Lucas Lima
Lucas Lima, o melhor em campo na Vila. Finalmente o Santos tem um jogador que podemos chamar de meia (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Ele é canhoto, tem apenas 23 anos, mas dirige o time com a classe de um veterano. Estou falando de Lucas Lima, paulista de Marília que foi o melhor jogador em campo contra o Princesa do Solimões. Não vou dizer que é um ganso de 2010, nem um Ailton Lira de 1978, mas diante da carência de meias no futebol brasileiro, é um dos bons da atualidade e não pode ficar fora do time do Santos.

Imagino um meio-campo com Arouca e mais um volante (Alison ou Alan Santos) protegendo a defesa, e Cícero e Lucas Lima mais à frente. No ataque, Geuvânio (ou Thiago Ribeiro) e Gabriel. Pronto. Está aí uma formação que poderá jogar bonito.

Lá na cozinha, Aranha me pareceu um tanto desconcentrado, assim como Jubal, desta vez o pior do setor. O garoto não parou em pé no lance do primeiro gol do adversário e fez muitas faltas por trás. Cicinho também cometeu as suas cicinhadas e chegou a tomar uma canseira do tal de Edinho, mas marcou um gol chorado, para compensar. Mena foi o menas de sempre e Bruno Uvini mostrou evolução desde sua estreia.

No meio, Alison voltou a ser o rasgador de sempre. Arouca começou bem, mas caiu. Thiago Ribeiro correu, se deslocou, errou passes e chutes, mas no final desencantou e fez o quarto gol. Geuvânio ainda não recuperou o futebol do início do Campeonato Paulista. Está reclamando demais e jogando de menos.

Mas o jogo contra o Princesa do Solimões transcorreu de forma um tanto temerária, a ponto de dar a impressão de que o atrevido visitante poderia até provocar a maior zebra que a Vila Belmiro já viu. Mas não se pode negar que o Santos desta vez foi vibrante e agressivo do começo ao fim e, como nos bons tempos, tomou dois gols, mas marcou quatro e criou mais meia dúzia de chances claras.

E olhe que jogar contra um time teoricamente bem mais fraco, como o Princesa do Solimões, é como brigar com bêbado. Se ganhar, dirão que bateu em bêbado; se perder, apanhou de bêbado. Ou seja, os méritos de uma vitória como essa, de 4 a 2, são esquecidos mesmo pelos comentaristas que pagos para analisar o futebol de forma isenta, mas que não conseguem deixar de torcer – contra – um só minuto.

Todos pareciam tão apiedados do campeão do Amazonas, que fingiram não ver a jogada de handebol que gerou o segundo gol dos visitantes. O comentarista do Sportv disse que não houve intenção, demonstrando desconhecimento das novas orientações aos árbitros. Em primeiro lugar, só uma trepanação poderá provar se houve ou não intenção do jogador de colocar o braço inteiro na bola, mas o certo é que ao se utilizar de uma parte do corpo proibida no futebol, e com isso impedir a bola de seguir pela linha de fundo, o infrator ainda criou uma chance clara de gol, efetivamente convertido.

Porém, como a Princesinha da Amazônia é pobrezinha, coitadinha, todos fecharam os olhos para os equívocos da arbitragem que a favoreceram. E o comentarista da ESPN, tão preocupado em encontrar estatísticas desfavoráveis ao Santos, descobriu que o Alvinegro Praiano fez mais faltas que o adversário, o que indicaria que usou violência para conter o ímpeto real. Ora, me poupe meu caro Mauro César Pereira!

Da mesma ESPN foi curioso ouvir o repórter querendo que Gabriel se desculpasse pelo gol perdido. Ora, o garoto fez um gol, ouriçou a defesa adversária e em outra situação partia livre para a meta quando o árbitro Pablo Ramon Goncalves Pinheiro marcou um impedimento absurdo. Mas é claro que esse outro de arbitragem foi esquecido, e é evidente também que nenhum repórter pediria a Luis Fabiano ou outro jogador mais vivido e malandro, que admitisse ter sido displicente em uma chance perdida de gol.

Para resumir a história, vimos um jogo amalucado, em que pouco se jogou a bola para trás. Os dois times procuraram o ataque e o resultado foram seis gols e muitas oportunidades. Não sei você, mas eu prefiro assim. É bem melhor que um 0 a 0 ou 1 a 0. Pena que menos de 4 mil pessoas foram assistir ao último jogo do Santos na Vila Belmiro antes da Copa.

Santos 4 x 2 Princesa do Solimões

Santos: Aranha, Cicinho, Jubal, Bruno Uvini e Mena (Zé Carlos); Alison, Arouca (Leandrinho) e Lucas Lima; Geuvânio, Thiago Ribeiro (Diego Cardoso) e Gabriel. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Princesa do Solimões: Raicefran (Milton); Déurick, Clayton He-Man (Nando), Lídio e Thiago Brandão; Amaral, Rondinelli, Michel e Fininho; Marinelson e Branco (Edinho). Técnico: Marquinhos Piter.

Gols: Gabriel, aos 16, Cicinho aos 24 e Michel aos 38 minutos do primeiro tempo; Clayton He-Man (contra) aos 9, Déurick aos 13 e Thiago Ribeiro aos 25 minutos do segundo.

Arbitragem: Pablo Ramon Goncalves Pinheiro, auxiliado por Vinicius Melo de Lima e Jean Marcio dos Santos, todos do Rio Grande do Norte.

Cartões amarelos: Déurick, Clayton He-Man e Jubal.
Público: 3.781 pagantes. Renda: R$ 63.130,00

O caso Leandro Damião

Quer dizer que Leandro Damião não foi apenas contratado pelo valor estratosférico e desproporcional de 42 milhões de reais – que o Santos não tinha, e por isso emprestou da Doyen – como já chegou à Vila com “alteração” no púbis, como admitiu o médico Rodrigo Zogaib?

Quer dizer que ele já tinha sentido a “alteração” duas vezes recentemente, ainda no Internacional? Ora, problema no púbis é coisa séria, tanto que Kaká nunca mais foi o mesmo depois de tê-lo. E quer dizer, finalmente, que sendo presidido por um médico, o doutor Odílio Rodrigues, o Santos pagou tanto por um jogador com sério problema clínico? O que eu posso dizer sobre isso?

Veja os melhores momentos de Santos 4 x 2 Princesa do Solimões:
http://youtu.be/DWyr8bg2-T4

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