Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: novembro 2013 (page 1 of 2)

Xavi deu a receita para vencer o Barça. O Santos ignorou

Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos também fala sobre técnicos: http://issuu.com/metro_brazil/docs/20131129_br_metro-santos/17?e=3193815/5812939

Xavi
“A chave é onde surge superioridade numérica, a fim de criar espaços em outros setores do campo…”

Na tentativa de ajudar o Santos a derrotar o Barcelona na final do Mundial da Fifa de 2011, o santista radicado na Alemanha e leitor deste blog, Tana Blaze, traduziu uma entrevista do meia Xavi, do Barcelona – na qual este revelava que tipo de marcação complicava mais a vida do Barça – e enviou a carta para a Teisa. Pelo que ocorreu depois, entende-se que Muricy Ramalho não deve ter levado em conta as dicas de Xavi para parar o time espanhol. Leia abaixo a carta de Tana Blaze e, a seguir, as respostas mais reveladoras de Xavi na entrevista para o jornal Süddeutsche Zeitung (SZ), de Munique.

Estou dando essa matéria agora porque, mesmo aparentemente defasada, ela trata de um tema crucial no futebol brasileiro, que é a pouca aplicação tática de nossas equipes. Nossos técnicos, mesmo aqueles considerados com “t” maiúsculo, não se reciclam, não evoluem, não se preocupam com aliar técnica e tática em treinamentos mais científicos e menos acomodados. Esta entrevista de Xavi revela como Pep Guardiola trabalhou para tornar o Barcelona o melhor time do mundo.

Carta de Tana Blaze à Teisa, em 19 de outubro de 2011

No dia 26 de Julho de 2011 o jornal Süddeutsche Zeitung de Munique publicou entrevista com o meio-campista Xavi do Barcelona, que estava na cidade para disputar a Copa Audi.

Ainda entusiasmado com a vitória na final da Champions League sobre o ManchesterU, ocorrida pouco tempo antes da entrevista, Xavi estava à vontade, com a língua solta, deslumbrado e cheio de si, quando diz coisas do tipo que pensa mais rápido que seus marcadores, que faz o Messi jogar e que só 2% das pessoas entendem de futebol. Não é uma dessas entrevistas típicas de jogador com chavões politicamente corretos, sendo por isto interessante como informação.

Revela alguns detalhes sobre o treinamento e o jogo do Barcelona, que por si só não chegam a ser novidade. O interessante é a ênfase dada pelo técnico Pep Guardiola à posse da bola e à superioridade numérica na zona da bola, com Xavi narrando que se necessário corre da esquerda para a direita, tentando sempre reestabelecer a superioridade numérica. Aliás um sistema aplicado pela seleção brasileira que ganhou o Mundial nos Estados Unidos em 1994, na qual havia quase sempre um jogador livre na proximidade para receber a bola e iniciar uma nova jogada em outro setor.

Xavi revela também, que os times que mais dificultam a vida do Barcelona, são os que marcam homem a homem “como soldados”; lembrando também as seleções do Chile e do Paraguai, contra as quais jogou na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. O Paraguai chegou a desperdiçar um penalti defendido por Casillas e foi derrotado por 1×0 com gol aos 82 minutos de jogo, perdendo ainda no finalzinho uma grande chance para empatar; poderia ter eliminado a Espanha, futura campeã mundial com o motor do Barcelona em campo, a dupla Xavi e Iniesta.

Embora a entrevista não revele nada de extraordinário, achei por bem traduzi-la e mandar para o Santos FC; talvez um ou outro tiquinho de informação possa ser útil na véspera da Copa do Mundo de Clubes. Como não achei o número da sede do Santos FC, envio via Teisa.

Saudações, Tana Blaze

Entrevista de Xavi ao Süddeutsche Zeitung (SZ) de Munique em 26 de Julho de 2011, na qual descreve o sistema do Barcelona (traduzida do alemão para o português por Tana Blaze)

Xavi Hernández, 31 anos, é considerado como o melhor meio-campista do mundo. Ele não é tão espetacular como o atacante argentino Lionel Messi, mas é o ritmo do seu pé, que cadencia o jogo do Barcelona e da seleção espanhola. Xavi, que nasceu em Terrassa / Catalunha começou a jogar com dez anos no Barcelona, foi treinado na famosa academia do clube de La Masia. Com o Barcelona ganhou o título de campeão espanhol por seis vezes, ganhou três vezes a Liga dos Campeões e com a equipe nacional se tornou campeão europeu (2008) e campeão do mundo (2010). Na terça-feira e quarta-feira o mestre do penúltimo passe jogará com o Barcelona na Copa Audi, em Munique. Eis uma manifestação de entusiasmo pelo Barcelona em forma de entrevista:

SZ: O treinador do Manchester United, Alex Ferguson disse que nunca antes seu time tinha levado tamanha surra.
Xavi: Foi um jogo milagroso. ManU não tinha qualquer chance de nos pressionar! Nós dominamos o jogo inteiro, exceto nos últimos 20 minutos, quando eles tinham algumas opções. Mas nesta fase já não acreditavam mais em si, isto se via em seus rostos, nos seus gestos. Wayne Rooney veio até a mim dizendo: ‘Não podemos fazer nada, nada”. E, ‘hostia’, ver isto acontecer com um time como Manchester, do qual tínhamos um respeito brutal, que já havíamos derrotado dois anos antes numa final da Liga dos Campeões e que procurava a revanche…- ufa!

SZ: Como se atinge tal perfeição?
Xavi: Treinando-a. Trabalhando nela todos os dias. Claro, existem coisas que simplesmente não se pode atingir com treinos, o talento por exemplo. Não dá. E nós temos naturalmente uma serie de jogadores que trazem um monte de qualidades natas. Mas Pep (treinador Josep Guardiola / nota da redação), nos proporcionou uma outra vantagem, porque através dele nós conhecemos a razão de cada ação. O porquê!

SZ: O porquê?
Xavi: Sim. Há muitas equipes que jogam muito bem, mas não sabem porquê. Onde tudo acontece por acaso. Por que defendemos arremessos laterais de tal forma e não de outra? Por que batemos escanteios curtos e não longos? Por que nos movemos para um lado do campo para terminar a jogada que está sendo feita no outro lado do campo? Por que fazemos pressão para recuperar a bola numa zona de dez metros? Pep explica isto. E ele o faz com muita didática.

