Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: junho 2014 (page 1 of 2)

Heróis, vilões e demagogos

Amigos, a Copa prossegue e só agora temos a noção exata de todo o potencial de superficialidade que o jornalismo esportivo brasileiro pode alcançar quando tem a sua disposição dias e noites para falar de um único assunto.

Entre a patética mordida de Suarez, o patético choro de Julio César e a patética afirmação de Felipao de que deixará de ser educado com os estrangeiros, pateticamente percebemos que ninguém parece ter percebido que a Seleção foi mal convocada e está sendo mal escalada.

Imagine se Neymar tivesse ao se lado um jogador rápido, driblador, experiente e amigo como Robinho. Certamente faria muito mais. Imagine dois volantes, com Oscar e Robinho como meias, e Neymar e mais um no ataque. O Brasil seria algo parecido com o Brasil – o pais cinco vezes campeão mundial que joga em casa e mesmo assim não consegue se impor a adversários sem um quinto de sua tradição e força.

Da pra ser campeão? Espero que sim. Mas, até agora, Holanda, Alemanha, Argentina, França e Colômbia tem jogado melhor do que o Brasil. Felipao ganhou a Copa no Oriente com o time na defesa, e apenas Ronaldo e mais um na frente. Quer repetir a fórmula agora, só que Neymar não tem um Rivaldo e um Ronaldinho Gaúcho ao seu lado. Tem um Fred ou um Jô, que estão apanhando da bola, um truculento Hulk e um Oscar que pensa jogar muito mais do que joga.

Quanto ao mordedor Suarez, que não volte a jogar sem um exame anti-rábico. Que Julio César pare de chorar. Nenhum jogador brasileiro e herói antes do título. E que Felipao não desvie o foco. A verdade e que ele está perdidinho.

Não consigo imaginar um time campeão do mundo com Hulk, Jô, o mascaradinho Oscar, o ciscador Daniel Alves, esse zagueiro bem comum e errático que e Thiago Silva e esse goleiro que chora antes e depois das disputas de pênaltis. Mas consigo, sim, imaginar Neymar campeão do mundo. Que passem a bola pra ele e não encham o saco…

E você, o que está achando do time do Felipao?


Esta é a casa do Rei Pelé, a casa do futebol, a sua casa

Estamos, todos juntos, construindo o Museu Pelé. Sim, pois um Museu não é apenas um edifício e nem apenas o seu acervo, ou suas fotos, seus vídeos, seus recursos interativos, seus patrocinadores, sua cidade, seus curadores, pesquisadores, monitores, faxineiros, visitantes…

Um Museu é tudo isso, pois depende de todos esses detalhes para funcionar bem e deixar nas pessoas o orgulho e a felicidade de saber que estão participando de um momento importante na vida do maior atleta de todos os tempos, do futebol e da cultura popular brasileira.

O Museu Pelé é o mais novo filho de Santos e, repito, do futebol e da cultura do Brasil. O sucesso do Museu já se espalha pelo revitalizado centro de Santos, pela história do futebol, pelos corações e olhos de visitantes de tantas partes do mundo. Espero que todos possamos cuidar bem dele. Eu disse todos, e isso, obviamente, inclui você! Faça-nos uma visita!


Santos tem de defender sua condição de clube formador

aaa neymar

Essa Copa tem escancarado algumas evidências. Uma delas é que é essencial, para que o futebol das seleções nacionais seja forte, que os países consigam formar craques. Não basta ter muito dinheiro e comprar os craques de fora. Se não se consegue formá-los em casa, dá no que estamos vendo, por exemplo, na Inglaterra. Com um campeonato poderoso, competitivo, clubes imensos e ricos, a Inglaterra tem uma seleção nacional com poucas opções no ataque, já que a maioria dos melhores atacantes que atuam no país vem de outras nações.

O mesmo se pode dizer da Espanha, onde os milionários Real Madrid e Barcelona compram o melhor que há no mercado do futebol, mas ao mesmo tempo fecham as portas para as revelações espanholas. O resultado é uma seleção nacional envelhecida, que não se renovou desde a última Copa e também por isso sofreu o vexame da eliminação precoce.

