Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: dezembro 2013 (page 1 of 3)

Quem em 2014 nós, e o Santos, façamos o que precisa ser feito

ano novo

Estava para tocar em um assunto delicado, que, sei, dividirá as opiniões dos leitores deste blog, quando, em um átimo de consciência, percebi que este final de ano é tempo de reflexão do que se foi, de planos e projetos para o novo ano que se inicia, tempo para ser usufruído ao lado de quem amamos e nos ama. Então, proponho apenas sonharmos com o Santos que queremos e que em 2014 tenhamos forças para caminhar em busca deste sonho.

Felizes dos que olham para trás, em suas vidas, e podem comemorar realizações. Dias atrás entrevistei, para o Museu Pelé, o jornalista Paulo Planet Buarque, um dos responsáveis pelo plano que levou a Seleção Brasileira ao seu primeiro título mundial, na Copa da Suécia, em 1958. Simpaticíssimo, educado, inteligente, Paulo Planet é um espécime raro no jornalismo esportivo.

Dele recebi o livro autobiográfico “Uma vida no plural”, que estou consultando. Poucos fizeram tanto no jornalismo e na vida, e, apesar disso, Planet é de uma humildade arrebatadora. Em uma das páginas de seu livro, a de número 83, há uma frase atribuída a autor anônimo. Ela diz: “Saber como se faz uma coisa é fácil, o difícil é fazê-la”. Tão simples e ao mesmo tempo tão verdadeira.

Repito-a porque ela exprime nossa labuta diária neste blog, que é a de discutir assuntos ligados ao Santos e com isso apontar caminhos, dar subsídios para que a direção do clube tome as decisões corretas (pessoas de pensamento binário tentam detectar se somos “de oposição” ou “de situação”, incapazes de perceber que somos apenas críticos, movidos pelo ideal de ver um Santos melhor).

Nos períodos de sucesso, em que o time expressa, em campo, a irreverência, o virtuosismo e a juventude da alma santista, como no primeiro semestre de 2010, todas as vozes se unem no harmônico coro dos felizes. Mas, nas etapas difíceis, como a que o clube passou em 2013, é normal surgirem discussões, imprecações, polêmicas. Proliferam os insatisfeitos e os especialistas em tudo.

Toda crise gera oportunistas e é preciso ter muito cuidado com eles. Pois, na verdade, o Santos não precisa de milagreiros e nem de gênios, que um dia cobrarão seu preço, como estamos cansados de vivenciar. Só precisa, como diz a frase anônima do livro de Paulo Planet Buarque, de pessoas que façam o que todo santista sabe que precisa ser feito.

Para concluir, o que desejo a você, que me dá a honra e o orgulho de ler e participar deste blog, é justamente isso: que em 2014 se arme de determinação e coragem para fazer aquilo que, mais do que ninguém, você sabe que tem de ser feito para tornar sua vida e sua relação com as pessoas ainda melhor. Um feliz 2014 meu caro e minha cara leitora. Espero que continuemos juntos no Ano Novo!

planet e pelé
Paulo Planet Buarque e Ele

Cite algo que o Santos sabe que precisa fazer em 2014


Tempos rudes

anderson silva
O brasileiro Anderson Silva, 38 anos, abandona a arena com a perna fraturada.

Vivemos tempos grosseiros, desrespeitosos, violentos. Tempos rudes. Há, por todos os lados, evidências de que a sociedade não está evoluindo para o caminho da justiça, da compreensão e da paz, como desejamos a cada Natal, a cada passagem de ano. O esporte, ou o que tem sido tratado como tal, é um retrato disso. A sordidez do nosso futebol, por exemplo, vai além dos campos.

Não me refiro apenas à corrupção das instituições, como o STJD, a Fifa, a CBF, a comissão de arbitragem e os dirigentes dos clubes. Refiro-me também à corrupção das pessoas, boa parte delas, que parecem ter perdido seu código interior de justiça, ética e moral.

Alguns meses antes de sua morte, estive no Rio com Armando Nogueira, o último dos grandes cronistas esportivos brasileiros, e ele me confidenciou, desanimado, que não tinha mais gosto de escrever sobre futebol, principalmente pela Internet, pois tudo era levado para a estreita visão clubística e os leitores, agressivos e mal educados, o ofendiam de todas as maneiras.

Armando era de um tempo romântico e muito mais elegante, em que a opinião dos leitores vinha por carta, com nome e endereço do signatário. Hoje os sites e blogs estão repletos de pseudônimos falsos, que se multiplicam com o único objetivo de ofender a instituições e pessoas. Sim, pois além de tudo, vivemos um tempo propício aos covardes.

