Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: outubro 2013 (page 1 of 3)

Diretoria merece todas as críticas, mas jogadores e técnico não

185,5
Esta é a média de comentários dos últimos 20 posts deste blog (sem contar o que está no ar).

Caos administrativo-financeiro, assim se pode definir a situação atual do Santos. Por onde se olhe há buracos, há negócios inexplicáveis, há questões não respondidas. Como um clube que faturou tanto, vendendo todas as suas estrelas, pode estar tão no vermelho a ponto de pedir o adiantamento de cotas que só deveria receber da Rede Globo em 2014? E por que aumentar sua dependência da Globo, uma emissora que parece interessada em esconder, em diminuir o Santos?

Do dinheiro da venda de Neymar nem se fala, pois é tão grande a diferença entre o que o Barcelona diz que pagou e o que a direção do Santos diz que recebeu, que só mesmo a intervenção da Receita e da Polícia Federal para esclarecer a questão. Estranho muito que nenhuma providência tenha sido tomada nesse sentido. O caso é tão tenebroso que nem pessoas muito bem informadas, que conviviam estreitamente com os dirigentes envolvidos na negociação, sabem adiantar qualquer novidade sobre o assunto. A Justiça deveria ser acionada e os dirigentes do Santos obrigados a esclarecer o negócio (Leia: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-16/senadores-querem-que-ex-dirigentes-esportivos-respondam-por-contratos-irregulares).

Um dos astros dos futebol mundial, de valor incalculável, maior esperança do Brasil na Copa de 2014, foi vendido para a Espanha oficialmente por uma bagatela e ficou por isso mesmo? Como assim? Espero que ao menos o procurador Francisco Cembranelli, em quem confio e espero continuar confiando, tome uma posição a favor dos verdadeiros santistas e inicie uma investigação interna para tratar do assunto.

É evidente que poio as críticas e a desconfiança dos santistas com relação a esta direção que está aí, que foi eleita prometendo transparência, competência e profissionalismo, e acabou se mostrando mais obscura, incompetente e amadora do que as últimas que passaram pela Vila Belmiro.

Foram e estão sendo desonestos? O Santos vive uma versão moderna da mala que caiu da janela do avião? Isso só uma auditoria ou uma investigação rigorosa poderá provar. Mas é bastante suspeito que, diante da enorme inquietação da comunidade alvinegra, os dirigentes do clube, licenciados inclusive, não tratem de explicar as ações que levaram o Santos a este estado crítico, altamente preocupante.

Pelas circunstâncias, rendimento do time não é ruim

Entendo a revolta do torcedor, pois já fui muito mais inconformado antes de me tornar jornalista e ser obrigado a analisar vários ângulos de uma questão. Hoje, conto até dez e analiso a situação antes de sair atirando para todos os lados. Concordo que o elenco e o time do Santos poderiam ser melhores, assim como o técnico. Porém, diante das circunstâncias, creio que mereçam mais apoio do que críticas. Contra a previsão de muitos estão mantendo o time à frente dos outros paulistas, longe da zona de rebaixamento e ainda com esperanças de chegar à Libertadores de 2014.

Não estou dizendo que está bom. Entenda bem: estou dizendo que diante das circunstâncias, está bom. Ainda faltam sete rodadas para o fim do Brasileiro e o momento não é o de cornetar, mas sim de empurrar o time para os melhores resultados que puder. Após o fim do campeonato faremos uma análise minuciosa do elenco e diremos quem, na nossa opinião, deve permanecer ou sair do Santos.

Essa análise deve e será feita, sem paternalismos, é um compromisso deste blog. Mas agora a enxurrada de críticas a um ou outro jogador, ou ao técnico Claudinei Oliveira, não trará nada de bom. Até porque, mesmo com jogadores e técnicos mais gabaritados, o Santos tem realizado Campeonatos Brasileiros medíocres desde 2008. Por que seria obrigado a ficar entre os primeiros com um time formado por veteranos, garotos e renegados de outros times, dirigido por um técnico interino?