Isso escancara a importância do clube formador para a revitalização do futebol mundial. E o Santos, um desses clubes que tem o dom de revelar craques, deve se bater com unhas e dentes para que esta condição seja valorizada.

Em primeiro lugar, o Santos precisa agir politicamente e interceder para que a lei que rege o futebol brasileiro seja aprimorada e garanta melhor os direitos dos clubes formadores. Como ela está, é insuficiente. É inadmissível que o clube perca o direito sobre seus jogadores jovens mediante a interferência desse obscuro personagem chamado empresário.

Ora, se um clube treina, ampara, orienta e dá oportunidade aos jogadores jovens, por que depois precisa negociar com empresários os contratos desses mesmos meninos que revelou? Este é um absurdo que deve ser corrigido. A que dirigente de clube pode interessar uma situação dessas, a não ser ao corrupto, que se aproveita da presença de um intermediário para levar dinheiro por fora?

Até a maioridade, nenhum garoto deveria ter empresário. Seu passe deveria ser apenas ligado ao clube formador. Ponto. Se menores não podem trabalhar no Brasil, por que menores que jogam futebol podem até assinar contrato e ter empresários?

Outra providência, um tanto mais radical, mas provavelmente providencial, é estabelecer uma idade limite para que o jogador possa sair do Brasil. Jogador infantil ou juvenil registrado em um clube brasileiro, só deveria ter permissão para jogar fora do País com 23 anos.

O vôlei brasileiro só conseguiu crescer, se consolidar e formar a melhor seleção masculina do mundo, depois que Carlos Arthur Nuzman conseguiu estabelecer em 23 anos a idade limite para a saída dos atletas do Brasil.

Com isso, o mercado interno se fortaleceria, o nível do futebol praticado se elevaria sobremaneira, os patrocinadores voltariam a investir no futebol, o público voltaria aos estádios e a tevê bateria recordes. Enfim, o mercado do futebol brasileiro, sempre por um fio, se consolidaria.

Seria cercear a liberdade e o crescimento profissional dos jovens atletas brasileiros? Não creio. A vida útil de um jogador de futebol pode ir a 34, 35 anos, desde que se cuide, como é o caso de Zé Roberto, Seedorf e tantos outros. E os jogadores que se destacarem, ganharão altos salários mesmo sem sair do Brasil.

Ao impedir a enxurrada de jovens valores ainda imberbes para o exterior, o Brasil estaria dando um passo decisivo para tornar o seu mercado interno de futebol um dos mais valiosos do planeta.

Como clube formador, que depende disso para continuar competitivo, o Santos precisa ter uma posição política mais atuante para alterar a legislação vigente e salvaguardar seus interesses que, afortunadamente, são os mesmos que podem fortalecer o futebol e a seleção nacionais.

Você não acha que o Santos deve agir para garantir os direitos do clube formador?


Museu Pelé, o Palácio do Rei, está aberto aos amantes do futebol

divino - basilio - odir
Ao lado do Divino Mestre Ademir da Guia e do predestinado Basílio, dois craques dos tempos áureos do futebol brasileiro, ontem, no Sesc Belenzinho. Pode reparar que tenho o mesmo biotipo deles. Pode crer que já fiz alguma coisa boa jogando na meiúca (Foto tirada com o Ipad da Suzana).

Estive ontem no Sesc Belenzinho, onde até as 21h30m conversei com os ídolos Ademir da Guia e Basílio. Sala lotada, como se poderia prever. Gente que ama o futebol e respeita sua história. Atmosfera magnífica. Grandes jogadores dos tempos de ouro do futebol. É sempre muito prazeroso falar com eles. Creio que todos gostaram. Agradeço a eles e ao Sesc pelo convite. O mesmo Sesc, há dez anos, me deu a oportunidade de atuar como curador de uma exposição sobre o gol 11.000 do Santos. Essa prática me levou ao sonhado Museu Pelé. Gratidão eterna!

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Pelé fala para as autoridades: “Reconhecimento em vida”

Em uma festa emocionante, pautada pelo respeito e o reconhecimento, o Museu Pelé foi inaugurado domingo, no antigo Casarão do Valongo, centro de Santos. Lá estava o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o ministro dos Esportes Aldo Rebello, o prefeito de Santos Paulo Alexandre Barbosa, muitos companheiros de Pelé e, obviamente, Sua Majestade em pessoa.