SZ: Foi este o porquê da final contra o Manchester?
Xavi: A chave de tudo é sempre a questão aonde surgem situações de superioridade numérica, a fim de criar espaços em outros setores do campo (introduzido na tradução), Pep nos diz antes de cada jogo: “Hoje, a superioridade numérica vai ocorrer aqui ou ali ou lá”. E ele quase sempre acerta a mosca.

SZ: Antes do jogo?
Xavi: Sim. Ele fica planejando o dia inteiro. Sua máquina funciona 24 horas. Então ele está dois lances adiante de todos. Na realidade fomos surpreendidos apenas por Hércules Alicante um ano atrás, no dia da abertura da última temporada. Eles abarrotaram o centro do campo e deixaram as laterais do campo livres. Nós solucionamos isto muito mal. E perdemos.

SZ: Como foi contra o Manchester?
Xavi: Eles tinham uma linha defensiva de quatro homens, tivemos três atacantes; eles tiveram dois volantes e Rooney, nós tivemos Iniesta, Xavi, Busquets – e Messi, que caía de volta ao meio-campo para produzir situações de quatro contra três. E então começou. Toque, toque, toque (toque de bola, toque de bola, toque de bola, acrescentado pela redação), até surgir uma jogada de ataque. Isto às vezes pode durar meia hora, e para isso precisamos de jogadores que não perdem a bola, que são brilhantes. Você se lembra de nosso primeiro gol contra o Manchester?

SZ: O gol de Pedro após seu passe de trivela? Depois de você poder conduzir a bola 20, 30 metros sem ser marcado?
Xavi: Quando recebi a bola perto do círculo central e me virei, pensei, ‘hostia’, estou sozinho aqui! Os defensores não saem! Eles simplesmente não saem! E por que? Porque os defensores têm, digamos assim, respeito do Villa, Pedro e sobretudo do Messi, a ponto de não se atreverem a deixar suas posições.

SZ: O ex-atacante do Liverpool Michael Robinson, um dos maiores especialistas de futebol da televisão espanhola, lhe atesta de ter junto com o Barcelona democratizado o futebol: Ninguém nunca vai novamente enxotar um adolescente, porque ele é pequeno ou franzino demais.
Xavi: Isto tem algo de verdade. Alguns anos atrás, os jogadores como eu eram ameaçados de extinção, porque meias tinham que ter uma altura de 1,8 metros e ser fortes fisicamente. O meu futuro foi questionado. Não faz três anos, que as pessoas diziam, que Andrés Iniesta e eu não poderíamos jogar juntos. E agora? Todos concordam que somos a chave para o sucesso desta equipe. Felizmente, o futebol ainda é um esporte no qual o talento está acima da força pura. E eu digo isso não porque eu sou um jogador tecnicamente dotado.

SZ: Então por quê?
Xavi: Porque é uma bênção para o esporte, para o espetáculo para o público. E porque eu sou um romântico. Quando eu vejo um cara que mata uma bola que cai de 30 metros de altura com um simples toque, eu digo: `hostia!‘ Isso é talento! O mais simples é uma equipe fechar atrás com oito jogadores, uma situação em que qualquer pessoa pode jogar, até o meu irmão que não está em forma. O difícil é acertar três passes em seqüência. Passar a bola quatro vezes em seguida com toques únicos. É isto que importa.

SZ: Passes diretos são a chave do jogo?
Xavi: Você se lembra do Hugo Sánchez? Muitos antigos defensores dizem hoje: No Hugo Sanchez eu nem conseguia dar um pontapé. Numa temporada marcou 38 gols todos com chutes de primeira sem matar a bola! (acréscimo do tradutor) O que quero dizer: não há defesa contra o jogo direto. Você pode me marcar. Mas a bola vem para os meus pés, e, pum, já passei para um outro. Como se defender contra o toque direto? Impossível! Pode se defender contra ações individuais. Dribles.

SZ:Houve quem dificultasse o jogo do Barcelona?
Xavi: Sim, com marcação homem a homem. Os russos e ucranianos são os mais irritantes. Como soldados. Ou, Paraguai e Chile na Copa do Mundo. Mesmo assim continua valendo: quanto mais direto for o jogo, maior dificuldade o adversário terá em se defender.

SZ: Como vocês treinam isto no Barça?
Xavi: Tanto faz se o treino for de força, velocidade ou condicionamento. Cada unidade de treinamento começa com o “Rondo”, uma forma de jogo em que você, se perder a bola, tem que ir ao meio – um treinamento mental bestial. E sempre termina com uma forma de jogo em que se deve manter a posse da bola. Jogos de posicionamento, nos quais que se deve pensar rápido, onde se pode tocar na bola apenas uma vez. Num espaço confinado. Sem tempo para pensar em perder a bola. E ninguém perde. Ninguém. Às vezes, digo a Pep: “deveríamos filmar nosso treino. É melhor do que qualquer jogo. Muito melhor.

SZ: Quando se avalia as estatísticas dos jogos do Barça, chama atenção que um quarto dos seus passes são feitos a Messi e Iniesta, e que um terço dos passes de Messi, Iniesta, Daniel Alves e Busquets, são feitos a você. Isto corresponde a uma orientação?
Xavi: Não Se eu tiver a bola, tento avançar. Quando percebo, oh, o Messi não tocou na bola por cinco minutos, penso: isso não pode ser! Não deve ser. Onde está ele? (Xavi olha para a esquerda e direita), até encontrá-lo. Então pego o Messi e digo”(Xavi faz um movimento de chamada com a mão): vem, vem. Vem aqui, venha perto de mim, comece a jogar”… Ele é atacante, atacantes desligam as vezes. Como se estivessem ‘off’. Muitas vezes ele está apenas chateado porque não recebe a bola com freqüência suficiente, ou porque sofre marcação cerrada. Mas se ele, em seguida, volta para nós no meio-campo, fica novamente feliz. Ele aprecia isto, porque ali pode tocar na bola uma vez, duas, três vezes, e então inicia uma jogada de ataque… esse cara é uma bomba. Eu nunca vi um jogador que sequer chegasse a seu nível Eu não quero atingir os Pelés e Maradonas, nem mesmo os Di Stefanos e Cruyffs. Dos quais eu nunca vi dez jogos em série. Mas aqui, Messi é o melhor do mundo. Em todos os jogos!

