Crônica de um negócio fracassado

Em 13 de fevereiro de 2014 Leandro Damião tinha feito apenas dois jogos pelo Santos e ainda havia a possibilidade de que fosse convocado para a Copa do Mundo. Porém, mesmo com dor no coração, vi que o rapaz não vingaria no Santos e fiz esta coluna no jornal Metro:

Clique aqui para ler minha coluna do jornal Metro de 13 de fevereiro que falava do “Mico Damião”

1 – Auditoria
O caos gerado pela péssima administração Laor/Odílio está provocando a divisão dos santistas. Sobram acusações para todos os lados, para quem teve o clube nas mãos e até para quem está chegando agora. A nova grande polêmica se refere à venda dos direitos sobre os passes dos garotos Geuvânio e Gabriel para a Doyen Sports. Nesta fase de informações desencontradas, inocentes podem ser apontados como culpados e vice-versa. O melhor é não tentar adivinhar e passar o problema para profissionais da área. Assim, eu contrataria uma auditoria independente e, obviamente, séria. Encararia como um investimento – em credibilidade, justiça e paz –, não como despesa. Números e nomes seriam revelados e o santista saberia o que realmente ocorreu com o clube nos últimos anos. Cessariam as acusações gratuitas e os responsáveis seriam condenados pelos prejuízos causados.

2 – Definição entre jogos na Vila e Pacaembu
Outro assunto que tem dividido a comunidade santista é o local em que o clube deverá mandar seus jogos a partir do Campeonato Paulista. Ora, é óbvio que o Santos precisa aproveitar os seus torcedores espalhados pelo Estado de São Paulo. Eu já definiria os estádios em que o Santos mandará seus jogos no Campeonato Paulista desde já. 45% na Vila Belmiro, 45% no Pacaembu e 10% no Interior do Estado. A decisão seria irrevogável. Assim, o torcedor poderia se programar, pois daria até para vender carnês para toda a fase de classificação do campeonato, e acabariam essas desgastantes discussões e especulações que desagregam os santistas.

3 – Meninos da Vila 100%
Em sintonia com a decisão da Fifa, que este ano proibirá a participação de investidores nos passes de jogadores de futebol, eu criaria um plano para que o Santos tenha 100% dos passes de todos os jogadores interessantes revelados pelas equipes da base. É claro que a geração atual já está comprometida, com passes fatiados entre tanta gente, mas a partir dela a realidade seria outra. O clube deixaria de ser usado como barriga de aluguel e formaria um rico patrimônio com esses jovens e promissores atletas formados em sua base.

4 – Enxugamento do elenco e teto salarial
Está mais do que evidente que os salários do futebol brasileiro estão superdimensionados e representam um fator decisivo na situação falimentar de tantos clubes. A partir da estipulação de um teto salarial realista – que, imagino, não possa ser maior do que 150 mil reais por mês – nenhum jogador santista teria seu contrato renovado por um valor maior do que esse, a não ser que tivesse desempenhos decisivos e/ou espetaculares. Calculo que com essa medida a folha salarial do Santos seria reduzida em três milhões de reais por mês, sem perda da qualidade técnica e com inegáveis ganhos em motivação e juventude.

5 – Nova campanha de sócios
Um dinheiro que pode vir rapidamente para os combalidos cofres do clube é o oriundo de uma nova campanha de sócios. Mas para que esta campanha tenha sucesso, é preciso que ela seja justa e generosa. Justiça quer dizer, principalmente, cobrar menos de quem se associa só para ajudar o clube, sem perspectiva até mesmo de assistir a algum jogo no estádio. Aí entra aquela sugestão de José Carlos Peres, de escalonar os títulos de acordo com a distância entre a residência do sócio e a Vila Belmiro. Um sócio de Manaus, por exemplo, que mora a milhares de quilômetros do Urbano Caldeira, não pode pagar o mesmo que um sócio do Boqueirão, certo? E generosidade significa encher este sócio de atenção, mimos e facilidades, para que continue ao lado do clube tanto nos bons, como nos maus momentos.

6 – Atenção redobrada à base
A saída do Santos e do futebol brasileiro é a base. Ela deve merecer tantos cuidados como a categoria profissional. Os técnicos e as comissões técnicas das categorias da base devem ser de alto nível, e os métodos de treinamento precisam ser aprimorados, para que o garoto esteja pronto para se tornar profissional aos 17, 18 anos. Assim, eu construiria um belo CT para os Meninos e lhes forneceria assistência em todos os níveis, incluindo educacional. Porém, não haveria tolerância com aqueles que chegassem a 20 anos sem mostrar condições para o futebol profissional.

7 – Divulgação
É sabido que a imprensa esportiva não fala tanto do Santos como deveria e, quando o faz, geralmente fala mal. Mas a Internet deu recursos ao clube que, se bem explorados, podem reduzir os danos dessa má vontade. A SantosTV, consagrada como uma das mais vistas tevês de clubes de futebol do mundo, pode aumentar sua abrangência com transmissões de treinos e entrevistas ao vivo. Também pode produzir programas de notícias e entrevistas, transformando-se, efetivamente, em um canal de notícias e análises do Santos.

8 – Marketing cultural e artístico
O Santos construiu, ao longo de sua história, um arsenal cultural e artístico impressionante. Ele é eterno e paira sobre as circunstâncias do momento. Sempre haverá interesse de se conhecer as histórias do time do Rei Pelé, o primeiro bicampeão mundial, primeiro a jogar em todos os continentes, o que fez mais gols… Preservar essa história e usa-la para manter o Santos em evidência e cativar mais simpatizantes para o clube é um objetivo que nunca deve ser abandonado pelas diretorias santistas. Porém, é preciso entender que os rendimentos gerados pelo marketing cultural e artístico não são equivalentes aos advindos da venda de pasta de dentes, ou biscoitos, por exemplo. Ao invés de taxar quem se interessa por retratar o clube por meio de filmes, livros, palestras, exposições, peças de teatro ou outras formas de cultura e arte, o Santos deve estimular a produção das mesmas, criando concursos, festivais, enfim, eventos que mantenham sua história e seus feitos vivos e influentes.

E você, o que faria se fosse o presidente do Santos?