Depois de tudo o que sofreu, e ainda sofre, devido aos desmandos e à irresponsabilidade da gestão anterior, havia uma dúvida no ar com relação à atuação do Santos na sua estreia no Campeonato Paulista. Retrato da indignação do santista, uma imensa faixa estendida pelos torcedores perguntava: “Cadê o dinheiro que tava aqui?”. Como o time, recém-montado, se sairia contra o Ituano, atual campeão paulista, um dos times mais organizados do Interior?

Porém, leve, solidário, tocando bem a bola e arrematando melhor ainda, o Santos não poderia ter se saído melhor na revanche da final do Paulista do ano passado. Com dois gols de Geuvânio e um do estreante Chiquinho, o Alvinegro Praiano venceu o Ituano por 3 a 0 e já lidera o Grupo D, com dois gols de saldo a mais do que o Bragantino.

Mesmo descontando o fato de que se tratou apenas de uma primeira impressão, a verdade é que este time já demonstra muito mais potencial do que o que terminou a temporada passada. A equipe não sentiu as ausências de Aranha, Edu Dracena, Mena, Arouca, Souza, Rildo, Leandro Damião e Alan Santos, os jogadores que se foram. Ao contrário, o Santos melhorou muito sem eles.

E para motivar ainda mais a equipe neste Estadual, segundo o Departamento de Memória do Santos, este é o centésimo Campeonato Paulista disputado pelo clube, que também está perto de outra marca histórica: com os três gols diante do Ituano, faltam 25 para o Alvinegro chegar a 5.000 gols apenas em Campeonatos Paulistas.

Festa na Vila

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Robinho, Elano e Chiquinho comemoram. Revanche da final do ano passado contou com a volta das cheerleaders (fotos: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Dois chutaços. Dois golaços

O Santos começou tocando bem a bola e envolvendo totalmente o Ituano. Em duas oportunidades faltou acertar o último passe, mas logo aos 5min55s Geuvânio dominou a bola de bola da área e, mesmo pressionado, acertou um chute forte e com efeito que entrou no canto direito do goleiro Diego. Golaço!

Dois minutos depois, porém, enganado pelo pique da bola no gramado molhado, Gustavo Henrique permitiu que o Ituano tivesse uma boa chance para empatar. A bola acabou na trave esquerda de Vladimir, que foi pego no contra-pé.

Mesmo melhor, o Santos já não conseguiu criar tantas chances, até que aos 27min51s Geuvânio sofreu uma falta na meia-direita. Lucas lima cobrou na barreira e no rebote Chiquinho acertou um belo chute de esquerda, na paralela, que entrou no ângulo esquerdo do gol. Como já vinha jogando bem, o gol certamente bancará Chiquinho como titular nos próximos jogos.

Com a desvantagem, o Ituano foi mais à frente, tocou bem a bola, mas encontrou dificuldades para penetrar diante da forte marcação santista. As únicas oportunidades do campeão paulista vieram em cobranças de falta, aos 39min30s e aos 41min40s, quando Gustavo Henrique e Alison cometeram infrações desnecessárias próximas à área. Mas David Braz e Chiquinho, respectivamente, despacharam o perigo.

O Santos ainda teve uma boa oportunidade antes do final do primeiro tempo: Geuvânio dominou livre pelo meio, tocou para Lucas Lima, que penetrou pela direita e cruzou para Thiago Ribeiro, na marca do pênalti. Ribeiro acertou um bom sem-pulo, mas a bola saiu pro cima da trave.

A vantagem de dois gols no primeiro tempo foi merecida, mas deu para perceber que o Ituano não era o que se poderia chamar de “galinha morta” e viria com disposição na segunda etapa. Havia a expectativa pela entrada de Ricardo Oliveira, já que Thiago Ribeiro era o jogador mais apagado do time. Diante do provável cansaço do veterano Renato, Lucas Crispim também poderia ser uma boa opção.

Mais um gol e boas estreias

Em um segundo tempo com muita chuva, o Santos voltou a dominar a partida, apesar do empenho do adversário. Aos 6min30s Chiquinho aproveitou o campo molhado e cobrou uma falta de longa distância com força e direção, que obrigou o goleiro Diego a espalmar para escanteio.

Aos 10min26s, em jogada que começou com Geuvânio e prosseguiu com Lucas Lima pela esquerda, o mesmo Geuvânio recebeu o passe para trás e, com calma, colocou no canto esquerdo para fazer 3 a 0.

A partir daí o time recuou e avançou apenas nos contra-ataques. A tática anulou qualquer tentativa ofensiva do Ituano. Faltando 15 minutos para o final o técnico Enderson Moreira inicou as substituições: descansou Geuvânio e colocou Ricardo Oliveira; tirou Thiago Ribeiro e pôs Elano e substituiu Robinho por Lucas Crispim.

Atuações dos santistas

Vladimir: Não foi empenhado, mas mesmo assim não inspirou muita confiança. 6.

Vitor Ferraz: Discreto, não comprometeu e ainda fez algumas boas jogadas. 7.

