O herói Dalmo precisa de nossa força!

O lateral-esquerda Dalmo Gaspar, herói da conquista do bicampeonato mundial do Santos, em 1963, ao marcar o gol da vitória na terceira partida contra o Milan, está sofrendo do Mal de Alzheimer e não tem recursos para se tratar da doença – a ponto de ter colocado à venda a medalha que recebeu pela histórica conquista.

Nascido em Jundiaí, em 19 de outubro de 1932, Dalmo fez 369 jogos e marcou quatro gols pelo Santos. Jogador discreto, mas firme e experiente, fez parte do Time dos Sonhos, formado por Gylmar, Lima, mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

Nota da Associação de Veteranos do Santos

A Associação dos Veteranos do Santos FC iniciou uma campanha em prol do nosso associado Dalmo Gaspar, que se encontra hospitalizado, necessitando de ajuda financeira. Para isso, iremos sortear uma camisa autografada do Santos FC no final de fevereiro.

Até lá, você poderá ajudar depositando na conta abaixo qualquer valor. Depois de ajudar, você precisa enviar um e-mail para santosfc-masters@hotmail.com e receberá, em seguida, alguns números para participar do sorteio, por meio da Loteria Federal.

Segue os dados:

• Banco Santander (033)
• Agência: 0040
• Conta-corrente: 01-002507-3
• Favorecido: Dalmo Gaspar e/ou Ana Paula Gaspar
• CPF: 131.134.968-53

Saiba mais: http://www.veteranosdosantosfc.com.br/ftp/dalmo3.pdf

Minha coluna no Metro: “Salários menores ou a morte”

120 milhões de reais é só a dívida de caixa

Com voz pausada, semblante triste e preocupado, o presidente Modesto Roma, para dar uma satisfação aos conselheiros e jornalistas presentes, revelou que 120 milhões de reais é apenas a dívida de caixa do Santos, ou seja, de pagamentos que precisam ser feitos urgentemente. A gestão anterior, presidida por Odílio Rodrigues, escondeu até o último momento a situação calamitosa das finanças do clube, que jamais estiveram tão mal. Roma garantiu que a auditoria começou a ser feita para apurar as responsabilidades pela tragédia.

Amigos, gostaria de trazer boas notícias da reunião do Conselho Deliberativo ocorrida ontem, na Vila Belmiro, mas, apesar da gana, da esperança e do amor pelo Santos que demonstram, os ilustres conselheiros me fizeram lembrar aqueles bombeiros escalados para apagar o fogo nos andares altos do World Trade Center. É preciso enfrentar a situação de peito aberto, mas as perspectivas de que o Santos se reequilibre neste ano são remotas.

Fiquei sabendo de muitas outras dívidas que foram deixadas por Odílio & Cia para estourar na gestão seguinte. Ao mesmo tempo em que dizia que a situação estava sob controle, o presidente amontoava os boletos para o seu sucessor. Além dos salários de jogadores e funcionários do clube, muitas outras contas foram penduradas, como os anúncios do Sócio Rei veiculados na imprensa de Santos e os pagamentos da empresa responsável pela manutenção do gramado da Vila Belmiro.

Fotos feitas pelo Rachid mostram um gramado depauperado, cheio de falhas, e é sobre ele que o Santos, finalista das últimas seis edições, mandará seus jogos neste Paulista. Enfim, o quadro é tão preocupante que considero vital a auditoria e a apuração das responsabilidades. Chega de empurrar com a barriga – como ocorreu, aliás, com o caso Rodrigo Tabata na gestão de Marcelo Teixeira.

O absurdo valor de 42 milhões de reais pagos pelo passe de Leandro Damião e a forma como essa dinheirama foi conseguida – por meio de um empréstimo, em euros, com juros de 1% ao mês – foi o assunto mais comentado. Creio que todos os envolvidos neste negócio deveriam ser ouvidos. Há uma grande desconfiança sobre o real destino deste dinheiro, algo que só poderá ser esclarecido após profundas investigações.

O clima de revolta atingiu tal proporção que, inflamado, o delegado Nico fez uso da palavra e prometeu que, se forem comprovadas ações criminosas na compra do passe de Damião, ou de outros jogadores, ele fará questão de, pessoalmente, encaminhar os envolvidos para a cadeia.

Como prometi, inscrevi-me para falar e, segundo a ser chamado ao púlpito, toquei em assuntos discutidos aqui neste blog. Citei o caso da semifinal da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro, em que os jogadores do Santos, consultados pela diretoria, optaram por jogar na Vila Belmiro, com grandes prejuízos financeiros ao clube em uma época na qual, certamente, as finanças já estavam combalidas.

