Juro que eu achei que depois do belo gol de Thiago Ribeiro, com o time com quatro no meio-campo, ao menos o Santos não perderia do Sport, em Recife, encerrando uma série de cinco derrotas seguidas fora de casa. Mas o Alvinegro deixou-se dominar, sofreu o empate no primeiro tempo e mais dois no segundo, todos de Patric, e perdeu outra.

A situação tornou-se delicada novamente. Vencer o Coritiba, sábado, na Vila Belmiro, passou a ser fundamental para que o Santos não corra riscos de rebaixamento na reta final do Campeonato. Ao torcedor, ficam as perguntas: Por que o time perdeu de novo? Por que a defesa, que era a menos vazada, agora sofre a média de dois gols por jogo? Por que, enfim, o Santos não consegue ao menos empatar quando joga fora de casa?

Bem, não creio que as respostas sejam simples. Há motivos técnicos, táticos e psicológicos que explicam essa nova performance decepcionante do Santos em um Campeonato Brasileiro. Se formos ver além do jogo, perceberemos que os péssimos negócios da diretoria de futebol não deram aos técnicos os ovos necessários para fazer a omelete.

Enquanto escrevo estas linhas, vejo o São Paulo dar um show no valente Botafogo e vencer por 4 a 2, e fico aqui pensando que se o Santos tivesse administrado melhor a fortuna paga em Leandro Damião, Cicinho e Thiago Ribeiro, poderia ter um time tão bom quanto o tricolor paulista. Que jogão em Brasília! Enquanto isso, o Alvinegro Praiano não tem disposição nem para tomar o ônibus e rodar uma hora e meia até o Pacaembu.

Já não é segredo para ninguém que os salários dos funcionários do clube estão atrasados. Até a Internet tem sido cortada, por economia. A gastança deu nisso. Não será possível estender a farra do boi até as eleições. O novo presidente vai pegar um mico tremendo. Demissões e reduções drásticas de salários serão necessárias, mas a administração atual deixará o trabalho sujo para a próxima, que terá de por ordem na casa.

É hora de tentar fazer alguma coisa. Usar os mandos de campo para faturar mais, como o Botafogo vem fazendo, seria uma saída. Mas o clube já marcou o jogo de sábado para a Vila Belmiro. Pergunto: quantos irão à Vila?

Por outro lado, será que o clube e o santista têm consciência do perigo de rebaixamento que o time corre este ano? Ao contrário de muitos, eu acho que este turno será mais difícil do que o primeiro, pois o Santos jogará em casa contra os melhores e sairá para enfrentar os que estão embaixo na tabela e lutarão muito para não serem rebaixados. Se continuar perdendo fora e não ganhar todas em casa, o Santos poderá cair, sim.

Sport 3 x 1 Santos
Sport: Magrão; Patric, Durval, Ferrón e Renê; Wendel (Ronaldo), Rithely, Danilo e Ibson (Augusto); Felipe Azevedo e Érico Júnior (Vítor). Técnico: Eduardo Baptista.
Santos: Aranha; Cicinho, Edu Dracena, David Braz (Serginho) e Zé Carlos; Arouca, Alan Santos (Gabriel), Souza e Lucas Lima; Leandro Damião e Thiago Ribeiro (Rildo). Técnico: Enderson Moreira.
Gols: Thiago Ribeiro, aos 24 e Patric, aos 40 minutos do primeiro tempo; Patric aos 7 e aos 45 minutos do segundo.
Cartões Amarelos: Danilo, Vítor, Wendel, Renê e Ibson (Sport); Alan Santos (Santos).
Árbitro: Grazianni Maciel Rocha (RJ). Errou para os dois lados.
PÚblico: 14.856 pagantes.

O que você ainda espera do Santos neste Brasileiro?