Santos joga a primeira da final da Copa do Brasil Sub-20 contra o Criciúma

Logo mais, às 19 horas, o Santos do técnico Pepinho faz a primeira partida da decisão da Copa do Brasil Sub-20, na Vila Belmiro. O jogo terá portões abertos e também será transmitido pela ESPN e Sportv. O Alvinegro Praiano está definido com Gabriel Gasparotto, Zé Carlos, Nailson, Walace e Wanderson; Misael, Leandrinho, Pedro Castro e Léo Cittadini; Diego Cardoso e Stéfano Yuri. Se puder, apoie os meninos ao vivo.

O primeiro tempo do Santos contra o Vasco deve ter feito muitos santistas imaginarem que esse time poderia estar em uma posição melhor no Brasileiro. Sólida na defesa, a equipe tocou a bola com velocidade e precisão, criou ótimas e fartas oportunidades de gol e terminou com a vantagem de 2 a 1 (Bruno Peres, aos 23 minutos, ao cortar para o meio e bater de esquerda, no ângulo, e Gustavo Henrique, aos 27, cabeceando uma falta cruzada por Montillo).

No início do segundo tempo o Santos ainda teve grande oportunidade com Geuvânio, que aos 3m44s driblou um jogador e se viu livre na ponta-esquerda, mas preferiu o chute ao invés de passar para outros três santistas mais bem colocados. Mas aos poucos o Santos foi perdendo sua capacidade ofensiva, restrita ao solitário Willian José.

O Vasco dominava, dominava, mas o Santos ao menos tentava sair com velocidade nos contra-ataques. Nesse momento veio a ordem do banco para o Alvinegro Praiano tocar a bola e acalmar o jogo. Pedir é fácil. Teria de combinar com o Vasco. Precisando desesperadamente da vitória, com mais de 56 mil pessoas no Maracanã, era 100% previsível que os vascaínos correriam até o final. A oportunidade do Santos de vencer era caprichar em uns contra-ataques, mas preferiu torcer para o tempo passar.

Aos 26 minutos, Montillo penetrava livre com a bola e só havia um vascaíno na defesa. O argentino tinha Geuvânio, livre, à sua direita, e Willian José, impedido, à esquerda. Montillo preferiu W José e outra chance clara de gol foi desperdiçada. Aos 27 minutos o árbitro Wilton Pereira Sampaio (GO), deu um cartão amarelo inexplicável para W José. Aos 30 minutos Claudinei Oliveira tirou Willian José, o único atacante do Santos, e colocou quem? quem? Alan Santos, mais um volante. O Vasco avançava inteirinho e o Santos deixou de ter jogadores de velocidade na frente para aproveitar o contra-ataque.
Aos 32 minutos André recebeu diante de Edu Dracena e girou para empatar.

Às vezes dá certo colocar o time inteiro na defesa e conseguir segurar o resultado, mas se o seu time tem condições de fazer mais gols, o que explica abdicar dessa possibilidade e se recolher, preguiçosamente, à defesa? E por que o Santos estaria mais cansado se teve a semana inteira para descansar e treinar e se foi o Vasco que correu mais o tempo todo? Outra questão: se os santistas estavam cansados, por que Claudinei só substituiu Willian José, se ainda podia fazer mais duas substituições, aliás como nosso conhecido Adilson Batista fez?

Enfim, como dissemos antes, este jogo contra o Vasco diria muito sobre muitos jogadores e sobre o técnico Claudinei Oliveira. E a impressão que ficou é que o Santos é um quando joga sem medo e é outro bem diferente quando tenta segurar um resultado ou jogar pelo empate. Era jogo para fazer muitos gols e sair do Maracanã com uma vitória consagradora. Ao tirar o único atacante e colocar mais um volante, Claudinei assinou seu atestado de retranqueiro, o que nunca combinou com o Santos.

Ficha técnica com notas só para os santistas

Santos: Aranha (8), Bruno Peres (7), Edu Dracena (6), Gustavo Henrique (7) e Mena (5,5); Alison (5,5), Arouca (6), Cícero (5,5) e Montillo (6,5); Geuvânio (5,5) e William José (5,5), depois Alan Santos (sem nota). Técnico: Claudinei Oliveira (6).

Vasco: Alessandro, Fagner, Jomar, Cris e Yotun; Abuda, Pedro Ken, Juninho Pernambucano (Jhon Cley e, depois, Bernardo) e Marlone; Edmilson e Reginaldo (André). Técnico: Adilson Batista

Gols: Bruno Peres, aos 23 minutos, Gustavo Henrique, aos 26 minutos, e Edmilson, aos 28 minutos do primeiro tempo; André, aos 32 minutos do segundo.

Árbitragem: Wilton Pereira Sampaio (GO), auxiliado por Marrubson Melo Freitas (DF) e Rafael da Silva Alves (RS). Cartões amarelos: André e Yotún (Vasco), William José e Geuvânio (Santos). Wilton deixou passar alguns lances e viu faltas que não existiram, mas no todo não influiu no resultado.

