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Com mais de 2,2 milhões de votos, 122 mil a mais do que o Palmeiras, Santos segue em quarto da Timemania em 2014. Entenda-se Timemania como a verdadeira pesquisa de torcidas envolvendo público masculino acima de 40 anos que acompanha o futebol brasileiro.

Time UF Nº de apostas Percentual
1º FLAMENGO RJ 3.438.415 5,14%
2º CORINTHIANS SP 2.872.322 4,29%
3º SAO PAULO SP 2.333.874 3,49%
4º SANTOS SP 2.244.356 3,35%
5º PALMEIRAS SP 2.122.149 3,17%
6º GREMIO RS 1.989.945 2,97%
7º INTERNACIONAL RS 1.752.466 2,62%
8º VASCO DA GAMA RJ 1.742.541 2,60%
9º BOTAFOGO RJ 1.684.731 2,52%
10º CRUZEIRO MG 1.600.050 2,39%

Fiquei uns cinco minutos pensando em um título para este post. Um dos analisados: “Era impossível não ganhar”. Sim, pois se por um lado o Santos melhorou com a entrada de Lucas Lima no meio e, principalmente, a volta de Arouca – o melhor em campo – além de Cícero, a verdade é que este Figueirense deve ser um dos mais fracos de sua história. Com exceção de Dudu, não percebi ninguém com cacoete para jogar bola.

Mas antes de cornetar, no bom sentido, vamos aos elogios: a primeira vitória no Brasileiro faz o Santos subir para décimo-primeiro, com seis pontos. Ainda está tudo embolado.

Arouca voltou e o time não só marcou melhor na entrada da área, como foi mais eficiente na saída para o contra-ataque. E o moço ainda fez o segundo gol, em um belo chute de canhota, aos 17 minutos do segundo tempo. Para mim, o melhor em campo.

Quanto ao que tem mais categoria, não dá para fugir de Cícero. Pode ser rebolativo, dá toquinho de calcanhar quando não precisa, mas geralmente sabe o que faz com a gorduchinha. Pena que ultimamente tenha jogado mais para o lado, e para trás, do que para frente.

O garoto Gabriel continua oportunista. É evidente que ele pensa mais em gol do que os outros, e por isso tem mais chance de fazê-lo. Está sempre rondando a área, chega rapidamente de trás e pega a defesa desprevenida. Perdeu dois gols, é verdade, mas abriu o marcador, aos 44 minutos do primeiro tempo, aparecendo como um raio na pequena área do Figueirense para aproveitar o bom cruzamento de Émerson.

Na defesa, gostei novamente de Jubal. Caso consiga imprimir um pouco mais de rapidez a algumas jogadas, teremos aí um grande zagueiro. Aranha também não comprometeu e Alison, além de dar as suas peitadas de sempre, ainda arriscou um belo chute de longa distância.

Émerson estava bem, mas se machucou novamente. O jovem Zé Carlos entrou meio inibido, mas foi se soltando e, em grande jogada, quase faz um golaço depois de driblar três adversários. Merece novas oportunidades. Bem, mas agora vamos ao que precisa ser melhorado.

Faltou fundamento e, mais uma vez, inteligência

Na primeira vez em que teve a bola aos seus pés, a um minuto de jogo, Cicinho a jogou no pé do adversário. Na segunda, um minuto depois, cruzou no nariz do adversário. Aos 30 minutos se atrapalhou e perdeu a bola, dando o contra-ataque ao Figueirense. Aos 43 minutos do segundo tempo, fez uma falta, reclamou e foi, infantilmente, expulso de campo. Enfim, uma volta lamentável ao time de um jogador que deveria demonstrar mais experiência, mas não dá segurança aos companheiros.

Sem Bruno Peres, que deverá ser negociado com o Torino, Cicinho será o titular absoluto da posição. Mas, se continuar jogando tão displicentemente, a lateral direita continuará um problema. Estou lendoo o bom livro de Paulo Rogério, “2002, de Meninos a Heróis”, da Livraria Realejo, e me recordo de que o técnico Émerson Leão fazia questão de que os laterais acertassem os cruzamentos. Cicinho precisa treinar mais os cruzamentos, até acertar ao menos 80% deles.

