“Quem joga melhor, tem de ganhar mais” – Minha coluna desta sexta-feira no Metro Jornal

http://youtu.be/MWF-zOZBe5A

Logo ao chegar era possível sentir o clima alegre, eletrizante, que permeava o Pacaembu. A temperatura, amena, se tornava ótima para um jogo de futebol. Lá estavam os amigos santistas, os conselheiros Oliverio e Reinaldo, o Márcio; o Iai, primo da Suzana, e seu filho Bernardo, os amigos da Torcida Jovem, como o Amilton… Havia um clima de euforia no ar. Parece que o torcedor percebe quando o seu time vai jogar bem.

Entramos 20 minutos antes de o jogo começar – eu, a Suzana e meu irmão Marcos – e nos sentamos nas arquibancadas verdes (uma parte do estádio ao à direita de onde fica a Torcida Jovem). Começamos a fazer o cálculo do público. Do jeito que estava, o Marcos calculava umas 14 mil pessoas. Mas os torcedores continuaram entrando pelo portão principal até quase o fim do primeiro tempo. Comparamos com o público que foi ver os 3 a 1 contra o Vitória e chegamos à conclusão de que havia de 18 a 20 mil pessoas no estádio.

Ao começar a partida, sentimos o entusiasmo enlouquecido da torcida. Os gritos da Jovem eram logo incorporados por todo o Pacaembu. Em nove minutos já estava 2 a 0, depois de uma arrancada perfeita pela esquerda, de Mena, concluída por Gabriel, e, alguns minutos depois, de mais um gol de cabeça de David Braz, o Mister Pacaembu.

Mas a apreensão só foi totalmente exorcizada quando Lucas Lima pegou a bola em um contra-ataque, aos 36 minutos, veio sozinho desde o meio-campo, teve calma para driblar o goleiro, marcar o terceiro e correr para os alambrados. No panorama atual do futebol brasileiro, LL tem de ser considerado craque. Se jogasse nos queridinhos da mídia, já estava sendo capa de jornal e requisitado para a Seleção Brasileira.

Com 3 a 0 deu para perceber que o Santos tirou o pé. A torcida começou a ensaiar um olé ainda no primeiro tempo. A inexperiente defesa do Botafogo marcava em linha. Era como se o ataque do Santos fosse a faca quente e a defesa botafoguense, a manteiga. Mesmo assim, as chances se sucediam. Caso aproveitasse todas elas, o Santos já iria para o segundo tempo com uma vantagem de 6 ou 7 a 0.

Na segunda etapa, mesmo diminuindo sensivelmente o ritmo, o Alvinegro Praiano chegou ao quarto, com o Mister Pacaembu, e ao quinto, com Geuvânio. Ainda havia metade do segundo tempo para ser jogada e o Botafogo estava entregue, mas o Santos, respeitosamente, deixou de atacar com tanta vontade. A sacanagem de 1995 estava mais do que vingada. O placar era o mesmo da final da Taça Brasil de 1962, quando, do outro lado, havia um time com Garrincha e Nilton Santos. O Santos mostrou que dará trabalho ao Cruzeiro na semifinal.

“Esqueceram” quatro mil pessoas

O público não foi este divulgado. No mínimo “deixaram de contar” quatro mil pessoas. Parece que esse negócio de enxugar os públicos do Santos tem sido uma constante. É preciso que se investigue melhor esse fenômeno. Talvez não houvesse 20 mil pessoas no Pacaembu. Mas 14 mil é sacanagem.

Para quem assiste pela tevê, a imagem geral do estádio fica prejudicada, pois as câmeras dificilmente mostram as áreas do Pacaembu que ficam mais cheias. Com esta arte da Folha Online eu poderei explicar melhor. Veja:

pacaembu

Sabendo-se que a capacidade do Pacaembu é de 40.199 pessoas e que as arquibancadas verde e amarela, que estavam lotadas, representam, no mínimo, 25% do estádio, já teríamos aí 10 mil pessoas. Como no restante do Pacaembu a torcida do Santos ocupava cerca de 1/3 das dependências, teríamos mais 10 mil, o que somaria um público de 20 mil pessoas. Mesmo admitindo uma margem de erro de 10%, ainda teríamos 18 mil pessoas.

Ataque sobra, defesa preocupa

Como o santista, ao menos deste blog, está careca de saber, o time sem Leandro Damião e Thiago Ribeiro costuma render mais. Nem mesmo a ausência de Robinho foi muito sentida, já que Gabriel, Geuvânio e Rildo meteram uma correria imparável pra cima da desajustada defesa botafoguense. Com Lucas Lima, e até Arouca,enfiando as bolas, virou covardia. Se o time quisesse, ontem era dia para enfiar 10 no grande alvinegro carioca.

Porém, mesmo em um jogo de forças tão díspares, a defesa do Santos conseguiu bater cabeça e permitir boas chances aos adversários. O problema maior do time está nas laterais. Cicinho e Mena conseguem ser driblados por qualquer atacante. Se ainda quer fazer bons negócios antes do final de sua gestão, essa diretoria poderia vender ou trocar ambos. Caju tem o tempo certo do marcador e não compromete quando avança.

