penalti em thiago ribeiro
PÊNALTI!!!! 46 minutos do primeiro tempo. A bola é recuada para o goleiro Juninho, Thiago Ribeiro se antecipa, faz o corte, mas é tocado. Na área é pênati! (Fotos: Ricardo Saibun/ Santos FC).

criancas santistas em rio preto
Crianças santistas em São José do Rio Preto. Elas são um dos motivos mais importantes para o Santos jogar mais vezes em outras cidades.

O Santos venceu por 2 a 1, é líder isolado do seu grupo do Campeonato Paulista, mas o futebol apresentado contra o Red Bull, em São José do Rio Preto, deixou a desejar. Muito defensivo, o time parecia estar jogando fora de casa. Não conseguiu se impor, não teve a posse de bola a maior parte do tempo e venceu graças a um gol contra e um pênalti que caiu do céu.

Está certo que o Red Bull, invicto até essa partida, é formado por jogadores experientes, que sabem tocar a bola e não se intimidam com torcida contrária ou a camisa do adversário. Mas esperava-se maior ofensividade do Santos, que terminou com todo mundo fechando o meio-campo e rezando para o jogo acabar.

Está na hora de Enderson Moreira rever alguns conceitos. O time está envelhecido e lento, o que influi no seu modo de jogar. Como não dá para ficar em cima do adversário o tempo todo, o Santos morde no começo dos tempos, depois assopra, ou seja, recua e especula nos contra-ataques. Seu jogo se torna preguiçoso, feio, sem precisão. A ordem de recuar faz os jogadores se acomodarem.

Não deu para ter uma ideia exata dos estreantes. A única bola difícil que foi ao gol de Vanderlei, entrou. E Werley não justificou a titularidade. Foi apenas mais um a dar chutões para a frente. Isso Gustavo Henrique também faz, com a vantagem de ser melhor no chamado jogo aéreo, caminho que o Red Bull adotou para chegar ao seu gol.

Sem Robinho e sem Gabriel, o Santos se valeu apenas de um irregular Geuvânio, de um esforçado Ricardo Oliveira e de um polivalente Lucas Lima para atacar o adversário. Muito pouco para um time com tamanha tradição ofensiva. Está faltando ousadia ao time e ao técnico, que só foi radical na hora de reclamar do árbitro e por isso foi expulso, será julgado e corre o risco de ficar fora do banco no jogo mais importante do ano até aqui, o clássico contra o São Paulo.

Primeiro tempo

Assim como ocorreu em Mogi Mirim, o Santos só jogou ofensivamente, pressionando o adversário, como se imagina que um time grande deva fazer, nos primeiros minutos. Desta vez, porém, saiu o gol. Aos 2min49s Geuvânio recebeu pela direita, driblou para dentro e, quando ia cruzar para Ricardo Oliveira, a bola bateu em Fabiano Eller e enganou o goleiro Juninho. 1 a 0.

O gol fez o time se acomodar na defesa, à espera de um contra-ataque ou de uma bola espirrada depois de um chutão para a frente. Mas Ricardo oliveira, sozinho no comando do ataque, e Thiago Ribeiro, muito aberto pela esquerda, eram facilmente dominados pela defesa do Red Bull, que passou a controlar o meio-campo.

Aos 32min30s Geuvânio chutou de longe e a bola raspou na trave. Dois minutos depois Chiquinho cobrou uma falta de fora da área e o goleiro espalmou para escanteio. Aos 42 Thiago Ribeiro cortou para dentro e chutou, mas a bola bateu na defesa e foi para escanteio.

O Red Bull já tinha conseguido criar uma chance de gol com uma cabeçada de Anderson Marques, aos 23 minutos, depois de falta boba de Alison em Lulinha. Aos 44min30s, em outra falta cruzada para a área, Edmilson cabeceou no chão e empatou o jogo. Vanderlei não teve culpa. 1 a 1.

Aos 46 minutos, Thiago Ribeiro acreditou em uma bola recuada para o goleiro, pressionou e sofreu pênalti, que Ricardo Oliveira cobrou com precisão no canto direito para empatar. O árbitro poderia não dar, se quisesse, e ninguém iria reclamar muito. O toque foi muito sutil. 2 a 1.

O primeiro tempo terminou com a sensação de que o Santos poderia ter definido a partida se fosse mais ofensivo e determinado. Alguns jogadores estavam só cercando, não marcando. Ao contrário dos jogos anteriores, a defesa estava perdendo lances pelo alto. Eu tentaria rejuvenescer o time, que pareceu um tanto acomodado, talvez devido ao número excessivo de jogadores veteranos em campo.

