Não sei se já repararam, mas uma página foi incluída neste blog: é a Etc, a última do painel superior. Por ela poderemos conversar sobre outros assuntos que não têm a ver diretamente com o Santos ou com o futebol. Já coloquei um post lá, para inaugurar. Se tiver tempo, dê uma olhada. Abraço!

De nada adiantou a promoção no preço dos ingressos. Apenas 7.193 pessoas pagaram para ver, no morro dos ventos uivantes do Morumbi, um 0 a 0 gelado e melancólico entre Santos e Flamengo. A renda? 125 mil cruzeiros, ¼ do salário de Leandro Damião.

Mas nem dá para reclamar, pois o desfalcando Alvinegro Praiano ainda jogou boa parte do segundo tempo com um jogador a menos e só não tomou gol por sorte. Para variar, mais dois jogadores saíram de campo machucados: Cicinho, substituído por Bruno Peres, e Stefano Yuri, que deu lugar ao garoto Jorge Eduardo.

Com Stefano Yuri, o Santos soma cinco atacantes na enfermaria: o próprio, Leandro Damião, Thiago Ribeiro, Gabriel e Rildo. Cícero se recusou a jogar porque, se o fizesse, completaria sete jogos pelo Santos neste Campeonato Brasileiro e não poderia mais ser transferido para outro clube nacional. É outro jogador que o Santos tirou da obscuridade e, pelo jeito, vai deixar o Alvinegro pela porta dos fundos.

Quanto ao jogo, nem dá para criticar os jogadores que vestiram a camisa do Santos, pois, grosso modo, apenas Aranha, Cicinho, Arouca e Lucas Lima – e, talvez, Renato – podem ser considerados titulares. O resto é garotada que está fazendo o que pode, e ainda não é muito. Aos novos não falta apenas técnica, mas malícia. Se a tivesse, Geuvânio teria segurando mais a bola e tornado mais explícito o puxão de Chicão, provocando o pênalti, e jamais entraria por trás em um jogador do time adversário. O cartão vermelho direto foi exagerado, assim como o vermelho direto para o centroavante do Sport, em Recife, mas quando se sabe contra quem Santos e Sport jogavam, se entende perfeitamente o critério dos árbitros.

Não se pode dizer que tenha faltado luta, apesar dos salários atrasados, da situação instável do técnico e do número excessivo de jogadores machucados. Segurar o 0 a 0 nos 15 minutos finais deve ser elogiado. Futebol? Parece que é algo em segundo plano por essas bandas da América do Sul. Depois de ver a final da Liga dos Campeões, entre Real e Atlético de Madrid, me recuso a chamar de futebol o que os clubes brasileiros praticam.

Há dois anos ainda era possível vislumbrar jogadas de algum requinte, agora… Sete rodadas e o Santos já tem a metade dos pontos dos líderes e está bem perto da zona de rebaixamento. Outro campeonato de coadjuvância nos espera. E lá na endividada Vila Belmiro ainda pensaram em contratar o ultrapassado e caro Junior Batista. Talvez Leandro Damião precise de um companheiro para o jogo de cartas, ou de snooker. Poupem-nos, senhores…

Nunca é demais lembrar o que uma decisão ruim pode causar. Com a fortuna investida em Leandro Damião, o Santos teria arrumado o time que começou muito bem no Campeonato Paulista e hoje estaria entre os primeiros do Brasileiro. Mas eles são gênios que não ouvem o sócio, o torcedor. Agora, fica a pergunta: como vão, ou vamos, pagar o LD?

Santos 0 x 0 Flamengo

Morumbi, 16 horas. Público: 7.193 pagantes. Renda: R$ 125.165 Santos: Aranha, Cicinho (Bruno Peres), David Braz, Jubal e Zé Carlos; Renato, Arouca e Lucas Lima; Vitor Andrade (Diego Cardoso), Geuvânio e Stéfano Yuri (Jorge Eduardo). Técnico: Oswaldo de Oliveira. Flamengo: Paulo Victor, Wallace, Chicão e Samir (João Paulo); Léo Moura, Amaral, Luiz Antonio, Marcio Araújo e Éverton (Arthur); Paulinho e Negueba (Igor). Técnico: Ney Franco. Arbitragem: Jailson Macedo Freitas (BA), auxiliado por Alessandro A. Rocha de Matos (BA-FIFA) e Adson Marcio Lopes Leal (BA). Cartões amarelos:  Jubal e David Braz (Santo); Samir, Luiz Antônio e Amaral (Flamengo). Cartão vermelho: Geuvânio (Santos)

E pra você, o que significou este Santos 0 x 0 Flamengo?