O último ano em que o Santos se classificou para a Copa Libertadores por meio do Campeonato Brasileiro foi 2007, quando terminou em segundo lugar. De lá para cá suas campanhas no Brasileiro foram pífias. Vejamos desde 2007:

2007 – segundo – 19 vitórias – 54,30%
2008 – décimo-quinto – 11 vitórias – 39,47%
2009 – décimo-segundo – 12 vitórias – 42,98%
2010 – oitavo – 15 vitórias – 49,12%
2011 – décimo – 15 vitórias – 46,49%
2012 – oitavo – 13 vitórias – 46,00

Em 2013, com 31 rodadas, o Santos tem 44 pontos e 10 vitórias, com aproveitamento de 47% e ocupa a oitava posição do campeonato. Se o rendimento continuar o mesmo, o time terminará a competição com 12 vitórias e o mesmo aproveitamento de 47%, o que será maior do que em 2008, 2009, 2011 e 2012.

Então, que as críticas se voltem à direção do clube e que o torcedor e o sócio exijam explicações pelos atos financeiro-administrativos que levaram o Santos à situação atual. Mas que, ao menos até o final do Brasileiro, os jogadores e o técnico tenham o apoio necessário para concluir a dura missão de terminar esse Brasileiro com a cabeça erguida.

E pra você, quem merece críticas, ou elogios, no Santos?


Santos não é o favorito no clássico histórico, mas pode surpreender.

Santos reage no segundo tempo, empata e quase vira

Depois de dominado na primeira etapa, quando sofreu o gol de Douglas, o Santos foi melhor no segundo tempo, criou boas oportunidades, fez o gol de empate, com o garoto Gustavo Henrique, e teve chance de vencer o Clássico Alvinegro. O resultado deixa o time na oitava posição, com 44 pontos, e a missão de ganhar 80% dos pontos que faltam para disputar uma vaga para a Copa Libertadores.

Veja os gols da partida:
http://youtu.be/y6ifsN5hLlA

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Pitbull por Pitbull, o Santos também tem um (Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Em 22 de junho de 1913, há 100 anos e quatro meses, Santos e Corinthians se enfrentaram, no campo do Parque Antarctica, pelo Campeonato Paulista de 1913, o primeiro que ambos disputavam, naquele que hoje é o clássico mais antigo de São Paulo. Orientado por Urbano Caldeira, o Alvinegro Praiano goleou por 6 a 3, com destaque para os garotos Millon e Arnaldo – autores de dois gols cada um –, que no ano seguinte já seriam titulares da Seleção Brasileira.

Um dos jornais paulistanos escreveu: “A segurança do passe e o esplêndido jogo de combinação desenvolvido pela brava rapaziada santista era patente desde o início do jogo”. Passaram-se 100 anos, mas a mesma segurança do passe é o que se espera dos santistas no jogo deste domingo, às 16 horas, em Araraquara, partida que comemora o centenário do clássico e o aniversário de 73 anos do Rei Pelé.

As circunstâncias não dão o favoritismo desta partida ao Santos. Thiago Ribeiro sentiu a coxa e não jogará, sendo provavelmente substituído por Willian José ou Victor Andrade. Assim, o time a ser escalado pelo técnico Claudinei Oliveira deverá ter Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Eugenio Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa e Victor Andrade (ou Willian José).

O adversário, mesmo atrás do Santos na classificação do campeonato, tem um time estruturado, que em 2012 conseguiu até ser campeão mundial. Sua defesa é excelente, mas o ataque é o segundo pior do Brasileiro. Contra o Santos não terá os titulares Cássio, Fábio Santos e Romarinho.

Como não deverá se expor, mesmo com o mando de campo e torcida a favor, o Corinthians deverá se preocupar mais com a defesa, assim como o Santos, o que nos faz prever um jogo amarrado, em que um 0 a 0 não será surpresa.

