Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: abril 2014 (page 1 of 2)

O Santos virou enredo do Samba do Crioulo Doido

Meus amigos e minhas amigas, o Samba do Crioulo Doido, como vocês devem saber, foi uma canção composta por Stanislaw Ponte Preta, ou Sérgio Porto, e falava de um compositor de samba enredo que, ao endoidar, misturou as bolas e fez uma salada tremenda. É claro que qualquer semelhança com a administração atual do Santos é mera coincidência.

Há seis meses, 99,99% dos santistas sugeriram que o contrato de Léo não fosse renovado e que o clube oferecesse uma despedida digna ao velho guerreiro. Pois, sem dar ouvidos aos únicos que amam o Santos, a diretoria renovou por mais seis meses com o lateral, pagando-lhe 80 mil mensais.

Hoje, 480 mil reais depois, após um semestre em que o veterano só jogou 45 minutos, seu contrato não é renovado e ele sai, magoado e sem nenhuma homenagem especial – como, aliás, já havia ocorrido com outro ídolo, Giovanni.

E agora que Léo vai se aposentar, quem os gênios do futebol santista querem contratar? Quem? Quem? Ora, Renato, herói da conquista de 2002, só que 12 anos mais velho, encostado no Botafogo.

Se o leitor puxar só um pouquinho pela memória, se lembrará que antes de começar a temporada, 99,9999% dos santistas pediam a contratação de um meia, de um articulador de jogadas. No ataque, o Santos tinha uma garotada boa, com potencial para explodir este ano. Porém, novamente agindo por vontade própria, a diretoria investiu o que não tinha para contratar Leandro Damião por 42 milhões de reais, mais salários de 500 mil por mês.

Agora, bem, agora, atendendo a pedidos do técnico Oswaldo de Oliveira, o clube está disposto a comprar o passe do zagueiro Dória e do já citado veterano meio-campo Renato, ambos do Botafogo. Só o passe de Dória ficará em 20 milhões de reais.

Como está endividado até o pescoço, o Santos recorrerá novamente a um empréstimo da Doyen Sports, que no Brasil é representada por Renato Duprat, o mesmo que levou a suspeitíssima MSI para o alvinegro paulistano em 2005.

Como vai pagar esse dinheirão parece que não é algo com o qual essa diretoria se preocupe. Se esses jogadores ajudarem o time a conseguir uma boa colocação no Campeonato Brasileiro, essa gestão tem a esperança de se reeleger.

Se, o que é mais provável, o Santos cumprir uma campanha medíocre, como tem acontecido nos últimos anos, e os atuais mandatários forem defenestrados pela força das urnas, deixarão um pepino de Itu para a próxima diretoria.

Enfim, a gastança continua. E o pior é que o torcedor faz as contas e percebe que com essa grana toda daria para trazer Diego e Robinho, ou três ou quatro jogadores de bom nível que, somados aos garotos, trariam equilíbrio e competitividade ao time.

Na defesa? Ora, que se coloque qualquer um enquanto os titulares não saem do estaleiro. Agora mesmo, se preciso, eu experimentaria o Alison na zaga. Pra dividir, tirar de cabeça e dar chutão pra frente, não precisa ser nenhum Mauro Ramos de Oliveira.

Perceba que com todos os problemas que Oswaldo vê no setor, o Santos sofreu apenas dois gols nos últimos quatro jogos. O problema maior é mesmo o ataque, que só fez os mesmos dois gols nos mesmos quatro jogos.

Foi em Diamantina, onde nasceu JK…

E você, o que está achando desse samba muito doido do Peixe?


Futebol nota zero

gabriel - coritiba
As poucas chances de gol do Santos estiveram nos pés de Gabriel, nem sempre no pé certo (Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC)

Falta menos de um minuto para terminar os acréscimos. A bola cai no pé de Cícero, considerado o cérebro do meio-campo do Santos, o que para este time significa que é o único jogador do setor capaz de acertar um passe. Pode ser o último contra-ataque, a derradeira chance de uma vitória improvável. Mas Cícero joga a bola nos pés do adversário e o Santos toma mais um sufoco antes de garantir o zero a zero contra o limitado Coritiba.

