Calçadas, ou armadilhas? Artigo atual da página Etc

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Ao contrário do que disseram Vanderlei Luxemburgo e Leonardo Moura, o Santos jogou melhor do que o Flamengo, no Maracanã – por ter feito um gol, criado mais algumas oportunidades e ao mesmo tempo ter permitido muito pouco ao ataque do Flamengo. O Alvinegro Praiano desta vez jogou fora de casa determinado a vencer, mostrou qualidades, atitude, e conseguiu seu objetivo. Enfim, uma vitória a ser valorizada. Ponto.

O jogo foi decidido em jogada de craque de Geuvânio, que aos 23 minutos do primeiro tempo aplicou uma meia-lua no marcador e rolou para Robinho marcar um gol bonito e inanulável. Sim, porque se fosse possível anular, sei não se o juizão Marielson Alves Silva, da Bahia, deixaria passar.

Mas é claro que o Santos não ganhou apenas por esta jogada. Sem Lucas Lima, mas com Alison, Arouca e Alan Santos, o time teve um meio-campo mais sólido e marcador, que não deu espaço e nem tranquilidade para as jogadas do adversário. No ataque, Enderson Moreira preferiu manter Leandro Damião no banco e escalou os lépidos Geuvânio, Robinho e Gabriel, que se deslocavam para confundir a defesa do Flamengo quando tinham a bola, e depois fechavam para dar o primeiro combate quando a perdiam.

Na defesa, gostei do goleiro Vladimir, que fez a melhor partida com a camisa do Santos, e de Edu Dracena. Com o reforço do meio-campo, que jogou com três volantes, e a sábia decisão do zagueiro capitão de não abandonar a área, ele não precisou apostar corrida com os atacantes adversários e se saiu muito bem jogando na sobra. O ponto fraco foi, novamente, Cicinho, que é driblado mesmo nos espaços mais exíguos do campo.

Sem pressão, já que agora o craque do time é Robinho, Geuvânio tem jogado mais solto e se destacado. Gabriel também está melhorando aos poucos. Enderson Moreira está tendo coragem de fazer o óbvio. Leandro Damião e Thiago Ribeiro não merecem mesmo serem titulares. Que agora quem comprou o passe de Leandro Damião trate de vendê-lo (pelo mesmo valor que foi pago é impossível, pois não há no planeta clube com “especialistas” em futebol tão cegos como neste Santos, mas que se assuma algum prejuízo antes que este seja ainda maior).

Vitória dá esperança…

Nem vou dizer aonde o Santos pode chegar se continuar assim, pois gato escaldado tem medo de água fria, mas todos sabemos que se continuar jogando dessa maneira, o time poderá brigar por algo melhor do que terminar o campeonato no meio da tabela. Tenho gostado da postura do técnico, que mesmo depois do triunfo destacava que é preciso uma sequência de vitórias para se conseguir alguma coisa a mais neste Brasileiro.

Os próximos jogos do Santos serão contra o Bahia, quinta-feira, às 19h30, marcado para a Vila Belmiro (olha aí a chance de se ter um grande público na Vila!), e diante do Criciúma, domingo, às 18h30, em Criciúma. Serão confrontos contra dois adversários movidos pela motivação desesperada da fuga do rebaixamento. Time por time, o Santos poderá vencer ambos, mas em campo haverá muita luta, muita entrega, o que exigirá, acima de tudo, calma e inteligência para se obter um bom resultado.

Assim como é obrigatório respeitar mesmo os adversários que estão no fim da tabela, é aconselhável reconhecer a vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, como um passo importante para mudar o destino do Santos na competição. Não só porque o triunfo quebrou uma escrita de quatro meses sem vencer fora de casa neste Brasileiro, como pela sabida dificuldade de se bater este adversário diante de sua torcida.

Já li comentários de que o Santos não fez grande coisa, pois o Flamengo é um time ruim. Ora, esse mesmo time ganhou de Corinthians e Atlético Mineiro. E, como eu já prevenia, não é só o futebol que resolve quando se vai ao Rio jogar contra o Flamengo. Sempre ocorrem coisas estranhas para atrapalhar o time adversário. Por exemplo:

Aos 14 minutos do segundo tempo, Geuvânio ia aparecer livre na frente do goleiro quando foi tocado na grande área e caiu. O próprio Edinho, comentarista do Sportv, achou pênalti. E ainda teve a cotovelada de Chicão em Geuvânio, que não resultou nem em falta, muito menos em cartão amarelo. Houve também uma falta não marcada em Arouca, já nos acréscimos. Caso marcada, o jogo terminaria ali, pois o tempo já se extinguia.

Por falar em acréscimos, o árbitro só costuma dar cinco minutos quando o time da casa está perdendo. Também achei preciosismo demais o cartão amarelo para o goleiro Vladimir por cera na hora de cobrar o tiro de meta. Já vi goleiro demorar muito mais e ficar por isso mesmo. Por fim, o caso inexplicável da troca de uniforme do Santos no segundo tempo…

Como bem disse Paulo Vinícius Coelho, da Espn, o Santos usou no primeiro tempo o mesmo uniforme que o Botafogo de Garrincha usava quando enfrentava o Flamengo. Por que, então, teve de mudar o uniforme na segunda etapa? Se o árbitro disse que por ele estava bem, quem pressionou para que houvesse a mudança? Para mim, foi mais uma manobra para desestabilizar o time, que terminou a primeira etapa com a vantagem que levaria até o final.

Público evidencia a popularidade do Santos – e de Robinho – no Rio

Um outro detalhe que provavelmente passou despercebido de muitos é que o público no Maracanã foi de 37.204 pagantes, quase cinco mil pagantes a mais do que os 32.400 que assistiram à vitória do Flamengo sobre o Corinthians, por 1 a 0, no mesmo estádio, no domingo, 14 de setembro. E isso, apesar da maior divulgação que o jogo dos queridinhos teve. Aliás, Flamengo e Santos, fizeram o jogo de maior público na história dos Campeonatos Brasileiros, em 1983, quando 155.523 pessoas estiveram no Maracanã na segunda partida da final do Campeonato Brasileiro de 1983.

Flamengo 0 x 1 Santos – Ficha técnica

Maracanã, 4 de outubro de 2014, sábado, às 16h20
Público: 37.204 pagantes. Renda: 1.340.195,00
Flamengo: Paulo Victor, Leonardo Moura, Wallace, Samir e João Paulo; Victor Cáceres (Luiz Antônio), Márcio Araújo, Héctor Canteros (Elton) e Everton; Gabriel (Eduardo da Silva) e Alecsandro. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Santos: Vladimir, Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Robinho (Neto), Geuvânio (Patito Rodríguez) e Gabriel (Rildo). Técnico: Enderson Moreira.
Gol: Robinho, aos 23 minutos do primeiro tempo.
Arbitragem: Marielson Alves Silva (BA), auxiliado por Alessandro Rocha de Matos (Fifa-BA) e Luiz Carlos Silva Teixeira (BA).
Cartões Amarelos: Cáceres, Gabriel, Canteros (Flamengo); Vladimir e Alison (Santos).
Incidente: Santos teve de trocar o uniforme no segundo tempo e passou a usar o seu tradicional fardamento todo branco.

E você, acha que agora vai, ou é melhor esperar mais um pouco?