Carlos Miguel Aidar 2carlos miguel aidar
Carlos Miguel Aidar como eu o conheci, e como está hoje, novamente presidente do São Paulo. Um dirigente que pode liderar a luta contra o monopólio da Globo e a espanholização do nosso futebol.

Conheci Carlos Miguel Aidar na casa de um amigo comum, o Nelson Blanco, há muitos anos. Discreto, simpático, Aidar mal falou sobre seus planos para a presidência do São Paulo, cargo que ocuparia de 1984 a 1988. Agora ele volta a dirigir o clube do Morumbi e já anunciou que uma de suas metas é unir os clubes descontentes com a divisão de cotas da tevê, lutando contra a espanholização que a Rede Globo quer impor ao futebol brasileiro.

Imaginei que o Santos é que fosse encampar essa luta, como um dos mais prejudicados por essa divisão que não leva em conta o currículo dos clubes, nem sua importância para a história do futebol. Cheguei a prevenir Luis Álvaro Ribeiro sobre isso durante um café que ele ofereceu aos blogueiros santistas logo que assumiu o cargo, em uma época em que nossas relações ainda eram cordiais. Porém, animado com o aumento da cota que o Santos receberia, Laor não me deu ouvidos. Ele não percebeu que de nada adiantaria o Santos receber mais se a diferença para os dois privilegiados aumentaria a cada ano, até escavar um abismo enorme e insuperável.

A partir de 2016 o Santos receberá 80 milhões de reais por contrato com a Globo, exatamente metade do valor que será destinado a Flamengo e Corinthians. O São Paulo ficará com 110 e os demais grandes do Brasil com 60 milhões. A espanholização, como um cavaleiro do apocalipse, vem a galope para ceifar a competitividade que ainda embala nosso futebol.

Nos próximos dias o novo presidente do São Paulo e o seu vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, deverão iniciar os contatos com Santos, Palmeiras, Fluminense, Cruzeiro, Botafogo, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro e Bahia, todos integrantes do dissolvido Clube dos Treze, para traçar uma estratégia de negociação com a Rede Globo.

O monopólio que a Globo exerce no futebol acabou lhe dando o poder de estabelecer que time será realmente grande e qual deverá se conformar com uma posição subalterna. A Espanha é o maior exemplo do que a preferência por dois times pode fazer com os clubes de futebol de um país.

Até meados dos anos 60, Barcelona e Atlético de Madrid se equivaliam em títulos e visibilidade. Hoje o Barça, assim como o Real Madrid, recebe 120 milhões de euros da tevê, enquanto o Atlético apenas 42 milhões. É quase impossível ser competitivo assim. A exceção pode ocorrer em uma ou outra temporada, mas não se iluda: a capacidade de investimento do time catalão é infinitamente maior.

No Brasil, que vive fase de grande populismo e péssima administração de recursos – não me venha dizer que um país que prefere gastar bilhões em uma Copa e esquece saúde e educação tem preocupações sociais sinceras –, os times considerados mais populares já são beneficiados com patrocínio de estatais, auxílio-estádio e rolagem infinita da dívida. A preferência da tevê é a cereja do bolo que faltava para perpetuar a desigualdade.

Meritocracia já!

Hoje na divisão de cotas da tevê não há lugar para o mérito esportivo. O dinheiro é dividido de acordo com a quantidade de torcedores dos clubes. Se um dia a Fifa fizer isso, um time chinês provavelmente receberá mais dinheiro do que os grandes europeus. Por esse critério, times que tiveram mais relevância técnica em sua existência são preteridos por outros “mais populares”. O “critério econômico” prepondera.

O que Aidar e Gil Ferreiro propõem é exatamente o que este blog sugere há anos: que a divisão de cotas siga os modelos bem-sucedidos da Inglaterra ou Alemanha, pelos quais metade da verba total é dividida entre todos os participantes da divisão principal do campeonato nacional (no nosso caso, a Série A) e o restante é distribuído entre as equipes mais bem classificadas na competição, as de maior ibope na tevê e as das outras séries.

Com isso, a audiência da tevê deixaria de ser o único critério para a distribuição das cotas. Obviamente, seria uma fórmula mais justa, a que daria aos clubes uma possibilidade maior de brigar pelos títulos, aumentando o interesse do público e melhorando a qualidade do espetáculo futebol.

Alternativas para acabar com o monopólio

Como disse bem o jogador Alex, do Coritiba, hoje o futuro do futebol brasileiro está nas mãos de uma emissora de tevê. A Globo detém os direitos da tevê aberta, da tevê por assinatura e do pay per view. Isso quer dizer que, além da distribuição do dinheiro, ela pode decidir que times terão mais visibilidade, detalhe fundamental para a captação de patrocinadores.

Mas há muitas alternativas viáveis que podem substituir, com vantagem, o sistema vigente. Esse monopólio poderia ser evitado, por exemplo, com a liberalização para que outras emissoras transmitam jogos que não interessam à emissora vencedora da concorrência. Poderíamos ter um jogo na Globo, outro da Record, outro no SBT, outro na RedeTV, Rede Vida, Canal Interativo etc. Poderia-se, ainda, dar aos clubes a possibilidade de criar a sua própria tevê pela Internet, ao menos para satisfazer aos seus sócios.

Hoje o torcedor brasileiro vive uma situação bizarra. Ele pode escolher entre uma dezena de jogos internacionais, mas só tem uma opção quando se trata do Campeonato Brasileiro. Essa prática está cerceando o direito de clubes brasileiros tradicionais se manterem competitivos.

O sistema também estabelece uma ditadura nas relações da Globo com os clubes, pois os que reclamarem poderão ser ainda mais prejudicados, já que a emissora faz sua escala de transmissões sem dar satisfação a ninguém. Com a extinção do Clube dos Treze, os grandes clubes perderam a voz e o poder de negociação. E, como muitos já adiantaram suas cotas, estão quietinhos, sem dar um pio.

Com a abertura para que outros canais de tevê dividam o bolo, os outros clubes, hoje marginalizados, teriam ao menos uma visibilidade maior e, com isso, maior possibilidade de conseguir patrocínios. Do jeito que está, todos dependem da boa vontade da Globo, que define que clube brasileiro ficará rico e qual será apenas um coadjuvante no País da Copa, assim como já decidiu que os jogos noturnos só podem começar depois do último beijo na novela.

Hoje é o Dia do Choro, mas o choro bom. Uma homenagem do grande Vitor Lopes
Meus amigos!!!
Hoje, dia 23 de abril, seria o aniversário de São Pixinguinha, padroeiro da Música Popular Brasileira! Em sua honra, hoje comemoramos o Dia do Choro!!!
Esse é um dia muito especial para todos nós, músicos e fãs de choro de todo o mundo e, para prestar uma homenagem à cultura popular brasileira, fiz uma parceria com a Mova Filmes e realizamos uma gravação singela e delicada de “Lamentos”, de Pixinguinha. O link segue acima.
Espero que vocês gostem!
Viva Pixinguinha!!! Viva o Choro!!!
Um grande abraço,
Vitor Lopes.
www.vitorlopes.net

E você, acha que o Santos deve apoiar a luta contra a espanholização?