Poderia ser pior, previne minha consciência. Claro, perder é sempre mais doloroso do que empatar. “É preciso também ver o mérito do adversário”, grita a Suzana da área de serviço, percebendo, pelo tec-tec do teclado, que já estou escrevendo o texto do jogo. Sim, admito que o Coritiba marcou bem e deu pouco espaço. Mas não consigo ver no time do Paraná uma equipe que almejará neste Brasileiro algo além de se manter na Série A.

Outro, mais atento, argumentará: “Mas Odir, você já disse que nunca dá nota zero a um jogador”. Eu fico admirado com a memória do tal leitor e lhe explico que, realmente, não dou nota zero individualmente, pois mesmo quando falta a técnica, pode sobrar a luta, a garra. E este Santos que empatou no Couto Pereira, ou ao menos a sua defesa, merece o benefício do espírito de luta, em cujo quesito me baseio para dar nota 7, ou 8. Mas a garra é essencial para outros times, historicamente pouco exigentes. Para o santista, que prioriza o futebol, a nota é zero mesmo.

Explico-me melhor: não dou zero para ninguém da defesa, muito menos para o garoto Jubal, mas continuo com o zero coletivo, pois futebol não é esporte de autistas (até o Messi, que parece padecer desse mal, joga para o time).

Se eu quisesse mesmo sacanear, faria um título assim: “Quem foi ver Leandro Damião, viu Zé Love”. Não seria uma inverdade, pois o atacante do Coxa criou bem mais jogadas do que o milionário executivo do ataque santista. Em pensar que a torcida respirou aliviada quando Zé Love partiu e hoje é obrigada a empurrar um bonde ainda maior.

Mas não adianta colocar a culpa em Damião. A verdade é que Geuvânio entrou e nada fez. Individualista e peladeiro, o rapaz não encontrou um lugar no campo e muito menos a bola. Lucas Lima entrou melhor, em substituição a um cada vez mais nulo Thiago Ribeiro, e Stefano Yuri só entrou porque Gabriel ainda parece um garoto no meio dos adultos.

Técnica, Gabriel tem, mas não ganha uma dividida, não protege a bola como se deve e peca na hora de arrematar a gol. Teve três chances e nas três lhe faltou ou habilidade, ou inteligência. Na primeira, tocasse de direita e encobriria o goleiro, mas, como não tem a perna direita, bateu com a esquerda, desequilibrado, e jogou para fora.

Na segunda chance, chutou apressadamente sobre o jogador caído, quando podia deixar a bola rolar mais meio metro e só assim, livre, disparar o tiro. Na terceira, tentou bater de primeira uma bola que permitia a matada antes do chute. Então, meus amigos, apesar de sua boa técnica, não esperemos muito de Gabriel enquanto ele não trabalhar para corrigir seus defeitos.

O problema não é a defesa

O problema maior do Santos não foi a defesa. Ela não é a melhor do Brasil, mas segurou bem o ataque do Coritiba. Aranha mostrou calma nos momentos de perigo; Jubal e David Braz se entenderam e devem ter saído com as cabeças doendo de tanto despachar os centros sobre a área; Émerson se esforçou, mesmo sem cobertura pelo seu lado, e Cicinho foi o mesmo atabalhoado de sempre, mas se segurou, e os volantes Alison e Alan Santos ao menos lutaram como leões.

Não peça, porém, que Alison enfie um passe; ou que Alan Santos faça uma tabela na intermediária adversária. Bem que o adversário lhes dá espaço, pois sabe que de seus erros pode nascer o contra-ataque tão esperado, como ocorreu por duas vezes seguidas no segundo tempo.

