Serginho Chulapa faz 60 anos
SERGINHO  X WLADIMIR
Parabéns grande Serginho Chulapa, pelos 60 aninhos muito bem vididos e comemorados.

O grande momento do artilheiro Serginho Chulapa no Alvinegro Praiano:

Meninas de Ouro!
Nada melhor do que ser campeã do mundo e ainda a melhor equipe do planeta, como as meninas do handebol brasileiro mostraram no Mundial. Para ficar com o título, elas venceram todas as nove partidas que realizaram. Primeira fase (Grupo B): Brasil 36 x 20 Argélia, Brasil 34 x 21 China, Brasil 25 x 23 Sérvia, Brasil 24 x 20 Japão e Brasil 23 x 18 Dinamarca. Oitavas: Brasil 29 x 23 Holanda. Quartas: Brasil 33 x 31 Hungria. Semifinal: Brasil 27 x 21 Dinamarca. Final: Brasil 22 x 20 Sérvia. Não há palavras para descrever a importância desta conquista para o handebol brasileiro. Só de ver esse vídeo que postei no blog confesso que me emocionei. Veja os melhores momentos da decisão, neste domingo, em que o Brasil derrotou a anfitriã Sérvia por 22 a 20, em um momento histórico do esporte nacional:

O que vale mais: ganhar o título, ou ser realmente o melhor do mundo?

barcelona
Cartaz divulgado em Barcelona, Espanha, para anunciar o “Extraordinario Acontecimento Deportivo” que seria o jogo do Santos contra o Barcelona, na noite de 12 de junho de 1963. Repare que o Santos é chamado de “Campeón del Mundo Inter-Clubes”, o que deixa claro que os europeus respeitavam, sim o título conquistado pelo Santos no ano anterior, ao bater o campeão europeu, Benfica, em jogos de ida e volta. Repare, ainda, a imagem de Pelé destacada no quadro. Vivia-se uma época em que o futebol sul-americano, que tinha o Santos de Pelé como o seu maior representante, era superior ao europeu.

santos campeao do mundo
Sem Mengálvio, machucado, Lima foi para o meio e Olavo entrou na lateral direita. Com esse time o Santos se tornou o primeiro clube brasileiro a se sagrar campeão do mundo, na noite de 11 de outubro de 1962.

O que vale mais? Ganhar um título, ou ser realmente o melhor? Digo isso porque agora, com o Mundial da Fifa, tem gente enaltecendo os títulos mundiais reconhecidos pela entidade e tentando desmerecer ou diminuir outros. É o mesmo quadro que antecedeu a unificação dos títulos brasileiros. Espero que não seja preciso fazer um dossiê para resgatar a história.

Na verdade, a história não é feita de “títulos oficiais”, mas de uma realidade mais abstrata, que se concretiza na força da expressão popular e da cobertura da imprensa. Se um time é visto, admirado e enaltecido como o melhor do mundo, esta é uma conquista real, mesmo que não esteja atrelada a títulos.

Sabemos que o futebol se organizou como esporte no começo do século XX e que as carências econômicas, aliadas às dificuldades de transporte, impediram o intercâmbio entre os times europeus e sul-americanos, reconhecidamente os que praticavam o futebol mais técnico e avançado do planeta.

Sabemos ainda que o Uruguai foi bicampeão olímpico em 1924 e 1928, quando ainda não havia Copa do Mundo, e que venceu a primeira Copa, realizada no mesmo Uruguai, em 1930. Como o time-base daquela seleção era o Bella Vista, talvez possamos imaginar que, se houvesse uma competição mundial de clubes, provavelmente o tal Bella Vista, fundado em 1920, hoje pequeno, com um estádio para apenas 8.000 pessoas, se tornasse o campeão.

Do Brasil, quem sabe o Paulistano, do craque Friedenreich, fosse um rival de respeito, pois o esquadrão do Jardim América fez a primeira viagem de um clube brasileiro à Europa em 1925 e se saiu tão bem que foi chamado pela imprensa francesa de “Os Reis do Futebol”. Mas o elegante clube, desanimado com os rumos insinuados pelo profissionalismo, desistiu do futebol no início da década de 30.

Na década de 1940, prejudicada pela Grande Guerra e ainda pelas difíceis condições econômicas e de transporte, em que o oceano Atlântico era cruzado prioritariamente por navios, não havia competições criadas para definir um campeão do mundo, mas quem aprecia e respeita a história do futebol sabe que o húngaro Honved e o argentino River Plate eram as melhores equipes do planeta. O Vasco do final dessa década também seria um rival à altura, tanto que foi a base da mágica e infeliz Seleção Brasileira de 1950.

E nos anos 50 não há como negar que o Real Madrid, do genial argentino Di Stéfano, reforçado pelos húngaros que atuavam no já citado Honved, era o time mais completo, vencedor e festejado do mundo, a ponto de ganhar a Copa dos Campeões da Europa, hoje Liga dos Campeões, por cinco vezes consecutivas.

E finalmente chegamos aos anos dourados da década de 1960. Dourados para nós, brasileiros, que entre 1958 e 1970, em apenas 12 anos, pudemos comemorar a conquista de três Copas do Mundo em quatro disputadas. Então tínhamos os melhores jogadores – Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Zito, Gylmar… –, estádios invariavelmente lotados para ver os grandes clássicos, entre eles o Maracanã, o maior da Terra, uma crônica esportiva romântica e talentosa, comandada pelos irmãos cariocas Nelson Rodrigues e Mário Filho e, conseqüentemente, também os melhores times.

