Veja como foi primeira a volta de Robinho, há cinco anos:

Um portal comparou jogador por jogador de Santos e São Paulo e chegou à conclusão de que o tricolor goleará. Acho que não é assim que se analisa as possibilidades de dois times em uma partida. Basta saber pressionar um ou dois pontos fracos do adversário para uma equipe teoricamente inferior vencer. Algo me diz que hoje, na Vila Belmiro, o Santos sairá com a vitória.

O promotor Roberto Senise Lisboa chegou à conclusão de que as torcidas organizadas de Santos e São Paulo não têm um histórico tão violento como Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde e liberou a partida para as duas torcidas. Sei não. Tomara que ele esteja certo. Domingo passado ele queria proibir a torcida corintiana de comparecer ao estádio palmeirense, a juíza Luiza Barros liberou e deu no que deu.

Sobre a partida de hoje, vejamos se o Santos consegue manter um ritmo forte por mais tempo. A sorte é que o São Paulo do Muricy também morde e assopra. Não é um time que costuma pressionar. Acho que vai ter hora que as duas equipes quererão jogar na defesa. Quem terá a iniciativa? E como se sairão os veteranos em um clássico? Boas perguntas que só serão respondidas quando a bola rolar, às 22 horas, com televisão.

O Santos deverá jogar com Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Alison, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho. O São Paulo provavelmente entrará em campo com Rogério Ceni, Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denílson, Maicon e Michel Bastos; Paulo Henrique Ganso, Pato e Luís Fabiano.

Para ganhar o jogo, o Santos terá de ser mais rápido e agressivo do que tem sido. Terá de marcar o Ganso em cima, pois dele saem as jogadas mais inteligentes do adversário. Michel Bastos, Pato e Luís Fabiano são outros jogadores que merecem atenção especial. Creio que o Santos terá dificuldade para ganhar o meio-campo, mas poderá confundir a defesa são-paulina com as deslocações de Robinho, Geuvânio e Ricardo Oliveira e o apoio de Lucas Lima e dos laterais.

Como tem acontecido no futebol brasileiro, o time que fizer o primeiro gol deve se fechar na defesa e jogar no contra-ataque. Só espero que se isso acontecer o jogo não enfeie definitivamente. Acho que tem tudo para ser um jogo bonito, se os técnicos Enderson Moreira e Muricy Ramalho quiserem, mas temo que beleza é a última coisa na qual eles pensam.

Campanha de associados e fundação de um novo Clube dos Treze

A sessão do Conselho Deliberativo foi boa, ontem. Muitos dos novos conselheiros discursaram e ficou evidente que entraram com muita energia e muita vontade de ajudar o clube. Participações muito aplaudidas do historiador Guilherme Nascimento, da Neli, do Luiz Fernando de Palma, enfim, de todos que fizeram uso da tribuna. O conselheiro Celso Leite alertou para o fato de que Luis Álvaro Ribeiro, indicado para uma comissão de ex-presidentes, ainda não tinha sido julgado por impeachment, pois pediu licença médica antes do julgamento. Foi então proposto que cada nome da comissão fosse votado individualmente e o de Laor foi reprovado por unanimidade.

Acho que este Conselho não pecará por omissão. Um grupo fez um abaixo-assinado pedindo rigor nas apurações dos fatos que levaram o clube a esta situação falimentar. Constatados os responsáveis, estes serão acionados civil e criminalmente. Há rumores de que o dinheiro emprestado pela Doyen já fez gente construir casas em condomínios fechados do Brasil e do exterior. Isso tem de ser muito bem apurado, doa a quem doer.

Falei sobre uma campanha nacional para captar sócios. Antes, discorri sobre as outras formas que um clube de futebol tem para conseguir dinheiro: 1 – Vender jogadores. Só temos Thiago Ribeiro e Cicinho descartáveis. 2 – Arrecadações. Com três rodadas, o Santos já está atrás dos grandes da capital. 3 – Patrocínio. Enquanto o Santos patina, o alvinegro de Itaquera fatura 32,5 milhões e o Palmeiras, 30 milhões. 4 – Cota de tevê. Aí é brincadeira. Só no pay per view foram 10,4 milhões para o Santos, 38,4 milhões para o outro alvinegro e 45,4 milhões para o rubro-negro, uma diferença maior do que o Santos pode conseguir com o patrocínio máster. E ainda há a cota principal, que a partir de janeiro de 2016 será de 170 milhões para cada um dos dois queridinhos e cerca de um terço disso para o Santos. A única forma que depende só do Santos e dos santistas é um plano agressivo de aumentar o quadro de sócios, alternativa usada com sucesso por Internacional, Palmeiras, Cruzeiro…

Por falar em televisão e outros clubes, sugeri que o Santos iniciasse conversações para recriar o Clube dos Treze, ou algo semelhante. Como o presidente Modesto Roma não estava presente, instei o ex-presidente Marcelo Teixeira a usar sua influência e amizades no meio para mobilizar os clubes em torno da criação de uma liga que terá poderes para mudar a forma de distribuição da cota de tevê no Brasil, tornando-se mais justa e democrática, como ocorre no futebol de Alemanha e Inglaterra. Um time que no máximo dá 20% a mais de audiência não pode ganhar o triplo dos outros. Há uma clara ingerência da política do “Pão & Circo” no futebol brasileiro e se os clubes esperarem pela Globo, isso não vai mudar nunca, pois ela é uma das interessadas nessa estratégia populista.

Veja nesta matéria da Espn que na Espanha os outros clubes pensam em fazer greve contra a desigual distribuição de cotas da tevê. Os clubes brasileiros estão esperando o que para agir?

E você, o que acha disso?