O grande motivo de preocupação do Santos tem sido a desincronia do ataque. Leandro Damião e Thiago Ribeiro são jogadores de conclusão, incapazes de segurar a bola na frente. Gabriel é imaturo, ainda não aprendeu a jogar para o time. O único que ainda protege bem a bola é Cícero, mas parece mais preocupado em cavar faltas do que criar jogadas. Então, ocorre que mal a bola é despachada por Aranha ou Jubal, e já volta para a intermediária santista.

Se Oswaldo de Oliveira queria frear o ímpeto ofensivo do time e tornar a defesa mais segura, talvez não tenha conseguido nem uma coisa, nem outra. O Santos passou sufoco em Curitiba e quase não incomodou o adversário. Aquela fome de gol que se viu no início do Paulista parece que é coisa de um passado distante. A bola voltou a ser tocada de lado, sem pressa.

Conclusão: Juninho Paulista está certo

A conclusão que um desempenho desses nos oferece é a de que Juninho Paulista, o presidente do Ituano, está completamente certo quando diz que faltam bons jogadores nos times grandes de São Paulo, e por isso o seu Ituano acabou superando todos eles no Campeonato Paulista.

Hoje os elencos dos times brasileiros se equivalem. A diferença de valores e salários dos jogadores está, geralmente, no poder de argumentação de alguns empresários e na ingenuidade, ou matreirice, de certos dirigentes. Um gringo que visse Coritiba e Santos não diria que o Alvinegro Praiano possui o terceiro elenco mais caro do Brasil.

Este Santos não tem nenhum craque, temos de admitir. O único que demonstra uma categoriazinha a mais, o armador Cícero, no meu time de várzea só teria a vantagem de não pagar a mensalidade. E ouviria berro a toda hora, pois se esconde na hora de decidir os jogos. O craque do time tem também de ser o construtor das vitórias. Para ganhar mais do que os outros, tem de ser mais decisivo. Do jeito que Cícero tem jogado, 120 pilas por mês seria uma fortuna.

Já deu para perceber que mais uma vez o santista está certo ao não se entusiasmar com o time em mais um Campeonato Brasileiro. Veja na enquete aí do lado direito que as opções mais votadas são “meio da tabela” e “escapar do rebaixamento”. Ah se os diretores do Santos tivessem a humildade de sentir o coração dos torcedores. Quantas bobagens não teriam sido evitadas…

O que dói mais é que dava para ter um time rendendo bem acima deste Santos com um investimento beeem menor. Mas não vamos falar de dinheiro, se não perdemos o resto do fim de semana. “Sim, amor, pode deixar, eu sei que o Coritiba teve méritos. Mas que o Santos jogou mal, jogou”.

Veja os melhores momentos de Coritiba 0 x 0 Santos

E você, o que achou do Santos nesse 0 a 0 gelado em Coritiba?


Divisão de cotas de tevê no Brasil deve ser como na Bundesliga

Santos tem de ser o time da Baixada Santista

http://www.metrojornal.com.br/nacional/colunistas/o-esquadrao-da-baixada-santista-85567

borussia
Borussia Dortmund: de quase falido há 10 anos a um lucro de 45 milhões de euros em 2012. Seu estádio recebe a lotação máxima de 80 mil pessoas em todos os jogos.

O Brasil anda meio engraçado. Não se espante se um dia desses você receber um e-mail convidando-o para assistir a uma palestra de um cientista da Albânia, ou de um marqueteiro da Bolívia. Suécia? Dinamarca? Noruega? Gênios financeiros de Wall Street? Não servem. E no caso da distribuição de cotas da tevê aos clubes de futebol, obviamente se adota o modelo espanhol, fórmula que só agrada a dois clubes e condena os demais à eterna coadjuvância.

Na Bundesliga, em que a colocação do time no campeonato é levada em conta na hora de distribuir a verba da TV, o estratosférico Bayern de Munique recebeu 29,96 milhões de euros (R$ 71,9 milhões) ao final da temporada passada, enquanto o desconhecidíssimo Saint Pauli, rebaixado para a Segunda Divisão, abiscoitou 13,2 milhões de euros (R$ 31,68 milhões). Vê-se que mesmo entre equipes tão opostas, a diferença de valores não foi constrangedora como no Brasil, em que os dois primeiros da lista recebem quatro vezes mais do que os últimos.

