A quem interessa a média de público ridícula do Santos?

No ranking de média de público do Campeonato Brasileiro, o Santos está em 16º lugar, com apenas 9.370 pagantes por partida, atrás até dos regionais Criciúma e Chapecoense.
Pois bem, ontem, sábado, mesmo sem Robinho e contra o lanterna do Campeonato, em um jogo pouco divulgado pela mídia e em que o sócio teve dificuldades para comprar seu ingresso pelo site oficial do clube, 14.205 pagantes foram ao Pacaembu ver Santos 3 x 1 Vitória. Pode parecer pouco, mas foi o maior público do Santos em jogos como mandante neste Brasileiro.
Com Robinho, contra adversários mais fortes, depois de um bom trabalho de divulgação e de uma boa programação de eventos para o público antes e no intervalo das partidas, é óbvio que a média de público do Santos, caso jogue mais vezes no Pacaembu, ficará entre 15 e 20 mil pagantes por partida, o que o colocaria entre o sexto e oitavo colocados deste Brasileiro.
Com um público maior, o Santos faturaria mais, teria mais visibilidade, maior possibilidade de conseguir patrocinadores e teria mais força para negociar uma cota maior com a tevê.
Portanto, é inadmissível que só agora, na esvaziada e última rodada do primeiro turno, o clube tenha marcado um jogo para São Paulo, cidade que concentra o maior número de seus torcedores.
Será que são interesses políticos que impedem o Santos de crescer e o puxam para baixo, com estatísticas piores até do que duas equipes de Santa Catarina? De que adiantou conquistar torcedores no mundo inteiro, fincar sua bandeira na populosa e rica capital de São Paulo, se os dirigentes atuais do clube, e alguns que agora querem retomar o seu controle, pensam pequeno e chamam os que querem o crescimento do Santos de forasteiros?

Foi lindo ver o Santos ganhar do Vitória por 3 a 1, Leandro Damião jogar bem e fazer um gol, David Braz marcar dois, Arouca e Lucas Lima se destacarem no meio-campo e, acima de tudo, constatar, mais uma vez, em meio a milhares de maravilhosas crianças santistas, brancas, negras, de olhinhos puxados, o potencial enorme – e nada explorado – da torcida do Santos no Pacaembu.

Mesmo em um jogo sem nenhum atrativo especial e sem Robinho, o público foi de 14.205 pagantes (além de mais 2.473 não pagantes), o maior do Santos no Campeonato Brasileiro, superando em 1.876 pagantes o badalado duelo contra o Corinthians, na Vila Belmiro, com a presença do ídolo Robinho. E isso com pouquíssima divulgação na mídia e um trabalho muito mal feito do marketing do clube e do seu departamento de sócios.

Estive lá, com a Suzana e meu irmão Marcos, e encontramos muitos amigos aqui do blog. Chequei com eles e realmente a dificuldade para se comprar a entrada pelo site do clube foi enorme. Parece que o site do Sócio Torcedor não faz questão de ensinar o caminho das pedras ao sócio. Aquilo parece um labirinto. Muitos, como eu, mesmo sendo sócios, desistiram e preferiam chegar mais cedo e comprar nas bilheterias do Pacaembu.

Cheguei duas horas e meia mais cedo e fiquei observando o movimento na Praça Charles Miller. Uma infinidade de santistas reunidos sem ter o que fazer. Ora, por que o marketing do clube não cria atividades para as crianças, como montar uma trave e dar brindes às que fizerem gols? Ou trazer personagens da turma do Baleiinha e do Baleião? Por que não estacionar um caminhão com produtos oficiais do clube, ou mesmo aceitar a adesão de novos sócios ali mesmo?

Enfim, é uma pena que o Santos jogue nos finais de semana e à noite, quando parece que os funcionários do marketing do Santos e da produção de eventos estão de folga. Cada jogo com mando do time tem de ser tratado como um evento à parte. Vamos usar a cabeça e trabalhar gente! Quem não é o maior, tem de fazer melhor.

Mal cheguei e alguns colegas do blog reclamaram da mídia, que pouco divulgou o jogo. Eu lhes respondi que não podemos mudar a mídia, não podemos mudar a preferência de cada jornalista esportivo, que tende a puxar a sardinha para o time que torce. Mas podemos fazer a nossa parte, que é divulgar os jogos do Santos pela Internet e comparecer ao estádio.

Quanto à mídia, já falei que é burro todos os veículos falarem dos mesmos times e dividirem a audiência. Dez veículos dividindo o público de um time que tem 50% dos torcedores da cidade, dá a média de 5% para cada um. Se um veículo falar exclusivamente do Santos, garantirá no mínimo 10% de audiência, o dobro dos demais. Mas tem jornalista que não sabe nem o que quer dizer segmentação, quando menos marketing.

O certo é que, como esse humilde blogueiro previa, um jogo que não valia nada, em uma pacata tarde-noite de sábado, diante do último colocado na tabela, deu mais público do que o jogo mais esperado pelo santista, que é o duelo contra o Alvinegro da Capital. Imagine se o clássico tivesse sido jogado no Pacaembu, com 90% de ingressos reservados aos santistas. Faltou visão e coragem para tomar essa iniciativa.

O correto é revezar os mandos de campo entre Pacaembu e Vila Belmiro, e depois de uma temporada analisar para ver o que é melhor para o clube. Eu disse o melhor para o clube, não o melhor para um grupo ou outro. Eu e muitos santistas que encontrei nos recusamos a aceitar para o time que amamos o mesmo destino de Portuguesa Santista e Jabaquara, com todo o respeito que esses dois simpáticos times de Santos merecem.

