copinha - santos campeão 2014
Os Meninos da Vila comemoram mais uma Copa São Paulo, a segunda consecutiva. O volante Lucas Otávio, ao centro, foi escolhido como o melhor da competição.(Foto: Pedro Azevedo/ Santos FC)
serginho
Serginho, um meia canhoto de futuro, comemora o seu gol (Foto: Pedro Azevedo/ Santos FC)

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Com gols de Diego Cardoso e Serginho, ambos no primeiro tempo, o Santos se tornou bicampeão da Copa São Paulo de Futebol Junior ao vencer o Corinthians por 2 a 1, no Pacaembu. Ao menos um terço dos 31.481 espectadores saíram do estádio com a sensação de que a justiça foi feita e, mais uma vez, o Alvinegro Praiano superou tudo e todos para conquistar mais um título.

O estranhamento dos santistas começou com a confecção da tabela. Como explicar que, dentre as 104 equipes participantes, justamente os dois finalistas da recém-terminada Copa do Brasil – Santos e Criciúma – tenham caído na mesma chave, sendo que o Santos foi o campeão da Copa São Paulo em 2013?

Bem, o Santos se resumiu a jogar futebol, e o fez com maestria. Líder do seu grupo, o caminho do Alvinegro Histórico prosseguiu difícil, pois teve de enfrentar a sensação do torneio, o time japonês do Kashiwa Reysol, ao qual acabou goleando por 4 a 0. Depois vieram os respeitáveis Grêmio Osasco, Taboão e Atlético Mineiro, todos batidos inapelavelmente. Por fim, o Corinthians, em seu campo e com o apoio de sua fanática torcida. Nada impediu, porém, que o melhor futebol prevalecesse.

Ainda com o frescor dessa revigorante vitória na cabeça, vamos tentar fazer uma análise fria do desempenho dos jogadores, do técnico Pepinho, da organização do torneio, enfim, das circunstâncias que cercaram a participação do Santos na competição e suas implicações futuras. Para encurtar a história, brinquemos de verdadeiro ou falso utilizando afirmações que normalmente ouvimos ou lemos por aí.

Ganhar um título como esse não quer dizer que os jogadores estejam prontos para o profissionalismo.
Verdadeiro. Um time pode ser campeão da Copa São Paulo e não revelar um único bom jogador profissional. Costuma haver uma distância – técnica, física, tática e psicológica – entre garotos dessa idade e profissionais. Se esse trabalho de transição não for bem feito, se o jovem não se dedicar com seriedade e afinco, sua carreira fica só no sonho.

O Santos teve sorte. Usou a base do ano passado e foi campeão, mas isso não significa que o trabalho com a divisão de base está sendo bem feito.
Falso. A sorte não teve nada a ver com a história. O Alvinegro Praiano ganhou oito jogos consecutivos, batendo fortes equipes, com um time-base que só tinha dois jogadores campeões do ano passado: o volante Lucas Otávio e o atacante Stéfano Yuri. Nem o técnico era o mesmo.

O Santos chiou à toa para receber metade dos ingressos, já que a torcida não influiu.
Falso. O Santos reclamou porque tinha o direito, pela campanha e pelo tamanho de sua torcida, de receber metade dos ingressos da final. Nessa idade os garotos são muito sugestionados pelos gritos do público e o adversário jogou como se estivesse em casa, o que o motivou mais e provavelmente tenha influenciado a arbitragem. Neste particular, devemos fazer uma menção honrosa ao comentarista Luiz Ademar, do Sportv, que também criticou a divisão de ingressos feita pela Federação Paulista de Futebol.

Os santistas têm mania de perseguição e já diziam que o árbitro iria ajudar o alvinegro da capital, mas isso não ocorreu.
Falso. Flávio Rodrigues Guerra inverteu tantas marcações que quase muda o resultado da partida. Não viu um pênalti claro do goleiro Henrique em Stéfano Yuri quando o Santos já vencia por 2 a 0. Não viu Fabiano pisar na perna de Diego Cardoso, mas viu motivo para dar cartão amarelo para esse mesmo Diego Cardoso em uma reclamação banal. Viu uma falta inexistente de Stéfano Yuri quando a bola sobrava livre para o ataque santista. Não viu o relógio e só terminou o primeiro tempo depois de um longo bate-rebate na área do Santos. Enfim, viu muito mais para um lado do que para o outro.

Pepinho mostrou que é um técnico pronto para o profissional.
Falso. É um ótimo técnico para a garotada, mas ainda falta muito para assumir um time grande. No segundo tempo não soube mudar a cara do jogo, que caminhava para o sufoco que se viu no final. Tirou três jogadores de mais habilidade, que sabem atacar, para encher o time com defensores e com isso chamou o adversário para a sua área. Não quis colocar o rápido Mateus Augusto, que poderia preocupar a defesa e criar boas jogadas pela esquerda, como já tinha feito contra o Atlético Mineiro. O Santos só não sofreu o empate por sorte, pela atuação surpreendente do goleiro João Paulo e pela ruindade do colombiano Bryan, que perdeu um gol feito.

Este título deve fazer o Conselho do Santos esquecer os problemas com a venda de Neymar.
Falso. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Parabéns aos Meninos, ao técnico Pepinho e aos responsáveis pelas categorias de base do Santos, mas o caso da venda de Neymar tem de ser esclarecido, custe o que custar, doa a quem doer. Não só pelo dinheiro, mas porque Neymar era a grande oportunidade de o Santos se consolidar como um dos times mais fortes e populares do planeta. Que os números reais e os responsáveis apareçam.

Santos 2 x 1 Corinthians

Primeiro tempo: Santos 2 x 0 Corinthians

Pacaembu, São Paulo

25/1/2014, 10 horas

Público: 28.438 pagantes (público total de 31.481)

Renda: R$ 333.360,00

Santos: João Paulo, Daniel Guedes, Paulo Ricardo, Naílson e Zé Carlos; Lucas Otávio, Fernando (Diego Santos) e Serginho (Gustavo Eugênio); Diego Cardoso (Gustavo), Jorge Eduardo e Stéfano Yuri. Técnico: Pepinho.

Corinthians: Henrique, Lucão, Pedro, Luiz Gustavo e Guilherme; Fabiano, Ayrton (Matheus), Zé Paulo e Malcom; Léo (Yan) e Lucas (Bryan). Técnico: Osmar Loss.

Gols: Diego Cardoso, aos 21 e Serginho, aos 30 minutos do primeiro tempo; Malcom, aos 31 minutos do segundo.

Arbitragem: Flávio Rodrigues Guerra (SP), auxiliado por Danilo Ricardo Simon Manis e Alex Angi Ribeiro.

Cartões amarelos: Diego Cardoso, Paulo Ricardo, Zé Carlos e Gustavo (Santos); Lucão (Corinthians).
Cartões vermelhos: Henrique (Corinthians) e Nailson (Santos).

E pra você, o que é verdadeiro ou falso neste título do Santos?