Na semana passada os 36 clubes da Primeira e Segunda Divisões do futebol alemão assinaram um novo contrato com as duas cadeias de televisão públicas do país e com a Sky pelo qual receberão até 2017 um total de 2,5 bilhões de euros (R$ 6 bilhões), um bilhão a mais do que no último contrato. Competitivo, com estádios lotados e clubes fortalecidos, o futebol alemão está mais cheio que caneca da Oktoberfest.

Os segredos, óbvios, da Bundesliga

Gastar menos do que arrecada, ter muitos sócios e cobrar pelas entradas preços acessíveis à classe média – estes são alguns dos segredos do sucesso da Bundesliga.

Com ingressos baratos, a média de público nos modernos estádios alemães alcança 45 mil torcedores. Mesmo assim, o valores dos ingressos praticamente não sobem há sete anos.

O Borussia Dortmund, virtualmente falido há dez anos, resolveu aproximar-se do seu torcedor, passou a adotar ingressos baratos (média de 11 euros, cerca de 33 reais), investiu na formação de atletas em suas categorias de base e na prospecção em clubes menores, chegando a obter um lucro de 45 milhões de euros em 2012. Sua média de público alcança 80 mil pessoas.

Mas é claro que só a divisão mais democrática do dinheiro da televisão não garantirá o equilíbrio de forças, pois há outros fatores que interferem no poder econômico dos clubes, que são: patrocínio, merchandising, quantidade de sócios e arrecadação.

Quem é contra a mudança do sistema brasileiro, que segue o rumo da espanholização, para o da Alemanha, gosta de dar o exemplo do Bayern, que mesmo inserido em um sistema mais justo, que favorece a mérito, ainda assim se destaca bem mais do que seus concorrentes. O caso, porém, é que o Bayern se destaca justamente pelo mérito de sua eficiência.

Há 24 anos o clube apresenta superávit financeiro, ou seja, arrecada mais do que gasta. Eu disse 24 anos! Por aí já se percebe que não pode haver nenhuma comparação entre o grande alemão e qualquer clube brasileiro. Em segundo lugar, o Bayern consegue uma arrecadação maior por ter 10 milhões de torcedores. E aqui são torcedores-consumidores, ao contrário das torcidas brasileiras, das quais nenhuma chega a ter um milhão de consumidores de produtos oficiais do clube.

Este blog não é mais uma voz no deserto

A gritaria contra a espanholização, que no Brasil começou com tímidos murmúrios – entre eles os deste humilde blog –, hoje ganha corpo. O presidente do Goiás, Sergio Rassi, é o mais recente engajado. Ele diz que já tem apoio de Coritiba, Atlético-PR, Bahia, Vitória e Sport. A ideia é adotar uma fórmula parecida com Bundesliga alemã, a Premier League inglesa ou a Série A italiana. Grassi explica:

“Funcionaria mais ou menos assim: 60% do valor seria repartido igualitariamente entre os 20 times, enquanto que 20% seriam pela exposição na mídia e o outro 20% pelo desempenho em campo. Seria mais justo. A única liga que não segue isso é a espanhola. Não por acaso tem um futebol sem graça, restrito basicamente a dois clubes, com um terceiro surgindo de vez em quando. As demais têm uma alternância de títulos”, afirma.

Espero que o esforço de Sergio Grassi seja recompensado. Não há porque os grandes clubes brasileiros temerem a concorrência. Eles ainda terão mais facilidade para conseguir patrocinadores e atrair público para seus jogos, além de maior audiência na tevê. É evidente, porém, que precisarão ser mais competentes, o que, grosso modo, contribuirá para o crescimento do nosso futebol.