Gustavo Henrique: Bem nas bolas altas, mas alguma indecisão nas baixas e na cobertura. 6.

David Braz: Firme,com personalidade. 7.

Chiquinho. Excelente estreia. E uma ótima opção para as cobranças de falta com força. 8.

Alison: O brigador de sempre. 7.

Renato: sua melhor exibição desde que voltou ao Santos. Parecia o menino de 2002. 8.

Lucas Lima: O grande armador do time. 8.

Geuvânio: Dois gols, belas jogadas, um pouco mais de cabeça e jogo de equipe. 9.

Robinho: Fez bem a parede, brigou com a defesa, soube se impor. 8.

Thiago Ribeiro: após um primeiro tempo nulo, melhorou no segundo, quando se deslocou para a direita. Mas, ainda assim 5.

Ricardo Oliveira, Lucas Crispim e Elano não tiveram tempo para mostrar muita coisa, mas deu para perceber que Oliveira precisa de mais um pouco para entrar em forma, Elano ao menos está com vontade e Lucas Crispim tem tudo para se firme no time e ser muito utilizado por Enderson. Com a volta de Caju e Gabriel, na Seleção Sub-20; as estreias de Vanderlei, Valencia e Marquinhos Gabriel, e as recuperações de Daniel Guedes e Cicinho, machucados, o Santos terá um bom elenco para brigar pela ponta deste Campeonato Paulista.

Enderson Moreira: Escalou e armou bem o time. 8.

Público e renda dos 4 grandes na rodada

Corinthians 3 x 0 Marília
25.582 pagantes, R$ 1.116.056,85

Audax 1 x 3 Palmeiras
24.894 pagantes, R$ 1.655.220,00

Penapolense 0 x 3 São Paulo
9.267 pagantes, R$ 375.517,50

Santos 3 x 0 Ituano
9.121 pagantes, R$ 269.830,00

Santos 3 X 0 Ituano

Vila Belmiro, 01/02/2015
Domingo, 19h30
Público pagante: 9.121 pagantes. Renda: R$ 269.830,00

Santos: Vladimir, Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Chiquinho; Alison, Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Ricardo Oliveira), Robinho (Lucas Crispim) e Thiago Ribeiro (Elano). Técnico: Enderson Moreira.

Ituano: Diego; Dick, Leonardo Luiz (Naylhor), Leonardo e Zé Carlos; Josa, Clayson (Jheimy), Jackson Caucaia (Gercimar) e Cristian; Misael e Ricardinho. Técnico: Tarcísio Pugliese.

Gols: Geuvânio aos 6 e Chiquinho aos 29 minutos do primeiro tempo; Geuvânio, aos 11 minutos do segundo.

Arbitragem: Antonio Rogério Batista do Prado, auxiliado por
Paulo de Souza Amaral e Vitor Carmona.

Cartões amarelos: Clayson, Leonardo Luiz e Ricardinho (Ituano); Gustavo Henrique (Santos).

A morte de Dalmo, o herói do bi mundial

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Dalmo diante de Garrincha, no Pacaembu.

O herói que tirou a bola das mãos de Pepe e decidiu bater o pênalti que tornou o Santos o primeiro bicampeão mundial interclubes, em 16 de novembro de 1963. Aquele que inspirou Pelé a dar a famosa paradinha ao cobrar os pênaltis. O que nunca se machucava e o único do Santos que jamais foi convocado para a Seleção Brasileira. Este foi Dalmo Gaspar, que morreu na manhã desta segunda-feira, em Jundiaí, aos 82 anos, por complicações do Mal de Alzheimer.

Entrevistei-o há quase 20 anos, para o livro Time dos Sonhos, obra de mais de 500 páginas que só foi lançada em dezembro de 2003. Ele foi o lateral-esquerdo do melhor time que já existiu: Gylmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Fiquei muito feliz de, por meio do livro, contribuir para que esses jogadores e esse time não fossem esquecidos. Na verdade, muitos eram sempre lembrados, mas nomes como Dalmo e Calvet estavam caindo no esquecimento até mesmo dos santistas.

De uma época em que o futebol brasileiro tinha pontas-direitas excepcionais, como Garrincha, Julinho Botelho, Dorval, Joel e Paulo Borges, entre outros, Dalmo não podia apoiar o ataque e se especializou em ser um marcador de muita determinação e coragem. Sempre teve boas atuações nos jogos mais importantes do Santos.

Voltei a encontrá-lo no começo de 2011, na festa oferecida pelo Santos para comemorar o reconhecimento dos títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Estava forte, bem disposto, pois continuava a fazer exercícios e se cuidar. A notícia de sua morte nos enche de melancolia. Mas, ainda bem que já está imortalizado nos filmes, nas matérias de jornais e revistas e nos livros. Obrigado eterno Dalmo!

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Foto recente de Dalmo recebendo, em sua casa, em Jundiaí, uma placa oferecida pelos historiadores do Santos Wesley Miranda, Alex Santos e Edmar Junior.

E você, o que achou deste Santos/2015?