Melhores momentos de Rafael Nadal 3/6, 7/5, 6/2 e 6/4 Novak Djokovic

Eles são jovens, milionários, famosos. Poderiam parar de competir mesmo antes da final de Roland Garros e teriam a vida ganha e mansa até o final dos tempos. Mas se entregaram a uma batalha de três horas e meia, na qual acabaram exaustos, debilitados, exauridos. Mas ainda lhes restou o que mais importa: o espírito esportivo para reconhecer os méritos do adversário e a determinação de continuar se aprimorando para proporcionar espetáculos ainda mais envolventes para o seu público, no caso nós.

O sérvio passou mal, chegou a vomitar, mas ainda se recuperou e empatou o quarto sete; Nadal, que agora tem inacreditáveis nove títulos no Aberto da França, correu tanto que foi tomado pelas cãibras quando fazia as fotos com a taça. O público, que reservou a ambos demorados aplausos de pé, como se tivesse assistido a uma ópera, ou um concerto, saiu do estádio com a certeza de que os artistas lhe ofertaram até a última gota de suor e arte.

Vejo nisso a grande generosidade de Rafael Nadal e Novak Djokovic. Sim, a vitória daria, como deu, um prêmio equivalente a cinco milhões de reais, mas sabemos que eles não lutam pelo dinheiro, ou apenas pelo dinheiro. São movidos pelo desafio e nessa batalha para superar a si mesmos, acabam produzindo jogadas e momentos que encantam os olhos e tocam o coração das pessoas.

Esse é o espírito que gostaríamos de ver no futebol, particularmente nos jogadores do nosso Santos. Essa entrega, essa paixão pelo que fazem, essa determinação de buscar a vitória até o último instante de uma partida, esse respeito aos torcedores e à sagrada camisa que vestem.

http://youtu.be/dOkgz5BCxcQ

Um jogo decidido pela força interior

Sei que ele não tem o estilo mais bonito e não é o mais completo, se somarmos o saque, o toque e o jogo de rede. Mas desde que o conheci e o entrevistei pela primeira vez, em 2005, na Copa do Sauípe, tornei-me um fã de Rafael Nadal, este jovem espanhol que luta como um touro, mas sabe ser educado como o filho que todos gostariam de ter. Na final de Roland Garros, ele deu mais um exemplo de sua força interior. Ele e o sérvio Novak Djokovic, que só não foi campeão porque do outro lado da rede havia Nadal.

Percebi que Djokovic começou mais intenso e ganhou o primeiro set, por 6/3, em 44 minutos. Mas depois, quando os pontos se prolongaram, a vantagem física de Nadal foi, aos poucos, freando a velocidade das bolas e influindo na coordenação motora fina do sérvio. Segundo sete, 60 minutos, Nadal 7/5; terceiro set, 50 minutos, Nadal 6/2; quarto set, 57 minutos, Nadal 6/4.

Entrar na arena central de Roland Garros para enfrentar Nadal deve ser equivalente a enfrentar um touro feroz e teimoso. O adversário sabe que poderá vencer pontos, games, até mesmo sets, mas daí até matar o touro e receber as flores da plateia vai uma distância enorme.

Acho muito difícil que Nadal alcance a final em Wimbledon, onde é mais difícil manter a bola em jogo e esticar os pontos, mas vejo-o com grandes possibilidades de chegar ao seu 15.o título de Grand Slam, e assim ultrapassar Pete Sampras, na quadra dura do US Open. De qualquer forma, se nenhum problema físico interferir, a final que já queremos ver de novo em Roland Garros em 2015 é a mesma que mexeu com todos este ano.

Atenção para Zorman e Luz, os brasileirinhos que vêm por aí

Ao contrário de muitos, não acho que os tenistas brasileiros têm qualquer obrigação de fazer bonito em um torneio que reúne os melhores do mundo, como um Grand Slam. Nesses eventos, chegar à chave principal, e mesmo passar uma rodada, como Thomaz Bellucci e Teliana Pereira conseguiram, já merece aplausos e incentivo. Teliana foi a primeira brasileira em décadas a conseguira façanha.

Claro que fiquei triste pelo duplista Bruno Soares ter match points e não aproveitar a chance de chegar à final de duplas mistas, mas a verdade é que os adversários jogaram muito bem os pontos decisivos. O importante, mesmo, para nós, brasileiros, é saber que dois brasileirinhos bons de bola vêm por aí e mostraram isso no saibro francês.

O paulista Marcelo Zorman chegou às quartas-de-final da chave de 18 anos. Sabe o que isso significa? Ficar entre os oito melhores do mundo em saibro. E o gaúcho Orlando Luz só perdeu na semifinal, por 7/5 e 6/3, para o russo Andrey Rubley, o campeão do torneio.

O detalhe é que Orlando tem apenas 16 anos e enfrentou adversários mais velhos e experientes. No tênis, isso costuma ser um sinal de que o garoto vai longe. Torçamos.

Jogadores de futebol não deveriam se espelhar em Nadal e Djokovic?