E pra você, a Bundesliga deve ser o exemplo para o futebol brasileiro?


Carlos Miguel Aidar deve liderar a luta contra a espanholização

Carlos Miguel Aidar 2carlos miguel aidar
Carlos Miguel Aidar como eu o conheci, e como está hoje, novamente presidente do São Paulo. Um dirigente que pode liderar a luta contra o monopólio da Globo e a espanholização do nosso futebol.

Conheci Carlos Miguel Aidar na casa de um amigo comum, o Nelson Blanco, há muitos anos. Discreto, simpático, Aidar mal falou sobre seus planos para a presidência do São Paulo, cargo que ocuparia de 1984 a 1988. Agora ele volta a dirigir o clube do Morumbi e já anunciou que uma de suas metas é unir os clubes descontentes com a divisão de cotas da tevê, lutando contra a espanholização que a Rede Globo quer impor ao futebol brasileiro.

Imaginei que o Santos é que fosse encampar essa luta, como um dos mais prejudicados por essa divisão que não leva em conta o currículo dos clubes, nem sua importância para a história do futebol. Cheguei a prevenir Luis Álvaro Ribeiro sobre isso durante um café que ele ofereceu aos blogueiros santistas logo que assumiu o cargo, em uma época em que nossas relações ainda eram cordiais. Porém, animado com o aumento da cota que o Santos receberia, Laor não me deu ouvidos. Ele não percebeu que de nada adiantaria o Santos receber mais se a diferença para os dois privilegiados aumentaria a cada ano, até escavar um abismo enorme e insuperável.

A partir de 2016 o Santos receberá 80 milhões de reais por contrato com a Globo, exatamente metade do valor que será destinado a Flamengo e Corinthians. O São Paulo ficará com 110 e os demais grandes do Brasil com 60 milhões. A espanholização, como um cavaleiro do apocalipse, vem a galope para ceifar a competitividade que ainda embala nosso futebol.

Nos próximos dias o novo presidente do São Paulo e o seu vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, deverão iniciar os contatos com Santos, Palmeiras, Fluminense, Cruzeiro, Botafogo, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro e Bahia, todos integrantes do dissolvido Clube dos Treze, para traçar uma estratégia de negociação com a Rede Globo.

O monopólio que a Globo exerce no futebol acabou lhe dando o poder de estabelecer que time será realmente grande e qual deverá se conformar com uma posição subalterna. A Espanha é o maior exemplo do que a preferência por dois times pode fazer com os clubes de futebol de um país.

Até meados dos anos 60, Barcelona e Atlético de Madrid se equivaliam em títulos e visibilidade. Hoje o Barça, assim como o Real Madrid, recebe 120 milhões de euros da tevê, enquanto o Atlético apenas 42 milhões. É quase impossível ser competitivo assim. A exceção pode ocorrer em uma ou outra temporada, mas não se iluda: a capacidade de investimento do time catalão é infinitamente maior.

No Brasil, que vive fase de grande populismo e péssima administração de recursos – não me venha dizer que um país que prefere gastar bilhões em uma Copa e esquece saúde e educação tem preocupações sociais sinceras –, os times considerados mais populares já são beneficiados com patrocínio de estatais, auxílio-estádio e rolagem infinita da dívida. A preferência da tevê é a cereja do bolo que faltava para perpetuar a desigualdade.

Meritocracia já!

Hoje na divisão de cotas da tevê não há lugar para o mérito esportivo. O dinheiro é dividido de acordo com a quantidade de torcedores dos clubes. Se um dia a Fifa fizer isso, um time chinês provavelmente receberá mais dinheiro do que os grandes europeus. Por esse critério, times que tiveram mais relevância técnica em sua existência são preteridos por outros “mais populares”. O “critério econômico” prepondera.

O que Aidar e Gil Ferreiro propõem é exatamente o que este blog sugere há anos: que a divisão de cotas siga os modelos bem-sucedidos da Inglaterra ou Alemanha, pelos quais metade da verba total é dividida entre todos os participantes da divisão principal do campeonato nacional (no nosso caso, a Série A) e o restante é distribuído entre as equipes mais bem classificadas na competição, as de maior ibope na tevê e as das outras séries.