Talvez por isso, pela carência de heróis realmente corajosos, esse tipo de luta vale-tudo, que vitimou o brasileiro Anderson Silva, tenha se tornado tão popular.

Há cinco décadas o público se divertia com a luta-livre, ou o telecatch, transmitido pela TV Excelsior, no qual mocinhos e bandidos faziam combates faz de conta que empolgavam a platéia. Os ídolos Ted Boy Marino, italiano de nascimento, mas naturalizado argentino, e Fantomas, cujo nome verdadeiro era Guerino Cicon, um marceneiro de Piracicaba de quase dois metros e mais de 100 quilos, contra os vilões Moicano, Cantinflas e Aquiles, em encontros históricos.

Eram lutas de mentirinha que, entretanto, envolviam riscos e exigiam dotes acrobáticos. Os golpes mais festejados eram as chaves de perna, as voadoras e, é claro, os socos na barriga ou no rosto. Só os bandidos usavam, ou melhor, fingiam usar, os cotovelos para ferir o adversário. Tratava-se de recurso tão ignóbil, tão reprovável, que o público, mesmo adorando a pancadaria, ficava indignado com tal artifício.

Hoje, nessa nova modalidade de luta que atrai milhões de olhares, um lutador pode se tornar campeão, famoso e milionário, desde que use bem os cotovelos para abrir avenidas nos supercílios dos rivais. E ao final, feliz, ainda explicará a técnica utilizada para destruir o rosto do oponente.

Diante da tevê, um público imenso, majoritariamente jovem, assiste a tudo sem grandes sobressaltos. Assim como uma barata resistente, que só poderá ser morta com doses cada vez mais poderosas de inseticida, as pessoas se tornaram insensíveis a pequenas violências. Para que sejam tocadas, é preciso mais sangue, mais terror, mais grosseria. Então, a tevê dá o que o telespectador quer.

A mesma Globo que desprezou o inspirador mundial de handebol feminino, escalou sua melhor equipe para trazer, de madrugada, o grande duelo de cotovelos e supercílios que no final só mostrou a constrangedora fragilidade do ser humano, em um evento patético que lembrou as derradeiras lutas do circo já decadente do Império Romano.

Seres humanos não foram feitos para sangrarem na frente da tevê. Não me diga que penso assim porque sou “velho”. Admito que comecei a ver tevê em uma época em que cada emissora tinha a sua orquestra, o seu corpo de baile e o noticiário jamais passava cenas reais de violência. Percebia-se uma preocupação de transmitir cultura e lapidar o caráter dos brasileiros.

Hoje, o que vale é o ibope, que se transforma em publicidade e daí vira dinheiro vivo. Se querem socos e pontapés, não perdem por esperar. A tevê assumiu a total amoralidade. O que gera lucro é bom, o que não gera, é ruim. Que a sociedade desenvolva seus valores sozinha, pois a tevê lavou suas mãos.

Porém, como tudo tem uma explicação, esse culto aparentemente repentino à violência não nasceu do nada. Para a Suzana, a atração popular por essas lutas que mancham de sangue os octódromos do mundo, pode ser explicada pela necessidade de as pessoas exorcizarem a violência que está dentro delas.

Concordo. O que não podemos, ou não devemos, fazer com os políticos e dirigentes do esporte, com motoristas que passam o sinal vermelho, com motoqueiros e ciclistas que cortam caminho pela calçada e com as pessoas que se expressam por meio de palavrões, os gladiadores modernos fazem por nós. É triste que tenha de ser assim. Mas é a dose de inseticida que nossa sociedade precisa para suportar as cotoveladas na cara que leva todos os dias.

Uma homenagem a Ted Boy Marino, o ídolo do telecatch, nascido em 8 de outubro de 1939, em Fuscaldo Marina, Itália, falecido em 27 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro, aos 72 anos:

E pra você, por que essas lutas ficaram tão populares?


É hoje que a Portuguesa será sacrificada

O Santos parece ter vencido a corrida com o São Paulo e o chileno Vargas deve vir para a Vila, por 270 mil por mês. Isso animará a grande torcida santista espalhada pelo Brasil – assunto de hoje na minha coluna do jornal Metro de Santos. Leia nesse endereço: http://issuu.com/metro_brazil/docs/20131227_br_metro-santos/11?e=0

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

A punição da Portuguesa, anunciada para hoje, se insere numa longa tradição de julgamentos imorais do TSJD e de seus órgãos precursores. Como a anulação do jogo Santos 4×2 Corinthians em 2005 realizado em 31/07/2005, apesar do grampo da Policia Federal ter evidenciado que o árbitro da partida Edílson Pereira de Carvalho se desculpou a seu corruptor Nagib Fayad por não ter conseguido virar a partida a favor o Corinthians, porque segundo ele, o Santos jogou bem demais, uma prova inédita da legalidade de um resultado (Veja 28/09/2005). No entanto o TSJD fez repetir o jogo que era um de dois nos quais o Corinthians tinha participado, na presumível hipótese de que dados novamente jogados pudessem dar outro resultado, sendo que o Santos acabava de perder o Robinho, o melhor jogador do país, que participou do jogo dos 4×2 contra o Corinthians e logo depois saiu para o Real Madrid.

