http://youtu.be/GrirNFL5VSU

É muito cabotino dizer “eu não falei?”, mas não dá para começar a comentar a derrota do Santos para o São Paulo, por 2 a 1, no Morumbi, sem lembrar que já preveníamos que se o time entrasse com três atacantes, como fez contra o Cruzeiro, no Mineirão, seria dominado pelo tricolor, que baseia seu jogo no quarteto Paulo Henrique Ganso-Kaká-Alan Kardec-Pato. Sem especialistas no setor, o Santos foi totalmente envolvido, até que Ganso fez o gol, aos 23 minutos, e o São Paulo recuou um pouco.

Não dá para afirmar que a sorte da partida seria outra se o Santos entrasse com quatro jogadores no meio e dois atacantes, mas ao menos o São Paulo teria menos espaço no primeiro tempo. E como o seu time costuma cair de rendimento no segundo, como ocorreu de novo, o Santos teria mais chances até para vencer.

Do jeito que foi, o Santos passou a maior parte do tempo em busca do empate, o que só conseguiu aos 40 minutos do segundo tempo, com um pênalti cobrado por Gabriel. Porém, foi só o São Paulo apertar em seguida e a defesa santista confessou de novo. Sei que alguns vão lembrar que é só o Edu Dracena voltar e a média de gols sofridos pelo Santos aumenta, mas, infelizmente, é uma realidade. O capitão tem se colocado muito mal.

Sofrer um gol em um lateral e deixar o goleiro Aranha sozinho diante do atacante no segundo, sem ao menos correr para o rebote, é coisa de defesa desentrosada. Mas não creio que Oswaldo de Oliveira terá coragem de mexer no setor. Dracena é intocável e o técnico vê em David Braz uma espécie de Beckenbauer moreno.

Melhor em boa parte do segundo tempo, o Santos cresceu com as esperadas saídas de Leandro Damião e Thiago Ribeiro, para as entradas de Rildo e Patito Rodríguez. Novamente Damião e Ribeiro ficaram devendo. Uma pena. Assim fica difícil até aparecer um clube interessado neles.

Mais uma vez o Santos faz um bom jogo e mais uma vez perde uma partida por não tomar os devidos cuidados defensivos. Times bem inferiores teriam conseguido ao menos alguns pontinhos nesses jogos contra Fluminense, Internacional, Cruzeiro, Corinthians e São Paulo. Oswaldo Oliveira precisa rever seus conceitos.

Não adianta escalar um time aberto, mas em campo a equipe ser amplamente dominada até sofrer o gol, e a partir daí, como se diz, correr atrás do prejuízo. Tudo bem que esses jogos foram contra equipes boas. Mas não é o caso do Botafogo, adversário do próximo fim de semana. Espero que o professor calce as sandálias da humildade e inicie o jogo com um time mais precavido.

Se voltar a entrar em campo com três atacantes no meio da semana, diante do Grêmio, pela Copa do Brasil, sugiro ao santista que arrume uma outra coisa para fazer na hora do jogo, pois certamente passará nervoso de novo.

São Paulo 2 x 1 Santos
Estádio do Morumbi, São Paulo
Público: 31.281
Renda: R$ 955.453,00
São Paulo: Rogério Ceni, Paulo Miranda, Rafael Toloi, Edson Silva e Álvaro Pereira; Souza, Denilson, Ganso e Kaká (Hudson); Alexandre Pato (Michel Bastos) e Alan Kardec. Técnico:Muricy Ramalho.
Santos: Aranha, Cicinho, David Braz, Edu Dracena e Mena; Alison (Souza), Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro (Patito Rodríguez), Gabriel e Leandro Damião (Rildo). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Gols: Ganso, aos 23 minutos do primeiro tempo; Gabriel, aos 40 minutos (pênalti) e Pato aos 42 minutos do segundo.
Arbitragem: Vinicius Furlan, auxiliado por Vicente Romano Neto e Carlos Augusto Nogueira Junior, todos de São Paulo (Furlan ipocou na hora de expulsar Paulo Miranda, que aplicou um carrinho e ficou só com o amarelo).
Cartões Amarelos: Alexandre Pato, Rafael Toloi, Ganso, Paulo Miranda, Alvaro Pereira (São Paulo); Vladimir, Gabriel e David Braz (Santos).

E você, o que achou do desempenho do Santos no Sansão?