Pelé já fez alguns milagres na sua carreira. Provavelmente fazer com que o brasileiro aprecie mais os museus, e com eles o conhecimento e a cultura, seja o próximo. Creio que a partir de agora será impossível ir a Santos sem visitar a Casa do maior jogador de futebol de todos os tempos.

Muita gente trabalhou bastante, e continua trabalhando, para que o belo edifício do Museu seja recheado de peças, informações, fotos e vídeos que contam a vida e a carreira do Rei do Futebol. Certamente serei injusto e esquecerei algumas pessoas das que atuaram na busca e na edição do material de conteúdo para o Museu. De qualquer forma, não podem ser esquecidos:

Aline Ribas, Bruno Ataide, Cássio Frichter, Clero junior, Marco Piovan, Marjorie Medeiros, Mauro Beting, Rogério Zilli, Rafael Aflalo, Roberto Oliveira, Wesley Miranda… E no comando de toda a equipe, o incansável José Eduardo Moura, diretor da AmaBrasil. Sem eles o Museu Pelé teria um belo hardware, mas lhe faltaria o precioso software.

Veja bem: esta pequena lista se refere apenas ao conteúdo. Há, ainda, a equipe de arquitetos, engenheiros e trabalhadores que desenharam e ergueram o Museu, o departamento comercial, a mídia interativa, a parte administrativa, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Santos…

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Vista interna do Museu Pelé

Três atrações em vídeo

Há muitas peças e fotos inéditas no Museu Pelé, mas chamo a atenção para três filmes preciosos que, certamente, vão encantar o apaixonado por futebol. Um deles é a vitória do Santos sobre a Seleção da Tchecoslováquia por 6 a 4, no Torneio Hexagonal do Chile de 1965.

Pelé sempre disse que nesse jogo, realizado em 16 de janeiro de 1965, no Estádio Nacional de Santiago do Chile, teve uma de suas melhores exibições na carreira. Mas nunca havíamos visto alguma cena desta partida, muito menos um dos três gols de Pelé.

Pois nosso trabalho de pesquisa de vídeos, desenvolvido por Wesley Miranda, encontrou minutos preciosos desta partida que os chilenos batizaram de “o jogo do século”. Entre esses momentos está um golaço de Pelé, por cobertura, que lembra muito aquele que marcou sobre Cejas, então goleiro da Seleção da Argentina, em 1970. O mais interessante é que Pelé se lembrou do gol e o descreveu em uma gravação para o Museu. Imperdível!

Outro vídeo importante e raro mostra a Seleção Brasileira goleando o Corinthians por 5 a 0 no seu último amistoso antes de viajar para a Copa da Suécia. Neste jogo, no Pacaembu, Pelé saiu de campo machucado, depois de uma entrada dura de Ari Clemente, e quase fica fora da Copa. Outra cena raríssima desta partida é um golaço de Garrincha, que dribla um jogador corintiano que se esborracha no gramado, dribla também o goleiro e, displicentemente, empurra a bola para o gol.

O terceiro detalhe, também em vídeo, está no breve documentário da Copa de 1950, que destaca um lance jamais percebido: exatamente uma semana antes de marcar o gol fatal contra o goleiro Barbosa, chutando entre este e a trave, o ponta uruguaio Ghiggia tinha marcado um gol igualzinho contra a Espanha, no Pacaembu. Será que se houvesse videotape na época e Barbosa o tivesse assistido, não teria fechado o ângulo e mudado a história do futebol?

Bem, mas a história seguiu seu curso e não podemos dizer que tenha sido ingrata a Dondinho, pai de Pelé, que chorou ao ouvir a derrota do Brasil em um velho rádio que é uma das preciosidades do Museu. Não podemos dizer, também, que esta história tenha sido ingrata a Pelé, que fez da dor da derrota a sua motivação para ganhar três Copas e se tornar o melhor jogador de todos os tempos.

E para você, por que vale a pena conhecer o Museu Pelé?


Espero que outros árbitros não compensem o erro de Nishimura

Por Mtnos Kalil


Só preciso fazer uma correção nessa informação do meu amigo Raoni David: neste domingo o Museu Pelé será inaugurado para as autoridades e a imprensa. Ele será aberto ao público na semana que vem. Todo mundo tem de conhecer, santistas principalmente.

