santos, mas de apoiar um modelo benéfico também aos outros clubes e ao nosso futebol. Mas a visão curta da maioria dos jornalistas esportivos enxergava apenas um favorecimento inicial ao Santos e isso não podiam suportar. Só se contentaram quando Neymar foi embora e o time foi desmantelado, sem se darem conta de que com a saída de Neymar acabou também a esperança de o futebol brasileiro se tornar mais competitivo no mercado internacional.

Bastaram alguns meses sem patrocínio máster para a fórmula santista desmoronar. A cada mês sem patrocínio suficiente para pagar os três milhões mensais de Neymar, o clube precisava desembolsar esse valor, e logo as receitas futuras de tevê também foram comprometidas.

O que se vê hoje no Santos é resultado desse tremendo esforço para mudar a cultura de um mercado subdesenvolvido que, no entanto, se revelou inútil. Agora o remédio é enxugar os custos e adotar a velha e salvadora estratégia de apelar para garotos da base, técnico interino e jogadores experientes baratos.

Em outra época isso poderia ser mais perigoso do que nessa que vivemos, pois agora não há times tão superiores no Brasil. Obrigados pelo sistema a pagar fortunas para jogadores apenas medianos, nenhum dos grandes está suficientemente desgarrado dos demais. Uma prova disso é que o líder Cruzeiro teve no garoto Lucas Silva, de 20 anos, seu grande destaque na vitória sobre o Vasco.

Aos poucos, os grandes clubes brasileiros – Santos inclusive – tentam descobrir novamente a fórmula do bom e barato, pois hoje, se não fossem os Meninos bons de bola que vêm por aí, estaríamos condenados a assistir, por muito tempo, ao ruim e caro.

E pra você, o que pode ser feito para tornar o futebol brasileiro mais competitivo?