Sábado, todos no Pacaembu. E o julgamento do racismo

Gostaria de fazer um convite a todo leitor deste blog que mora em São Paulo ou próximo da cidade, e que não tenha nenhum compromisso inadiável na noitinha de sábado, para comparecer ao Pacaembu e assistir ao jogo Santos e Vitória, a partir das 18h30, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Veja bem: não o estou convidando para passar horas agradáveis, tranquilas e felizes. Eu o estou convidando para sofrer, para exercer o seu papel de torcedor fanático. Quer um consolo: se for para sofrer mesmo, vamos sofrer juntos.
Hoje à tarde o STJD julga o caso de racismo contra o goleiro Aranha e contra todos os negros deste País. A menina é a menos culpada nessa história toda. Ele age assim porque vive em um meio racista e separatista. Mas esse mal tem de ser cortado pela raiz, ou se propagará. O problema é que o prejuízo do Santos por não ter o jogo de volta, em casa, ninguém pagará. O STJD também deverá o caso da agressão de Guerrero ao árbitro e a situação irregular de Petros em seis rodadas. Nós, que defendemos tanto a Portuguesa, mas tivemos de ouvir que não havia nada a fazer, pois a lei foi descumprida, agora esperamos que o mesmo critério seja utilizado. Basta a TV Globo para privilegiar um clube. Ao menos o STJD tem a obrigação de ser imparcial.

Não sei se Enderson é a solução. Mas a filosofia é boa

Não sei se Enderson Moreira é um técnico excelente, bom ou mediano. Ruim, não é. Mas a ideia de se contratar técnicos menos caros é boa e deveria fazer parte da filosofia do Santos. A intenção de trazer um técnico com “T” maiúsculo não deu em nada e ainda esvaziou mais ainda os cofres do clube.

Um leitor deste blog lembrou bem: o Santos demitiu Claudinei Oliveira, que ganhava 120 mil reais, e Claudinei foi para o Goiás, que era treinado pelo Enderson Moreira. Agora, depois de pagar 400 milhas por mês para Oswaldo de Oliveira, o Santos traz o mesmo Enderson que deu lugar ao Claudinei, por 200 mil mensais. E será que Claudinei, ou Enderson, perderiam aquela final para o Ituano?

Isso de técnico famoso é quase uma balela. Digo quase porque alguns realmente têm uma ou outra qualidade superior aos demais, mas no geral não compensam o investimento feito neles. Se dinheiro não fosse problema, beleza. Mas é. Ainda mais para essa administração do Santos, que não consegue fazer o que todo trabalhador e dona de casa deste País têm como regra, que é gastar só o que ganha.

Um conhecimento, mesmo superficial, da história do futebol brasileiro, mostra que a fama dos técnicos é passageira e nem sempre resulta em grandes resultados. Durante muito tempo não me conformei com o fato de o campeoníssimo Rubens Minelli, cinco vezes campeão brasileiro, ter sido esquecido pelos clubes. De repente, ninguém mais chamava Minelli. Sabe o que ocorreu? Tinha saído de moda.

Sim, técnico é questão de moda, de grife, de carisma. Não é só questão da qualidade do trabalho de cada um. Se todo técnico famoso chega em um clube e já pede que se gaste milhões para reforçar o elenco, então fica claro que técnicos famosos ganham mais títulos porque têm elencos melhores à sua disposição.

Às vezes o santista começa a ter saudades do Leão, do Dorival Junior… Mas Leão foi o técnico que pior mexeu no time de todos que já passaram pelo Santos. Ele fazia uma substituição e o time piorava. E era personalista e temperamental. Discutiu com o árbitro na final do Brasileiro de 2002, foi expulso e deixou os garotos na mão. Robinho ganhou aquele jogo, não Leão.

Quanto a Dorival Junior, quase consegue a primazia de perder o título paulista para o Santo André mesmo com Neymar, Ganso e Robinho e mesmo podendo perder a segunda partida por um gol de diferença. O homem já tinha tirado Neymar e Robinho do jogo. Se o Ganso não teima e fica, aquele título já era. Depois, foi campeão da Copa do Brasil perdendo quatro jogos fora de casa e novamente perdendo o jogo do título. Com o gol de Edu Dracena, o Santos só deixaria escapar a taça se sofresse quatro gols do Vitória. Pois não é que sofreu dois e passou um sufoco…

Dorival jamais fez um bom trabalho nos clubes que passou depois do Santos. Espero que o Palmeiras tenha melhor sorte com ele. Como é sobrinho de Dudu, ídolo palmeirense, isso deve contar positivamente. Gosto dele como pessoa, mas como técnico não tem nada de especial.

Note que alguns técnicos que preponderavam nos clubes da Série A do Brasileiro há poucos anos, agora estão sumidos do mercado, ou em equipes menores. Quem souber, me diga onde estão Nelsinho Baptista, Emerson Leão, Renato Gaúcho, Geninho, Ney Franco, Carlos Alberto Parreira, Antonio Lopes, Joel Santana, Candinho, Cuca, Levir Culpi, Gilson Kleina, Estevam Soares, Tite, Péricles Chamusca…

Por outro lado, lembre-se que o grande técnico do Santos era motorista de táxi, treinava equipes no futebol varzeano de Santos, foi convidado para a treinar as equipes infanto-juvenis do Santos e ficou 13 anos à frente do time profissional, o insuperável Time dos Sonhos. Luis Alonso Peres, o Lula, foi o melhor técnico do Santos em toda a história, seguido por Antoninho, que era seu auxiliar.

Então, não adianta para o Santos contratar um técnico famoso e caro, por três motivos: 1 – Se não equilibrar seus gastos, o Santos vai à falência. Esta, infelizmente, é uma realidade. 2 – Técnicos caros querem manter a fama e ganhar títulos. Para isso, exigem que o clube contrate jogadores também caros. Isso tem levado vários clubes brasileiros à ruina, casos de Palmeiras, Vasco, Botafogo, Flamengo… 3 – Técnico caro não é garantir de sucesso. Como Muricy Ramalho e Oswaldo de Oliveira acabam de comprovar no Santos.

Enfim, não vou dizer, ainda, se Enderson Moreira será bom ou ruim para o Santos. Caso faça o que tem de ser feito e não tente garantir o salário de 200 mil por mês – 25% mais alto do que seria o máximo recomendável – , poderá dar um passo importante em sua carreira. Caso coloque os jogadores para treinar fundamentos, aumenta a carga de treinos, escale sempre os melhores e não venha com o papinho de que jogar sempre na Vila é mais cômodo, terá o apoio e a simpatia dos santistas. Mas, se em pouco tempo, a exemplo de seus antecessores, já estiver empurrando o Santos com a barriga, no máximo aguentará até o final do Brasileiro.

E pra você, o que Enderson Moreira pode fazer pelo Santos?