Quanto a Cicinho, não completa uma jogada de ataque e precisa sempre de um ou dois para ajudá-lo na marcação. Distraído, deixa suas costas livres para a entrada do time adversário. Sem espírito de equipe, quis fazer cera, sentando-se no gramado, e teve de sair de campo, deixando o time com um jogador a menos. Enfim, talvez ainda seja o menos ruim da posição, mas positivamente não é jogador para ser titular do Santos.

David Braz, Mister Pacaembu

Alguns leitores brincaram, dizendo que o Santos deveria mandar o Leandro Damião embora e escalar o David Braz como centroavante. Não se pode negar que o rapaz sabe se colocar e tem o tempo certo para as cabeçadas. De um jogador desacreditado, David Braz, com os dois gols que marcou ontem – repetindo a façanha contra o Vitória -, vai se firmando entre os preferidos da torcida.

Geuvânio, Gabriel, Rildo

Jogar futebol não é só correr, ou ter habilidade. É preciso inteligência para perceber o que o jogo, e o time, exigem. Ontem era para se tocar rápido, evitar prender a bola, e chutar a gol com convicção. Os atacantes Geuvânio, Gabriel e Rildo foram ótimos ao avançar em velocidade e abrir espaço na defesa adversária, mas poderiam ter conseguido mais se tivessem chutes mais aprimorados. De qualquer forma, a saída de Rildo, para a entrada de Robinho, deixará o ataque perfeito, diante das opções à mão.

O auge de Lucas Lima e a recuperação de Renato

O Pacaembu reverenciou Lucas Lima quando este foi substituído por Renato. Creio que o meia do Santos vive sua melhor fase na carreira. Sempre segurou bem a bola e agora está aperfeiçoando suas enfiadas no meio da defesa contrária e ainda fazendo gols. Excelente.

Mas quem entrou bem na partida e não deixou a peteca cair foi Renato, ou Renatinho, ídolo de 2002. Com a mesma categoria de sempre, Renato ajudou na marcação e distribuiu o jogo. Está aí mais uma boa opção para Enderson Moreira nesses últimos compromissos do ano.

Arbitragem

Mesmo em um jogo tão simples, Heber Roberto Lopes não tirou 10. Economizou nos cartões, o que poderia ter provocado uma contusão mais séria dos atacantes do Santos, que passaram a ser vítimas de entradas mais duras à medida em que o placar se tornava vexatório para os visitantes.

Vila Belmiro ou Pacaembu? Em que estádio o Santos deve enfrentar o Cruzeiro pela Copa do Brasil? Clique aqui e vote.

Santos 5 x 0 Botafogo – Ficha Técnica

Pacaembu, 16/10/2014, 21h30, quinta-feira
Público: 13.459 pagantes (14.865 total). Renda: Renda: R$ 358.365,00
Santos: Vladimir; Cicinho, David Braz, Edu Dracena (Neto) e Mena; Alison, Arouca (Alan Santos) e Lucas Lima (Renato); Rildo, Geuvânio e Gabriel.
Técnico: Enderson Moreira.
Botafogo: Andrey, Gabriel, Matheus Menezes, Dankler e Guilherme (Sidney); Rodrigo Souto, Mario Bolatti e Cachito Ramírez; Rogério, Yuri Mamute (Zeballos) e Wallyson (Andreazzi). Técnico: Vagner Mancini.
Gols: Gabriel aos cinco minutos, David Braz aos nove e Lucas Lima aos 36 minutos do primeiro tempo; David Braz aos 17 e Geuvânio aos 23 do segundo.
Arbitragem: Heber Roberto Lopes (Fifa-SC), auxiliado por Carlos Berkenbrock (SC) e Cleriston Clay Barreto Rios (Fifa-SE)
Cartões Amarelos: Matheus Menezes e Dankler.
Cartão vermelho: Matheus Menezes.

Hoje, no Memorial das Conquistas, Guarche lança “1955, o começo”

Guarche e Nascimento
Guarche, à esquerda, checando detalhes da história do Santos com o professor Guilherme Nascimento, autor do Almanaque do Santos. Bendito o clube que pode contar com estudiosos desse nível.

Hoje, às 18 horas, durante coquetel no Memorial das Conquistas da Vila Belmiro, meu amigo Guilherme Gomez Guarche lançará o livro “1955, o começo”, contando, jogo a jogo, detalhe por detalhe, a conquista do título estadual que marcou o surgimento do Grande Santos que dominaria o mundo.

Grandes amigos pesquisadores e historiadores do Santos estarão lá. Também estarão os campeões de 1955, Pepe e Carlinhos. Esses momentos são maravilhosos para se aprimorar o conhecimento da riquíssima história do Santos. Bendito o clube que pode contar com tantos estudiosos de sua trajetória como o nosso Santos. Farei tudo para ir, apesar de ter um compromisso profissional em São Paulo que deve se estender à noitinha.

E para você, o que representou esses 5 a 0 sobre o Botafogo?