SZ: Mas no campo você mesmo é o rei da posse da bola.
Xavi: Se não estiver em constante contato com a bola, me falta algo. Eu estou sempre indo para o lugar onde a bola está, para ajudar um colega, para produzir superioridade numérica. Se eu estou no lado direito e Andres Iniesta e Abidal com seus respectivos marcadores estiverem no lado esquerdo, apresso-me para me juntar a eles e provocar uma situação de três contra dois.

SZ: Como você consegue manter sempre a visão de jogo, mesmo sendo permanentemente pressionado de todos os lados?
Xavi: É o instinto de sobrevivência. Eu não tenho físico privilegiado, então tenho que pensar rápido. No futebol existem dois tipos de velocidade. Por um lado, a velocidade de execução da ação, como a tem Messi, que faz tudo a 100 por hora, ou Cristiano Ronaldo. E depois há a velocidade mental. Alguns têm na cabeça um” top” de 80, outros de 200 km / h. Eu tento chegar perto dos 200. Isso significa, acima de tudo, saber sempre onde você está no campo. Saber o que você faz com a bola antes de recebê-la: Você aprende isso no Barça desde pequeno. Se um adversário vier em minha direção, é em 99 por cento dos casos mais forte do que eu. A minha única chance é pensar rápido. Fazer um passe, um movimento, me livrar da marcação, uma finta, deixar o adversário correr para o vazio… Este tipo de velocidade hoje quase vale mais do que a velocidade pura física.

Para você, o que falta aos técnicos brasileiros para se equipararem a um Pep Guardiola?


Quem fica e quem sai do Santos? Veja o resultado da enquete

A enquete sobre quem fica e quem sai do Santos terminou. Como você deve ter percebido, não votei e nem dei minha opinião sobre os jogadores. Procurei não influenciar na decisão dos leitores deste blog. E confesso que me surpreendi com alguns resultados, como a quase total aprovação dos meninos Gustavo Henrique, Jubal, Alison e Alan Santos.

Basicamente percebe-se que desta vez a diretoria acompanhou o pensamento do torcedor, pois da lista anunciada de jogadores que não estarão no time em 2014, os leitores deste blog concordam com todos. Dos que devem sair, tiveram 100% de rejeição os jogadores Léo, Renato Abreu, Marcos Assunção, Durval, Galhardo e Everton Costa. Willian José também quase atingiu a unanimidade. 85% dos votantes não o querem mais no clube.

Mas há algumas surpresas, ao menos para mim: o garoto Lucas Otávio teve um índice de aprovação bem maior do que Arouca, e o zagueiro Neto, mesmo jogando pouco, também foi mais votado para ficar do que o capitão Edu Dracena.

Nos casos de Léo e Durval há um reconhecimento pelo que fizeram pelo time. Alguns sugerem uma despedida honrosa. Marcos Assunção foi indicado por alguns como olheiro, ou como alguém que pode trabalhar na comissão técnica.

Além destes, a maioria dos santistas também quer que o goleiro Vladimir (68%), o volante Renê Junior (64%) e o atacante Neilton (67%) deixem o clube, assim como os zagueiros reservas Rafael Caldeira (80%) e Wallace (75%) e o lateral Douglas (75%).

Com relação aos experientes Arouca e Edu Dracena, a questão parece mais relacionada à relação custo x benefício para o clube, pois não parecem mais justificar o alto salário que recebem. Arouca teve 50% de votos pedindo sua permanência no clube, enquanto o jovem Lucas Otávio atingiu 86%. Dracena teve 66% de votos para que fique, 10% a menos do que Neto, que mesmo citado como um jogador com crônicos problemas físicos, atingiu 76%.

No caso de Arouca, muitos lembraram que ele pode ser vendido ou trocado por jogadores de posições mais carentes para o Santos, pois o time já tem volantes mais jovens e tão bons tecnicamente quando ele. Quem não quer mais Edu Dracena no Santos geralmente também lembra que ele pode ser uma boa moeda de troca (parece que o São Paulo está interessado).

Tolerância e preferência pelos jovens

O santista tem mesmo maior tolerância – e esperança – com jogadores vindos da base do clube. Destes, além de Neilton, rejeitado mais pela sua atitude do que por seu futebol, um dos poucos que tem jogado, mas não foi aprovado para o elenco do ano que vem foi Pedro Castro, com 60% de votos pela sua saída.

Outros garotos que devem ficar no time em 2014, segundo a maioria dos opinantes: Geuvânio (87%), Gabriel (86%), Leandrinho (74%), Léo Cittadini (73%), Giva e Victor Andrade (66%), Misael (60%).

Os garotos mais votados foram Gustavo Henrique (100%), Jubal (90%), Alison (95%), Alan Santos (94%) e Gabriel Gasparotto (88%). Diogo Cardoso, ainda dos juvenis, foi citado seis vezes.

Titulares e reservas

Oito titulares do time conseguiram ampla aceitação, como o goleiro Aranha (95%), os laterais Cicinho (93%), Mena (88%) e Émerson Palmieri (91%), os meias Cícero (80%) e Montillo (88%) e os atacantes Thiago Ribeiro (88%) e Geuvânio (86%), o que prova que, apesar das críticas, o santista gostou da atuação da maioria dos jogadores do time em 2013, ou ao menos acredita que eles evoluam em 2014.

Levando-se em conta essa enquete, os times titular e reserva do Santos em 2014 seriam:

Aranha (95%) e o reserva Gabriel Gasparotto (88%).
Cicinho (93%) e Bruno Peres (por exclusão, já que 53% querem que saia do clube).
Gustavo Henrique (100%) e Edu Dracena (66%).
Jubal (90%) e Neto (76%).
Émerson Palmieri (91%) e Mena (88%).
Alison (95%) e Arouca (50%).
Alan Santos (94%) e Lucas Otávio (86%).
Cícero (80%) e Leandrinho (73%)..
Montillo (89%) e Léo Cittadini (73%).
Thiago Ribeiro (88%) e Giva (66%)
Geuvânio (86%) e Gabriel (86%).

Creio que Aranha, Cicinho, Gustavo Henrique, Jubal e Émerson Palmieri; Alison, Alan Santos , Cícero e Montillo; Thiago Ribeiro e Geuvânio é um bom time para ser utilizado nessas duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Como o Santos, infelizmente, nada aspira na competição, O atrativo seria colocar em campo uma equipe em harmonia com a vontade do torcedor.

E você, o que achou das preferências do torcedor do Santos?


Analisemos quem deve ficar e quem deve sair do Santos

Quem fica e quem sai do Santos? Hoje é o último dia para dar sua opinião.