O jogo

Depois de um primeiro tempo terrível, com muitos chutões de lado a lado, muita marcação e poucas oportunidades de gol, o Santos voltou mais decidido na segunda etapa e em dois escanteios David Braz marcou, de cabeça, a 1 e a 6 minutos. O Vitória diminuiu aos 19 minutos, com Dinei, de cabeça, mas Leandro Damião, aproveitando um rebote do goleiro, fez o terceiro.

Uma vitória justa em um jogo que melhorou muito no segundo tempo. Arouca e Lucas Limas foram os destaques do time. Mas foi empolgante ver a garra de Leandro Damião e a alegria que ele sentiu ao fazer o gol. O Pacaembu reconheceu e gritou os eu nome quando foi substituído por Rildo.

Atuações

Aranha – Sem maiores exigências, não teve culpa no gol. Saiu bem em algumas oportunidades. 7

Cicinho – Ele tem uns reflexos e uma estrutura muscular que dão a impressão de que vai jogar bem, mas nunca joga. Errou até lateral. É um jogador que talvez tenha um bom valor de mercado. Ser´q que um grande europeu não quer? Ele tem um estilo parecido como do Daniel Alves. 3

Edu Dracena – Fez bem a cobertura e foi bem nas bolas altas. Resvalou nas duas bolas que sobraram para os gols de David Braz. 7

David Braz – Teve alguns problemas na marcação e na saída de bola, mas não serei desmancha-prazeres. Pela primeira vez na vida o rapaz fez dois gols. 8

Zé Carlos – Conseguiu participar de algumas boas jogadas de ataque. Tem bom controle de bola. Está mais seguro. 6

Arouca – Está em vários lados do campo, defende, avança, tem ótima margem de acerto nos passes e é o grande ladrão de bolas do Santos. 8

Souza – É limitado, como Alison, mas menos atabalhoado. Lutou, marcou, não comprometeu. 6

Lucas Lima – É quem segura e protege melhor a bola no time. Tem habilidade para o passe e o drible. Só precisa treinar mais arremate. 8

Gabriel – Produziu muito pouco e nas poucas oportunidades que teve preferiu jogar para si mesmo do que para o time. Ficou evidente a falta que lhe faz um pé direito e uma boa técnica da cabeçada. 3

Leandro Damião – Lutou muito e desta vez ganhou várias bolas de cabeça da defesa, dando aquela casquinha para um outro jogador do Santos penetrar. Perdeu gol, mas conseguiu marcar o seu, em um momento de muita alegria no Pacaembu. A torcida reconheceu o seu esforço e chegou a gritar o seu nome. 8

Thiago Ribeiro – Nulo na segunda etapa, melhorou na segunda, mas perdeu um gol e saiu vaiado de campo, para a entrada de Rildo.

Dos jogadores que entraram na segunda etapa – Rildo, Alan Santos e Geuvânio –, só Rildo teve tempo e vontade para fazer alguma coisa boa. Mas mesmo assim o correto é não dar nota para nenhum deles.

Enderson Moreira – Sem tempo para treinar o time, Enderson tinha ensaiado bolas paradas e chutes a gol. Dois dos gols santistas vieram justamente de cabeçadas em escanteios e o terceiro de um chute de Leandro Damião, pupilo de Enderson no juvenil do Internacional. Talvez seja apenas sorte de principiante, mas o homem merece um 7.

Finalmente, fiquei feliz de ver as crianças felizes. Elas são o futuro do Santos e bem que merecem ser olhadas com mais atenção por essa diretoria. Não basta criar uma família de personagens e só oferecer aos pequenos os dois clones murchos da Beleiinha e Baleião. E é muito pouco, quase deprimente, escalar sete cheerleaders para dançar apenas para as numeradas onde estão os sócios. O ideal seria dançar também diante das arquibancadas, que estavam lotadas.

Pensem mais, trabalhem mais amigos do marketing santista. E não tirem folga nos jogos do Santos, por favor. Um clube de futebol não é órgão público, exige trabalho em dias e horários não comerciais. Usem os mandos de campo do Santos para transformar cada partida em um evento especial. Do contrário, o ostracismo e a falência nos esperarão.

Santos 3 x 1 Vitória
Pacaembu, 06/09/2014, último rodada do Primeiro Turno do Campeonato Brasileiro
Público: 14.205 pagantes mais 2.473 não pagantes. Total: 16.678 pessoas.
Renda: R$ 273.930,00
Santos: Aranha, Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Zé Carlos; Arouca, Souza e Lucas Lima; Gabriel (Alan Santos) Leandro Damião (Geuvânio) e Thiago Ribeiro (Rildo). Técnico: Enderson Moreira.
Vitória: Fernández, Nino Paraíba, Ednei, Luiz Gustavo e Juan; Neto Coruja e Richarlyson (Guillermo Beltran); Willie, Marcinhoe Caio (Luís Aguiar) e Dinei (Vinícius). Técnico: Ney Franco.
Gols: David Braz, a 1 e aos 6; Dinei, aos 19, e Leandro Damião aos 29 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Felipe Gomes da Silva (PR), auxiliado por
Bruno Boschilia (PR) e Rafael Trombeta (PR).
Cartões amarelos: Edu Dracena (Santos), Matheus Salustiano, Luiz Gustavo, Ednei, Juan, Fernandez e Nino Paraíba (Vitória).

E você, o que achou do jogo e do público no Pacaembu?