Segundo tempo

Como no primeiro, o Santos começou no ataque e criou duas oportunidades até os cinco minutos. A primeira, aos 3min10s, em um chute de longa distância de Ricardo Oliveira, e a outra aos 4min44s, quando Victor Ferraz penetrou, teve várias oportunidades para chutar de esquerda, tentou trazer a bola para o pé direito e foi calçado no momento do chute.

Depois desse início, o Santos recuou novamente, como fizera no primeiro tempo. O Red Bull saia jogando de sua defesa e o Santos só dava combate no meio-campo. Muito recuado, parecia que o Santos não estava jogando, só trapaceando à espera de oportunidades. Mesmo assim, porém, a torcida continuou incentivando o time.

Aos 13 minutos Enderson Moreira substituiu Victor Ferraz por Cicinho e Thiago Ribeiro por Elano. No seu primeiro lance, aos 14min50s, Cicinho levou cartão amarelo por uma falta. Acho que foi exagero. Durante toda a partida o árbitro não mostrou critério algum para marcar faltas e dar cartões. Aos 42min30s Cicinho levaria outro cartão amarelo e seria expulso por refugar na hora de dar o lateral. Aí foi um absurdo, porque ele nem chegou a perder muito tempo.

Aos 32 minutos saiu Ricardo Oliveira e entrou Lucas Crispim. O Santos abriu mão de tr um atacante para fechar o meio. Aos 34min50s David Braz saiu jogando de sua defesa e acertou excelente lançamento para Lucas Crispim, pela direita, mas foi marcado, erradamente, impedimento.

Aos 38 minutos, Lucas Lima, o melhor jogador do Santos na partida, roubou uma bola no meio, avançou pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou para trás. Elano preferiu dominar a bola a bater de primeira e perdeu a chance.

Nos últimos minutos, com um jogador a menos e também sem o técnico Enderson Moreira no banco – pois ele também foi expulso, por reclamação, no lance de cartão vermelho para Cicinho –, o Santos se segurou e conseguiu garantir os três pontos, mas a verdade é que o time não jogou bem.

Certamente a postura será outra no clássico contra o São Paulo, no meio da semana. Parece que alguns jogadores do Santos precisam passar por uma hipnose para não se sentirem à vontade apenas na Vila Belmiro. Faltou alguém para dizer aos jogadores que o mando de campo era do Santos, assim como a torcida a favor, apesar de estarem jogando no Teixeirão.

Não darei notas individuais. A não ser Lucas Lima e Geuvânio, ninguém se destacou. David Braz também não jogou mal. O jogo deixou claro que o torcedor do Santos está certo em não querer mais Cicinho e Thiago Ribeiro no time. Ambos estão tirando o lugar de jogadores jovens.

Santos 2 x 1 Red Bull
08/02/2015, 19h30, Estádio Benedito Teixeira, São José do Rio Preto
Público: 8.158 pagantes. Renda: R$ 289.635,00.
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz (Cicinho), David Braz, Werley e Chiquinho; Alison, Renato, Lucas Lima e Geuvânio; Thiago Ribeiro (Elano) e Ricardo Oliveira (Lucas Crispim). Técnico: Enderson Silva.
Red Bull: Juninho, Jonas (Everton Silva), A. Marques, Fabiano Eller e Romário; Andrade (Gustavo Scarpa), Jocinei, Lulinha; Wilson Júnior (Richelly), Raul e Edmilson
Técnico: Maurício Barbieri.
Gols: Fabiano Eller, contra, aos 3; Edmilson aos 45 e Ricardo Oliveira, de pênalti, aos 48 minutos do primeiro tempo.
Árbitro: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (muito ruim, confuso na questão dos cartões, Expulsou injustamente Cicinho). Assistentes: Fabricio Porfirio de Moura e Mauro André de Freitas.
Cartões amarelos: Cicinho e Alison (Santos). Wilson Júnior, Everton Silva, Jonas (Red Bull).
Cartão vermelho: Cicinho e Enderson Moreira (Santos).

Público e renda dos 4 grandes na rodada

Palmeiras 0 x 1 Corinthians (Allianz Parque)
28.869 pagantes, R$ 2.646.893,75

São Paulo 2 x 0 XV de Piracicaba (Pacaembu)
14.481 pagantes, R$ 493.235,00

Santos 2 x 1 Red Bull (S. J. Do Rio Preto)
8.158 pagantes, R$ 289.635,00.

E você, o que achou de Santos 2 x 1 Red Bull?