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Em 27 jogos, Criciúma tinha marcado apenas 16 gols. Contra o Santos, marcou três, quase 20% de todos que tinha feito.

Aconteceu o que todo santista tem medo que aconteça quando o Santos está perto de lutar por uma vaga no G4 e vai jogar fora de casa contra um time considerado mais fraco e, de preferência, na zona de rebaixamento: toma um ou dois gols bobos, tenta reagir, acaba tomando mais um ou dois no contra-ataque e sai de campo com um ar blasé de quem não está nem aí.

Enquanto o Criciúma lutou como um leão, ou um tigre, para vencer por 3 a 0 e se afastar no rebaixamento, o Santos, como eu temia, entrou com o pé mole. Pé e cabeça. Pois tomar dois gols de escanteio, aos 16 e 22 minutos do primeiro tempo, é de doer. O primeiro, de Jailson, na primeira trave; o segundo de Rodrigo Souza, que teve até de se abaixar para cabecear além da marca do pênalti. Dois erros inadmissíveis.

“Está tudo errado!”, gritou Enderson Moreira depois do segundo gol, deixando claro que os jogadores não tinham se colocado nas posições treinadas por ele no caso de escanteio contra. Espero que ele descubra quem errou e corrija isso, pois não é de hoje que o Santos toma gols assim. Enquanto isso, a atitude da defesa do Criciúma foi outra, mais esperta, mais ágil, mais determinada, e pouco permitiu aos santistas, apesar de o Alvinegro Praiano ter tido mais escanteios e faltas próximas à área.

No segundo tempo, o Criciúma se segurou atrás e esperou pela oportunidade de matar o jogo, que surgiu aos 15 minutos do segundo tempo, premiando a garra e a categoria de Lucca. Aliás, quem é Lucca? Não sei. Quem é Jailson? Não sei. Quem é esse ótimo goleiro Bruno, o destaque do jogo? Não sei. Quem é este técnico Gilmar Del Pozzo? Não sei. Qual é a folha salarial do Criciúma? Não sei. Só sei que neste domingo deram um chocolate no Santos.

Jogasse no Santos, eu sentiria vergonha de perder um jogo desses, justamente na hora de vencer e ficar a dois pontos, ou uma rodada, do G4. Depois de derrotar Botafogo e Flamengo, no Rio, levar um vareio desses em Criciúma é de amargar. Faltou a consciência da importância do jogo. Não é porque o estádio é menor e o adversário não é tão famoso que a partida é menos importante. Faltou maturidade ao time.

Fico aqui pensando o que faz o Santos cair tanto quando joga longe de sua torcida. As dimensões do Heriberto Hülse e da Vila Belmiro são similares. O problema é a gritaria da torcida adversária? Ou a disposição maior do oponente? Bem, é evidente que se trata de um problema psicológico, obviamente aliado ao tático. O time entra precavido, sem a adrenalina necessária para buscar a vitória, o que não ocorre quando joga impulsionado pelos gritos de seus fãs.

Mas, erros do Santos à parte, não se pode esquecer os méritos do time catarinense, que mesmo sem grandes jogadores e com claras deficiências técnicas, foi melhor do que o Santos e mereceu a vitória. Em alguns momentos, pareceu que o time que lutava por uma vaga na Libertadores era o Criciúma, enquanto o Santos era o lanterninha. Enfim, mais um domingo para o santista esquecer.

Os desafios de Enderson Moreira

O jogo mostrou que, entra técnico, sai técnico, o Santos continua com os mesmos problemas no Campeonato Brasileiro – ao menos de 2008 para cá –, principalmente quando joga fora de casa e contra equipes tecnicamente inferiores. O time não se empenha como o adversário e acaba perdendo bisonhamente, sem demonstrar aplicação, determinação ou espírito de luta.

A coragem de firmar o garoto Caju na lateral-esquerda está se mostrando elogiável, assim como a fixação de David Braz na zaga. Porém, é evidente que Enderson ainda precisa mexer em outras posições para ter um time totalmente comprometido com a vitória.

Alguns jogadores do Santos já entram em campo com o freio de mão puxado, principalmente em jogos fora de casa. Sabem que o torcedor engole com mais facilidade as derrotas no campo do adversário e não se empenham suficientemente para mudar a sorte do time – que não demonstra o mínimo poder de reação quando atua longe de seus torcedores.

