Santos estreia sem gols na Copinha

O Santos dominava o jogo diante de um assustado Penapolense, os canhotos Serginho e Caio controlavam o meio de campo e as chances se sucediam. Caio perdeu uma, Serginho outra, mais uma se foi em um contra-ataque desperdiçado, e a primeira etapa chegou ao final em branco. Veio a sensação de que faltou a Pepinho treinar mais chutes a gol. O time rondou a área adversária, mas foi pouco conclusivo. De qualquer forma, o gol santista parecia uma questão de tempo, mas veio uma chuva forte que encharcou o campo e a partida ficou mais para uma pelada de rugby, em que a valentia temerária dos defensores do time do Interior prevaleceu sobre a tentativa de jogar futebol dos Meninos da Vila. No final, um 0 a 0 preocupante que obriga o Santos, se quiser continuar perseguindo o tricampeonato da Copinha, a vencer o Babaçu, do Maranhão, na próxima terça-feira, e provavelmente vencer novamente o anfitrião Linense no jogo decisivo do grupo (ainda pela primeira rodada do grupo, o Linense venceu o Babaçu por 1 a 0). Não deverá ser uma tarefa fácil. E quanto aos garotos, algum destaque? Por enquanto, prefiro não citar nomes. Vejamos as próximas partidas. Esta, literalmente, passou em branco.

Atual bicampeão do torneio, o Santos do técnico Pepinho estreia na prestigiosa Copa São Paulo de juniores neste sábado, às 16 horas, diante do Penapolense, com transmissão do Sportv e narração do pé quente Odinei Ribeiro. Sem dinheiro para grandes contratações nessa temporada, o Alvinegro Praiano mais uma vez voltará seus olhos e sua esperança para seus Meninos da base. Assim, do goleiro João Paulo, ao atacante Matheus Augusto, todos serão analisados com atenção redobrada.

Pepinho comanda a mesma comissão técnica do ano passado e também adotou o mesmo esquema cinco semanas de preparação, divididas em resistência de jogo, trabalhos de força para dar mais potência e velocidade e exercícios específicos para alguns jogadores. O time é bem jovem, pois quase todos os atletas têm menos de 18 anos. Neste ano a Copa São Paulo, ou Copinha, só aceita jogadores com menos de 19 anos.

O Santos deve entrar em campo com João Paulo, Patrick, Lucas, Sabino e Lucas Ybom; Bruno, Fernando Medeiros e Serginho; Caio, Claudinho e Matheus Augusto. Há ótimas expectativas com relação ao goleiro João Paulo, o volante Fernando Medeiros e o meia Caio. Outro destaque, o volante Thiago Maia, desfalcará o time pois foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20. No seu lugar Pepinho deve improvisar o zagueiro Bruno.

O Santos está no Grupo D, com Penapolense, Linense e Babaçu, do Maranhão. Todos os jogos do grupo serão realizados no estádio Gilberto Siqueira Lopes, o Gilbertão, em Lins. Só um clube se classificará para a fase seguinte.

As muitas maneiras de encarar esse início de ano do Santos

Esse complicado início de ano está dividindo os santistas. Alguns vêem um desígnio dos deuses do futebol nessa dificuldade financeira que obrigará, mais uma vez, o clube a lançar mão de seus Meninos da Vila. Estes são os otimistas, que já adivinham um time jovem e promissor surpreendendo os favoritos, como já ocorreu tantas vezes na história santista.

Há, também, o tipo de torcedor que pode ser definido como “realista esperançoso”, só para usar um termo popularizado por Ariano Suassuna. Eu me incluo neste time nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Sei de todas as dificuldades, dos equívocos, dos erros – intencionais ou não –, mas, além de ser extremamente enfadonho seguir enumerando-os todos os dias, como se eu fosse um ser perfeito e o dono da verdade, reservo-me o direito de sonhar com dias melhores e de nunca perder, totalmente, a fé nas pessoas.

Por fim, há aqueles – felizmente raríssimos – que só vêem problemas e obstáculos insuperáveis e apostam que o Alvinegro Praiano viverá um ano de sofrimento e vergonha, se tornará um time pequeno e jamais se recuperará… Não consigo entender, aliás, qual o interesse dessas pessoas de continuar torcendo para um time que lhes traz tanto amargor e constrangimento. Que tirem umas férias como torcedores, deixem o Santos para os de caráter mais sólido, e voltem apenas quando o pior passar e ser torcedor de um time de futebol se torne uma tarefa mais agradável.

Porém, como lembra a Suzana, lá no fundo todos tentam fazer o melhor, e se o melhor para esses santistas amargurados é criticar tudo e todos, continuarão agindo assim indefinidamente, pois essa atitude está mais ligada às suas questões internas do que ao Santos ou a qualquer outra coisa. Enquanto não vencerem seus desafios interiores, enquanto não conseguirem sentir paixão pela vida, não conseguirão extrair do futebol a beleza, a emoção e o mistério que perduram, mesmo diante das maiores dificuldades.

Seja como você for, volte aqui para analisar a estréia dos Meninos na Copinha, tá?