Dos 18 mil ingressos colocados à venda, apenas 1.000 foram reservados aos santistas – e vendidos imediatamente, pois se esgotaram às 13 horas de quinta-feira. Uma pena que o estádio não comporte mais, pois no Interior de São Paulo, segundo pesquisa recente da Pluri Consultoria, os dois alvinegros são hoje os times de maior torcida.

Camisas com os lugares do Rei

A assessoria de imprensa do Santos informa que “nas costas da nova camisa do Peixe, no lugar dos nomes dos atletas, estará estampado o nome de lugares que marcaram a história escrita pelo Alvinegro e por Pelé ao redor do mundo”, como Três Corações, Bauru, Santos, Vila Belmiro, Santo André, Pacaembu, Rua Javari, Buenos Aires, Santiago, Maracanâ, Bogotá, Japão, Paris, Nova York, Nigéria, Costa do Marfim, Alemanha, Estádio Azteca, Milão…

É uma boa iniciativa promover os grandes clássicos do futebol brasileiro. Essa é uma ideia antiga do G4 Paulista, coordenado pelo amigo José Carlos Peres, que precisa ser colocada em prática. Que haja rivalidade, sadia, entre os torcedores, mas que o espetáculo seja valorizado.

Os santistas que forem ao jogo deverão entrar pelo portão da Avenida Engenheiro Agrimensor, que fica atrás do Gigantão e ocupar, no interior do estádio, o local destinado ao torcedor visitante (setor 3 – área vermelha). Recomenda-se a chegada antecipada dos torcedores, evitando assim aglomeração e tumulto na entrada do estádio.

O Clássico do Tabu

Os dois grandes fatos relativos a este jogo são o grande tabu que o Santos manteve de não perder do rival por anos a fio. Só de Campeonatos Paulistas foram 11, de 1957 a 1968, com 22 jogos nesse período, dos quais venceu 16 e empatou seis. Porém, também é preciso lembrar que de junho de 1962 até o primeiro turno do Campeonato Paulista de 1968 o Corinthians não derrotou o Santos por nenhuma competição, incluindo não só o Paulista, mas também o Torneio Rio-São Paulo e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata.

Houve também um tabu ao contrário entre meados dos anos 70 e início dos 80, em que o Santos ficou sem vencer o rival. Mas nesse período ocorreram mais empates do que derrotas santistas. Tanto, que o Corinthians só conseguiu nove vitórias no período, mesmo número de vitórias que o Santos de Diego e Robinho conseguiu em outro tabu contra o rival, de 2002 a 2005.

Na soma de títulos mais importantes, o Santos leva larga vantagem ao longo da história, com dois títulos mundiais (ou intercontinentais), três Libertadores e oito títulos brasileiros. Mesmo não sendo o maior vencedor no Campeonato Paulista, tem mantido a hegemonia da competição nos últimos anos, com cinco títulos nos últimos oito disputados.

No confronto direto, o alvinegro paulistano leva grande vantagem devido à fase amadora do futebol e às décadas de 1930 e 40. Em 1950 houve equilíbrio e de 1958 a 1960, na fase de ouro do futebol, o predomínio santista tornou-se massacrante. O Corinthians reagiu e voltou a ter vantagem nas décadas de 70 e 80, mas o equilíbrio voltou a partir dos anos 90. Desde então os times têm se alternado em períodos de predomínio, com pequena vantagem santista nos últimos 20 anos, principalmente a partir de 2002, com as gerações Diebo/Robinho e Ganso/Neymar.

Relembre mais uma vitória de Robinho sobre Tevez:

E domingo, quem vencerá o Clássico Alvinegro?


Pelé marcou exatos 50 gols contra o Corinthians!

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Pelé comemora gol contra o rival no Morumbi. Ao seu lado, o centroavante Euzébio.

