Minha coluna no jornal Metro: “Quando o Santos era rico”


Santos criou mais chances. Repare na jogada de Geuvânio, de 47s a 54s, em que deixou Reinaldo sentado só com a ginga, driblou mais dois e quase marca.

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Não, Reinaldo não está assistindo ao jogo de dentro de campo. É que ele acaba de levar uma entortada de Geuvânio e caiu sentado. O atacante santista vai driblar mais dois e acertar um belo chute cruzado, mas Rogério Ceni fará uma grande defesa (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC).

Não me surpreendi com o bom clássico na Vila e o maior número de chances de gol para o Santos. Mesmo vivendo sob a sombra da imensa crise financeira que assola o clube, o time foi valente e poderia ter vencido o São Paulo – que, tirando o futebol, está na frente do Santos em todos os quesitos.

Estádio, marketing, cota de tevê, valorização do elenco, torcida – o tricolor do Morumbi supera o alvinegro Praiano em todos esses aspectos. Mas, quando a bola rola, o jogo sempre é parelho, e tem sido até mais favorável ao Santos desde o título brasileiro de 2002.

É como alguns jogadores falam da Seleção Brasileira, até com algum exagero: se equilibrar na raça, deverá ganhar, porque tem melhor técnica. Eu diria que, se mesmo tão bagunçado, o Santos continua entre os grandes de São Paulo e do Brasil, imagine no dia em que for um clube moderno, eficiente e organizado.

Sobre o jogo, gostei. Como todos os torcedores presentes à Vila Belmiro, não entendi a substituição de Lucas Lima por Elano. O veterano entrou para jogar os últimos 10 minutos e já pareceu entrar cansado, paradão. Sem Lucas Lima o Santos perdeu a ligação entre defesa e ataque e foi dominado.

O técnico Enderson Moreira explicou que colocou Elano para ver se ele acertava o último passe, ou um bom chute a gol. Beleza. Mas por que tirar justo o único articulador do Santos, o único que consegue levar a bola da defesa ao ataque com alguma eficiência?

Não gosto de pegar em pé de técnico, porque considero todos os treinadores brasileiros de um nível abaixo da média, e se a chance começar a pegar no pé, vai que a diretoria traz um pior ganhando três vezes mais. Mas o Enderson deveria fazer substituições só quando o jogador não puder mais andar, casos de Robinho e Ricardo Oliveira. Ele tem complicado o time nos minutos finais. Tirar Lucas Lima para colocar Elano foi uma temeridade.

A defesa suportou bem a maior passe de bola do São Paulo e só permitiu chutes de longa distância. David Braz deu uns tropeções, mas no todo não foi mal. Werley melhorou bem se comparado à sua estreia. Victor Ferraz e Chiquinho não comprometeram. Vanderlei fez boas defesas e mostrou tranqüilidade.

Alison e Renato brigaram muito pela bola e até tentaram construir alguma coisa. Renato teve a chance de decidir a partida. Lucas Lima, novamente, foi o melhor do Santos. Ricardo Oliveira batalhou, Robinho construiu alguma coisa e Geuvânio fez as melhores jogadas individuais. Em um lance driblou três e arrematou com força e cruzado. Se não fosse Rogério Ceni, em noite iluminada, o jovem atacante santista teria feito o gol mais bonito do campeonato. Bem orientado e preparado, Geuvânio pode ser o novo diamante santista.

Mesmo reunindo duas equipes invictas do campeonato, em um clássico tradicional, apenas 8.867 pessoas pagaram ingresso para ver o jogo na Vila Belmiro, com uma renda de R$ 269.545,00. Enquanto isso, no Allianz Parque, onde havia perdido seus dois últimos jogos, o Palmeiras venceu o Rio Claro por 3 a 0 diante de um público pagante de 17.528 pessoas e renda de R$ 1.134.780,00.

Em todos os quesitos o Santos está ganhando menos dinheiro do que seus concorrentes. Uma hora ficará impossível manter um time competitivo, por mais que, em campo, as coisas se equilibrem. Ontem, por exemplo, mesmo ficando menos tempo com a bola, o Santos criou mais oportunidades e só não venceu porque Rogério Ceni fechou o gol. E também porque o árbitro Leandro Bizzio Marinho não quis dar um pênalti em Ricardo Oliveira.

Enfim, o time tem potencial para fazer uma temporada de média para boa. Mas o campeonato que mais me preocupa, confesso, é o famoso Fluxo de Caixa. Sem criar novas formas de receita, essa competitividade que o Santos ainda tem, acabará se perdendo. Por isso é urgente, para começar, uma campanha nacional para aumentar o número de associados.

Santos 0 X 0 São Paulo
Vila Belmiro, 11/02/2014, 22 horas
Público: 8.867 pagantes. Renda: R$ 269.545,00
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Alison, Renato e Lucas Lima (Elano); Geuvânio, Robinho (Lucas Crispim) e Ricardo Oliveira (Marquinhos Gabriel). Técnico: Enderson Moreira.
São Paulo: Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Ganso e Michel Bastos; Ewandro (Pato) e Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho.
Arbitragem: Leandro Bizzio Marinho, auxiliado por Daniel Paulo Ziolli e Rafael Tadeu Alves de Souza, todos de São Paulo.
Cartões amarelos: David Braz e Robinho (Santos); Rafael Tolói, Reinaldo e Luis Fabiano (São Paulo).

E você, o que você achou de Santos e São Paulo?