A enquete está chegando ao fim. Amanhã faço um post com o resultado da enquete que quer saber quais jogadores do Santos ficam e quais devem sair do clube em 2014. Se ainda não opinou, ainda dá tempo. Sua opinião pode fazer a diferença.

Santos teve atitude contra o Flu. Agora é pensar em 2014

O Santos jogou melhor, teve mais oportunidades de gol e mesmo sem fazer uma partida vistosa, venceu o Fluminense por 1 a 0, em Presidente Prudente, e agora já pode usar os dois jogos restantes no Brasileiro para preparar o time para 2014. O público beirou os 4.500 pagantes. Com mais uma vitória o Santos igualará a campanha de 2010, quando tinha Neymar e Ganso. Veja o gol do triunfo santista:

Que tipo de jogo será Santos e Fluminense?

Depois do que vimos sábado, no Maracanã, quando o Cruzeiro entrou com o time reserva e parece ter evitado afundar o Vasco, não se pode saber o que esperar de Santos x Fluminense, neste domingo, às 17 horas, em Presidente Prudente. Time por time, a lógica seria apostar em uma vitória do Santos, ou no máximo, no empate. Porém, enquanto o desmotivado Santos só tem como meta se classificar para a Copa Sul-americana, o Fluminense de Dorival Júnior precisa desesperadamente da vitória para evitar o rebaixamento.
Como os santistas disseram que jogarão por Claudinei Oliveira, veremos até onde anda esse amor dos atletas pelo técnico. Com a volta dos laterais Cicinho e Mena, o Santos deverá jogar com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Eugenio Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Geuvânio e Thiago Ribeiro. O Fluminense, que não terá Gum, suspenso, e os machucados Fred, Carlinhos, Brum, Diquinho e Marcos Junior, provavelmente jogará com Diego Cavalieri, Igor Julião, Leandro Euzébio (Valencia), Anderson e Digão; Edinho, Jean e Wagner; Rhayner, Samuel e Rafael Sobis.

E você, acha que teremos jogo de verdade, ou de compadres?

Bom título em final decepcionante

Sabemos que nas categorias de base os títulos são menos importantes do que revelar jogadores. O Santos foi campeão da Copa do Brasil sub-20 nesta quarta-feira e ganhou o direito de jogar a Copa Libertadores da categoria no ano que vem, mas não se pode dizer que ao menos um dos santistas que estiveram em campo está pronto para ser um bom jogador profissional. Quase todos se mostraram falhos, dispersos e inseguros.

Com um pouco de boa vontade eu destacaria o volante Lucas Otávio, o goleiro Gabriel Gasparotto e o volante Misael (apenas pela cobrança de falta que decidiu o título), mas no todo o time decepcionou pela negligência, erros de passe, falta de empenho na marcação e falta de objetividade.

Mesmo com oito jogadores do seu elenco profissional (o Criciúma só tinha um, Bruno Lopes), o Santos mostrou-se irreconhecível no primeiro tempo, como se acreditasse que pudesse ganhar o título andando em campo. Faltou tudo para a equipe na primeira etapa, que se mostrou um bando preguiçoso, sem qualquer formação tática visível. Com muita vontade o Criciúma fez 2 a 0 e poderia ter feito mais.

No segundo tempo o Santos voltou melhor, ao menos com mais vontade, e Misael acertou uma cobrança de falta esotérica que diminuiu o placar para 2 a 1 e obrigou o Criciúma a marcar mais dois gols para ser campeão. Por alguns minutos o Santos pareceu controlar a partida.

Depois o Criciúma ainda teve um jogador expulso e o Santos continuava a ter muito espaço nos contra-ataques para empatar e até ganhar o jogo. Mas os santistas, Pedro Castro principalmente, cansaram de desperdiçar chances de gol, e foi o Criciúma que ainda chegou ao terceiro, aproveitando um pênalti mal marcado pelo árbitro em cima da hora. Sorte que nem deu tempo para o time catarinense fazer outro ataque, ou não sei o que aconteceria.

Enfim, o Santos foi campeão, o que tem o seu valor, mas no que é mais importante, que é revelar jogadores para o profissional, ficou devendo. Léo Cittadini, Leandrinho e Pedro Castro, que teoricamente formam um meio-campo técnico e poderiam controlar o jogo por ali, se mostraram erráticos, lentos e previsíveis. Não fosse o pequeno Lucas Otávio, e a liberdade do adversário teria sido ainda maior por aquele setor.

Relembrando: o Criciúma, que venceu por 3 a 1, ficando a apenas um gol do título, escalou apenas um jogador que atua no time profissional: o atacante Bruno Lopes, por sinal o melhor em campo.

Analisemos quem deve ficar e quem deve sair do Santos

Como temos feito desde 2010, ao final da temporada os freqüentadores deste blog analisam o desempenho dos jogadores do Santos e opinam sobre quais devem permanecer e quais devem deixar o clube – negociados ou mesmo dispensados. Chegou a hora de fazermos isso.

Sabemos que não são apenas os jogadores os responsáveis pelo sucesso de um clube. Há tudo que cerca o time de futebol – capacidade e sistema de trabalho da comissão técnica, marketing, administração, comunicação, logística… Talvez tudo possa ser resumido em organização e planejamento, que têm faltado ao Santos nos últimos anos.

De qualquer forma, no momento vamos nos ater aos jogadores e suas performances em 2013. Demonstraram técnica, fibra, personalidade e profissionalismo para vestir a camisa do Santos? Preocuparam-se em manter o físico em dia? Foram responsáveis e deram mostras de amor ao clube?

Nas vezes anteriores dei minha opinião primeiro, porém, como isso pode influenciar o veredicto de meus queridos leitores, desta feita deixarei para dizer o que penso em um artigo posterior.

Agora, abrem-se as cortinas e começa o espetáculo da democracia, no qual a análise de cada um tem a mesma importância do que a minha. Essas contribuições individuais formarão a opinião geral, o consenso que também será defendido por este blog.

Atenção para a lista dos 38 jogadores profissionais do Santos, segundo o site oficial do clube:

Goleiros: Aranha, Vladimir e Gabriel Gasparotto.

Laterais: Bruno Peres, Cicinho, Douglas, Émerson, Mena e Rafael Galhardo.

Zagueiros: Durval, Edu Dracena, Gustavo Henrique, Jubal, Neto, Rafael Caldeira e Walace.

Volantes: Alan Santos, Alison, Arouca, Lucas Otávio, Marcos Assunção, Misael e Renê Júnior.

