Por Mtnos Kalil


Só preciso fazer uma correção nessa informação do meu amigo Raoni David: neste domingo o Museu Pelé será inaugurado para as autoridades e a imprensa. Ele será aberto ao público na semana que vem. Todo mundo tem de conhecer, santistas principalmente.

Eu sou brasileiro. Fui educado em escolas públicas brasileiras e não por meu pai, que era sírio. Da cultura árabe não assimilei nada, não estudei nada, não aprendi nada. Não sou nacionalista porque o nacionalismo é uma ideologia e eu sou adepto (ou mentor) da Ideologia Zero. Recentemente descobri que tinha um sentimento de amor verdadeiro pelo Brasil que chamei de brasilidade – sentimento de brasilidade. Aprendi o que significa emocionalmente uma nacionalidade. Assistindo pela TV ao jogo de abertura da copa, me emocionei como se estivesse na “arena”.

Mas quando o árbitro apitou o pênalti que eu não vi – e não vi porque não existiu – minha emoção de brasilidade se transformou numa desolação. O meu Brasil poderia ganhar o jogo com o falso pênalti. Fiquei triste. Torci para que a bola não entrasse no gol. Neste momento aprendi que a ética deve estar acima das emoções, as quais têm a função de cegar a razão. Aprendi também que existe um “sentimento de ética” que poderíamos chamar de “moral”. Um sentimento moral provocado pela consciência ética. A ética se distingue das emoções por ser governada pela lógica. A ética é a ciência da conduta humana e a moral o sentimento vinculado a esta conduta. O sentimento é um elemento básico da vida. Nós estamos sempre sentindo, com maior ou menor intensidade. Só os psicopatas não sentem. Mas diante do desafio de vencer um jogo, todos nós somos tentados a anular nosso sentimento de culpa quando nos beneficiamos com o descumprimento de uma regra do jogo.

A tese que eu defendo é que a natureza dos nossos neurônios fez do homem um ser competitivo (como ocorre com qualquer outro animal e sobretudo com os mamíferos), para que assim ele pudesse perpetuar seus “genes egoístas”. (cf. Richard Dawkins, em “O gene egoísta”) . Este egoísmo natural não foi um capricho da natureza. Foi a única forma que ela encontrou para dar vida longa aos animais. A natureza desconhece totalmente o que seja a ética. E paradoxalmente, o egoísmo é um elemento chave da “ética da sobrevivência” . O futebol é a sublimação da guerra. O esporte (competitivo) e a política representam a continuação da guerra por outros meios.

Até o experiente Felipão declarou, um tanto quanto constrangido, que na opinião dele houve sim o pênalti. Perdeu a oportunidade de mostrar isenção. Se a vitória do Brasil estava confirmada, independente de o pênalti ter sido falso ou verdadeiro, porque não afirmar pelo menos que tinha dúvida a respeito? Essa declaração traria conseqüências desastrosas?

O jogo seria anulado? É claro que não! Mas a mídia transformaria essa declaração numa bomba que poderia ferir o nosso “orgulho nacional”. (o sentimento de orgulho de ser brasileiro difere do sentimento de brasilidade; ser orgulhoso – ou vaidoso – já não é ser virtuoso, se é que algum dia o foi).

Para fundamentar meu sentimento ético, foi brindado com estas palavras de um consagrado árbitro brasileiro – Arnaldo Cezar Coelho:

“O árbitro japonês Nishimura até estava apitando bem. Mas, naquele centro da área para o Fred, aquela mão no ombro não é pênalti. Ele interpretou como pênalti. O Fred caiu. Não houve puxão, não houve nada. A regra é clara: se tivesse tido um puxão, aí sim. Mas, não. Encostar pode. Não pode é puxar. Não foi pênalti”.

Arnaldo César Coelho disse que não foi pênalti. Veja…

Consumado o grave erro do Nishimura, esperamos agora que outros árbitros não queiram compensar este erro, punindo o Brasil por faltas não cometidas, nos próximos jogos. Mas se o Brasil ganhar essa taça, como queremos, ela virá com uma pequena mancha nishimuriana. Entretanto o erro do árbitro não justifica, é claro, que deixemos de cobiçar a taça como símbolo de nossa brasilidade.

Mtnos Calil

Ps. O nacionalismo é uma ideologia porque coloca os interesses de uma nação egoisticamente acima dos interesses de outras nações.

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