Aliás, todo jogador profissional, ainda mais titular do Santos, deveria acertar 80% de tudo o que faz ou tenta fazer. O bom jogador deveria treinar fundamento a vida inteira. Se Pelé treinava, ninguém tem desculpa para não treinar.

É duro constatar o chute de direita de Lucas Lima é mais fraco do que o meu, que tenho 61 anos e não jogo futebol há uma década. Treina esse negócio, pô! Outro defeito de Lucas Lima foi escolher o mais difícil em algumas jogadas. Em um lance Cicinho entrava livre pela direita, o estádio todo viu, mas Lucas tentou driblar para o meio e perdeu a bola. Isso é imperdoável.

Se o Santos às vezes vai sair jogando com chutões de David Braz e Jubal, que treinem mais isso, ora. Se Alison às vezes terá de fazer um passe ou um lançamento, que também exercite essa jogada. Bem, ao menos ele acertou um belo chute de longe contra o Figueirense, coisa que o atacante Thiago Ribeiro, que está no time justamente para isso, não conseguiu fazer.

Dois chutes que passaram a muitos metros acima da meta do adversário – este é o resultado dos arremates de Thiago durante a partida. Ele até que se deslocou bem, se apresentou para o jogo, mas justo no fundamento que diz dominar, o chute de longa distância, fracassou redondamente. Fosse eu o técnico do Santos, e o obrigaria a treinar esse chute longo até o pé inchar.

E além de fundamento, faltou ambição e ao mesmo tempo tranquilidade. Ambição do time todo, que poderia continuar jogando pra cima do adversário e fazer mais gols – principalmente quando Raul foi expulso e o Santos ficou com um jogador a mais –, mas preferiu dar olé. E tranquilidade para se defender com calma e atacar com precisão.

A expulsão de Cicinho é o exemplo de como a falta de inteligência pode prejudicar um jogador e um time. 43 minutos do segundo tempo, jogo no final, e o rapaz obstrui o adversário, em falta clara, e depois ainda xinga o árbitro, que estava louco para expulsar um do Santos para compensar. Resultado: voltou hoje e já não joga a próxima partida. Cadê a multa a um profissional tão irresponsável?

Por fim, uma palavrinha sobre os dois que entraram no fim: Geuvânio e Leandrinho. O primeiro parece não estar aprendendo nada com a reserva. Mais uma vez tentou driblar e se entroscou com a bola. Quanto a Leandrinho, melhorou o toque no meio-campo e ainda puxou ótimo contra-ataque, que só não resultou em gol porque Gabriel não teve calma para matar no peito e estufar as redes. Preferiu a cabeçada, que saiu fraca, e acabou dando ao goleiro tempo de fazer a defesa.

Arbitragem e transmissão do Sportv

Alguns sites estão dando destaque ao fato de o gol de Gabriel ter sido irregular. Realmente, ele estava impedido. Mas a expulsão de Raul, aos 21 minutos do segundo tempo, foi totalmente acertada. O rapaz deu uma peitada em Gabriel sem bola. Isso não é jogo de corpo, é agressão. Se houvesse uma bola em disputa, talvez nem merecesse amarelo, mas a bola estava longe e futebol é jogado com a bola.

É claro que, como sempre ocorre nas transmissões de jogos do Santos, o comentarista – no caso Wagner Vilaron – viu todos os erros do árbitro a favor do Santos, e também considerou erro também os acertos. A verdade é que o Figueirense não jogou futebol e em determinado momento imaginou que pudesse praticar MMA ou essas bobagens sanguinárias que a tevê empurra para a massa ignara. Sair apenas com um jogador expulso foi lucro.