Meias: Cícero, Leandrinho, Léo Cittadini, Montillo, Pedro Castro, Renato Abreu e Léo.

Atacantes: Everton Costa, Gabriel, Geuvânio, Giva, Neilton, Thiago Ribeiro, Victor Andrade e Willian José.

Diga o que acha de cada um e se prefere que ele continue no Santos ou saia. No final, os resultados serão tabulados e saberemos qual é a vontade da maioria dos santistas que freqüentam este blog e que representam também a vontade da maioria dos torcedores do Santos.

Bem, e pra você, quem fica e quem sai do Santos?

Nossa segunda pátria virá ao Brasil

Emocionante a atuação da Seleção de Portugal e de Cristiano Ronaldo, que foram buscar na Suécia uma classificação dramática sobre o respeitável time do também craque Ibrahimovic. Percebam a alegria do locutor português com a classificação de seu país para vir para a Copa no “País do Futebol”.

Note ainda a objetividade de Cristiano Ronaldo, que usa seu físico da maneira mais eficiente possível. Ganha na corrida dos zagueiros e bate a gol na primeira oportunidade, com força e precisão. Atuação fantástica! Autor dos quatro gols portugueses nos dois jogos contra a Suécia! Exemplo de preparo físico e objetividade que deveria ser copiado pelos atacantes brasileiros.

Concordo com a frase do poeta Fernando Pessoa, de que a pátria é a nossa língua. Portugal, nossa segunda pátria, estará aqui em 2014. Virá se juntar aos grandes latinos que praticam o futebol, com exceção da Romênia, eliminada pela Grécia. Teremos Portugal, França, Itália, Espanha, Argentina, Uruguai, México… Uma Copa que reunirá o melhor que a última flor do Lácio poderia fazer com os pés.

Veja como os gols de Cristiano Ronaldo enlouqueceram o locutor português:

Show dos Meninos da Vila na Seleção Brasileira

Agora veja o show de Neymar e o gol de Robinho na vitória do Brasil sobre o Chile por 2 a 1, nesta quarta-feira, em Toronto. Como é bom ver os eternos Meninos da Vila seguindo seu caminho de sucesso que começou no Alvinegro Praiano:

Agora, eu repito: e pra você, quem fica e quem deve sair do Santos?


Derrota para o Vitória mostra que chegou a hora de renovar o Santos

246,2
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Que tal começar agora a renovação do Santos?

No sábado comemoramos 50 anos de um título mundial que o Santos ganhou na raça. Mesmo desfalcado de Pelé, Calvet e Zito, derrotou duas vezes o Milan, campeão europeu, virando uma partida de 2 a 0 para 4 a 2. Neste domingo, mesmo precisando do triunfo, vimos um Santos perder do humilde Vitória sem ao menos lutar. A imagem desses dois momentos distintos na história do clube já diz tudo. Chegou a hora de renovar e repensar o time do Santos.

Mas antes eram craques, lembrarão alguns, hoje a equipe é formada por jogadores medianos. Concordo. Mas há qualidades que independem da técnica – a fibra é uma delas – e a maioria dos jogadores deste Santos de 2013, infelizmente, não as têm. O time jogou como se tivesse cumprido sua meta ao evitar o rebaixamento. Não houve ranger de dentes, nem arrancar de cabelos. Perdeu mais uma fora de casa como se fosse um jogo qualquer. Uma pena.

A vitória manteria o Santos ao menos na luta pela vaga na Libertadores. Seria muito difícil? Sim. Mas agora que a chance não existe, o que vai se fazer com os três jogos que faltam? Eu sugiro que se dê férias à maioria dos titulares e se escale um time só de garotos. Tenho certeza de que ao menos haverá mais vontade, o que positivamente faltou nesse confronto com o Vitória.

2 a 0 foi pouco. O time de Ney Franco dominou a partida e poderia ter feito mais. No Santos, ninguém se destacou. Thiago Ribeiro perdeu gol feito, Bruno Peres falhou feio no primeiro gol do adversário e Émerson Palmieri falhou no segundo. Cícero, Montillo, Thiago Ribeiro e Geuvânio desta vez pouco fizeram. O campo e a bola são os mesmos, mas quando joga fora de casa este Santos parece outro, bem inferior.

O lado positivo dessa derrota é que o clube, sem maiores aspirações no Brasileiro, a não ser uma vaga para a Sul-americana, poderá planejar com mais antecedência o futebol para 2014. Quem sabe se pela primeira vez nos últimos anos o plantel é montado com critério e inteligência, assim como a comissão técnica? Tempo haverá, já que a três rodadas para o final o Santos já está no limbo.

É mais do que evidente que chegou a hora da renovação tão esperada no Santos. Nos próximos dias vamos analisar com calma e critério quem, deste elenco, deve permanecer ou sair do clube.

Hoje é preciso atacar. Só a vitória interessa meeeesmo.

Com 48 pontos, o Santos poderá alcançar 60 ao final do Brasileiro e habilitar-se para, se não der para ficar no G4, alcançar uma vaga para a Libertadores caso o Atlético Paranaense vença a Copa do Brasil, ou o Atlético Mineiro fique entre os quatro mais bem colocados. Por isso, não dá para se contentar com outro resultado a não ser o triunfo sobre o bom Vitória de Ney Franco, no Barradão.

Sem risco de ser rebaixado, o Santos pode jogar mais solto e adotar uma postura mais ofensiva. Claudinei Oliveira, que para mim não está totalmente descartado para 2014, manterá o mesmo time que venceu o Bahia por 3 a 0 no meio da semana, ou seja: Aranha, Cicinho (Bruno Peres), Edu Dracena, Gustavo Henrique e Émerson Palmieri; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Geuvânio e Thiago Ribeiro.

É uma equipe que está se mostrando mais entrosada, errando menos passes e sendo mais efetiva diante do gol adversário. Geuvânio, quem diria, é o patinho feio que está dando certo, desbancando os badalados Victor Andrade, Neilton e Gabriel. O Caveirinha tem dado o sangue na marcação da saída de bola do adversário e também nas investidas de ataque. O torcedor gosta de jogador assim.

Montillo, Cícero e Thiago Ribeiro formam um bom trio ofensivo, completado pela garra de Geuvânio. Algo me diz que Alan Santos ainda se firmará como titular, provavelmente no lugar de Arouca. Aos poucos, finalmente, o Santos adquire uma cara e uma personalidade. Creio que possa mesmo vencer o Vitória, mas será preciso confiança e regularidade.