Também não bastou para o TSJD o fato do presidente do Corinthians ser grampeado um ano depois pela Polícia Federal informando que o campeonato de 2005 fora “roubado”, para que o titulo fosse passado a seu legitimo detentor, o Internacional. O promotor Schmitt opinou que a confissão de Dualib grampeada “foi conversa de bar e que ela até evidencia que o clube paulista não participou de esquema ilegal” (Folha de São Paulo, 25/09/2007).

Caso a punição do jogador da Portuguesa de acordo com o regulamento já tenha entrado em vigor no sábado, dia do jogo, é necessário verificar a constitucionalidade do Código Esportivo pelo menos no ponto em que este permitiria condenar em horário fora do expediente, sem deixar qualquer prazo (medido em horas de expediente) entre a condenação e a entrada em vigor da punição e sem que haja qualquer divulgação em site ou comunicação por escrito, sendo que os riscos de comunicação inerentes a este tipo de condenação não podem ser imputados a um clube porque o potencial de danos materiais é enorme.

Ida à Justiça Comum

Se a Portuguesa decidir pedir proteção à justiça comum, não adiantaria a CBF espernear. Um exemplo de ida à justiça comum foi o julgamento do caso do jogador Bosman do clube belga Liège, culminando com a decisão da Corte Europeia de Justiça, que derrubou instituição do passe no mundo inteiro, o que no Brasil foi declinado pela Lei Pelé. Portanto um processo em que o jogador reserva Bosman entrando na justiça comum venceu o seu clube, a Federação Belga e também a UEFA e a FIFA que em carta aberta haviam aderido à causa do clube. A grande FIFA foi derrotada por um jogador desconhecido que pretendia atuar na segunda divisão francesa e que foi a justiça comum

A FIFA portanto não manda em nada, nem na Europa nem no Brasil, quando ela ou em nome dela, sejam cometidas injustiças ou os seus códigos possibilitem injustiças não compatíveis com as constituições dos respetivos países, causando danos materiais e morais consideráveis. Mesmo se o Cosme Rimoli achar, como fez no seu post de 13/12/2913, que o Marin “não tolerará que clube algum entre na Justiça Comum. Exige respeito total ao STJD. Quem desobedecer poderá até ser desfiliado da CBF. O respaldo para a ameaça vem da Fifa”. Ou “especialistas” opinem que “uma ação de torcedores na justiça comum também pode provocar punição à Lusa”.

A justiça comum brasileira está à disposição de todos, devendo ser considerada como coação qualquer tentativa de ameaça de desfiliação de um federado, quando este decidir se defender após haver esgotado todos os recursos do STJD. Não é o Marin nem o Blatter, muito menos o mauricinho Cosme Rímoli, que têm o direto de intimidar uma Portuguesa a usar a justiça comum.

O que esta turma da CBF parece ter medo da justiça comum não está no gibi.

O Ministério Público teria que entrar em ação mesmo se a hipótese de “venda do descenso” entre a Portuguesa e Flamengo lançada pelo Juca Kfouri em 25/12/2013 for verdadeira. Para que os dois clubes envolvidos na tratativa sejam punidos.

Por outro lado não é preciso lembrar que o Juca Kfouri como corintiano, deve estar ciente que se fosse considerada a entrada em vigor das punições apenas após divulgação oficial em site ou notificação escrita, seria o Corinthians que deveria ser rebaixado, talvez querendo com a sua suposição desmoralizar a Portuguesa antes do segundo julgamento amanha.

Impressões

A-O Cruzeiro foi punido apenas com uma multa ao escalar um jogador impedido no mesmo campeonato em 2013 num momento em que a atuação do jogador poderia ter influenciado o desfecho do campeonato, ou seja, definido o campeão, a classificação para a Libertadores ou o descenso. A escalação do jogador da Portuguesa ocorreu na ultima rodada num momento em que a sua atuação não poderia mais influenciar mais nenhum destes elementos relevantes do campeonato. Ou seja, não apenas dois pesos duas medidas, muito pior do que isto, uma pena branda para um delito grande e uma pena capital para uma bagatela. Não seria surpresa se o julgamento do Cruzeiro fosse revertido para salvar as aparências, já que uma perda de pontos não prejudicaria o clube mineiro.