Tanto concordo com Pelé que Santos e Corinthians fazem “O Grande Jogo”, que escrevi com o amigo Celso Unzelte um livro com este título que conta a história desta que é a maior rivalidade alvinegra do futebol e o primeiro clássico paulista, já que foi jogado pela primeira vez há 100 anos, em 22/06/1913, na capital, com uma goleada do Santos por 6 a 3.

Quem já leu meus livros sabe que os santistas têm bons motivos para valorizar esse confronto, que traz muitas curiosidades favoráveis ao Alvinegro Praiano, tais como:

Vitória, com goleada, na primeira vez em que se enfrentaram; invencibilidade nos primeiros seis jogos oficiais disputados; goleada de 8 a 3, na capital, em 1927; primeiro título estadual conquistado com vitória de 2 a 0 em pleno Parque São Jorge; tabu mais famoso do futebol mundial (11 anos de invencibilidade no Campeonato Paulista) e, entre outros fatos, o detalhe de que o adversário foi o que mais sofreu gols de Pelé, o Rei do Futebol.

Pelé marcou 50 gols contra o alvinegro paulistano

A maioria das matérias que li a respeito diziam e dizem que Pelé marcou 50 gols contra o Corinthians, sua maior vítima. Mas alguns pesquisadores afirmam que foram 49 gols. Em uma primeira pesquisa cheguei a 51 gols, mas fui alertado pelo leitor Ailton, o palmeirense que frequenta o blog, de que no empate de 1 a 1, em 3 de dezembro de 1961, o gol do Santos teria sido de Pepe, segundo livro de Celso Unzelte, ou contra, de Rafael, segundo o arquivo do jornal Folha de São Paulo.

Fui conferir em outros arquivos de jornais e novamente no Almanaque do Santos, escrito pelo professor Guilherme Nascimento, e realmente Pelé fez meia centena de gols contra o Corinthians, nenhum a mais ou a menos. Baseei-me em uma súmula errada para chegar a um gol a mais.

Na verdade, Pelé marcou 51 gols contra o Corinthians, como eu havia informado anteriormente, mas ocorre que um jogo em que ele tinha feito um gol depois foi invalidado. Em 19 de outubro de 1969, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata (Campeonato Brasileiro), ele marcou de falta, aos 37 minutos do primeiro tempo, empatando a partida que era vencida pelo adversário graças a um gol de Rivelino quatro minutos antes. Nada menos do que 48.315 pessoas se comprimiam no Pacaembu para ver o jogão. Porém, a chuva forte fez o árbitro Airton Vieira de Morais interromper o jogo após o primeiro tempo. A partida foi anulada e novo confronto foi realizado dia 4 de novembro, com portões abertos.

Esses 50 gols oficiais foram assinalados em 33 jogos, dos quais 16 – praticamente a metade – disputados no Pacaembu, 9 no Morumbi, 7 na Vila Belmiro e 1 no Parque São Jorge. Em três jogos contra o rival o Rei do Futebol marcou quatro gols: na goleada de 6 a 1, na Vila Belmiro, 07/12/1958, na goleada de 7 a 4, no Pacaembu, em 06/12/1964 e no empate de 4 a 4, no Pacaembu, em 15/04/1965.

Em outras duas partidas Pelé marcou três vezes: no empate de 3 a 3, no Pacaembu, em 03/11/1957 e na vitória por 3 a 1, também no Pacaembu, em 22/09/1963.

Os 51 gols de Pelé contra o Corinthians

1 gol – 5 a 3, Vila Belmiro, Semana Alvinegra, Comemoração do Aniversário do Santos, 11/04/1957.

3 gols – 3 a 3, Pacaembu, Campeonato Paulista, Fase de Classificação, 03/11/1957.

1 gol – 1 a 2, Pacaembu, Torneio Rio-São Paulo, 27/03/1958.

1 gol – 1 a 0, Pacaembu, Campeonato Paulista, 14/09/1958.

4 gols – 6 a 1, Vila Belmiro, Campeonato Paulista, 07/12/1958.