Com isso, a audiência da tevê deixaria de ser o único critério para a distribuição das cotas. Obviamente, seria uma fórmula mais justa, a que daria aos clubes uma possibilidade maior de brigar pelos títulos, aumentando o interesse do público e melhorando a qualidade do espetáculo futebol.

Alternativas para acabar com o monopólio

Como disse bem o jogador Alex, do Coritiba, hoje o futuro do futebol brasileiro está nas mãos de uma emissora de tevê. A Globo detém os direitos da tevê aberta, da tevê por assinatura e do pay per view. Isso quer dizer que, além da distribuição do dinheiro, ela pode decidir que times terão mais visibilidade, detalhe fundamental para a captação de patrocinadores.

Mas há muitas alternativas viáveis que podem substituir, com vantagem, o sistema vigente. Esse monopólio poderia ser evitado, por exemplo, com a liberalização para que outras emissoras transmitam jogos que não interessam à emissora vencedora da concorrência. Poderíamos ter um jogo na Globo, outro da Record, outro no SBT, outro na RedeTV, Rede Vida, Canal Interativo etc. Poderia-se, ainda, dar aos clubes a possibilidade de criar a sua própria tevê pela Internet, ao menos para satisfazer aos seus sócios.

Hoje o torcedor brasileiro vive uma situação bizarra. Ele pode escolher entre uma dezena de jogos internacionais, mas só tem uma opção quando se trata do Campeonato Brasileiro. Essa prática está cerceando o direito de clubes brasileiros tradicionais se manterem competitivos.

O sistema também estabelece uma ditadura nas relações da Globo com os clubes, pois os que reclamarem poderão ser ainda mais prejudicados, já que a emissora faz sua escala de transmissões sem dar satisfação a ninguém. Com a extinção do Clube dos Treze, os grandes clubes perderam a voz e o poder de negociação. E, como muitos já adiantaram suas cotas, estão quietinhos, sem dar um pio.

Com a abertura para que outros canais de tevê dividam o bolo, os outros clubes, hoje marginalizados, teriam ao menos uma visibilidade maior e, com isso, maior possibilidade de conseguir patrocínios. Do jeito que está, todos dependem da boa vontade da Globo, que define que clube brasileiro ficará rico e qual será apenas um coadjuvante no País da Copa, assim como já decidiu que os jogos noturnos só podem começar depois do último beijo na novela.

Hoje é o Dia do Choro, mas o choro bom. Uma homenagem do grande Vitor Lopes
Meus amigos!!!
Hoje, dia 23 de abril, seria o aniversário de São Pixinguinha, padroeiro da Música Popular Brasileira! Em sua honra, hoje comemoramos o Dia do Choro!!!
Esse é um dia muito especial para todos nós, músicos e fãs de choro de todo o mundo e, para prestar uma homenagem à cultura popular brasileira, fiz uma parceria com a Mova Filmes e realizamos uma gravação singela e delicada de “Lamentos”, de Pixinguinha. O link segue acima.
Espero que vocês gostem!
Viva Pixinguinha!!! Viva o Choro!!!
Um grande abraço,
Vitor Lopes.
www.vitorlopes.net

E você, acha que o Santos deve apoiar a luta contra a espanholização?


Estreia preocupante

O desabafo de Ruy Cabeção: “O futebol brasileiro está decadente… Os times estão nas mãos de empresários… Os investidores estão c… e andando para o torcedor”.

Dos times paulistas na Série A, o Santos foi aquele que teve o pior resultado. Empatar em casa, com o Sport, significa perder dois pontos. E na Vila Belmiro, pra acabar com essa mania de que o Santos ganha todas quando joga no Urbano Caldeira. Bobagem. E poderia ser até pior se Gabriel não marcasse aos 34 minutos do segundo tempo, resvalando de cabeça um chute de Geuvânio. Os jogadores do Sport reclamaram impedimento, mas o bandeirinha julgou que Renê, do Sport, que recuava da linha de fundo, dava condição ao santista.