B-O Fluminense foi campeão em 2010 porque não lhe foram tirados pontos pela escalação irregular de um jogador. Em 2013 o mesmo clube foi salvo do descenso porque foram tirados pontos de um time de menor influência pelo mesmo erro. Duas decisões inversas beneficiando o Flu, ambas de forma capital. A justificativa para o tratamento inverso nos dois casos dada pelo promotor Schmitt no Facebook simplesmente não é inteligível, um verdadeiro texto de chanchada.

C-A Unimed patrocina as seleções da CBF e a Unimed Rio o Fluminense

D-O escritório e advocacia Danemann-Siemsen, tendo como sócio o presidente do Fluminense, que se declara licenciado do mesmo, defende os interesses da CBF em casos de registro de marcas.

Mesmo que a Portuguesa seja rebaixada, os protagonistas não escaparão da literatura histórica, que será farta. E o Brasil, com greve de padeiros ou sem greve, poderá estar exposto ao ridículo na Copa de 2014.

A imagem do futebol brasileiro pode ser (mais) prejudicada com o rebaixamento da Portuguesa?

A Moralidade, o Direito e a Portuguesa

Por Dimas Ramalho e Flavio Barbarulo Borgheresi

“E aí repousa, ao mesmo tempo, a força e a fragilidade da moralidade em face do direito. É possível implantar um direito à margem ou até contra a exigência moral de justiça. Aí está a fragilidade. Mas é impossível evitar-lhe a manifesta percepção da injustiça e a consequente perda de sentido. Aí está a força.” (Tércio Sampaio Ferraz Jr.)

Ainda nas primeiras aulas de direito, nos é ensinado que direito, moral e justiça, embora intrinsecamente ligados, eram conceitos distintos. A aplicação fria do direito traz sempre uma justiça formal, que não se prende ao senso comum, e não necessariamente responde aos anseios da sociedade que representa. Mas qual o sentido do direito para uma sociedade quando sua aplicação é questionada sob o enfoque da moralidade, despertando incandescente sentimento de injustiça?

O recente julgamento da equipe de futebol da Portuguesa pelo STJD, num país que respira futebol 24 horas por dia, trouxe à tona essa discussão, expondo claramente até para os cidadãos mais simples, a diferença entre os conceitos de direito, justiça e moral. Óbvio, o que se discute aqui é sentimento, e o sentimento de justiça moral não depende de qualquer conhecimento técnico.

O operador do direito não pode objetivar a aplicação fria da Lei, desvinculando-se dos fatores externos que rodeiam a questão que se decide. Se assim fosse, poderíamos criar programas de computador que elaborassem sentenças judiciais a partir do mero processamento dos dados sobre o caso concreto. A figura humana é imprescindível na aplicação do direito exatamente porque ele é indissociável do sentimento social, do sentimento moral, do sentimento de justiça. Portanto, a aplicação da norma não pode estar desvinculada desta percepção ética instintiva.

E vamos ao caso concreto. Não há dúvidas que a Portuguesa desconhecia o resultado do julgamento que puniu um de seus jogadores com suspensão por duas partidas. O advogado, indicado pela própria CBF, confirmou o equívoco ao passar a informação para a equipe, e o site da CBF nao disponibilizou a informação em tempo hábil. Além disso, não é crível que um time de futebol profissional, estando ciente da punição, colocasse em campo um jogador suspenso pelo STJD, aos 30 e poucos minutos da etapa final de uma partida que já não tinha importância nenhuma para a equipe. Não, não é piada de português!

No futebol o jogo é jogado, essa é a regra. Nem mesmo erros de arbitragem, por mais escandalosos que sejam, interferem no resultado das partidas.

Ora, se a escalação irregular – mas não dolosa – do jogador em nada interferiu no resultado da partida, porque a aplicação fria da norma pode interferir no resultado do campeonato inteiro?

O julgamento do recurso nesta sexta feira pelo pleno do STJD, mantendo a decisão que decretou o rebaixamento da Portuguesa, reacendeu discussão sobre o significado da Justiça.

Com o devido respeito à opinião dos demais juristas envolvidos, esse negócio de “regras claras não precisam de interpretação” não serve de argumento para o bom direito. Diante de um caso concreto a solução nunca está apenas nos artigos da Lei, mas no que se espera dela, já que a aplicação do direito não pode ser um fim em si mesmo, porque o direito sem justiça moral é um direito sem sentido, “um direito cínico”.

