O Grêmio de novo no caminho do Santos, como em 2010

O estranho e desequilibrado sorteio da Copa do Brasil, que tem o birrebaixado Vasco no pote A e o Santos no B, estabeleceu um grande clássico do futebol brasileiro logo para as oitavas-de-final: Santos e Grêmio, que também se encontraram na semifinal da Copa do Brasil de 2010, quando os Meninos da Vila jogavam o melhor futebol do Brasil. Se os santistas não gostaram do sorteio, os gremistas muito menos. Veja só a preocupação de Guilherme Mazui, que escreve o blog do torcedor do Grêmio no jornal Zero Hora:

“Havia uma equipe forte entre as oito do pote que definiria o rival do Grêmio nas oitavas na Copa do Brasil. Pois foi justamente o Santos o sorteado para cruzar o nosso caminho. Repetindo a Libertadores, o Grêmio foi pé frio no sorteio. Pegou a rota mais difícil nas oitavas, que ainda poderá ter o Cruzeiro em uma eventual semifinal. Grêmio x Santos é o único confronto sem favorito. São duas equipes de campanhas similares no Brasileirão, só que o Santos tem a Vila Belmiro, onde historicamente não vamos bem. O Santos também tem Robinho, que no Brasil ainda faz diferença. Thiago Ribeiro e Arouca são outros bons nomes. Até Damião preocupa pela motivação de enfrentar um antigo rival. O caminho é anular Robinho, marcar, morder, jogar. E não depender de qualquer resultado na Vila Belmiro.”

Bem, parece que o blogueiro gaúcho está respeitando mais o Santos do que muitos santistas o fazem. Eu já acho que o primeiro jogo do confronto será decisivo. Se o Santos perder por 2 a 0, por exemplo, como na semifinal da Libertadores de 2007, ficará muito difícil obter a classificação na Vila. A derrota por um gol é reversível; o empate, principalmente com gols, é muito bom, e uma vitória, o que considero improvável, maravilhosa.

O primeiro jogo será em Porto Alegre, dia 27 de agosto, quarta-feira à noite. O de volta terá lugar na Vila Belmiro, dia 3 de setembro, a quarta-feira seguinte (mesmo que estivesse pensando no Pacaembu, depois dessa entregada do torcedor do Grêmio demonstrando que teme a Vila, é lá mesmo que o Santos deve jogar).

Em 2010 os jogos entre Santos e Grêmio foram revestidos de grande rivalidade. No Sul, o Santos estava vencendo por 2 a 0, mas perdeu por 4 a 3. Empolgado, o folclórico locutor de rádio Pedro Ernesto achou que o Santos já estava eliminado e cantou uma música que ele chamou de “Elimination”. O técnico Silas e o presidente do Grêmio também se mostraram um tanto arrogantes, como se a classificação já estivesse garantida. Afinal, “bastava” um empate na Vila para o Grêmio ir para a final da Copa. Entretanto, com golaços de Paulo Henrique Ganso, Robinho e Wesley, o Glorioso Alvinegro Praiano venceu por 3 a 1 e os adversários tiveram de engolir as ofensas ao alegre futebol-arte dos Meninos da Vila. Veja:

Robinho não foi convocado por Dunga

O atacante Robinho não desfalcará o Santos para jogar na Seleção Brasileira. Ele não foi incluído na lista de convocados para os dois amistosos da Seleção nos Estados Unidos: dia 5 de setembro, contra a Colômbia, em Miami, e dia 9, contra o Equador, em New Jersey.

Outros quatro ex-santistas, porém, foram chamados: o goleiro Rafael, atualmente no Nápoli; os laterais Danilo e Alex Sandro, do Porto, e o atacante Neymar, do Barcelona.

Timemania – Teste 614, de 16/08/2014

Após 1.749.040 apostas, em 65% das cidades brasileiras, de todos os Estados do Brasil, o resultado do teste 614 da Timemania, do último sábado, traz o Santos em quarto lugar. Confira:

1º FLAMENGO RJ 87.452 5
2º CORINTHIANS SP 75.660 4,33
3º SAO PAULO SP 61.115 3,49
4º SANTOS SP 60.056 3,43
5º GREMIO RS 53.090 3,04
6º PALMEIRAS SP 52.305 2,99
7º VASCO DA GAMA RJ 47.609 2,72
8º INTERNACIONAL RS 47.042 2,69
9º CRUZEIRO MG 42.933 2,45
10º BOTAFOGO RJ 40.328 2,31