A Europa ainda não se recuperara totalmente da Segunda Grande Guerra, quase todos os seus países sofriam agruras econômicas, políticas e sociais, e tudo isso se refletia no futebol. Creio que por um momento, mormente depois da Copa da Suécia, em 1958, até meados dos anos 60, os grandes times sul-americanos seriam maioria em uma lista dos melhores do mundo. Tanto é assim, que a cada ano muitos clubes sul-americanos passaram a excursionar pela Europa, anunciados como grandes atrações.

Justamente em 1960, por iniciativa da União Européia de Futebol (Uefa) e da Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), à época dirigida pelo brasileiro José Ramos de Freitas, e com aval da Federação Internacional de Futebol Association (Fifa) – naqueles termos áridos resumida apenas a um escritório na Suíça -, é que se realizou a primeira competição oficial, que se tornaria permanente, com o claro intuito de definir um clube campeã do mundo.

Essa intenção está na carta que José Ramos de Freitas enviou a Pierre Delaunay, secretária geral da Uefa, em 18 de outubro de 1959, carta esta reproduzida no Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros. Dizia Ramos de Freitas: “Según nas conversaciones que tuvimos em Estocolmo, es difícil, sino impossible, la realización de um partido entre lãs selecciones de Europa y América del Sur em vista de las grandes distancias entre nuestros territórios. Pero um partido anual, com revancha, a ser disputado entre las associaciones de uno y outro continente es evidentemente practicable, surgiendo de esos partidos, el Campeón Mundial.”

Dessas tratativas de José Ramos de Freitas é que se concretizou a ideia da Copa dos Campeões da América, mais tarde rebatizada de Copa Libertadores da América, para que de 1960 em diante o mundo pudesse ter o seu campeão mundial de clubes, a partir de um duelo em melhor de três jogos, entre os campeões dos dois continentes.

Havia, portanto, o objetivo oficial de se promover esse confronto entre o campeão da Uefa e o campeão da atual Libertadores a fim de se obter o clube campeão do mundo. A Fifa deu o seu apoio, o fato se tornou conhecido e consagrado entre a imprensa e o público, a ponto de proporcionar os maiores públicos que já assistiram a uma decisão de mundial de clubes. Quem viveu aquela época, ou estudou o mínimo sobre a história do futebol, sabe o quanto aquela disputa era importante e consagrada no universo do futebol.

Hoje, percebo que, como zumbis mal-humorados, os mesmos conceitos ultrapassados que tentavam apagar os títulos brasileiros da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa saíram novamente de suas tumbas: o anacronismo de se analisar o passado com os olhos do presente; a preocupação com a nomenclatura e não com a finalidade da competição; o apego a filigranas jurídicas, como se, de uma hora para outra, muita gente tivesse se transformado em auditores do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

Chamam de Intercontinental uma competição talvez mais relevante do que esta que temos hoje, pois trazia à América do Sul o campeão da Europa e levava ao velho continente o melhor sul-americano para um duelo épico e jamais igualado. Faltaram os representantes de outros continentes? Sim. Mas fizeram falta? Absolutamente não, pois o melhor futebol do planeta se restringia a europeus e sul-americanos.

Seria como hoje querer se tirar o mérito do campeão da NBA porque times de outros países não disputam a competição que dá ao vencedor o status de melhor equipe de basquete da Terra. Por outro lado, se é preciso que todos os continentes sejam representados em uma competição para que seu vencedor seja considerado “mundial”, então temos de rever, em primeiro lugar, as primeiras Copas do Mundo, que não tinham seleções de todos os continentes.

E ao trazermos esse mesmo conceito para o Brasil, teremos de chamar boa parte das edições do Campeonato Paulista de torneios intermunicipais, pois só tinham equipes de São Paulo e Santos, apesar de o Estado de São Paulo comportar centenas de cidades. O mesmo ocorre com o Campeonato Brasileiro, que hoje é disputado por times de sete Estados, menos de um terço dos 23 que a nação possui.

É óbvio que os campeões de 1960 em diante foram mundiais, pois exprimiam o melhor que havia no mundo do futebol da época. Se vivêssemos ainda naqueles anos dourados, jamais correríamos o risco de ver uma final entre um anfitrião que está em nono lugar no campeonato de Marrocos e o campeão europeu. E é evidente que pelas circunstâncias próprias do futebol, como torcida, arbitragem e motivação, o time africano, que perdeu para o alemão Bayern por 2 a 0, poderá até sair campeão do mundo. Mas alguém acreditará que ele é realmente o melhor do planeta?

Leio que Joseph Blatter, presidente da Fifa, acaba de reconhecer que estes Mundiais da Clubes da Fifa não estão despertando a atenção do universo do futebol. Se ele ainda não percebeu, eu lhe digo que é porque falta credibilidade, emoção, paixão, rivalidade. Isso existiu quando os campeões da América e da Europa se defrontavam, em duelos de estremecer a Terra.

Isso de dar uma vaga para o time anfitrião, que quase sempre não tem prestígio ou relevância internacional, acaba e acabará provocando absurdos, como um campeão mundial do Marrocos, do Japão, de Gana, ou coisa que o valha. Por mais respeito que se deva ter a uma equipe, a verdade é que se o Casablanca fosse campeão do mundo, a competição estaria definitivamente desmoralizada.

Bem, o assunto é longo e tenho outras observações a fazer e mais a acrescentar. Mas vou parando por aqui. Sei que meus companheiros de blog acrescentarão outras visões ao caso em seus preciosos comentários. Estou ansioso por lê-los.

Quer saber o que o Brasil achou dos “Intercontinentais” de 1962 e 1963? Copie esses links e consulte o arquivo do jornal Folha de São Paulo:
http://acervo.folha.com.br/fsp/1962/10/12/2/
http://acervo.folha.com.br/fsp/1963/11/17/

Você acha que para ser campeão mundial é preciso enfrentar o campeão da Oceania?