Ney Franco deverá escalar o Vitória com Wilson, Ayrton, Victor Ramos, Kadu e Juan; Cáceres, Marcelo, Escudero e Renato Cajá; Marquinhos e Dinei. Trata-se de um time leve, rápido e flexível, que se adapta às condições do jogo e nunca deixa de lutar pela vitória, ainda mais quando joga em seu campo.

Com 51 pontos, o Vitória precisa vencer para voltar a se aproximar do G4, grupo a que pertenceu durante boa parte do campeonato. Mas, se perder, será alcançado pelo Alvinegro Praiano. Ou seja: para os dois times só os três pontos interessam. Um empate fará com que ambos morram abraçadinhos.

A arbitragem será de Sandro Meira Ricci (PE – FIFA), auxiliado por Elan Vieira de Souza (PE) e Albino Andrade Albert Junior (PE). Como não há interesses de terceiros em jogo, não há motivos que ocorrerão erros intencionais. Boa sorte ao trio.

E você, acha que teremos um Santos ofensivo contra o Vitória?

Claudinei Oliveira por Ney Franco. Vamos analisar essa troca?

Este domingo coloca frente a frente os técnicos Claudinei Oliveira, do Santos, e Ney Franco, do Vitória, a partir das 17 horas, em Salvador. Qualquer que seja o resultado, porém, ele não deverá mudar o destino dos dois treinadores. O Santos já fez proposta por Ney Franco, o que quer dizer que Claudinei Oliveira perdeu sua grande chance de iniciar a carreira firmando-se em um time grande.

Mas que conseqüências poderá trazer essa mudança? Vamos analisar, sob alguns aspectos concretos, essa troca de comando técnico no Alvinegro Praiano?

Valorizar os jovens

Claudinei foi promovido ao time profissional por ter tido sucesso com as divisões de base do Santos e porque o clube percebeu que Muricy Ramalho não sabe e não gosta de trabalhar com jovens. A perspectiva era a de que Claudinei utilizasse muitos dos garotos campeões do sub-20 e formasse um time de futuro com eles, seguindo a tendência histórica do Santos.

Isso foi feito em parte. Muitos garotos tiveram realmente a oportunidade de jogar entre os profissionais, alguns pareciam até terem se firmado como titulares, casos de Giva, Neilton e Leandrinho – mas hoje apenas o zagueiro Gustavo Henrique e o volante Alison ganharam a posição, e mais dois, Alan Santos e Geuvânio, estão prestes a fazê-lo.

Parece pouco, mas é um bom começo. Os veteranos Durval e Léo finalmente deram seus lugares para jogadores de mais juventude, fôlego e vontade. Willian José e Everton Costa parece que aos poucos também vão saindo de cena. Foi só Claudinei começar a ouvir o torcedor e o time rendeu mais.

Mas aí é que aparece uma das razões do desgaste de Claudinei com o torcedor: ele começou usando muitos garotos, mas foi diminuindo, diminuindo, a ponto de firmar como titulares Willian José e Everton Costa, mesmo tendo à sua disposição meninos como Giva, Neilton, Victor Andrade e Gabriel.

Por outro lado, Ney Franco trabalhou muito bem com a Seleção Brasileira sub alguma coisa que se tornou campeã sul-americana com Neymar, Lucas e Oscar, entre outros. Dizem que ele poderá revelar novos Meninos da Vila. Parece que Ney, apesar de seu jeito mineirinho de ser, tem coragem e personalidade para colocar veteranos no banco e promover garotos (isso é o que teria causado seus problemas no São Paulo).

Se confirmar essa sua capacidade, Ney Franco se colocará um passo à frente de Claudinei, que ainda depende muito de resultados para se manter na profissão e por isso prefere não se arriscar demasiadamente com os jogadores vindos da base.

Tática ofensiva

É só dar uma passada d’olhos no elenco do Vitória para perceber que Ney Franco conseguiu montar um time ofensivo sem estrelas e sem sangrar os cofres do clube. Essa é uma vantagem insubstituível nos tempos de hoje, em que se busca eficiência e baixo custo. Para completar, jogar pra frente está no instinto atávico do Santos. Desde Adolfo Millon e Arnaldo Silveira o Alvinegro Praiano não prioriza a defesa.

Nesse particular, Claudinei Oliveira fica bem atrás, pois apesar de ter se mostrado menos defensivista do que o boquirroto Muricy Ramalho, ainda assim preferiu a defesa ao ataque, e por isso deixou escapar algumas vitórias que, se concretizadas, deixariam o Santos na turma da Libertadores.

Relacionamento

Quando lhe perguntaram qual foi o legado deixado por Ney Franco no São Paulo, Rogério Ceni respondeu: “Zero”. Isso pode querer dizer que o técnico não fez nada de útil no São Paulo, mas pode também significar que ele tentou fazer coisas que iam contra os interesses de Ceni – e, provavelmente, de outros veteranos, como Lúcio e Luís Fabiano – e por isso é tão pouco valorizado pelo goleiro.

No Santos, Franco provavelmente viria com a responsabilidade de promover a renovação do time, e todas as circunstâncias contribuem para isso. Dos jogadores mais experientes, os únicos que se mantêm como titulares são Edu Dracena e Arouca. Ambos, porém, são plenamente substituíveis. Arouca ainda tem um bom valor de mercado e poderia ser usado em uma troca interessante. Dracena, se não for negociado, pode se revezar com outros jogadores na zaga.

Se Claudinei já tivesse promovido essa renovação, suas chances de continuar no Santos seriam maiores. Ele subiu com a incumbência de utilizar mais os jovens, mas percebeu a força política dos veteranos e preferiu contemporizar para não ser fritado. Agora, com as prováveis saídas de Léo, Durval, Marcos Assunção e Arouca, o caminho está aberto Ney Franco implantar um sistema de jogo menos preguiçoso e mais ofensivo.

Como se deparará com um grupo em transformação, sem lideranças consolidadas, Ney Franco poderá estabelecer uma relação de confiança e amizade com os jogadores, principalmente os mais jovens, garantindo um bom relacionamento que poderá mantê-lo no cargo por mais de uma temporada.