Público: 56.756 presentes, com renda de R$ 767.190,00 (público recorde deste Campeonato Brasileiro e em jogos entre clubes no novo Maracanã).

Conclusão

Como disse Montillo ao final da partida, faltam cinco jogos ao Santos e esses jogadores e esse técnico têm obrigação de jogar pela vitória em todos esses compromissos. Se vai dar para se classificar para alguma coisa, ou não, é outra conversa. Um profissional têm de dar o máximo, sempre, e jamais se contentar com menos. Que guardem o primeiro tempo contra o Vasco como modelo e não pensem mais em segurar o jogo no campo do adversário, com apenas a vantagem mínima e diante de 56 mil pessoas gritando contra.

No Maracanã lotado, um jogo para testar a fibra do Santos

bruno peres - ricardo saibun
Bruno Peres vai pro jogo (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC)

Um jogador de futebol não se faz só pela técnica. É preciso ter alma, caráter, coragem. Ódio da derrota. E serão necessárias justamente essas qualidades para os santistas saírem com um bom resultado desse Maracanã em pé de guerra que reunirá o clássico de tanta história neste domingo, a partir das 19h30, com transmissão do Sportv.

O Vasco precisa ardentemente da vitória e promete jogar o que sabe e o que não sabe, dentro e fora de campo, para garantir os três pontos. E o Santos, assistirá a tudo passivamente? Com 44 pontos, o Alvinegro Praiano, se perder, ficará a apenas cinco pontos do desesperado alvinegro carioca. Essa situação deixa uma questão no ar…

Como se portará o time de Claudinei Oliveira diante de um adversário que é um pouco inferior tecnicamente, mas atuará sustentado pelo grito de mais de 60 mil pessoas? Será que o medo de perder tirará dos santistas a vontade de vencer?

Temo que esta pergunta possa ter uma resposta positiva, pois no seu último treino para essa partida o Santos jogou com três volantes – Alison, Arouca e Alan Santos – e apenas Willian José no ataque. Claudinei também testou uma fórmula menos defensiva, com Geuvânio no lugar de Alan Santos.

Cicinho, machucado no tornozelo, cederá seu lugar a Bruno Peres, e Thiago Ribeiro ainda se recupera de uma contusão na coxa. O Santos deverá jogar com Aranha, Bruno Peres, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Arouca e Alan Santos; Cícero e Montillo; Willian José.

Já disse antes que considero o Maracanã um campo neutro. O Vasco não irá se transformar em um grande time só porque sua torcida encherá o estádio. Trata-se de uma equipe limitada, que já perdeu algumas partidas em casa. Porém, se o Santos jogar pelo empate, provavelmente perderá, pois cederá o domínio a um adversário que, ao ter a bola nos pés, será insuflado por sua torcida e pressionará a defesa santista.

Em outras palavras, caso não precise se preocupar com seu setor defensivo, o Vasco terá a tranqüilidade necessária para buscar a vitória. Se também for incomodado pelo ataque do Santos, o Vasco tenderá a mostrar suas fraquezas. Enfim, esse positivamente não é jogo para os santistas permitirem o chamado domínio territorial ao adversário. Ter a posse da bola será fundamental.

Veja o Santos chegando ao Rio, pela SantosTV:

Grandes recordações aos santistas

O clássico Santos e Vasco traz memoráveis recordações a quem aprecia a história do futebol. Este foi o jogo que inaugurou São Januário, em 1927, com vitória do Santos por 5 a 3; este também foi o jogo do milésimo gol de Pelé, em 1969, com nova vitória do Santos, por 2 a 1.

Esta também foi a partida que decidiu três títulos brasileiros do Santos: 1 a 0 em 1965, pela Taça Brasil, nesse mesmo Maracanã; 2 a 1 em 1968, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, e 2 a 1 na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2004, em São José do Rio Preto.

O Santos também conquistou ainda o seu primeiro Torneio Rio-São Paulo batendo o Vasco, no Pacaembu, por 3 a 0, em 1959. E foi contra o Vasco que Geilson marcou o gol 11.000 do Alvinegro Praiano. Há, ainda aquela história de Pelé contra Brito e Fontana…

Maracanã. Torneio Rio-São Paulo. O Santos perdia por 2 a 0 e o jogo caminhava para o fim. Os zagueiros vascaínos Brito e Fontana conversavam entre si em voz alta, só para provocar Pelé. “Você viu algum rei por aí, Fontana”. “Não vi, não, Brito. E você?”. “Nem de longe…”.

Faltando cinco minutos, o Santos faz um gol. Pelé! O Vasco dá a saída e, pouco depois, outro gol. Pelé. O Rei vai ao fundo do gol, pega a bola e, no caminho para o meio-campo, passa por Fontana e com as duas mãos entrega a bola para o zagueiro. “Tó, leva pra sua mãe. Fala que foi o Rei que mandou”.

Espero que o jogo deste domingo traga novas histórias sobre o grande clássico. A própria circunstância de um Maracanã lotado já torna essa partida memorável. Que os santistas façam jus ao momento.

E pra você, como o Santos pode vencer o Vasco em um Maracanã em pé de guerra?