O Santos será hoje, contra o Palmeiras, em um Pacaembu com mais de 30 mil pessoas, quase o mesmo time que goleou o Botafogo na quinta-feira. As únicas duas alterações são a saída de Rildo para a volta do ídolo Robinho, e a entrada de Victor Ferraz no lugar de Cicinho, suspenso. No papel o time tem toda a possibilidade de vencer e continuar sonhando com uma vaga para a Libertadores de 2015, mas há um adversário motivado do outro lado.

Depois de frequentador assíduo da zona de rebaixamento, o Palmeiras faz um segundo turno tão bom quanto o Santos. Com a volta do goleiro Fernando Prass e do atacante Valdívia, além do oportunismo do atacante Henrique, o time voltou a vencer e já se afasta rapidamente das últimas posições. Em pouco tempo o técnico Dorival Junior conseguiu alterar o destino que se descortinava para o alviverde comandado pelo argentino Gareca.

É inacreditável que a tevê não transmita para São Paulo este que é um dos clássicos mais tradicionais do nosso futebol. Ao invés de se aproveitar da paixão regional que move o futebol, a Globo tenta impor uma geopolítica nacional que dá certo nos países europeus, todos bem menores do que o Brasil, mas não funciona por aqui e é uma das causas da constante queda de audiência do futebol na tevê.

O Santos deverá ser escalado por Enderson Moreira com Vladimir, Victor Ferraz, Edu Dracena, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Geuvânio, Gabriel e Robinho. O Palmeiras, de Dorival Junior, que terá todos os seus titulares em campo, jogará com Fernando Prass, João Pedro, Lúcio, Tobio e Juninho; Victor Luis, Marcelo Oliveira, Wesley e Valdívia; Cristaldo e Henrique.

Espero um jogo equilibrado, e com gols. O entendimento entre Lucas Lima e Robinho, com o apoio de Mena, será importante para chegar ao gol de Fernando Prass explorando o setor esquerdo do ataque santista. Não sei como Victor Ferraz se sairá, mas garanto que está tendo uma grande oportunidade de mostrar que pode ser o titular, pois Cicinho é muito inseguro. Quando apoiar o ataque, Victor terá Gabriel e Geuvânio para fazer as jogadas.

As outras armas que o Santos tem para chegar ao gol palmeirense são as penetrações de Arouca, que às vezes se reveza com Lucas Lima, e as cabeçadas de Edu Dracena e David Braz nas chamadas bolas paradas. Com quatro gols nos últimos três jogos que o Santos fez neste estádio, David Braz, o Mister Pacaembu, deve requerer cuidados especiais. Lúcio deverá ser escolhido para saltar com ele.

Torço para que a defesa do Santos se mostre mais firme, pois contra o Botafogo o setor permitiu ao menos três chances claras de gol ao adversário. Hoje, se isso acontecer de novo, dificilmente o ataque do Palmeiras passará em branco. Edu Dracena às vezes some do jogo e Mena tem dificuldade para encontrar o tempo certo de dar o bote. Contra o Botafogo, o chileno foi driblado inúmeras vezes.

Lembra dessa virada? É sempre bom rever:

Palmeiras é o aliado natural do Santos na capital

Rivalidade à parte, o Palmeiras é o parceiro natural do Santos em São Paulo, clube com o qual a diretoria do Alvinegro Praiano Santos deveria estreitar as relações. Tanto na luta pela rediscussão da divisão de cotas da tevê, como nas propostas para alterar a Lei do Passe, dando mais benefícios ao clube formador, vejo o Palmeiras como um aliado natural do Santos, ao contrário dos outros dois grandes da capital.

Alguns encontros com a Rede Globo tornaram o São Paulo um “quase privilegiado”, com mais jogos transmitidos e a promessa de uma cota maior. O Corinthians já tinha se desgarrado de seus coirmãos paulistas em busca de mais e mais dinheiro. De um bloco que poderia muito forte, os grandes de São Paulo se viram desmantelados pelo interesse e pela intervenção maquiavélica da tevê.

Em 2004, quando ouvi de Mauro Naves que o Santos já era o segundo time paulista de maior audiência na Globo, fez um artigo que gerou a campanha “Ao Santos o que é do Santos” – idealizada por Arnaldo Hase, editor do site Santista Roxo. Na mesma época, o presidente do clube, Marcelo Teixeira, passou a insistir com ao Clube dos Treze para que a cota do Santos fosse revista.

Houve uma eleição e, não fosse o voto favorável de Mustafá Contursi, presidente do Palmeiras, o Santos não teria subido para sexto lugar no ranking dos que mais recebiam da tevê. Se dependesse do apoio de seus outros coirmãos paulistas, o pedido do Alvinegro Praiano teria sido rejeitado.

A harmonia entre os dois clubes é antiga. Também foi do Palmeiras o primeiro telegrama de congratulações que o Santos recebeu ao se tornar campeão mundial, em 1962. Dois dos maiores clubes brasileiros de 1958 a 1970, era de ouro do nosso futebol, Santos e Palmeiras protagonizaram clássicos inesquecíveis – como aqueles 7 a 6, neste mesmo Pacaembu – e solidificaram uma relação de admiração e respeito mútuos.

Uma ação imediata para o presidente do Santos que será eleito em 6 de dezembro será estreitar os bons laços de amizade com o Palmeiras e, juntos, traçarem planos que os mantenham entre os grandes do futebol, símbolos da luta contra a tentativa de espanholização arquitetada pela Rede Globo e seguida apenas pelos clubes que comem na mão desta emissora.

Hoje, para todo o Brasil, o jogo do queridinho falido

Mesmo com o clássico Palmeiras x Santos à sua disposição, e também com o jogo do Internacional contra o Corinthians, a Rede Globo continuará seguindo a sua cartilha da espanholização e passará para todo o Brasil a partida menor entre Atlético Paranaense e Flamengo. Faz parte de sua estratégia inverter os valores, ignorar a meritocracia e impor o populismo e o mau gosto à população brasileira. E depois os executivos da Globo reclamam da queda de audiência. Como preferir um jogo de pior nível técnico, sem tradição e entre dois times que fogem do rebaixamento, a um dos maiores clássicos do futebol brasileiro, e ao jogo em Porto Alegre, que reúne duas equipes que ainda lutam por algo maior no campeonato? Absurdo total! Incrível como os clubes não protestam contra esse monopólio da Globo.

O artigo de um palmeirense que pensa como nós

E você, o que espera do grande clássico deste domingo?