Três quartos do jogo tinham passado e o Santos, que já vencia por 1 a 0, parecia mais perto do segundo do que o remendado time do Atlético Mineiro do empate. Gabriel e Thiago Ribeiro acabavam de perder boas oportunidades, enquanto os adversários, nervosos, recebiam cartões amarelos. Com a vitória, o Santos, invicto, subiria para oitavo na tabela, a apenas dois pontos do líder. A Arena Pantanal, com mais de 70% de santistas, estava em festa. Mas aí aconteceu a virada…

Há muitas formas de se analisar o frustrante resultado em Cuiabá. O primeiro é destacar os méritos do adversário e elogiar oportunismo de André, pois o eterno Menino da Vila André parece ter despertado de longa letargia e marcado dois gols em apenas seis minutos, repetindo a atuação decisiva de outro Menino, o Ganso, no Maracanã.

Mas um resultado não se explica apenas pelas qualidades de um oponente. Há, infelizmente, os defeitos do outro que possibilitam o surgimento dessas qualidades. E, na minha modesta opinião – que, certamente, será julgada com severidade pelos comentaristas deste blog –, o Santos se enfraqueceu com as substituições e, ao mesmo tempo em que perdeu sua capacidade de marcação, deixou também de dominar o meio de campo

A saída de Alan Santos, machucado, para a entrada de Leandrinho, reduziu a capacidade de marcação do time. Alan é um jogador em evolução. Seu passe no gol de Cícero, no primeiro tempo, foi sua jogada de maior finesse desde que atua pelo Alvinegro Praiano. E não podemos nos esquecer de que outro dia ele marcou seu primeiro gol com a camisa do melhor de todos os tempos. Não sei o que se passa com o rapaz, mas sair machucado de novo causa estranheza. Os jogadores do Santos estão tendo cãibras e problemas musculares com com muita constância.

Depois, Oswaldo Oliveira tirou Lucas Lima para entrar Geuvânio, e a esperança de se ter um bom toque de bola no meio-campo se foi. Se Lucas Lima estava machucado, ou muito cansado, explica-se. Do contrário, não foi uma boa substituição, pois o rapaz tem um passe mais preciso. Geuvânio não tem jogado bem desde que renovou contrato.

Por fim, preocupado com a avenida Bruno Perez, o técnico colocou Zé Carlos na lateral direita e justamente por ali é que o Atlético chegou ao empate. Um buraco se abriu para a penetração de Alex Silva, que pôde entrar na área, cruzar,pegar o rebote e com uma puxeta servir André, livre, de cara para a meta, como em um gol do Princesa do Solimões.

O empate fez o Santos correr em busca da vitória, mas depois de um escanteio rebatido pelo goleiro Victor, a bola caiu com André, que ao perceber a chegada de Arouca, deu um biquinho na paralela, pegando desprevenido o desta vez pouco elástico Aranha.

Para complicar, Thiago Ribeiro sentiu dores musculares e teve de sair de campo, deixando o Santos com um jogador a menos. Repito: a preparação física do time tem de ser revista. Não é normal ter tantos jogadores com problemas musculares.

A derrota foi mais sentida porque o mando de campo era do Santos. Enfim, um revés em casa. Mas perder para o Atlético Mineiro, mesmo para o seu time misto, não é um bicho de sete cabeças. O futebol prega essas peças. Onde se poderia imaginar, por exemplo, que o fragilíssimo time do Figueirense fosse derrotar o Corinthians na abertura do Itaquerão? Por isso o remédio é aprender com a derrota e identificar as falhas.

Uma delas, que considero importante, é a postura do técnico Oswaldo de Oliveira, que da mesma forma que reclamou de fazer os dois jogos da final do Campeonato Paulista no santistíssimo Pacaembu, agora tem reclamado das viagens seguidas que o Santos terá de fazer devido ao aluguel da Vila Belmiro para a Seleção da Costa Rica.

Ora, o Santos já viajava muito desde os anos 60 e isso não impedia que ganhasse jogos e títulos seguidos. Desculpe se exagero, mas isso já me parece uma desculpa antecipada. E para jogadores de futebol não se pode dar desculpas antecipadas, pois isso os desmotiva. Lembro que os títulos da Libertadores e do Paulista de 2011 vieram quase simultaneamente, com a equipe cumprindo uma maratona de jogos e viagens.

Logo que assumiu o Santos, Muricy Ramalho reclamou muito que não tinha tempo para treinar o time e nem descansar os jogadores. E sem tempo ganhou os dois títulos em 2011. Pois quando teve tempo, não conseguiu mais fazer o Santos jogar tão bem.

Santos 1 x 2 Atlético Mineiro
Local: Arena Pantanal, Cuiabá.
Público: 18.863 pagantes. Renda: Não divulgada.
Santos: Aranha, Bruno Peres (Zé Carlos), Neto, David Braz e Mena; Alan Santos (Leandrinho), Arouca, Cícero e Lucas Lima (Geuvânio); Gabriel e Thiago Ribeiro. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Atlético/MG: Victor; Alex Silva, Leonardo Silva, Otamendi e Emerson Conceição; Pierre (Eduardo), Leandro Donizete e Rosinei (Carlos); Marion, Fernandinho (Dátolo) e André. Técnico: Levir Culpi.
Gols: Cícero, aos 37 minutos do primeiro tempo; André, aos 29 e 35 minutos do segundo.
Arbitragem: Pericles Bassols Pegado Cortez (RJ-Fifa), auxiliado por
Eduardo de Souza Couto e Michael Correia, ambos do Rio de Janeiro.
Cartões amarelos: David Braz e Neto (Santos); Emerson Conceição, Victor e Leonardo Silva (Atlético-MG)

E você, o que achou de Santos 1, Atlético Mineiro 2?