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Essa Copa tem escancarado algumas evidências. Uma delas é que é essencial, para que o futebol das seleções nacionais seja forte, que os países consigam formar craques. Não basta ter muito dinheiro e comprar os craques de fora. Se não se consegue formá-los em casa, dá no que estamos vendo, por exemplo, na Inglaterra. Com um campeonato poderoso, competitivo, clubes imensos e ricos, a Inglaterra tem uma seleção nacional com poucas opções no ataque, já que a maioria dos melhores atacantes que atuam no país vem de outras nações.

O mesmo se pode dizer da Espanha, onde os milionários Real Madrid e Barcelona compram o melhor que há no mercado do futebol, mas ao mesmo tempo fecham as portas para as revelações espanholas. O resultado é uma seleção nacional envelhecida, que não se renovou desde a última Copa e também por isso sofreu o vexame da eliminação precoce.

Isso escancara a importância do clube formador para a revitalização do futebol mundial. E o Santos, um desses clubes que tem o dom de revelar craques, deve se bater com unhas e dentes para que esta condição seja valorizada.

Em primeiro lugar, o Santos precisa agir politicamente e interceder para que a lei que rege o futebol brasileiro seja aprimorada e garanta melhor os direitos dos clubes formadores. Como ela está, é insuficiente. É inadmissível que o clube perca o direito sobre seus jogadores jovens mediante a interferência desse obscuro personagem chamado empresário.

Ora, se um clube treina, ampara, orienta e dá oportunidade aos jogadores jovens, por que depois precisa negociar com empresários os contratos desses mesmos meninos que revelou? Este é um absurdo que deve ser corrigido. A que dirigente de clube pode interessar uma situação dessas, a não ser ao corrupto, que se aproveita da presença de um intermediário para levar dinheiro por fora?

Até a maioridade, nenhum garoto deveria ter empresário. Seu passe deveria ser apenas ligado ao clube formador. Ponto. Se menores não podem trabalhar no Brasil, por que menores que jogam futebol podem até assinar contrato e ter empresários?

Outra providência, um tanto mais radical, mas provavelmente providencial, é estabelecer uma idade limite para que o jogador possa sair do Brasil. Jogador infantil ou juvenil registrado em um clube brasileiro, só deveria ter permissão para jogar fora do País com 23 anos.

O vôlei brasileiro só conseguiu crescer, se consolidar e formar a melhor seleção masculina do mundo, depois que Carlos Arthur Nuzman conseguiu estabelecer em 23 anos a idade limite para a saída dos atletas do Brasil.

Com isso, o mercado interno se fortaleceria, o nível do futebol praticado se elevaria sobremaneira, os patrocinadores voltariam a investir no futebol, o público voltaria aos estádios e a tevê bateria recordes. Enfim, o mercado do futebol brasileiro, sempre por um fio, se consolidaria.

Seria cercear a liberdade e o crescimento profissional dos jovens atletas brasileiros? Não creio. A vida útil de um jogador de futebol pode ir a 34, 35 anos, desde que se cuide, como é o caso de Zé Roberto, Seedorf e tantos outros. E os jogadores que se destacarem, ganharão altos salários mesmo sem sair do Brasil.

Ao impedir a enxurrada de jovens valores ainda imberbes para o exterior, o Brasil estaria dando um passo decisivo para tornar o seu mercado interno de futebol um dos mais valiosos do planeta.

Como clube formador, que depende disso para continuar competitivo, o Santos precisa ter uma posição política mais atuante para alterar a legislação vigente e salvaguardar seus interesses que, afortunadamente, são os mesmos que podem fortalecer o futebol e a seleção nacionais.

Você não acha que o Santos deve agir para garantir os direitos do clube formador?