Petros foi punido com 180 jogos de suspensão. Mas agora a injustiça já foi feita

Petros foi punido, com justiça, o Alison não terá de cumprir mais nenhum jogo e a Vila Belmiro não será interditada. Legal, só que o mesmo árbitro que deixou em campo um jogador que o agrediu por trás, expulsou um santista que triscou no jogador adversário e definiu a sorte do jogo. Em consequência desses dois pesos e duas medidas, o Santos atuou com um jogador a menos e acabou sofrendo um gol no final – de Gil, que também deveria ter sido expulso por tentar agredir Cicinho. Agora o Petros pode ficar a vida toda sem jogar, que o estrago da arbitragem já foi feito. Da próxima vez a justiça tem de ser feita no jogo, e não no tribunal.

Leia a íntegra do site oficial do STJD:

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu Petros com 180 dias de suspensão por agredir o árbitro Raphael Claus na partida contra o Santos. Com a decisão, o jogador não poderá atuar pelo Corinthians nos próximos seis meses. O resultado, concedido pela Primeira Comissão Disciplinar, cabe recurso e deve ter um desfecho no Pleno, última instância da justiça desportiva brasileira.

Presente no tribunal, o jogador prestou depoimento e ressaltou que, após o lance, conversou com Claus, pediu desculpas e o próprio árbitro disse que o episódio foi como um encontrão. De acordo com o jogador, é impossível dizer que houve agressão e que foi de forma intencional.

“Não há nenhuma possibilidade de agressão e nunca haverá agressão ao árbitro. Garanto honesta e sinceramente que não o agredi e se estivesse no meu pensamento teria feito de mão aberta e teria derrubado ele”, disse Petros, que completou. “Com um simples toque do Guerreiro eu sairia na cara do Aranha (goleiro do Santos). Se eu não usasse o braço teria batido de rosto e peito. O árbitro estava muito próximo a mim e tentei passar ao lado dele. Desloquei para receber um possível passe”.

O advogado do Corinthians, João Zanforlin, tratou o caso como um “processo polêmico, midiático e complexo”. Segundo o defensor, Petros foi taxado pela procuradoria como um homem que todos devem temer. Zanforlin negou que tenha ocorrido agressão e pediu a rejeição do processo. “Agressão não existe. A defesa pede justiça para que o atleta não fique seis meses sem ganhar seu suado tostão”, concluiu.

No mesmo processo, o Santos foi denunciado pelo arremesso de um copo de água na direção do goleiro Cássio e teve o atleta Alison julgado pela expulsão na partida.

De acordo com a defesa do clube santista, representada pelo advogado Carlos Theotônio Chermont, o objeto arremessado não causou nenhum dano ao andamento da partida e aos atletas. Chermont apresentou ainda o boletim de ocorrência que comprovou a identificação e detenção do infrator, além de apresentar um membro do clube para prestar depoimento sobre o episódio. Sobre a jogada que resultou na expulsão e denúncia do jogador Alison, o defensor pediu a absolvição do jogador alegando ter sido uma falta comum de jogo.

Logo após, o relator do processo, auditor Felipe Bevilacqua absolveu o Santos e o atleta Alison e justificou o voto com relação ao atleta Petros. “Pelo contexto da jogada, apesar de toda logística que se fez, vi e revi várias vezes essa jogada e tenho muitas dificuldades em punir com agressões e violência. Tento preservar o máximo os atletas e sei que são atores principais e dependem disso. Tive um cuidado muito grande e não consegui me convencer que não foi proposital”, disse o relator, que logo após aplicou 180 dias de suspensão. Bevilacqua ainda ressaltou a possibilidade de redução da pena pela metade no Pleno.

O auditor Washington Rodrigues divergiu quanto a pena a Petros e desclassificou o artigo aplicando quatro jogos de suspensão. Vinicius Sá acompanhou a absolvição ao Santos, votaou para advertir Alison e também desclassificou o artigo aplicando um jogo de suspensão a Petros. Já o auditor Douglas Balckhman acompanhou integralmente o relator, enquanto o presidente da comissão, Paulo Valed Perry decidiu pela multa de R$ 10 mil ao Santos, advertência a Alison e suspensão de 180 dias a Petros.

robinho, dracena e arouca
Robinho, Edu Dracena e Arouca, a reserva de técnica e experiência que embala o Santos neste Campeonato Brasileiro (Foto: Ricardo Saibun/Santos FC).