Mas há um empecilho que põe em risco essa harmonia: trata-se do auxiliar técnico de Franco, Éder Bastos. Como Franco não costuma acompanhar os treinos (?), essa incumbência é passada a Bastos, que acaba adquirindo tanto ou mais ascendência sobre os jogadores do que o técnico. O Santos não quer contratar Éder Bastos, mas Franco insiste em trazer seu auxiliar… Este impasse, aliás, é o único que ainda pode impedir a vinda de Ney Franco à Vila Belmiro (e esse negócio de não acompanhar os treinos também tem de ser melhor explicado… depois de Muricy, o santista não agüenta mais técnico indolente).

Investimento

Pelo trabalho que Claudinei já realizou, sua relação custo x benefício foi das melhores que o Santos já teve com um técnico (sem nos esquecermos de que o também interino Marcelo Martelotte levou o time ao oitavo lugar no Brasileiro de 2010). E como recebe 80 mil mensais, mesmo que renove com 100% de aumento ainda assim ganharia menos da metade do salário de Ney Franco, que será de 350 mil mensais. Portanto, Claudinei representa, sem dúvida, um investimento bem menor do que Ney Franco.

Ambição

A extrema irregularidade dos times neste Campeonato Brasileiro, da mesma forma que fez com que 14 das 20 equipes corressem risco de rebaixamento, deu a muitas a possibilidade de lutar no mínimo por uma vaga na Copa Libertadores. O Santos chegou a ficar bem perto do G4, mas em nenhum desses momentos cruciais o time mostrou determinação, confiança e futebol que o pudessem levar ao objetivo. Para muitos, o responsável pela falta de ambição da equipe foi o técnico Claudinei Oliveira, que o tempo todo pareceu contente em manter a equipe na Série A.

Um técnico mais experiente, que já está no ponto de obter uma conquista memorável, como a de um título brasileiro, saberia comandar o Santos com firmeza e destemor nesses jogos decisivos? A maioria dos santistas, na qual me incluo, acha que sim. Os empates sofridos em cima da hora para Vasco e Coritiba, na Vila Belmiro; a derrota para a Portuguesa, em São Paulo, por acachapantes 3 a 0; o empate com o Vasco, em São Januário, depois de estar dominando o jogo e vencendo por 2 a 0, e o empate na Vila diante do já rebaixado Náutico, são exemplos de partidas que roubaram do Alvinegro Praiano os pontos necessários para mantê-lo entre os mais bem classificados da competição.

O que um técnico passa aos jogadores no vestiário é determinante. Se ele vender que um empate fora de casa já é um grande resultado, o ânimo de seus comandados para buscar a vitória será bem menor. Mas se ele diz que é possível ganhar, explica como e destaca que é importante buscar os três pontos, o time se empenhará mais. É aí que entra a ambição do treinador, algo que Ney Franco tem mais do que Claudinei.

A conclusão é sua

Leia, releia, concorde, desaprove, faça a sua análise e nos diga o que acha dessa troca de Claudinei Oliveira por Ney Franco.


Hoje tem Santos no Paca! E o melhor Cruzeiro campeão foi o de 1966!

Um prêmio à coragem: 3 a 0 no Bahia

Desta vez, mesmo vencendo por 2 a 0, o Santos não recuou demasiadamente e abdicou de atacar. Ao contrário. Continuou atrapalhando a saída de bola do Bahia e buscando o ataque com consciência. O resultado foi que marcou mais um gol e pela primeira vez em muito tempo ganhou uma partida neste Brasileiro sem passar sufoco no final.

Espero que o jogo tenha convencido o técnico Claudinei Oliveira de que é possível obter mais sucesso jogando no ataque, do que na defesa. Se não tivesse adiantado o seu ataque e marcado a saída de bola do Bahia, dificilmente o Alvinegro Praiano teria conseguido vitória tão elástica.

Os destaques do Santos foram Montillo, que jogou mais avançado; Thiago Ribeiro, que deu passes sensacionais; Cícero, autor de dois gols, e Geuvânio, que pela dedicação, agilidade e ofensividade tem conquistado a torcida.

Alan Santos entrou muito bem e está merecendo um lugar nesse meio-campo. Alison e Arouca que se cuidem. Na defesa, Aranha este bem como sempre. Bruno Peres criou a jogada do primeiro gol e apoiou melhor do que Émerson; Gustavo Henrique, mesmo mais jovem, mostrou-se mais seguro do que Edu Dracena.

O time errou menos passes, ganhou mais bolas divididas, e isso é fundamental para se ter um bom desempenho. É como no tênis: não adianta fazer mais aces e mais winners se o número de erros não forçados é assustador.

Ganhar os quatro jogos que faltam é muito difícil, mas está longe de ser impossível. Os dois em casa não são os maiores problemas. Mas, se jogar longe da torcida com a mesma coragem que demonstra diante dela, quem sabe o Santos não faz mais um de seus pequenos milagres. Não custa nada acreditar.

Ah, ia me esquecendo do público: fantástico, pelas circunstâncias. Quinze para 16 mil pessoas é a lotação completa da Vila Belmiro. E isso em um horário muito cedo para quem enfrenta o trânsito de São Paulo, véspera de feriado e adversário sem grande rivalidade. É óbvio que o Santos tem de jogar, no mínimo, 50% de seus jogos no Pacaembu.

Veja os melhores lances de Santos 3 x 0 Bahia:

http://youtu.be/sA5COatKuf4

O que essa vitória sobre o Bahia representou para você?

Imagens e emoções de uma história inesquecível

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José Carlos Peres, de pé, dando uma aula de história de futebol brasileiro na CBF.

dossie - no rio
Dossiê: Exposição para a imprensa carioca no salão nobre do Fluminense.

dossie - spdossie - livro
Dossiê: Exposição para a imprensa de São Paulo no salão nobre do Palmeiras.

dossie - idolos
Com os ídolos reconhecidos Edu, Ademir da Guia, Roberto e Dorval.

dossie - peres e eu
José Carlos Peres e eu, uma parceria que não desistiu nunca.

Sabe aquele dia em que não há nada melhor do que ir ao estádio ver um jogo de futebol? Se o Santos não jogasse, eu caçaria um jogo pela cidade. Podia ser na Rua Javari ou no Castelinho, lá em Interlagos. Mas o Santos joga, no Pacaembu, contra o Bahia – em uma reedição do confronto que definiu o primeiro campeão brasileiro, em 1959. Não dá para perder.

Thiago Ribeiro e Cicinho, recuperados, devem voltar ao time, assim como Émerson Palmieri, que substituirá Mena, em serviço na Seleção do Chile. Com 45 pontos, o Alvinegro Praiano terá de vencer seus cinco jogos que faltam para sonhar com uma vaga na Liberadores. O Bahia, por sua vez, tem apenas 39 e luta para escapar do rebaixamento.

