O presidente que a gente quer (minha coluna de hoje no Metro Jornal)

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Parecia que seria fácil, mas o Santos abusou de perder contra-ataques, vacilou na defesa e quase cedeu o empate no final. De qualquer forma, a vitória sobre o Bahia – por 1 a 0, gol de Leandro Damião, aos 10 minutos do primeiro tempo – faz o Alvinegro Praiano pular para a sétima posição no Campeonato Brasileiro, superando o Fluminense, e mantém a esperança da briga por uma vaga na Copa Libertadores.

O próximo adversário será o aguerrido Criciúma, em Criciúma, às 18h30m de domingo. Correndo sério risco de rebaixamento, o time catarinense luta como um leão quando joga em casa. Mas, caso também lute e faça prevalecer sua um pouco maior categoria, quem sabe o Santos não volte de Santa Catarina ainda mais perto do G4.

Santos 1 x 0 Bahia – lance a lance

Logo no começo do jogo, Patito fez jogada pela esquerda, cruzou e Leandro Damião, de casquinha, cabeceou para abrir o marcador. Santos começou pressionando e até metade do primeiro tempo só não foi perfeito porque não fez mais gols. Alugava meio-campo, criava chances e nada permitia ao Bahia.

Geuvânio já tinha chegado duas vezes à linha de fundo, pela direita, Cicinho tinha chegado mais uma vez, porém o segundo gol não saiu. O Bahia demorou a atacar, mas quando o fez teve a chance mais clara do primeiro tempo: aos 28 minutos, Edu Dracena dividiu mal uma bola na área e ela caiu nos pés de Rafael Miranda, livre, a cerca de um metro da linha do gol. Mas o jogador baiano, por sorte, chutou pra fora.

A partir daí o Santos continuou com mais chances, mas o Bahia também atacava, principalmente pelo seu lado esquerdo, explorando a debilidade de Cicinho naquele setor. De qualquer forma, Leandro Damião e Patito tiveram chances para ampliar antes do fim do primeiro tempo.

A segunda etapa começou com o Santos novamente pressionando em busca do segundo gol. Aos seis minutos Leandro Damião furou feio um cruzamento de Lucas Lima que o deixou na cara do gol. Aos 14 minutos Geuvânio chutou da entrada da área e acertou a trave. Na seqüência, Lucas Lima cruzou de novo e Souza desperdiçou outra boa chance.

Ao mesmo tempo em que perdia contra-ataques, o Santos passou a bobear na defesa. Aos 17 minutos Geuvânio fez falta boba que acabou com um chute na trave de Vladimir. Logo em seguida Enderson Moreira fez a primeira substituição, de Patito por Gabriel.

Dos 21 aos 24 minutos o Santos perdeu contra-ataques consecutivos: um pouco por displicência, um pouco por individualismo. Aos 22min40s eram quatro santistas contra dois do Bahia, mas Gabriel, em vez de passar, tentou o drible e perdeu a bola. Aos 24 minutos o mesmo erro foi cometido por Cicinho.

Aos 25 minutos, Enderson fez a segunda substituição: saiu Leandro Damião, entrou Leandrinho. A ordem era segura rmais a bola no meio-campo. Até ali estava um perde-e-ganha danado, com 50 erros de passes na partida.

Ao se aproximar os 30 minutos era evidente que o Santos teria mais um final sofrido. Os contra-ataques apareciam, mas o time não aproveitava. Enquanto isso, obviamente, o Bahia também buscava o seu gol. Era evidente que Cicinho era o jogador mais nervoso da defesa santista. Aos 28 tentou sair jogando da defesa, perdeu a bola e teve de recorrer á ajuda de Gabriel para parar a jogada. Logo em seguida o técnico santista fez a terceira alteração, colocando Rildo no lugar de Geuvânio.

Aos 35 minutos Gabriel perdeu gol feito, que, provavelmente, “mataria o jogo”. A partir daí, como todo o santista poderia esperar, o Bahia foi pra cima e o Santos passou a tentar segurar a bola e esperar pelo final do jogo.

Aos 43 minutos o técnico do Bahia, Gilson Kleina, foi expulso por reclamação. O árbitro deu quatro minutos de acréscimo e nos três últimos, dos 46 aos 48, o Santos passou sufoco tremendo.

Aos 46 Denerson pegou o rebote de um escanteio e, no lado direito da área, bem próximo ao gol, bateu forte e ganhou novo escanteio. Na cobrança do escanteio, apesar de a área santista estar congestionada, Kieza cabeceou sem marcação e a bola saiu por pouco. Aos 48 minutos Leandrinho fez falta boba e na cobrança Vladimir espalmou e Caju despachou o perigo. Estava em cima da hora quando o Bahia teve mais um escanteio, mas o árbitro Jean Pierre Goncalves Lima (RS-ASP FIFA) terminou o jogo antes da cobrança, provocando reclamações do adversário.