Eu sou brasileiro. Fui educado em escolas públicas brasileiras e não por meu pai, que era sírio. Da cultura árabe não assimilei nada, não estudei nada, não aprendi nada. Não sou nacionalista porque o nacionalismo é uma ideologia e eu sou adepto (ou mentor) da Ideologia Zero. Recentemente descobri que tinha um sentimento de amor verdadeiro pelo Brasil que chamei de brasilidade – sentimento de brasilidade. Aprendi o que significa emocionalmente uma nacionalidade. Assistindo pela TV ao jogo de abertura da copa, me emocionei como se estivesse na “arena”.

Mas quando o árbitro apitou o pênalti que eu não vi – e não vi porque não existiu – minha emoção de brasilidade se transformou numa desolação. O meu Brasil poderia ganhar o jogo com o falso pênalti. Fiquei triste. Torci para que a bola não entrasse no gol. Neste momento aprendi que a ética deve estar acima das emoções, as quais têm a função de cegar a razão. Aprendi também que existe um “sentimento de ética” que poderíamos chamar de “moral”. Um sentimento moral provocado pela consciência ética. A ética se distingue das emoções por ser governada pela lógica. A ética é a ciência da conduta humana e a moral o sentimento vinculado a esta conduta. O sentimento é um elemento básico da vida. Nós estamos sempre sentindo, com maior ou menor intensidade. Só os psicopatas não sentem. Mas diante do desafio de vencer um jogo, todos nós somos tentados a anular nosso sentimento de culpa quando nos beneficiamos com o descumprimento de uma regra do jogo.

A tese que eu defendo é que a natureza dos nossos neurônios fez do homem um ser competitivo (como ocorre com qualquer outro animal e sobretudo com os mamíferos), para que assim ele pudesse perpetuar seus “genes egoístas”. (cf. Richard Dawkins, em “O gene egoísta”) . Este egoísmo natural não foi um capricho da natureza. Foi a única forma que ela encontrou para dar vida longa aos animais. A natureza desconhece totalmente o que seja a ética. E paradoxalmente, o egoísmo é um elemento chave da “ética da sobrevivência” . O futebol é a sublimação da guerra. O esporte (competitivo) e a política representam a continuação da guerra por outros meios.

Até o experiente Felipão declarou, um tanto quanto constrangido, que na opinião dele houve sim o pênalti. Perdeu a oportunidade de mostrar isenção. Se a vitória do Brasil estava confirmada, independente de o pênalti ter sido falso ou verdadeiro, porque não afirmar pelo menos que tinha dúvida a respeito? Essa declaração traria conseqüências desastrosas?

O jogo seria anulado? É claro que não! Mas a mídia transformaria essa declaração numa bomba que poderia ferir o nosso “orgulho nacional”. (o sentimento de orgulho de ser brasileiro difere do sentimento de brasilidade; ser orgulhoso – ou vaidoso – já não é ser virtuoso, se é que algum dia o foi).

Para fundamentar meu sentimento ético, foi brindado com estas palavras de um consagrado árbitro brasileiro – Arnaldo Cezar Coelho:

“O árbitro japonês Nishimura até estava apitando bem. Mas, naquele centro da área para o Fred, aquela mão no ombro não é pênalti. Ele interpretou como pênalti. O Fred caiu. Não houve puxão, não houve nada. A regra é clara: se tivesse tido um puxão, aí sim. Mas, não. Encostar pode. Não pode é puxar. Não foi pênalti”.

Arnaldo César Coelho disse que não foi pênalti. Veja…

Consumado o grave erro do Nishimura, esperamos agora que outros árbitros não queiram compensar este erro, punindo o Brasil por faltas não cometidas, nos próximos jogos. Mas se o Brasil ganhar essa taça, como queremos, ela virá com uma pequena mancha nishimuriana. Entretanto o erro do árbitro não justifica, é claro, que deixemos de cobiçar a taça como símbolo de nossa brasilidade.

Mtnos Calil

Ps. O nacionalismo é uma ideologia porque coloca os interesses de uma nação egoisticamente acima dos interesses de outras nações.

O que você achou deste artigo de mestre Mtnos Calil?


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