Uma análise com a cabeça fria

Logo depois de uma derrota de 3 a 0 é normal surgirem comentários irritados e até desrespeitosos. Faz parte da reação do torcedor. Há que se dar um desconto. De qualquer forma, nós que somos santistas para sempre e não apenas nas boas fases, temos a obrigação de analisar com calma a situação do time e vislumbrar realisticamente o que pode vir pela frente.

Às vezes um bom exercício é se colocar no lugar do presidente ou do diretor de futebol do Santos. Se você tivesse o poder de demitir ou contratar pessoas, de tomar decisões importantes para o clube, o que faria nesse momento? Bem, eu darei minhas opiniões e o convido a fazer o mesmo. Vamos aos tópicos:

Oswaldo de Oliveira – Acho que ele escolheu a estratégia errada contra o Cruzeiro, mas jamais o demitiria antes do final do Campeonato Brasileiro. A não ser que o time estivesse jogando muito mal e na zona de rebaixamento. O Santos perdeu quatro jogos dos últimos cinco que fez na competição, mas perdeu jogando com coragem, para times fortes e em três dessas partidas atuou fora de casa. Não é desculpa, mas em mais de um jogo acabou prejudicado pela arbitragem. A verdade é que faltam ovos para fazer a omelete, o elenco do Santos é limitado, mas mesmo assim o time não está jogando todo encolhido lá atrás e morrendo de preguiça, como nos Brasileiros anteriores. Não creio que outro técnico brasileiro faria muito melhor. Dos que passaram pelo Santos, o único que poderia fazer esse elenco render bem mais é o velho e matreiro Vanderlei Luxemburgo, que pode ser meio malaco, mas entende muito de futebol e de boleiro.

Leandro Damião – É um bom moço, bom marido e bom pai. Também deve ser bom filho e bom neto. Mas jogar futebol não é bem a sua praia. Damião jamais jogou futebol na vida. O que ele sempre fez, ou fazia, era colocar a bola para dentro do gol. Isso costuma valer muito no futebol internacional. Está aí o Fernando Torres que não nos deixa mentir. É o tipo de jogador para ser contratado por clubes muito ricos, que só precisam de um artilheiro e já têm craques nas outras posições. Não era o caso do Santos, que estava montando um time modesto, mas eficiente, usando bem a alegria e a velocidade dos meninos da base. Até aqui foi o pior negócio já feito pelo clube em toda a sua história – pelo valor absurdo e pelo retorno que está dando, ou seja, nenhum. Mas agora não adianta gelar o cara. O Santos paga parcelas altíssimas pelo empréstimo que fez da Doyen e se Damião não jogar, o clube morrerá com o mico. Ele precisa jogar e fazer gols, ou jamais interessará a outro clube. Por isso, é mais do que necessário contratar um atacante veterano para dar treinos específicos de domínio de bola, cabeceio e arremate ao Damião.

Oswaldo x Damião – Pelas circunstâncias, Oswaldo Oliveira está sendo obrigado a escalar Damião. Não que alguém da diretoria o esteja pressionando a isso, creio que não. Porém, consciente como é, o técnico sabe que o clube precisa vender o atacante, e para isso ele tem de estar na vitrine. Com a venda do Damião vários problemas financeiros serão solucionados e, provavelmente, um outro centroavante venha a ser contratado. Ou, ainda, o que é mais difícil, Stéfano Yuri ou Diego Cardoso mostrem que podem vestir a camisa 9. A expectativa ingênua de que Damião pudesse ser convocado para a Copa e ter o seu passe valorizado mergulhou o clube em uma dívida que não poderia ter feito. Ela está engessando novas possibilidades de contratações. O que eu experimentaria fazer é colocar Damião no segundo tempo, quando os defensores estão mais cansados. Primeiro eu colocaria um ataque mais ágil para cansar a defesa contrária e depois o Damião. Não custa nada tentar.

Thiago Ribeiro, Cicinho, Mena – Esses três são outros casos de jogadores caros, que precisam jogar. Ao menos enquanto não tiverem reservas realmente mais experientes e de melhor rendimento. Creio que os três têm potencial para jogar bem e às vezes o fazem. O mais irritante do trio tem sido Thiago Ribeiro, o artilheiro que não consegue nem acertar o gol. Se ele tiver humildade, passará esses dias treinando arremate. Não dá para um atacante profissional ter um pé tão descalibrado. No mais, ele tem se apresentado para o jogo e mesmo sem jogar tão bem no todo, ainda é melhor do que Geuvânio e Stéfano Yuri. Só pode perder a posição para Gabriel.