1 gol – 3 a 2, Pacaembu, Torneio Rio-São Paulo, 30/04/ 1959.

1 gol – 3 a 2, Pacaembu, Campeonato Paulista, 26/08/1958.

2 gols – 4 a 1, Vila Belmiro, Campeonato Paulista, 27/12/1959.

1 gol – 1 a 1,Vila Belmiro, Campeonato Paulista, 31/07/1960.

1 gol – 6 a 1, Pacaembu, Campeonato Paulista, 30/11/1960.

1 gol – 5 a 1, Pacaembu, Campeonato Paulista, 16/08/1961.

1 gol – 5 a 2, Vila Belmiro, Campeonato Paulista, 23/09/1962.

1 gol – 2 a 1, Parque São Jorge, Campeonato Paulista, 04/11/1962.

2 gols – 2 a 0, Pacaembu, Torneio Rio-São Paulo, 03/03/1963.

3 gols – 3 a 1, Pacaembu, Campeonato Paulista, 22/09/1963.

1 gol – 3 a 0, Pacaembu, Torneio Rio-São Paulo, 18/03/1964.

1 gol – 1 a 1, Campeonato Paulista, Pacaembu, 30/09/1964.

4 gols – 7 a 4, Campeonato Paulista, Pacaembu, 06/12/1964.

4 gols – 4 a 4, Torneio Rio-São Paulo, Pacaembu, 15/04/1965.

2 gols – 4 a 3, Campeonato Paulista, Morumbi, 29/08/1965.

1 gol – 4 a 2, Campeonato Paulista, Morumbi, 14/11/1965.

1 gol – 1 a 1, Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Campeonato Brasileiro), Pacaembu, 13/05/1967.

1 gol – 2 a 1, Campeonato Paulista, Morumbi, 10/12/1967.

1 gol – 2 a 0, Campeonato Paulista, Morumbi, 21/04/1968.

1 gol – 2 a 1, Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Campeonato Brasileiro), Morumbi, 06/10/1968.

2 gols – 3 a 1, Campeonato Paulista, Morumbi, 08/06/1969.

1 gol – 2 a 2, Campeonato Paulista, Morumbi, 02/08/1970.

1 gol – 2 a 4, Campeonato Paulista, Vila Belmiro, 11/04/1971.

1 gol – 3 a 3, Campeonato Paulista, Pacaembu, 20/06/1971.

1 gol – 1 a 1, Campeonato Nacional (Campeonato Brasileiro), Pacaembu, 30/10/1971.

2 gols – 3 a 0, Campeonato Paulista, Morumbi, 29/04/1973.

1 gol – 1 a 1, Campeonato Paulista, Morumbi, 22/07/1973.

Confira alguns gols do Rei contra o adversário do Santos neste domingo:

Você acha que Pelé é uma inspiração dos santistas para o clássico de domingo?


Vida longa ao Rei!

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Pelé ao chegar à Vila Belmiro, aos 15 anos (Foto: José Dias Herrera)

Hoje o cidadão brasileiro Edison Arantes do Nascimento faz 73 anos. E deve comemorar a data justamente no México, onde está a trabalho e onde, aos 29 anos e oito meses se tornou o melhor jogador da Copa em 1970, provando que continuava insuperável. Quem tem a consciência do que ele representa para o Brasil e para o futebol, não pode deixar de reverenciá-lo.

Entre suas muitas façanhas, seus muitos milagres, Pelé transformou o jogador de futebol, antes um marginal, em celebridade; colocou o Brasil no mapa; fez mais pela valorização da raça negra no mundo do que mil manifestações violentas. Nasceu escolhido para reinar. E para trabalhar, pois aos 73 anos continua mantendo uma agenda cheíssima.

Só outro dia soube que o fotógrafo Sebastião Salgado deve a sua vida a Pelé. Preso por guerrilheiros na África, o grande fotógrafo brasileiro seria executado quando revelou que era do mesmo país de Pelé. Pelé, palavra mágica, primeiro deus universal para os povos negros! E Salgado pôde viver.