Ressaltei que a obrigação de escolher os estádios para se jogar é da presidência e da diretoria, não dos jogadores. Muitos deles, aliás, que escolheram a Vila, agora devem estar recorrendo à Justiça em busca de seus salários atrasados. Votaram em uma opção que deu grande prejuízo ao clube, mas, obviamente, não abrem mão de receber em dia (destaquei que enquanto Santos 3 x 3 Cruzeiro deu 444 mil reais de renda na Vila, no Mineirão Atlético 4 x 1 Flamengo alcançou 6,6 milhões).

Lembrei que esta gestão, de Modesto Roma, escolheu mandar todos os jogos no Campeonato Paulista na mesma Vila Belmiro que deu ao clube a vexatória última colocação em média de público na Série A do Campeonato Brasileiro do ano passado, com 9 mil pagantes. Esta informação teve uma resposta imediata do presidente, que justificou a tabela do Paulista pelas dificuldades impostas pela Polícia Militar de São Paulo, incapaz de manter a segurança na Capital em dias de mais de um jogo de time grande na cidade.

Roma também garantiu que o Santos deverá realizar ao menos dois jogos em estádios do Interior do Estado. São José do Rio Perto deverá ser uma das sedes. Espirituoso, lembrou que o hino oficial do Santos fala em “nascer, viver e no Santos morrer”, mas que o outro hino do clube, consagrado pelo uso popular, diz que o time será o “Leão do Mar” dentro ou fora do Alçapão (uma curiosidade é que o hino oficial do clube, “Sou Alvinegro da Vila Belmiro”, composto em 1957, é de autoria de Carlos Henrique Paganetto Roma, irmão do presidente Modesto Roma. Carlos Henrique faleceu em agosto de 1983, aos 47 anos).

Por fim, como percebi, pelos comentários e manifestações ao meu redor, que havia uma tendência de se valorizar o santista que mora em Santos, em detrimento dos demais, fiz questão de dizer, desta vez em alto e bom tom, que “O Santos não é de Santos!”, mas sim de todos os santistas que o amam. Lembrei da viagem de 900 quilômetros que fiz a Pato Branco, na fronteira do Paraná com Santa Catarina, em 2004, para divulgar o livro “Time dos Sonhos”.

Fui a pedido do amigo Adriano Riesemberg e lá encontrei uma comunidade invejável de apaixonados santistas, que tinham até torcedora símbolo e saiam de carreata pelas cidades vizinhas a cada conquista do Alvinegro Praiano. Riesemberg tinha cunhado uma frase, que repeti na assembleia: “Assim como todo muçulmano tem de ir a Meca antes de morrer, todo santista tem de visitar a Vila Belmiro.”

Portanto, o santista que mora longe da Vila e mesmo assim paga para ser sócio sem receber nada em troca e sofre pelo time como qualquer outro, deve ser considerado menos santista do que os vizinhos do Urbano Caldeira? Absolutamente não. É hora de unir os santistas e não separa-los. Infelizmente o tempo era curto para dizer tudo o que queria, apenas quatro minutos, no máximo, mas minha fala foi bem recebida e não houve qualquer hostilidade dos conselheiros da cidade de Santos, que são maioria no Conselho.

Deixei claro, do fundo do coração, que considero a todos irmãos santistas e que debatíamos ali, como se estivéssemos na nossa casa, buscando soluções para o Santos, e não motivos para nos apartarmos.

O interessante é que, mesmo representando três chapas diferentes, parece que os conselheiros entenderam que não é hora de se perder em politicagens, mas de se unir para ajudar o clube a sair do buraco. Sei que um faz e fala o que acha mais certo, movido por convicções que muitas vezes o acompanham desde a infância. Alguns fatos talvez tenham feito com que olhassem, com razão, os santistas de São Paulo com o canto dos olhos, mas vamos mudar isso. Estamos todos no mesmo barco e a hora é de união para ajudar o clube, não de brigarmos entre nós. A luta é para manter o Santos vivo e apurar as responsabilidades da catástrofe que se abateu sobre a Vila Belmiro.

Pensei em esperar o término da assembléia e conversar pessoalmente com Modesto Roma e lhe passar algumas sugestões que tenho recebido neste blog, mas já era muito tarde, passavam das 23 horas, a assembléia prosseguia com muitos na fila para falar e eu ainda tinha trabalho para fazer em casa. Subi a serra com o amigo Marcelo Pagliuso, um advogado dos bons que também já está juntando argumentos para um breve discurso. Assim como ele, o escritor e historiador Guilherme Nascimento, autor do Almanaque do Santos, diz estar se preparando para usar o púlpito. Sinto que ao menos este Conselho será mais participativo. Espero que seja realmente ouvido pelo presidente e a diretoria.

Futuramente abrirei aqui no blog um post pedindo sugestões para o Santos aumentar seu faturamento. Selecionarei umas dez sugestões e as lerei na reunião do Conselho, citando o nome e a cidade do autor. Pedirei que conste em ata e entregarei a lista, em mãos, para o presidente Modesto Roma. É o mínimo que podemos fazer para ajudar o clube neste momento crítico.

E você, o que pensa da situação do Santos?