E como citei o comentarista Wagner Vilaron, aproveitarei para lhe dar um conselho – que estendo ao Neto e a todos os comentaristas de futebol do Brasil: Por favor, não usem o advérbio de lugar onde, ou aonde, como sinônimo de uma situação. Por exemplo, Vilaron disse: São dois lances seguidos, onde… Lances onde, jogo onde, campeonato onde… Isso não existe na língua portuguesa. O povão pode errar, mas um jornalista não pode.

O certo seria: São dois lances seguidos, nos quais… Desculpem-me se pareço pedante, é que já não aguento mais o esquartejamento da língua portuguesa que se vê na televisão brasileira – ela que poderia transmitir um pouco mais de educação às pessoas.

Outra expressão que me incomoda bastante é o por conta de. Parece que não existe mais a expressão devido a, por causa de. Por conta é uma muleta que serve pra tudo. Eu fico por conta com tanta falta de imaginação.

Pra finalizar a lista dos erros mais grosseiros, sem contar a falta de “s” nos plurais e a banalização do “baita” netiano, é dizer que o time está marcando sob pressão. Ora, se está marcando sob pressão é porque ele é que está sendo pressionado. O certo é marcar por pressão e não sob.

O saudoso jornalista Armando Nogueira, o último grande cronista esportivo do nosso País, costumava orientar os repórteres, comentaristas e narradores do Sportv para que não fizessem esses erros grosseiros. Sem ele, que cada um pegue a cartilha e estude um pouquinho. Pega mal pisar na língua.

Londrina, um reduto santista

Como cansamos de dizer aqui, o Norte do Paraná é um reduto santista a ser explorado. Neste jogo com o Figueirense, em que a torcida do Santos foi maioria no estádio, ficou claro que o clube deveria analisar melhor a possibilidade de fazer mais jogos lá. Se contra o lanterninha Figueirense, e com ingressos limitados para os santistas, o jogo teve 8.518 espectadores, imagine em um espetáculo organizado com antecedência e bem divulgado que envolva também um grande do Rio, Minas ou Rio Grande do Sul.

Leandro Damião deve ir, Renato vem

Um passarinho me contou que Leandro Damião ficou no banco não só para que o técnico Oswaldo de Oliveira testasse outro esquema, mas também para poupá-lo, pois nas próximas horas pode ser oficializada a proposta do Atlético de Madrid. O clube espanhol quer mesmo contar com o maior centroavante brasileiro do momento.

Com contrato de produtividade até o final do ano, Renato deve mesmo assinar com o Santos. Campeão brasileiro de 2002, tenho esperanças de que ele consiga um lugar nesse meio-campo, ao lado de Arouca e Cícero. Experiência, sentido de marcação, toque de bola, caráter e inteligência o Renatinho tem. E se o salário não será muito grande e o contrato é curto, por que não acreditar?

Veja os melhores momentos de Figueirense 0 x 2 Santos:
http://youtu.be/SojokVOMLL0

Figueirense 0 x 2 Santos
Estádio do Café, Londrina (PR).
Figueirense: Tiago Volpi, Artur (Leandro Silva), Marquinhos, Raul e Lazaroni; Nem, Luan e Marco Antônio (Rivaldo); Dudu, Everton Santos (Vítor Júnior) e Ricardo Bueno. Técnico: Guto Ferreira.
Santos: Aranha, Cicinho, Jubal, David Braz e Emerson (Zé Carlos); Alison (Leandrinho), Arouca, Cícero e Lucas Lima (Geuvânio); Gabriel e Thiago Ribeiro. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Gols: Gabriel, aos 43 minutos do primeiro tempo; Arouca, aos 16 minutos do segundo.
Arbitragem: Francisco Carlos do Nascimento (Fifa/AL).
Cartão amarelo: Nem (Figueirense).
Cartões Vermelhos: Raul (Figueirense) e Cicinho (Santos).
Renda: R$ 258,885,00. Público: 7.806 pagantes. LOCAL – Estádio do Café, em Londrina (PR).

E você, o que achou dessa primeira vitória do Santos no Brasileiro?