Aos 22 minutos do primeiro tempo, com 2 a 0 contra, não sei o que se passava na cabeça de Enderson Moreira, mas todo santista já sabia que a vaca tinha ido pro brejo. Depois veríamos algumas escaramuças, alguma correria, mas a sorte do time já estava traçada. Curiosamente, ganhar o jogo e aproximar-se do G4 seria muito bom para o torcedor, mas aumentaria a pressão em cima dos jogadores. Com a derrota, muitos torcedores ficarão satisfeitos com a distância do time para a zona de rebaixamento e não cobrarão mais uma melhor posição da equipe no campeonato, o que tornará a vida dos jogadores mais cômoda.

No ano passado foi assim: o Santos deslanchou quando não tinha mais chance de se classificar para a Libertadores, lembra? Até jogo no Serra Dourada, contra o temido Goiás, ele ganhou. Agora, quando vem de quatro vitórias, somando-se Brasileiro e Copa do Brasil, perde desse jeito para o Criciúma… Sei não, mas no mínimo o time precisa de um bom psicólogo. Não dá para conseguir nada no futebol, ou em qualquer esporte, se não se consegue lidar com a pressão. Ou, como diria o Analista de Bagé, se não se tem culhões.

Atuações dos jogadores e do técnico do Santos

Vladimir – Uma boa defesa, no começo do jogo, mas depois deixou passar três gols. No terceiro, falhou ao não espalmar para escanteio. 4.

Cicinho – Ciscou, ciscou, e pouco produziu de prático. Não marca e nem apoia com eficiência. Levou o amarelo e não enfrentará o Palmeiras, no próximo fim de semana. 2.

Edu Dracena – Como capitão e zagueiro veterano, deveria ter orientado melhor a defesa nos escanteios. Ficou tanto na sobra que sumiu do jogo. 2.

David Braz – Teve sua parcela de culpa na falha coletiva dos dois gols de escanteio, mas se empenhou e ainda quase faz um gol no final. 5.

Caju – O mais jovem da defesa foi o mais regular. Teve duas pequenas falhas no segundo tempo, mas no todo mostrou personalidade e garra. Pouco permitiu do seu lado. 5.

Arouca – Desta vez não mostrou a mesma segurança e eficiência de outras partidas. 5.

Souza – Regular. Aventurou-se um pouco mais ao ataque e cobrou uma falta com força, bem defendida por Bruno. 5.

Leandrinho – O jogo era um rocky pauleira e ele estava dançando uma valsa. Perdeu outra chance de se firmar no time. Marcou e apoiou mal. 3.

Renato – Entrou no lugar de Leandrinho e melhorou o meio de campo. 4.

Lucas Lima – Desta vez, bem marcado, produziu menos e errou mais. Ainda assim produziu algumas boas jogadas. 5.

Rildo – Entrou no lugar de Lucas Lima, mas só jogou cinco minutos. Sem nota.

Geuvânio – É enrolado, segura a bola, perde gol, mas mesmo assim foi o atacante mais perigoso do Santos. 6.

Leandro Damião – Lutou, se esforçou, mas pouco produziu de prático. 3.

Patito – Como Damião, a quem substituiu, lutou, se esforçou, mas pouco produziu de prático. 3.

Enderson Moreira – Fez certo de entrar no 4-4-2. Não teve culpa se os jogadores não cumpriram o que foi ensaiado nos casos de escanteios para o adversário. Começar com Leandrinho foi uma boa tentativa, mas o garoto se inibiu e pouco fez. Renato entrou bem e deve ter outras oportunidades. Hoje, nem o Pep Guardiola faria melhor. 5.

Ficha técnica

Criciúma 3 x 0 Santos – 12/10/2014, às 18h30
Estádio Heriberto Hülse, Criciúma (SC)
Público: 9.276 total. Renda: R$ 119.875,00.
Criciúma: Bruno, Eduardo, Joílson, Ronaldo Alves e Giovanni; Rodrigo Souza, João Vitor (Serginho) e Cléber Santana; Lucca (Ricardinho), Bruno Lopes (Gustavo) e Souza. Técnico: Gilmar Dal Pozzo.
Santos: Vladimir, Cicinho, David Braz, Edu Dracena e Caju; Souza, Leandrinho (Renato), Arouca e Lucas Lima (Rildo); Geuvânio e Leandro Damião (Patito Rodríguez). Técnico: Enderson Moreira.
Gols: Joílson, aos 16min, e Rodrigo Souza aos 22 do 1º tempo. Lucca, aos 15min do segundo tempo.
Arbitragem: Pericles Bassols Pegado Cortez (RJ-FIFA), auxiliado por
Rodrigo Pereira Joia (RJ-FIFA) e Luiz Claudio Regazone (RJ-ASP-FIFA).
Cartões Amarelos: Cléber Santana, João Vitor, Ronaldo Alves e Rodrigo Souza (Criciúma). Cicinho (Santos).

E você, o que achou da derrota do Santos para o Criciúma?