No meio da semana vi o São Paulo tomar um sufoco do São Bernardo e por um momento pensei que seria impossível o Santos perder o clássico no Morumbi. Sem ataque, com uma defesa desorganizada, o tricolor é a cara rabugenta do Muricy que o santista conhece bem.

Mas o futebol traz sensações após um jogo ou outro que se desvanecem depois de uma análise mais ponderada. Só sei que neste domingo, enquanto participava de um evento de tênis da Suzana para seus velhos amigos do Payneiras do Morumbi, disse ao Germano, outro santista, que o São Paulo bem poderia ganhar com um jogo defensivo associado a uma bola parada ou um cruzamento para a área.

Sim, confesso que devido às últimas atuações pouco convincentes do Santos e o fato de jogar em sua casa pudesse fazer o São Paulo vencer por 1 a 0, resultado típico do odioso Muricybol. Repeti ao Marcelo, um corintiano fanático que torceria pelo Santos, que como torcedor eu gostaria que o Santos encaixasse alguns contra-ataques e enchesse o gol do Rogério Ceni de bola, mas como jornalista deveria admitir que o São Paulo era favorito, e o resultado mais lógico seria 1 a 0.

A situação de ser um clássico equilibra os jogos desde que Moisés desceu do Monte Sinai com a primeira bola. Lembro-me que disse exatamente isso ao amigo e sócio João Pedro Bara quando ele comemorou ao saber que a Argentina seria o adversário do Brasil nas oitavas da Copa de 1990. Realmente, eles estavam caindo pelas tabelas, tinham perdido na estreia para a Camarões, mas contra o Brasil se defenderam com unhas e dentes e na única jogada em que Maradona e Caniggia apareceram meio livres, saiu o gol que mandou o time de Lazzaroni pra casa.

Assim é o futebol. E os números comprovam. Veja, amigo leitor e amiga leitora, que nos últimos dez anos Santos e São Paulo jogaram 36 vezes e o Santos venceu 16, perdeu 12 e empatou oito. Ou seja, desde 2004 o Santos tem apenas quatro vitórias a mais, além de ter feito um saldo de 12 gols nesse confronto.

Porém, na década anterior, de 1994 a 2004, era o São Paulo quem tinha um saldo cinco vitórias (16 contra 11), mais 10 empates. Arredondando os últimos 20 anos, teremos a vantagem de uma vitória para o time da capital (28 contra 27), mas um saldo de cinco gols favoráveis ao Santos. Ou seja, equilíbrio total.

Por tudo isso, não esperava nada muito diferente do que aconteceu no Morumbi. Imaginava que Leandro Damião pudesse crescer, pois os grandes jogadores crescem justamente nos grandes jogos. Acho, realmente, que ele mostrou presença, personalidade e não fosse a grande defesa de Rogério Ceni, seria o nome mais falado dos programas de segunda-feira.

Também vi Luis Fabiano roubar bolas de Gustavo Henrique. Nunca tive ilusão de que o garoto fosse indriblável, mas ao menos a bola que está sob controle, não pode ser perdida. De qualquer forma, o menino tem crédito.

Assim como tem muito crédito o goleiraço Aranha, o volante Arouca, o guerreiro Alan Santos. Quem está perdendo o crédito, ao menos comigo, é Thiago Ribeiro. Ele já jogou bem melhor do que isso.

No mais, sei que meus colegas de blog talvez tenham notado melhor os jogadores que se destacaram e os que falharam. Confesso que não esperava muito desse jogo e até me surpreendi com a entrega dos atletas. Alguns deram, literalmente, o sangue.

É claro que não gostei do árbitro e nem do nervosismo do técnico Oswaldo Oliveira. Ele pode ter até razão em muitas reclamações, mas, se é expulso, o time perde uma referência importante fora do campo. Portanto, controle-se, professor!

No mais, achei as substituições boas. Rildo e Gabriel podem, sim, brigar por posições no time titular. Mas Gabriel tem de treinar mais o pé direito. Tivesse 20% desse pé e teria feito o gol da vitória. E isso de ele dizer que seu sonho é jogar no Barcelona, só reflete a ausência de endomarketing que existe no Santos. Às vezes dá a impressão de que esses garotos estão todos impregnados. Nenhum foi devidamente orientado para valorizar o lugar onde ganham o pão.

São Paulo 0 x 0 Santos

São Paulo: Rogério Ceni, Paulo Miranda, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Álvaro Pereira; Maicon, Souza, Douglas (Paulo Henrique Ganso) e Pabon; Osvaldo (Ademilson) e Luis Fabiano. Técnico: Muricy Ramalho.
Santos: Aranha, Cicinho, Gustavo Henrique, Neto e Mena; Arouca, Alan Santos (Gabriel) e Cícero; Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Geuvânio (Rildo). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Público: Público: 16.337 pagantes. Renda: R$ 429.610,00.
Arbritagem: Rogério Cen…, ou melhor, Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza (SP), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse (ambos de SP).
Cartões amarelos: Rodrigo Caio, Álvaro Pereira e Osvaldo (São Paulo); Geuvânio, Neto, Cicinho e Gustavo Henrique (Santos).

Melhores momentos do jogo:
http://youtu.be/yMFvpzbom9M

E pra você, o que este 0 a 0 com o São Paulo significou?