Vi e revi o lance com cuidado e acho que o auxiliar agiu certo. Em dúvida, não se pode punir o atacante. E, mesmo não tendo feito uma grande exibição, o Santos procurou mais o gol. Criou 12 chances para marcar, contra apenas três do Sport; teve oito escanteios, contra apenas um do adversário; fez oito jogadas de linha de fundo, contra uma do Sport, e finalizou 21 vezes, contra nove. Seria injusto perder.

Ouvi o segundo tempo pela rádio Jovem Pan, pois estava escrevendo textos para o Museu Pelé, e gostaria de dar um humilde conselho ao narrador José Manuel, daquela emissora: Meu caro, evite falar tantas vezes que o jogador “vai marcar”. Só use essa expressão se ele realmente for marcar o gol. Só no segundo tempo você repetiu “vai marcar” umas dez vezes em ataques do Santos.

Assim você mata seus ouvintes do coração. Ou, pior, ninguém acreditará quando você afirmar isso. Diga “pode marcar”, ou qualquer coisa que deixe no ar a possibilidade de marcar, ou não. Se “vai marcar”, porque não marca nunca, ou quase nunca? Bem, foi só um conselho de quem trabalhou alguns anos com Osmar Santos, o Pai da Matéria. Abraço!

Quanto ao jogo, a má sorte da contusão de Neto também tem de ser levada em conta. Jubal entrou gelado e logo recebeu uma bola nas costas. Não dá para culpar o garoto. O que dá para pedir é mais capricho no passe e no arremate. Faltou de novo a precisão final. Infelizmente, sou obrigado a dizer que se Leandro Damião ao menos tentasse bater de esquerda de vez em quando, teria feito o gol aos 2 minutos do segundo tempo, quando perdeu centésimos de segundo para tocar de direita e jogou para fora.

O pior é que o torcedor olha para Damião e lembra que ele foi comprado por 42 milhões em uma época em que as finanças do clube já estavam depauperadas. Não sei o que esta diretoria pensou ao fechar o negócio. Se o objetivo foi jogar essa dívida imensa para a gestão que assumir o clube nas próximas eleições, então foi dos piores crimes já cometidos contra o clube. Se foi imaginando que Damião seria valorizado, mostrou um desconhecimento profundo do futebol.

A complicada situação financeira do Santos

A propósito, recebi hoje um e-mail do amigo Marcelo Fernandes, com mensagem recebida por ele dos santistas Marcelo Mello e Roberto Rabelato, que estão liderando um movimento para cobrar dos conselheiros do Santos uma posição mais firme com relação a atos da diretoria que têm agravado a situação financeira do clube. Diz a mensagem de Mello e Rabelato enviada aos conselheiros:

Senhores conselheiros:
Em vista dos números apresentados como resultado do último exercício social, da continuidade de ações executadas no primeiro trimestre de 2014 (e corretamente ainda não agregada ao balanço patrimonial) e de projeções para o final do corrente exercício, mas principalmente para o triênio 2015/2017, chamamos sua atenção para o que expomos:
1- Uma aplicação de analise técnica contábil chamada de indice de liquidez corrente, que aponta a capacidade de pagamento de uma instituição aponta que no sfc temos apenas r$ 0,18 (dezoito centavos de real) para cada r$ 1,00 (hum real) de dívida.
Não é necessário ser um expert em contabilidade ou finanças para ver que isso por si só é alarmante!
2 – uma conta simples efetuada com os mesmo dados nos mostra:
Em 2012 vendemos cerca de 27 milhões em jogadores e em 2013 cerca de 71 milhões.
Um aumento de 44 milhões.
Em 2012 tínhamos um passivo circulante (isso é de curto prazo de vencimento) de 117 milhões e em 2013 temos esse mesmo passivo de 174 milhões.
Um aumento de 50 milhões.
Em 2012 tínhamos um déficit acumulado de 134 milhões e em 2013 temos um total de 157 milhões.
Um aumento de 20 milhões.
Esses números (apenas em ordem de grandeza) nos apontam para a seguinte e inevitável conclusão: o sfc necessita buscar no mercado no mínimo mais 100 milhões de reais seja em novos empréstimos e financiamento seja em venda de jogadores, em 2014 somente para manter o nível atual das contas.
E o grupo se fez essa pergunta: quem temos disponível para venda que nos dê esse aporte de capital?
Essa resposta deixamos a cargo do foro íntimo e da consciência de cada um dos senhores, assim como a reflexão do que isso representaria para o time.
outra opção, e essa já apontada e aprovada por seus pares, é a antecipação dos recebíveis, o que a nosso ver compromete sobremaneira a administração futura, seja ela qual for e pouco interessa, pois aqui, nos preocupamos somente com a governabilidade do clube e não com o poder.
Outro simples exercício de lógica nos faz ver o seguinte:
Se em 2013 com o nível de receita que tivemos, fomos obrigados a buscar mais de r$ 110 milhões em recursos outros; se em 2014 somos abrigados a vender jogadores e antecipar r$ 53 milhões em cotas de tv para continuarmos a continuar sobrevivendo, o que ocorrerá em 2015 e nos anos seguintes em que as cotas já foram adiantadas e comprometidas, portanto diminuindo sobremaneira a entrada de recursos?
Essas, senhores, são nossas preocupações e o motivo de virmos a sua ilustre presença solicitar que em nome de toda nação santista, consulte seu coração e pese nosso futuro na hora dar seu voto nas coisas do glorioso alvinegro praiano.
Ficamos a inteira disposição para saudável e produtivo debate sobre o assunto sempre que seja necessário.
atenciosamente:

Grupo independente de sócios, torcedores e simpatizantes do glorioso SFC!
Por um Santos forte, sólido, sustentável; transparente e digno.

É claro que eu concordo que essas ações da diretoria precisam ser devidamente investigadas pelo conselho. Aliás, se o impeachment se concretizasse depois do vexame dos 8 a 0 contra o Barcelona, e novas eleições fossem marcadas, a compra nebulosa de Leandro Damião não teria se perpetrado, com incalculáveis prejuízos para o clube.

E pra não dizer que falo sobre isso apenas agora, copio um post que escrevi neste mesmo blog em 29 de setembro de 2010, portanto há três anos e sete meses, cobrando mais transparência da diretoria do Santos. Este foi um dos posts que fez com que o presidente Luis Álvaro Ribeiro me tirasse da coordenação do Centenário e me excluísse do filme do qual eu era roteirista:


http://blogdoodir.com.br/wp-admin/post.php?post=2668&action=edit

Reveja os melhores momentos de Santos 1 x 1 Sport:

Santos 1 x 1 Sport
Vila Belmiro, Santos, 18h30m
Santos: Aranha; Cicinho, Neto (Jubal), David Braz e Mena; Arouca (Alan Santos), Geuvânio e Cícero; Thiago Ribeiro (Lucas Lima), Gabriel e Leandro Damião. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Sport: Magrão; Patric, Ferron, Durval e Renê; Ewerton Páscoa (Rithelly), Rodrigo Mancha, Renan Oliveira (Augusto) e Wendel (Ananias); Felipe Azevedo e Neto Baiano. Técnico: Eduardo Baptista.
Gols: Neto Baiano, aos 27 minutos e Gabriel, aos 34 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Arilson Bispo da Anunciação (BA), auxiliado por
Rodrigo Pereira Joia (RJ) e Silbert Faria Sisquim (RJ).
Cartões amarelos: Jubal (Santos); Rodrigo Mancha e Ferron (Sport).

E pra você, como foi a estreia do Santos no Brasileiro?


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