Oswaldo Oliveira e o elenco
Por mais que Oswaldo de Oliveira tente motivar o grupo, a verdade é que “em casa que falta pão, irmão briga com irmão” (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Os jogadores do Santos estão entrando em campo com suas remunerações – salários e direitos de imagem – atrasadas. Isso não deveria, mas pode explicar o futebol sem vontade que o time tem mostrado, como neste empate de 0 a 0 com o Grêmio, na Vila Belmiro.

Dirão que um jogador não pode jogar menos do que sabe só porque seu salário está atrasado, mas já passei por isso, como jornalista, e sei como é difícil manter a concentração e a motivação quando as contas se avolumam e a remuneração acordada não vem. O profissional se sente desrespeitado e, mesmo que lute contra, acaba perdendo boa parte do entusiasmo.

O empréstimo da Doyen Sports já foi gasto, e a cada mês o Santos tem mais contas para saldar do que dinheiro a receber. A situação é crítica. O ideal seria dar um choque de gestão agora, reduzindo drasticamente a folha de pagamentos e fazendo acordos com os funcionários. Do jeito que vai, o Santos correrá um sério risco de falência em pouco tempo.

O futebol em campo tem sido um reflexo dessa falta total de planejamento, dessa ganância irresponsável que coloca o jogador e o torcedor em segundo plano. Por isso, mesmo tendo motivos para criticar a atuação de vários jogadores do Santos, não farei isso hoje. Creio que, diante de toda a dificuldade que estão passando, conseguir um empate contra o Grêmio não foi de todo ruim.

Não farei análises individuais também porque o leitor deste blog já sabe muito bem o que penso dos jogadores santistas e neste sábado não ocorreu nada diferente do que temos explanado aqui. Pelo clima de apreensão que envolve seus futuros, até que os jogadores não foram tão mal.

Há 33 meses este blog já previa o estouro dessa bomba relógio

A situação pela qual o Santos passa hoje era previsível há cerca de três anos. Este mesmo blog preveniu o que poderia acontecer com as finanças do clube em 6 de agosto de 2011. Naquele dia, fiz um texto em que analisava a situação de Paulo Henrique Ganso no Santos e, no mesmo post, alertava para o que poderia ocorrer com o caixa do clube em futuro próximo.

É evidente que alertar para tal problema me desgastou com a diretoria de Luis Álvaro Ribeiro. Porém, não poderia deixar de tocar nesse assunto que já me afligia. Com o subtítulo Finanças, um campeonato que o Santos continua perdendo, escrevi o seguinte:

O clube, que já tinha antecipado suas cotas do Campeonato Paulista até 2015, agora pediu também a antecipação de 30 milhões de reais, o que tem para receber nos próximos dois anos da Rede Globo. Provavelmente este valor será usado para pagar a dívida com o ex-presidente Marcelo Teixeira.

A questão financeira tem sido o calcanhar de Aquiles da administração Luís Álvaro Ribeiro. O Santos aumentou a receita, porém aumentou muito mais as despesas. Um dos motivos é a onerosa folha de pagamentos, com salários acima do padrão da cidade de Santos, e com funcionários registrados pela CLT, o que provocará uma bomba-relógio a explodir nas próximas administrações.

A diretoria vive o dilema entre aumentar mais as dívidas e montar um time para ser campeão mundial, ou começar a colocar a casa em ordem e perder Ganso e talvez outros jogadores importantes para a esperada decisão contra o Barcelona, no Japão.

Particularmente, acho que os esforços para se tentar o terceiro título mundial valem a pena, mas também é preciso prever o que virá depois dele. São Paulo e Internacional foram campeões mundiais recentemente e isso não mudou substancialmente o status de ambos no cenário internacional.

Enfim, mesmo com dois títulos este ano, o Santos vive um momento delicado, que tanto poderá levar o time a uma situação de equilíbrio e prosperidade, como jogá-lo em uma crise financeira com sérios reflexos na equipe de futebol. Esperemos os próximos passos…

Fui chamado ao clube por causa deste post e o diretor da área veio me explicar que as pessoas contratadas pela nova direção do Santos estavam recebendo salários que normalmente receberiam em suas profissões. Não era verdade. Quase todos ganhavam salários bem menores antes e alguns estavam subempregados. Lembrei ainda que o clube estava pagando o teto salarial de cada atividade e perguntei se as pessoas da Resgate eram os melhores para cada uma dessas atividades.

Quanto ao registro pela CLT, disseram que era o correto. Respondi que não é assim que funciona nos clubes de futebol e não deveria ser assim no Santos. A carga trabalhista se torna insuportável. Por ser, essencialmente, deficitário, um clube precisa optar por terceirizar boa parte dos serviços que contrata. E nem é ético registrar um monte de gente pela CLT sem dar às próximas gestões a possibilidade de também montar as suas equipes de confiança.

Além de registrados pela CLT, o número de funcionários cresceu demasiadamente. Era evidente que o Santos passava a ser administrado irresponsavelmente, como uma ação entre amigos.

Diego é um sonho desesperado

A tevê anunciou que o Santos tentará trazer Diego Ribas da Cunha, atualmente no Atlético de Madrid. Endividado, sem dinheiro nem para pagar os salários, como essa administração pretende tirar um jogador que não é nada barato de um time que está na final da Champions League?

Se for uma troca por Leandro Damião, ainda poderia ser. Ou Leandro Damião e Thiago Ribeiro, que seja. Mas como pensar em fazer mais dívidas sem dispensar jogadores, ou sem um patrocinador máster?

Veja os poucos momentos interessantes de Santos 0 x 0 Grêmio

E você, acha que o atraso de salários pode explicar o mau futebol do Santos?