sub-11 Mikael e Bruninho
Mikael e Bruninho, dois Meninos que vêm por aí…

Gostamos de acreditar que a base do Santos é uma fábrica de craques, mas o técnico Enderson Moreira preferiu não contar com um time de Meninos para o Campeonato Paulista e está pedindo contratações. Chegaram Chiquinho, Ricardo Oliveira, Elano e acabam de ser anunciados o meia-atacante Marquinhos Gabriel e o volante Edwin Valencia. Fica a pergunta: qual o problema com a formação de jogadores na base do Santos?

Sabemos que formar craques não é a mesma coisa que tirar fornadas de pãezinhos quentes. É preciso haver uma série de circunstâncias felizes para se chegar a um jogador fora de série: 1 – Ter habilidade natural, a famosa ginga; 2 – Ser disciplinado, comparecer assiduamente e empenhar-se nos treinamentos; 3 – Ter ou desenvolver ótimas condições atléticas; 4 – Ter ou desenvolver boa condição psicológica.

O Santos não pode ensinar o be-a-bá dos fundamentos, mas pode selecionar garotos que já demonstrem essa habilidade. O clube pode, ainda, ensinar disciplina, desenvolver o condicionamento atlético e psicológico. Isso, porém, a gente não sabe se ele tem feito como se deve.

O notável técnico de vôlei Bernardinho diz que a preparação de um atleta é a fase mais importante do trabalho, pois se ele se preparou como devia, seus resultados serão conseqüência disso. Ouvi frase parecida do grande brasileiro Amyr Klink. Quando quis saber se ele não sentiu medo ao atravessar o oceano Atlântico em um barco a remo, Amyr respondeu que só tinha medo na fase de preparação, pois se esquecesse de algo nessa etapa, depois não teria como remediar.

Trago essa frase de Amyr Klink para o treinamento dos Meninos da Vila e pergunto se eles têm passado por todas as etapas preparatórias antes de serem lançados entre os profissionais? Pergunto e já respondo: Não!

Quando percebemos que o decantado Gabriel não tem pé direito; que Geuvânio pode cair em aparente depressão e sumir do time por boa parte do jogo e até por vários jogos seguidos, percebemos que ainda precisariam de mais retoques na preparação técnica e psicológica antes de serem escalados entre os profissionais.

Não sei quanto tempo e nem como os garotos treinam nas divisões de base do Santos – e estamos abertos a ouvir as informações de quem as tem –, mas a impressão que fica ao vê-los no profissional é que em sua preparação faltou mais treino com a bola e com a cabeça.

10 mil horas

Sabe-se que para se chegar ao nível de excelência em qualquer atividade de performance – de músico a atleta – exige-se cerca de 10 mil horas de prática. Isso quer dizer que alguém que pratique determinada atividade por três horas por dia, todos os dias, precisará de nove anos e 16 dias ininterruptos para atingir um nível excepcional!

Hoje os garotos treinam com hora marcada e passam a maior parte do treino sem a bola nos pés. Antes, meninos como Pelé, Ademir da Guia, Edu, gastavam grande parte do dia correndo atrás da bola em campinhos de terra batida. Eu mesmo tive colegas de infância, como o Dito, que acertava bicicletas certeiras aos 13 anos de idade. Essa habilidade só se adquire com horas e horas de treino.

Um fundamento essencial a todo jogador de futebol, ao menos para os de meio-campo para frente, é o chute a gol – algo que pode ser treinado até sem goleiro, pois as traves não saem do lugar. Pelé e Zito praticavam sozinhos após os treinos, usando objetos como referência nos ângulos do gol. Se esses gênios do chute treinavam tanto, qual é a desculpa para um jogador iniciante não faze-lo?

É inadmissível ver um time como o Santos, que carrega o status de ser o que mais gols fez no futebol, sem bons arrematadores – tanto na equipe profissional, como nas de base. Aliás, exatamente por essa deficiência é que o time acabou eliminado da Copinha. Chutes fracos e sem direção representaram mais de 70% das conclusões santistas nos três jogos que fez pela Copa São Paulo.

Experientes e novatos

Mesmo quando teve times formados, destacadamente, por Meninos da Vila, o Santos manteve veteranos que seguravam as pontas e acalmavam a equipe nos momentos cruciais. Esses eram os papeis, por exemplo, de Victor, Joãozinho, Nelsinho Baptista, Ailton Lira e Clodoaldo em 1978; de Carlinhos, Wagner e Gallo em 1995; de Fábio Costa e Robert em 2002.

Creio que este Santos de 2015, um verdadeiro exército brancaleone movido mais por nossa fé do que pelo currículo dos jogadores, será um time assim, em que veteranos e novatos tentarão se harmonizar. No papel, não é um time para ganhar nada. Porém, se os mais rodados e, principalmente, os Meninos, resolverem dar à preparação o tempo e a importância que ela merece, quem sabe desse balaio de gatos não saia, novamente, uma equipe de verdade?

Nota da Associação de Veteranos do Santos

A Associação dos Veteranos do Santos FC iniciou uma campanha em prol do nosso associado Dalmo Gaspar, que se encontra hospitalizado, necessitando de ajuda financeira. Para isso, iremos sortear uma camisa autografada do Santos FC no final de fevereiro.

Até lá, você poderá ajudar depositando na conta abaixo qualquer valor. Depois de ajudar, você precisa enviar um e-mail para santosfc-masters@hotmail.com e receberá, em seguida, alguns números para participar do sorteio, por meio da Loteria Federal.

Segue os dados:

• Banco Santander (033)
• Agência: 0040
• Conta-corrente: 01-002507-3
• Favorecido: Dalmo Gaspar e/ou Ana Paula Gaspar
• CPF: 131.134.968-53

O herói Dalmo precisa de nossa força!

O lateral-esquerda Dalmo Gaspar, herói da conquista do bicampeonato mundial do Santos, em 1963, ao marcar o gol da vitória na terceira partida contra o Milan, está sofrendo do Mal de Alzheimer e não tem recursos para se tratar da doença – a ponto de ter colocado à venda a medalha que recebeu pela histórica conquista.

Nascido em Jundiaí, em 19 de outubro de 1932, Dalmo fez 369 jogos e marcou quatro gols pelo Santos. Jogador discreto, mas firme e experiente, fez parte do Time dos Sonhos, formado por Gylmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

E você, o que acha da preparação dos meninos da base?