José Saramago (16/11/1922, Azinhaga, Portugal – 18/06/2010, Tías, Espanha), único escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, lembra o “detalhe” que falta na democracia dos países (e dos clubes).

Fiquei imaginando como seriam as coisas se o Santos fosse um clube extremamente democrático, a ponto de só tomar decisões que estivessem de acordo com a opinião da grande maioria dos santistas – sócios e torcedores. Haveria interesse em Chiquinho? Provavelmente não, pois já se percebeu que não é um jogador que agrada aos santistas. E os contratos de Renato e Vladimir, seriam renovados? Não! E como seria o time para o Campeonato Paulista? Fácil…

É só pegar a enquete que foi feita neste blog – e que poderia ter sido feita em qualquer blog de santistas, pois o resultado seria o mesmo. O goleiro Gabriel Gasparotto teria a oportunidade de ser titular. A defesa, desde que todos estivessem em plenas condições físicas, seria formada por Daniel Guedes, Gustavo Henrique, Jubal e Caju. O meio-campo teria Alison, Arouca e Lucas Lima, e o ataque seria formado por Gabriel, Robinho e Geuvânio.

Um time de Meninos da Vila recheado por Arouca e Lucas Lima? Sim, este seria o “Santos do Povo” se a vontade do santista prevalecesse. É normal que com os jogos houvesse uma ou outra mudança, talvez com Aranha, em melhor forma, voltando ao gol, ou o veterano Edu Dracena entrando na zaga, mas o certo é que o time de garotos contaria com a paciência e o apoio do torcedor, essenciais em um momento delicado como este.

E se esta mesma vontade popular fosse respeitada no quesito estádio, onde o Santos jogaria? Bem, vamos a outra resposta que não requer prática e nem perfeição…

No mínimo o Santos faria metade de seus jogos na Vila Belmiro, metade no Pacaembu, e no mínimo aumentaria a sua média de público para 12, 14 mil pessoas, o que representaria um aumento aproximado de 50% sobre a média atual.

Um estádio maior comportaria mais associados e o clube poderia incrementar a sua campanha de sócios, pois hoje a Vila não comporta nem um terço dos sócios do Santos. E com mais sócios e mais visibilidade, a possibilidade de conseguir bons patrocinadores aumentaria, claro.

Porém, o que atrairia mesmo mais patrocinadores e mais sócios seria a credibilidade trazida por uma auditoria – outra vontade da maioria dos santistas. Mais do que uma despesa, a auditoria seria um investimento precioso na imagem do clube, hoje tão debilitada.

Ao perceber que o Santos estaria, realmente, adentrando uma nova era – de competência e seriedade –, santistas de todo o país se prontificariam a se associar ao clube, e seriam surpreendidos positivamente com a notícia de que quanto mais longe morassem da Vila Belmiro e do Pacaembu, menos pagariam pelo título de sócio.

E este sócio, obviamente, seria tratado a pão de ló, com muita atenção, pois é o grande tesouro do Santos, a grande herança dos tempos de ouro. Brindes, promoções, revistas, livros, filmes – todo o mês o associado receberia um presente que o ligaria ainda mais ao clube e tornaria o peso do seu pequeno investimento ainda menor.

Haveria enquetes e mais enquetes. Não se tomaria uma decisão importante no clube sem ouvir o sócio. O santista perceberia que suas vontades e opiniões estariam, finalmente, sendo respeitadas, e este círculo virtuoso criaria um clima excitante para os jogos. A equipe teria previsíveis limitações técnicas no começo, mas jamais se ressentiria do apoio de seus apaixonados torcedores.

Um Santos democrático, como o nome diz, seria governado pela vontade da massa santista, e por isso jamais seria abandonado por ela. O papel do presidente do clube e de seus diretores seria o de corrigir a rota de vez em quando, tomando decisões pontuais, que não se chocassem, entretanto, com os anseios da maioria.

Não haveria uma contratação descabida, ou a renovação de contrato de jogadores que já não são considerados suficientemente úteis para o time. A inteligência e a sensibilidade do torcedor governariam o Alvinegro Praiano. E, como já aprendemos, o torcedor, em sua expressão coletiva, é muito mais sensível e inteligente do que qualquer presidente de clube.

E você, o que acharia desse Santos democrático?