Fico aqui imaginando quantos brasileiros já viveram momentos de extremo orgulho por serem compatriotas de Pelé, aquele que transformou futebol em arte, que encantou desde o homem simples aos soberanos mais poderosos. Todos, na sua época, se renderam ao insuperável atleta.

Tenho a fortuna e a felicidade de ser o editor de conteúdo do Museu Pelé, a ser inaugurado no ano que vem, no antigo Casarão do Valongo, em Santos, e estou passando a limpo a linha de tempo de Pelé. Por mais que saibamos sobre ele, sempre há detalhes a serem conferidos, a serem confirmados ou revelados.

Para este rápido post destaco o dia em que Pelé chegou à Vila Belmiro, trazido de Bauru por Waldemar de Brito. Ninguém nunca bateu o martelo sobre esse dia, pois havia muita dúvida a respeito. Minha pesquisa me dá a certeza de que se trata de 22 de julho de 1956, um domingo, em que, ainda menino usando calças compridas pela primeira vez, o futuro Rei do Futebol conheceu o clube pelo qual marcaria mais de mil gols e defenderia por nada menos do que 19 anos!

Primeiro dia na Vila – 22 de julho de 1956, domingo. No livro “Eu sou Pelé”, de 1961, Pelé diz que chegou a Santos em um domingo em que o time venceu o Comercial. Na verdade, em 1956 o Comercial Futebol Clube – fundado em 3 de abril de 1939, na capital paulista –, time que revelou jogadores de renome, como Dino Sani e Gino Orlando, fundiu-se em 1953 com o São Caetano Esporte Clube, dando origem à Associação Atlética São Bento. Foi esse time que o Santos enfrentava quando Pelé chegou à Vila Belmiro. Naquela tarde, diante de um público aproximado de 5.300 pessoas, o Santos venceu por 3 a 1. Bota abriu o marcador para o São Bento aos 12 minutos e Tite empatou aos 35 do primeiro tempo. Na segunda etapa Vasconcelos marcou aos 2 e aos 43 minutos. O Santos jogou com Manga, Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Jair Rosa Pinto, Pagão, Vasconcelos e Pepe (a Associação Atlética São Bento durou até 1957. Depois, o Comercial voltou em 1958, caiu para a Segunda Divisão em 1960 e para a terceira em 1961, quando a equipe foi desativada). Na noite do domingo em que chegou à Vila, Pelé foi levado por Dorval para jantar na casa do jogador Fiotti, que morava perto do estádio. No dia seguinte foi à praia de Santos e viu o mar pela primeira vez, realizando um sonho de infância.

Em 2010, quando Pelé fez 70 anos, pedi para o amigo e parceiro deste blog, Vítor Queiroz de Abreu, editar vídeos reunindo as proezas técnicas de Pelé, como sua matada no peito, seus gols de cabeça e com o pé esquerdo… Reproduzo-os aqui, em mais uma pequena homenagem ao melhor jogador de todos os tempos, aquele que sintetizou, em seu talento e personalidade, todos os grandes craques que já passaram e passarão pelo futebol:

E você, o que tem a dizer ao aniversariante Pelé?


As qualidades dos jogadores do Santos

Sub-20 joga às 18h30 na Vila pela semifinal da Copa do Brasil

Depois de vencer na Bahia por 1 a 0, gol do artilheiro Diego Cardoso, o Sub-20 do Santos enfrenta novamente o Bahia nesta terça-feira, às 18h30, na Vila Belmiro, e precisa ao menos de um empate para passar à semifinal da Copa do Brasil. O Alvinegro Praiano também está nas quartas-de-final do Campeonato Paulista da categoria. Vale a pena dar uma força para a garotada. Nem é preciso dizer que eles são o futuro do Santos.

