Minha coluna de hoje no Metro Jornal: “O Santos só pode contar com uma pessoa”

gandhi

Tinha pensado no título “Vamos por partes”, porque acho que nesse momento de tanto pessimismo entre os santistas, faz falta um pouco de calma e reflexão. E um método eficiente para desconstruir o monstro do medo e da incerteza é analisar cada parte do todo. Fazendo assim, veremos que todos os problemas do Santos têm um jeito.

Gestão – Vai de mal a pior, infelizmente. Digo infelizmente porque, como torcedor, quero sempre que a diretoria eleita faça um grande trabalho. Mas esta, que começou até muito bem com Luiz Álvaro Ribeiro e prossegue com Odílio Rodrigues, está, no todo, fazendo um trabalho muito ruim, muito aquém do que se pode esperar para um clube como o Santos. Há, porém, um remédio à mão de todo sócio em dia com suas obrigações: eleger outra chapa nas eleições de 6 de dezembro.

Estádio – Mesmo que, a exemplo de Corinthians e Palmeiras, o Santos não possa construir um estádio moderno e maior, ele tem à sua disposição o mais tradicional e bem localizado estádio do Brasil: o velho e bom Pacaembu. É só jogar mais lá e tratar cada partida como um grande evento.

Média de público – Assunto ligado ao item anterior. Caso jogue mais no Pacaembu, o Santos ficará de sexto a décimo entre os clubes de maior média de público. A única coisa que impede isso é o receio injustificado de cortar o cordão umbilical com a Vila Belmiro. É possível fazer um rodízio entre os dois estádios, com o aumento do público em ambos. O Santos também pode marcar jogos nas arenas construídas para a Copa, como as de Natal, Manaus, Brasília e Cuiabá. Nada impede que isso seja feito. É só torcer para que a nova gestão, eleita em dezembro, tenha visão e coragem para fazer o que tem de ser feito.

Time – Tem problemas evidentes e o maior deles, para mim, é a concessão que precisa fazer ao marketing, o que influi na escalação de jogadores contratados a peso de ouro. Mas não é um mal que sempre dure. Espero que no início da próxima temporada ele já esteja solucionado. Um dos trunfos do Santos é que sempre poderá contar com bons jogadores vindos da base.

Dívida – Talvez o maior de todos os males, pois sangra o clube a cada mês e o obriga a fazer empréstimos que, por sua vez, o sangrarão mais ainda, impossibilitando investimentos em áreas vitais. Só uma política impactante de redução drástica de despesas, conjugada com um esforço de guerra para atrair mais receita, poderá sanar este mal. Não será de um dia para o outro, mas desde que alguns hábitos sejam incorporados à política financeira do Santos, o clube se tornará saudável novamente em, acredito, cinco ou seis anos, talvez menos.

Patrimônio – Desde a construção do Hotel Recanto dos Alvinegros, nada foi feito para incrementar o patrimônio do Santos. É mais do que urgente criar um belo alojamento e investir nas instalações da base. Não é tão caro e poderá ser feito na próxima gestão.

Sócios – Apesar de tudo, a situação do Santos não é ruim, e pode melhorar muito. Desde que se ofereça mais ao sócio, desde que se crie um canal direto entre ele e a diretoria do Santos, não é um sonho imaginar que, em uma gestão, o clube alcance 100 mil sócios.

Visibilidade na tevê – Há um problema concreto entre o Santos e a Rede Globo, isso é fato. É evidente que a emissora se comprometeu com outros clubes e empurra os jogos do Santos para dias e horários piores, que evita colocar seus jogos na tevê aberta e às vezes nem mesmo no Sportv. O contrato com a Globo é ruim para o Santos e não deveria ter sido assinado por Laor, que aceitou uma verba menor do que outros sete clubes brasileiros. Tudo bem. Mas não durará para sempre. Haverá novas negociações, será possível combinar uma ação conjunta entre vários clubes para forçar um acordo coletivo, outras emissoras entrarão na concorrência… Enfim, é um momento ruim, mas passageiro. O Santos tem 102 anos; a Globo, metade.

Internet e outras mídias – A SantosTV tem o maior público entre as TVs de clubes do Brasil. Este é um bom começo. O Santos pode estudar a possibilidade de transmitir jogos pela Internet, começando pelas categorias de base. A mídia social é outro ponto forte da comunicação do Santos. Encaro essas formas de comunicação e transmissão de eventos como métodos de guerrilha que podem contrabalançar o poderio da tevê.

Patrocínio – É a consequência de tudo o que foi dito. Com maior média de público, mais visibilidade, mais sócios e um time mais competitivo, haverá mais empresas interessadas em usar a camisa do Santos como seu veículo de propaganda. Mas é necessário um corpo a corpo mais intenso nessa área.

Fundo musical para ler este texto (a pedido do SDJ):

Bem, citei apenas 10 itens que podem e devem ser melhorados a partir do ano que vem. Por isso, tomo a liberdade de pedir aos santistas que estão pensando em pular fora do barco, ou jogar a toalha, que se segurem mais um pouco, que exerçam plenamente sua condição de torcedor. Algo me diz que a partir de 2015 o Santos não trilhará mais esse caminho instável de sonhos e palavras vazias, mas um caminho sólido em busca de um destino real, que todos nós construiremos juntos.

Você não vai jogar a toalha, vai?