O público foi de 6.148 pagantes. A fase ascendente do Santos e os pedidos para que a torcida comparecesse à Vila Belmiro conseguiram que ao menos os decantados 5.000 de sempre fossem aumentados em 20%. Há um longo trabalho pela frente para fazer o santista de Santos e Baixada Santista comparecer mais ao Urbano Caldeira. Não dá para aceitar uma situação dessas passivamente.

Na Arena Condá, em Chapecó, Santa Catarina, estádio que tem capacidade para 22.600 pessoas, cerca de 21 mil pessoas viram o Chapecó golear o Internacional por 5 a 0 (o público não foi divulgado, mas o estádio estava cheio). Detalhes: a cidade de Chapecó tem 166 mil habitantes e o time estava na zona de rebaixamento. Como explicar que na Vila Belmiro não compareçam nem 1/3 dos que viram o jogo da Chapecoense, se apenas na soma de Santos e a vizinha São Vicente já temos quase 400 mil torcedores do Santos?

Atuações dos jogadores e do técnico do Santos

Vladimir – Não comprometeu, a não ser no último lance do jogo, quando espalmou uma bola na pequena área. 6.

Cicinho – Voltou a ser o ponto fraco da defesa do Santos. E também pouco fez no ataque. 3.

Edu Dracena – Discreto, pouco apareceu. Permitiu algumas chances do Bahia pelo meio da defesa santista. 4.

David Braz – O mais seguro e de mais vitalidade da defesa santista. Recebeu cartão amarelo por discutir com Kieza no fim do primeiro tempo. 7.

Caju – O garoto permitiu bem menos pelo seu lado, do que experiente Cicinho do outro. Tem mais timing para dar o bote e perdeu poucas bolas no ataque. Está se firmando. Mas tenhamos paciência. 6.

Souza – Marcou bem, sem fazer muitas faltas e sem levar amarelo. Mas não criou nada e perdeu um gol. 5.

Arouca – Jogou mais recuado. Pouco se aventurou ao ataque. Começou muito bem e foi caindo, talvez pelo cansaço. 6.

Lucas Lima – Deve ter sido o jogador que mais ficou com a bola no jogo. Sabe prende-la e geralmente dá um bom destino a ela. Deu assistências que só não resultaram em gols por falhas dos atacantes. 7.

Patito – Movimentou-se bem, deu o passe para Damião marcar, mas lhe falta físico para agüentar os trancos e divididas e força para chutar a gol. De qualquer forma, não foi de todo ruim. 5.

Gabriel – Entrou no lugar de Patito e teve meia hora para mostrar que merece ser titular. Não mostrou. Perdeu gol feito, desperdiçou contra-ataque por ser fominha, não conseguiu tabelar e nem chutar a gol. Também pouco ajudou na marcação. 3.

Geuvânio – Começou muito bem, mas foi caindo, caindo, e na metade do segundo tempo parecia ter dado tilt, de tão atrapalhado. 6.

Rildo – Entrou no lugar de Geuvânio e, mesmo brigando com os marcadores e a bola, preocupou a defesa do Bahia e puxou alguns contra-ataques. 5.

Leandro Damião – Fez o gol, participou de outras jogadas de ataque e perdeu um gol na cara de Marcelo Lomba. Pelo empenho merece 6.

Leandrinho – Substituiu Damião. Tocou a bola com calma e chegou a dar duas boas enfiadas. Mas precisa entrar mais ligado. No fim do jogo fez uma falta no ataque, parou e ficou reclamando, quando devia voltar rapidamente para a defesa. Já era para ter amadurecido mais. 5.

Enderson Moreira – Fez o que pode com o elenco que tem. O jogo ficou difícil porque os jogadores foram incompetentes no ataque. Provavelmente falta ensaiar contra-ataques e chutes a gol de fora da área, além do decantado posicionamento em bolas paradas. Colocou Gabriel, Rildo e Leandrinho, jovens e descansados, e mesmo assim o time ainda tomou sufoco do Bahia. Há omeletes que nenhum técnico consegue fazer.

Santos 1 x 0 Bahia

Vila Belmiro, 09/10/2014, 19h30, quinta-feira
Público: 6.148 pagantes. Renda: R$ 142 mil.
Santos: Vladimir, Cicinho, David Braz, Edu Dracena e Caju; Souza, Arouca e Lucas Lima; Patito (Gabriel), Gauvânio (Rildo) e Leandro Damião (Leandrinho). Técnico: Enderson Moreira.
Bahia: Marcelo Lomba, Railan, Lucas Fonseca, Demerson e Pará; Fahel (Diego Macedo), Rafael Miranda, Léo Gago (Marcos Aurélio) e Emanuel Biancucchi; Kieza e William Barbio (Maxi Biancucchi). Técnico: Gilson Kleina.
Gol: Leandro Damião, aos 10 minutos do primeiro tempo.
Arbitragem: Jean Pierre Goncalves Lima (RS-ASP FIFA), auxiliado por
Rafael da Silva Alves (RS-ASP FIFA) e Lucio Beiersdorf Flor (RS-CBF 2)
Cartões amarelos: David Braz (Santos); Kieza (Bahia).

O que você achou do jogo? Jogando assim, dá para ganhar do Criciúma?