Depois de 57.268.000 de apostas, em 64% das cidades brasileiras, a Timemania apresenta a seguinte parcial em 2013

Time UF Nº de apostas Percentual
1º FLAMENGO RJ 5.715.246 5,32%
2º CORINTHIANS SP 5.099.073 4,75%
3º SÃO PAULO SP 3.969.376 3,70%
4º SANTOS SP 3.655.399 3,40%
5º GRÊMIO RS 3.433.555 3,20%
6º PALMEIRAS SP 3.376.504 3,14%
7º VASCO DA GAMA RJ 3.013.471 2,81%
8º INTERNACIONAL RS 2.988.495 2,78%
9º BOTAFOGO RJ 2.914.276 2,71%
10º ATLÉTICO MG 2.676.913 2,49%
11º FLUMINENSE RJ 2.635.018 2,45%
12º CRUZEIRO MG 2.495.477 2,32%
13º BAHIA BA 2.145.370 2,00%
14º FORTALEZA CE 1.989.202 1,85%
15º GOIÁS GO 1.744.827 1,62%
16º VITÓRIA BA 1.554.981 1,45%
17º ABC RN 1.488.406 1,39%
18º CEARÁ CE 1.408.278 1,31%
19º SANTA CRUZ PE 1.356.543 1,26%
20º CORITIBA PR 1.353.692 1,26%

Concordo que o nível técnico do futebol brasileiro deixa a desejar, que faltam fundamentos básicos, inteligência e fibra a jogadores que ganham salários com três dígitos, mas, apesar dessas carências todas, temos de admitir que ninguém chega a jogador profissional, ainda mais titular de um grande time do futebol brasileiro, como o Santos, se não tiver alguma qualidade.

Em épocas de crise o torcedor só vê defeitos no time – mas mesmo assim ele quer que esse time cheio de jogadores defeituosos consiga vitórias espetaculares… Pois eu proponho um outro exercício agora, que vai contra a nossa tendência crítica natural. Proponho tentarmos enxergar as qualidades dos jogadores do Santos. E do técnico. Vamos lá?

Aranha – Calmo, elástico e corajoso. Sai do gol e repõe a bola melhor do que Rafael. Alguns bons resultados do Santos neste Brasileiro se devem a ele.

Cicinho – É ágil, leve, tem habilidade e apoia bem.

Edu Dracena – Um dos zagueiros mais experientes e mais vitoriosos em atividade no futebol brasileiro. Técnico e raçudo, dificilmente perde uma dividida.

Gustavo Henrique – Alto, forte, aguenta o tranco e sabe sair jogando. Ótimo nas bolas altas. Bom senso de cobertura.

Mena – Bom marcador, apoia razoavelmente bem.

Arouca – Já foi considerado um dos melhores volantes do País. Em forma é um grande marcador e muito rápido para puxar o contra-ataque.

Alison – Uma das boas revelações do Campeonato Brasileiro deste ano. Ótimo marcador, muito raçudo e determinado.

Alan Santos – Volante técnico, calmo, que também está apoiando bem.

Cícero – Grande habilidade, canhoto que está se revelando um dos melhores arrematadores deste Brasileiro.

Montillo – Técnico, habilidoso, insinuante, um dos grandes meias em atividade no Brasil.

Thiago Ribeiro – Atacante que se movimenta bem, é sempre uma boa opção de passe e não tem medo de arriscar chutes a gol.

Éwerton Costa – Brigador, protege bem a bola, ajuda na marcação e até tem feito gols.

Claudinei Oliveira – Inventa pouco, geralmente escala os melhores e faz o time correr e se dedicar mais do que conseguia Muricy Ramalho. Também tem tido um aproveitamento melhor do que seu antecessor. E por 80 pilas por mês!

Bem, meu caro e minha cara, esta é a parte cheia do copo. Fique à vontade para concordar, ou para falar da metade vazia, que desta vez eu ignorei.

E você, vê qualidades nos jogadores e no técnico do Santos?


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