O desabafo de Ruy Cabeção: “O futebol brasileiro está decadente… Os times estão nas mãos de empresários… Os investidores estão c… e andando para o torcedor”.

Dos times paulistas na Série A, o Santos foi aquele que teve o pior resultado. Empatar em casa, com o Sport, significa perder dois pontos. E na Vila Belmiro, pra acabar com essa mania de que o Santos ganha todas quando joga no Urbano Caldeira. Bobagem. E poderia ser até pior se Gabriel não marcasse aos 34 minutos do segundo tempo, resvalando de cabeça um chute de Geuvânio. Os jogadores do Sport reclamaram impedimento, mas o bandeirinha julgou que Renê, do Sport, que recuava da linha de fundo, dava condição ao santista.

Vi e revi o lance com cuidado e acho que o auxiliar agiu certo. Em dúvida, não se pode punir o atacante. E, mesmo não tendo feito uma grande exibição, o Santos procurou mais o gol. Criou 12 chances para marcar, contra apenas três do Sport; teve oito escanteios, contra apenas um do adversário; fez oito jogadas de linha de fundo, contra uma do Sport, e finalizou 21 vezes, contra nove. Seria injusto perder.

Ouvi o segundo tempo pela rádio Jovem Pan, pois estava escrevendo textos para o Museu Pelé, e gostaria de dar um humilde conselho ao narrador José Manuel, daquela emissora: Meu caro, evite falar tantas vezes que o jogador “vai marcar”. Só use essa expressão se ele realmente for marcar o gol. Só no segundo tempo você repetiu “vai marcar” umas dez vezes em ataques do Santos.

Assim você mata seus ouvintes do coração. Ou, pior, ninguém acreditará quando você afirmar isso. Diga “pode marcar”, ou qualquer coisa que deixe no ar a possibilidade de marcar, ou não. Se “vai marcar”, porque não marca nunca, ou quase nunca? Bem, foi só um conselho de quem trabalhou alguns anos com Osmar Santos, o Pai da Matéria. Abraço!

Quanto ao jogo, a má sorte da contusão de Neto também tem de ser levada em conta. Jubal entrou gelado e logo recebeu uma bola nas costas. Não dá para culpar o garoto. O que dá para pedir é mais capricho no passe e no arremate. Faltou de novo a precisão final. Infelizmente, sou obrigado a dizer que se Leandro Damião ao menos tentasse bater de esquerda de vez em quando, teria feito o gol aos 2 minutos do segundo tempo, quando perdeu centésimos de segundo para tocar de direita e jogou para fora.

O pior é que o torcedor olha para Damião e lembra que ele foi comprado por 42 milhões em uma época em que as finanças do clube já estavam depauperadas. Não sei o que esta diretoria pensou ao fechar o negócio. Se o objetivo foi jogar essa dívida imensa para a gestão que assumir o clube nas próximas eleições, então foi dos piores crimes já cometidos contra o clube. Se foi imaginando que Damião seria valorizado, mostrou um desconhecimento profundo do futebol.

A complicada situação financeira do Santos

A propósito, recebi hoje um e-mail do amigo Marcelo Fernandes, com mensagem recebida por ele dos santistas Marcelo Mello e Roberto Rabelato, que estão liderando um movimento para cobrar dos conselheiros do Santos uma posição mais firme com relação a atos da diretoria que têm agravado a situação financeira do clube. Diz a mensagem de Mello e Rabelato enviada aos conselheiros:

Senhores conselheiros:
Em vista dos números apresentados como resultado do último exercício social, da continuidade de ações executadas no primeiro trimestre de 2014 (e corretamente ainda não agregada ao balanço patrimonial) e de projeções para o final do corrente exercício, mas principalmente para o triênio 2015/2017, chamamos sua atenção para o que expomos:
1- Uma aplicação de analise técnica contábil chamada de indice de liquidez corrente, que aponta a capacidade de pagamento de uma instituição aponta que no sfc temos apenas r$ 0,18 (dezoito centavos de real) para cada r$ 1,00 (hum real) de dívida.
Não é necessário ser um expert em contabilidade ou finanças para ver que isso por si só é alarmante!
2 – uma conta simples efetuada com os mesmo dados nos mostra:
Em 2012 vendemos cerca de 27 milhões em jogadores e em 2013 cerca de 71 milhões.
Um aumento de 44 milhões.
Em 2012 tínhamos um passivo circulante (isso é de curto prazo de vencimento) de 117 milhões e em 2013 temos esse mesmo passivo de 174 milhões.
Um aumento de 50 milhões.
Em 2012 tínhamos um déficit acumulado de 134 milhões e em 2013 temos um total de 157 milhões.
Um aumento de 20 milhões.
Esses números (apenas em ordem de grandeza) nos apontam para a seguinte e inevitável conclusão: o sfc necessita buscar no mercado no mínimo mais 100 milhões de reais seja em novos empréstimos e financiamento seja em venda de jogadores, em 2014 somente para manter o nível atual das contas.
E o grupo se fez essa pergunta: quem temos disponível para venda que nos dê esse aporte de capital?
Essa resposta deixamos a cargo do foro íntimo e da consciência de cada um dos senhores, assim como a reflexão do que isso representaria para o time.
outra opção, e essa já apontada e aprovada por seus pares, é a antecipação dos recebíveis, o que a nosso ver compromete sobremaneira a administração futura, seja ela qual for e pouco interessa, pois aqui, nos preocupamos somente com a governabilidade do clube e não com o poder.
Outro simples exercício de lógica nos faz ver o seguinte:
Se em 2013 com o nível de receita que tivemos, fomos obrigados a buscar mais de r$ 110 milhões em recursos outros; se em 2014 somos abrigados a vender jogadores e antecipar r$ 53 milhões em cotas de tv para continuarmos a continuar sobrevivendo, o que ocorrerá em 2015 e nos anos seguintes em que as cotas já foram adiantadas e comprometidas, portanto diminuindo sobremaneira a entrada de recursos?
Essas, senhores, são nossas preocupações e o motivo de virmos a sua ilustre presença solicitar que em nome de toda nação santista, consulte seu coração e pese nosso futuro na hora dar seu voto nas coisas do glorioso alvinegro praiano.
Ficamos a inteira disposição para saudável e produtivo debate sobre o assunto sempre que seja necessário.
atenciosamente:

Grupo independente de sócios, torcedores e simpatizantes do glorioso SFC!
Por um Santos forte, sólido, sustentável; transparente e digno.

É claro que eu concordo que essas ações da diretoria precisam ser devidamente investigadas pelo conselho. Aliás, se o impeachment se concretizasse depois do vexame dos 8 a 0 contra o Barcelona, e novas eleições fossem marcadas, a compra nebulosa de Leandro Damião não teria se perpetrado, com incalculáveis prejuízos para o clube.

E pra não dizer que falo sobre isso apenas agora, copio um post que escrevi neste mesmo blog em 29 de setembro de 2010, portanto há três anos e sete meses, cobrando mais transparência da diretoria do Santos. Este foi um dos posts que fez com que o presidente Luis Álvaro Ribeiro me tirasse da coordenação do Centenário e me excluísse do filme do qual eu era roteirista:


http://blogdoodir.com.br/wp-admin/post.php?post=2668&action=edit

Reveja os melhores momentos de Santos 1 x 1 Sport:

Santos 1 x 1 Sport
Vila Belmiro, Santos, 18h30m
Santos: Aranha; Cicinho, Neto (Jubal), David Braz e Mena; Arouca (Alan Santos), Geuvânio e Cícero; Thiago Ribeiro (Lucas Lima), Gabriel e Leandro Damião. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Sport: Magrão; Patric, Ferron, Durval e Renê; Ewerton Páscoa (Rithelly), Rodrigo Mancha, Renan Oliveira (Augusto) e Wendel (Ananias); Felipe Azevedo e Neto Baiano. Técnico: Eduardo Baptista.
Gols: Neto Baiano, aos 27 minutos e Gabriel, aos 34 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Arilson Bispo da Anunciação (BA), auxiliado por
Rodrigo Pereira Joia (RJ) e Silbert Faria Sisquim (RJ).
Cartões amarelos: Jubal (Santos); Rodrigo Mancha e Ferron (Sport).

E pra você, como foi a estreia do Santos no Brasileiro?