Aranha, Edu Dracena, outros zagueiros – Aranha falhou no primeiro gol do Cruzeiro, mas foi muito atrapalhado por Moreno. Para mim foi um absurdo o árbitro não marcar impedimento, já que o atacante tentou tocar na bola e fez uma espécie de corta-luz, atrapalhando o goleiro santista. Mas Aranha tem crédito. Quanto a Edu Dracena, mesmo veterano e voltando de contusão, é um zagueiro que dá outra personalidade à defesa do Santos, que estava sem nenhuma. Bruno Uvini é um bom garoto e tem se esforçado. Ontem recebeu de Moreno uma cotovelada no rosto que deveria ter sido punida com o amarelo. Aliás, esse Moreno pintou e bordou. Como o Cruzeiro teve uma arbitragem bem favorável depois de fazer uma manifestação contra arbitragens na CBF, o Santos deveria fazer o mesmo juntando os lances de ontem. Bem, mas quanto aos demais zagueiros do Santos – David Braz, Jubal – acho que Oswaldo está tirando leite de pedra. Mas são jovens e terão até o fim do Brasileiro para melhorar.

Meio-campo – Entra ano, sai ano, e Arouca continua sendo o mais regular do meio-campo do Santos. O velho ídolo Renatinho veio, jogou mal e já está no estaleiro. Outra contratação equivocada. Dos garotos da base, nenhum se firmou ainda. Alison tem jogado pela garra, mas seu futebol é pequenininho. Leandrinho e Alan Santos, que são mais técnicos, precisam de mais sangue nas veias. Não para fazer faltas bobas, como Alan Santos fez ontem, mas para se mostrarem mais ágeis, participativos, ligados no jogo. O mais técnico da meiúca é Lucas Lima. A bola não queima no seu pé. Ontem até deu umas boas enfiadas para o Mena. Mas precisa treinar mais chute a gol. Não dá para passar o jogo todo rondando a área adversária sem tentar nenhum chute.

Robinho – Muito bem marcado pela ótima defesa do Cruzeiro, Robinho se cansou no segundo tempo e pouco fez, mas é a referência e o melhor – ou seria o único? – atacante do Santos. Ele tem de ter liberdade para atuar no lugar do ataque que quiser, como no time campeão brasileiro de 2002, em que fez jogadas de gol nos dois extremos do campo. E seus companheiros têm de jogar para ele, sim. E dar graças a Deus de ter um Robinho no mesmo time. A presença de Robinho já inibe o adversário, que não se solta tanto ao ataque.

O que esperar dos próximos compromissos – Diante das circunstâncias, vencer o Atlético Paranaense, quarta-feira, na Vila Belmiro, passa a ser obrigação. A diferença do Santos para o líder (13 pontos) já é maior do que a diferença para o último colocado (12) e o time está os mesmos seis pontos tanto abaixo do G4 como acima da zona de rebaixamento. Mais dois resultados ruins e a situação ficará crítica. Depois, virá o clássico contra o São Paulo, no Morumbi, no domingo, um jogo difícil, mas menos difícil do que Cruzeiro, Fluminense e Inter fora. O São Paulo é treinado pelo Muricy. Daí se vê que dá para conseguir alguma coisa. Em seguida vem o Botafogo, no Maracanã, partida que exige muita atenção, principalmente com a arbitragem, e por fim o Santos encerrará o turno jogando contra o Vitória, dia 6 de setembro, sábado, em jogo marcado para o Pacaembu. Espero que não mudem o local a pedido de Oswaldo e dos jogadores e que ao menos a última impressão causada no primeiro turno seja boa. Se der menos de 15 mil pessoas podem me cobrar. Acho que os santistas da capital e do Interior estão com saudades de ver o time jogar. E Robinho será um chamariz.

Dá pra sonhar com a Libertadores – Mesmo sem ser muito otimista, a verdade é que dá para sonhar com uma classificação para a Libertadores, sim. Veja que apesar de ter perdido quatro jogos nas últimas cinco rodadas, o Santos só está a seis pontos do G4. E agora os adversários, teoricamente, não serão tão difíceis. Ajustando algumas coisas, dá para esperar um rendimento melhor, sim.

E você, com a cabeça mais fria, como analisa as chances do Santos?