É dia de jogar sem medo e tentar recuperar a velha fome de gols que embalou a Vila Belmiro em épocas mais felizes. Mas não se pode prever facilidade, pois o Bahia do técnico Cristóvão Borges fará de tudo para voltar para Salvador ao menos com um pontinho.

Parabéns ao Cruzeiro tri! Mas o melhor dos três campeões foi o de 1966

cruzeiro1966

Com uma montagem inteligente, que usou muito do melhor que restou ao desfalcado futebol brasileiro, e dirigido por um técnico simples, direto e eficiente, como Marcelo Oliveira, o Cruzeiro chega ao seu terceiro título brasileiro com toda a justiça. Como já escrevi, é música para meus ouvidos o grito de “tricampeão” dos cruzeirenses, pois significa o triunfo da história real do futebol e a valorização da Taça Brasil, a primeira competição que deu ao seu vencedor o título de campeão brasileiro e representante do Brasil na Copa Libertadores da América.

Tomo a liberdade de reproduzir um trecho do documento que serviu de base para a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, no caso uma parte do capítulo que fala da conquista do Cruzeiro em 1966, quando um bando de garotos talentosos de Minas Gerais surrou o meu Santos, então considerado o melhor time do mundo:

A reação de Minas e do Brasil à conquista do time dos garotos de Minas Gerais foi das mais entusiásticas que a imprensa esportiva brasileira já teve. Jornais e revistas trouxeram edições especiais com páginas e páginas sobre os heróis e a recepção que tiveram em Belo Horizonte. Mestres da crônica, como Nélson Rodrigues e Armando Nogueira, saudaram efusivamente os novos campeões brasileiros:

O campo enlameado do Pacaembu consagrou, ontem à noite, o grande campeão do Brasil, o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, e Raul, isto para citar apenas quatro jogadores de uma das melhores equipes que o futebol brasileiro já viu nascer e crescer (Armando Nogueira, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1966).

Depois da vergonha e da frustração da Copa do Mundo, nenhum acontecimento teve a importância e a transcendência da vitória de anteontem. Por outro lado, não foi só a beleza da partida, ou seu dramatismo incomparável. É preciso destacar o nobre feito épico que torna inesquecível o feito do Cruzeiro. Não tenhamos medo de fazer a sóbria justiça: aí está, repito, o maior time do mundo (Nelson Rodrigues, Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1966).

A importância desse feito para o orgulho nacional, ferido na Inglaterra, foi descrita assim pela revista O Cruzeiro, a mais lida do País, em editorial de sua edição de 24 de dezembro de 1966, escrito por João Martins:

Com o gesto olímpico de vitória, Piazza, o jovem capitão da equipe do Cruzeiro, de Minas gerais, traz grandes esperanças ao coração de todos os torcedores brasileiros. Uma nova geração de craques está florescendo. O nosso futebol mostra que o seu poder de renovação ainda existe, e disso o time de Tostão deu uma prova das mais convincentes nas duas categóricas partidas que disputou contra o todo-poderoso esquadrão de Pelé, nas finais da Taça Brasil. Os estádios voltam a fremir, no clamor das multidões empolgadas diante da fibra e do malabarismo dos antigos e dos recentes ídolos. O grande título que o time mineiro conquistou tem, assim, uma significação mais ampla e um sabor de renascimento. Demonstra, mais do que tudo, que o nosso maior esporte não se estagnou nem se abateu. E justifica, plenamente, a recepção triunfal que os campeões brasileiros de 66 receberam na volta a Belo Horizonte e que divulgamos na detalhada reportagem que fecha esta edição. São os novos valores que despontam, para que, junto aos astros já consagrados, o nosso futebol volte a ocupar o lugar que lhe pertence no esporte mundial.

O título do Cruzeiro mostrou que o futebol brasileiro não se restringia mais aos grandes times de São Paulo e Rio de Janeiro, além de uma ou outra aparição de clubes nordestinos. Minas Gerais e Rio Grande do Sul tinham estrutura, poder econômico e equipes à altura dos melhores do País. Essa constatação acabaria gerando, no ano seguinte, a primeira edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa ampliado, ou Robertão, que deixaria de ter apenas times de Rio de Janeiro e São Paulo.

O Cruzeiro, uma verdadeira Seleção

A seguir transcrevo as fichas técnicas dos jogos finais da Taça Brasil de 1966 entre Santos e Cruzeiro. Perceba o nível dos jogadores das duas equipes e constate que o Cruzeiro jamais repetiria um elenco de tanto brilho:

Primeiro jogo
30/11/1966
Cruzeiro 6, Santos 2, Mineirão, Belo Horizonte
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira.
Santos: Gylmar; Carlos Alberto, Mauro, Oberdã e Zé Carlos; Zito e Lima; Dorval, Toninho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
Gols: Gols: Zé Carlos (contra) a um minuto de jogo, Natal aos 5, Dirceu Lopes aos 20 e aos 39 e Tostão aos 42 minutos do primeiro tempo; Toninho aos 6 e aos 9 e Dirceu Lopes aos 27 minutos do segundo.
Árbitro: Armando Marques
Expulsões: Procópio e Pelé.
Renda: Cr$ 222.314.600,00 (recorde).
Público: 77.325.

Segundo jogo
07/12/1966
Santos 2, Cruzeiro 3, Pacaembu, São Paulo
Santos: Cláudio, Lima, Haroldo, Oberdã e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Amauri (Dorval), Toninho, Pelé e Edu. Técnico: Lula.
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira.
Gols: Pelé aos 23 e Toninho aos 25 minutos do primeiro tempo; Tostão aos 18, Dirceu Lopes aos 28 e Natal aos 44 minutos do segundo.
Árbitro: Armando Marques.
Renda: Cr$ 65.142.000,00.
Público estimado: 30.000 pessoas.
Como campeão nacional de 1966, o Cruzeiro foi o único representante brasileiro da Libertadores de 1967. Na verdade, em 1967 a Conmebol abriu mais uma vaga por país na Taça Libertadores da América. Assim, o Santos, como vice-campeão nacional de 1966, poderia ter participado da competição. Porém, em comum acordo com a CBD, o clube paulista resolveu ausentar-se da competição sul-americana.

E hoje, contra o Bahia, o que você espera do Santos?


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