O queniano Dennis Kimetto acaba de bater o recorde da Maratona de Chicago com o tempo de 2h03m45, menos de três minutos por quilômetro! Não consigo imaginá-lo cansado, pois parece um graveto levado velozmente pelo vento, sem esforço algum. Mas muitos outros precisam dar o máximo para apenas completar os 42.195 metros da maratona corrida sob um sol inesperado e nas ruas largas dessa cidade construída para pessoas e não para carros ou especuladores imobiliários. Entre os que ainda chuzam a linha de chegada vejo homens de cabelos brancos que socam o ar de alegria pelo objetivo conquistado. Nâo seria a maratona mais uma parábola tocante da vida, em que cada um luta por sua vitória particular? Não seria um campeonato de futebol como uma maratona que premia no final aquele que resistiu à tentação fácil de desistir?

Sei que o período mais difícil – e por isso mais revelador – de uma maratona é o quarto final, os derradeiros 10.000 metros. Eles separam os vencedores dos que correm apenas porque o corpo permite. Mas o corpo não é tudo. Há o raciocínio e a garra, que talvez seja o resultado de uma ordem vinda do cérebro, pois há momentos em que a luta é o único caminho, superior até ao talento.

O Campeonato Brasileiro entrou no seu quarto final e agora vem aquele território indecifrável em que os times e os jogadores se transformam de acordo com o seu maratonista interior. O Santos e os santistas precisarão buscar uma força que muitas vezes lhes têm faltado.

Ontem o Alvinegro Praiano venceu a Ponte Preta aos trancos e barrancos. Tática defensiva jogando em casa, muitos erros de passe, chutões para a frente, nervosismo, público pequeno (mas heroico), grande atuação de Aranha, boas jogadas de Cícero e Montillo, dedicação de todos, principalmente de Alison e Emerson. Jogo difícil, quase um tropeço, mas no final das contas um passo importante.

Sim, não somos um queniano fino e volátil como seria um atleta de Alexander Calder, o norte-americano que criou a ideia dos móbiles e ontem era atração no Museu de Arte Contemporânea de Chicago. Somos pesados, temerosos, pouco criativos, quase amadores, como muitos dos corredores que tomaram as ruas em torno do nosso hotel nesse domingo de festa e alívio, em que o espírito do esporte superou o medo.

Mas, não importa. Estamos na disputa e a parte mais difícil está por vir. É hora de união, de juntar as forças e partir para a parte mais difícil da jornada. O Santos pode, sim, buscar um lugar entre os que disputarão a Copa Libertadores em 2014. Para isso, mais do que nas pernas, é preciso acreditar no coração.

E para você, o que fazer para se terminar essa maratona entre os melhores?