Dimas Ramalho, foi promotor de justiça, Deputado Federal e atualmente é Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Flavio Barbarulo Borgheresi, é procurador do município de São Paulo.


O Santos e o futebol do futuro

future soccer

Vejo as contratação do técnico Oswaldo de Oliveira e do atacante Leandro Damião, assim como as tentativas para trazer Vargas, Diego e Robinho, como ações desordenadas de uma diretoria que busca se segurar do jeito que dá. Não percebo nenhum planejamento, nenhum projeto a longo prazo.

Como as coisas tem sido feitas no nosso clube ao longo do tempo, tudo pode acontecer. Não havia dinheiro, e de repente se contrata um jogador, que passou o ano machucado e na reserva, por mais de 40 milhões de reais. Será que o empresário do rapaz não aceitaria menos? Quem pagará essa conta? Gostaria que a presidência do clube declarasse publicamente que o Santos não arcará com um tostão dessa dívida, que até agora não foi devidamente esclarecida.

Enfim, a transparência, a bendita transparência que tanto exigimos desde a gestão de Marcelo Teixeira, e que tanto foi prometida por Luis Álvaro e seus seguidores, ficou na promessa. Nossa esperança de ver um Santos dirigido de maneira cristalina, do jeito que queremos, foi adiada. Quem sabe daqui a um ano, após as eleições de 2014, possamos estar mais confiantes.

Atletas habilidosos

Quanto ao futebol que espero em campo, vislumbrarei além dos sistemas táticos, dos conceitos e dos métodos de treinamento atuais, para afirmar que no futuro os jogadores deverão ter capacidade e habilidade para jogar tanto na defesa como no ataque, da mesma forma que num time de basquete.

Nada, a não ser as limitações físicas, técnicas, intelectuais e morais impedem um jogador de atuar em todas as regiões do campo, como a moderníssima Holanda mostrou na Copa de 1974. Sei que talvez se leve muito tempo para alcançar essa meta, mas é o futuro, sem dúvida.

Enquanto esse tempo de atletas habilidosos não chega, vamos nos divertindo com os times compartimentados, em que só um ou outro jogador tem capacidade para criar, enquanto a maioria entra em campo apenas para destruir as jogadas alheias.

É claro que só a implantação de uma filosofia que privilegie o treino de fundamentos e o aprimoramento da capacidade física dos jogadores poderá produzir espetáculos como sonhamos. Para isso, porém, será preciso que técnicos e jogadores se conscientizem dessa necessidade – e é aí que entram as virtudes intelectuais e morais, pois no futebol do futuro os preguiçosos e acomodados não terão vez.

E pra você, como devem ser o Santos e o futebol do futuro?


Feliz Natal a todos os santistas! E aos outros também!

odir octa cunha
Sei que esta arte parece meio cabotina, pois é obra do RPN em minha homenagem pela unificação dos títulos brasileiros, trabalho que fiz com José Carlos Peres. Porém, é a única imagem que tenho que me mostra ao lado de um árvore de Natal, em um ambiente natalino. Pro ano que vem espero ter outra. Um abraço apertado em todos! Se possível, nesta ceia façam um brinde, mesmo silencioso, ao nosso Santos.

Sou daqueles que adora o Natal, pela sensação de paz e união que ele representa. Fico feliz e otimista nessa data. Não sei se o homem está evoluindo em busca da fraternidade universal que todos almejamos, mas nosso dever é continuar acreditando que sim e gosto dessa tarefa.

A profissão de jornalista me ensinou a respeitar todos os clubes e me colocar no lugar de torcedores de todos os times, a fim de entender-lhes as razões e paixões, mas amor mesmo só sinto por um, o nosso querido, valente e invejado Santos Futebol Clube – que, fosse de um país que respeita o esporte, seria tratado com toda a fidalguia e admiração que seu currículo merece.

É um prazer e uma honra manter esse espaço que dá voz a tantos santistas de nobreza de coração e força de caráter, que transformam o amor por um time de futebol em motivo para discussões mais amplas e para o enlaçamento de amizades que prosseguem além da Internet.

Considero amigos a todos que freqüentam este espaço (mesmo os não santistas que sabem proceder em casa alheia). O fato de se dedicarem a pensar sobre o Santos, a separarem um tempo de seus dias para buscarem soluções para o clube e o time que amamos, já é de uma generosidade tocante.

Espero, de coração, que vivam neste Natal uma felicidade plena, só possível na paz, no amor e na compreensão de que somos ínfimos e ao mesmo tempo incomensuráveis mortais buscando construir momentos de imortalidade ao lado de quem amamos. Feliz Natal a todos!


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