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Há 10 anos Elano e Robinho brilhavam em Rio Preto
Em 19 de dezembro de 2004, embaixo de uma canícula que nos fazia comprar garrafinhas de água só para jogar na cabeça, vimos o Santos se tornar não bi, mas octacampeão brasileiro em São José do Rio Preto (e Branco), ao vencer o Vasco por 2 a 1. Conquista inesquecível de um time que superou tudo, até o sequestro da mãe do Robinho, e de mais um gol erroneamente anulado na final, para garantir o caneco. Tecnicamente, esta foi a última grande conquista do Santos. Vale a pena ser lembrada porque neste domingo o Santos voltará ao mesmo estádio para enfrentar o Red Bull. Elano e Robinho retornarão ao palco que os consagrou. Que o santista do Interior de São Paulo saiba receber o time com o carinho que essa camisa merece. Reveja, e não se emocione se for capaz:

Por que um empresário, e não o clube, decidiu levar o jogo do Santos para São José do Rio Preto?

Não pense que foi o Santos que decidiu jogar em São José do Rio Preto, domingo, como parte de um programa para se exibir em outras praças, contemplar santistas de outras cidades e ao mesmo tempo incrementar um plano de captação de sócios. O Santos só jogará em São José do Rio Preto, domingo, às 19h30, porque o empresário Edvaldo Ferraz comprou os direitos do jogo e resolveu levá-lo para o Interior.

O empresário decidiu colocar 18.500 ingressos à venda ao preço de 50 reais a inteira e 25 a meia. Ou seja, mais uma vez o Santos está abrindo mão do direito e do dever de organizar seus jogos e, preguiçosamente, passando essa incumbência a um atravessador. Como já dissemos, o clube tem de ter um departamento específico para a organização de jogos, trabalhando em harmonia com o departamento de captação e atendimento dos sócios.

Todo mundo que leu a primeira página de um manual de marketing sabe que precificar é uma arte, ou ciência, como queiram. Se na Vila o ingresso custa 40 reais, por que custará 50 em uma cidade que está afastada do circuito do futebol e onde haverá um público novo, que não costuma frequentar jogos do Santos? Isso é coisa para o marketing do clube decidir, e não para um empresário que comprou o jogo.

Enfim, esses são os detalhes que separam o Santos de ser um time efetivamente profissional e dono do seu destino de uma agremiação que vive ao sabor do vento, ou da tempestade. Viver ao Deus dará não pode levar a lugar algum. É preciso planejamento. Jogar em São José do Rio Preto é ótimo, mas o evento deveria ser melhor planejado e executado pelo clube. Optou-se, mais uma vez, pelo caminho mais cômodo. Deixar a incumbência na mão de um intermediário e depois só retirar o cheque não exige planejamento e nem organização.

SANTOS SÓ JOGOU MEIO TEMPO

Aquele Santos compacto, que empurrou o Ituano para a defesa e dominou completamente a partida de domingo, não foi visto no primeiro tempo do jogo contra o Mogi Mirim, ontem, em Mogi. Omisso, o Santos só se defendeu e nada criou ofensivamente. A mudança só veio no segundo tempo, quando o Alvinegro Praiano mostrou quem era o time grande da partida e foi pra cima do Mogi. Mas o gol não saiu.

O Santos começou tocando bem a bola, empurrando o Mogi para a defesa. Mas isso durou apenas alguns minutos. Depois de uma série de escanteios a favor, o Alvinegro Praiano foi recuando, recuando, cedeu a posse de bola ao time da casa e viveu de especular contra-ataques.

Porém, como o campo molhado e a forte marcação do Mogi impediam sair com a bola no chão, o Santos voltou à infrutífera alternativa de dar chutões para a frente. Consequência: até o final do primeiro tempo o ataque santista não fez nada. Para se ter uma idéia, o atacante que mais pegou mais na bola foi Thiago Ribeiro. Robinho e Geuvânio, bem marcados, não conseguiram trocar um passe, dar um drible… Nem mesmo Lucas Limas conseguiu fugir do marasmo.

A esperança era de que na segunda etapa o time adiantasse a marcação, para atrapalhar a saída de bola do Mogi e de que Robinho e Geuvânio tivessem liberdade para se deslocar livremente no ataque, confundindo a defesa adversária. Com relação à defesa, o time teria de tomar cuidado com o tal Edson Ratinho, que sempre deita e rola quando enfrenta o Alvinegro.

De positivo no primeiro tempo, a firmeza dos zagueiros David Braz e Gustavo Henrique nas bolas altas. Parece que o Santos não tomará mais aqueles gols de cabeça em escanteios ou faltas próximas à área. Nenhum dos dois é do estilo de parar e pedir impedimento.

Segundo tempo: enfim, o Santos entra em campo

Um time mais brigador, com mais vontade de ganhar o jogo – este foi o Santos no segundo tempo. Como se esperava, os jogadores do ataque se mexeram mais, os laterais apoiaram e o Mogi recuou. As chances se sucederam: Geuvânio fez boas jogadas pela esquerda aos 9 e aos 15 minutos, mas o chute terminou nas mãos do goleiro; aos 19 minutos Robinho deu um chapéu em um zagueiro, driblou mais um com um jogo de corpo e chutou, de esquerda, rente à trave do Mogi.

O time passou a ter mais presença na área a partir dos 14 minutos, quando Ricardo Oliveira entrou no lugar de Thiago Ribeiro. Aos 35 minutos, Robinho cruzou da direita e Oliveira bateu de primeira. A bola passou raspando a trave. Seria um golaço. Três minutos antes Geuvânio tinha driblado dois e chutado para outra defesa do goleiro.

Aos 30 minutos, Elano entrou no lugar de um Lucas Lima muito cansado, e aos 41 Marquinhos Gabriel substituiu Geuvânio. Esta última alteração eu não entendi bem. Geuvânio ainda parecia ter fôlego para aguentar até o fim.

Com o empate, o Santos fica com quatro pontos e lidera o seu grupo, com um ponto a mais do que o Bragantino. Pelo que jogou no segundo tempo, merecia vencer, mas pelo que deixou de jogar no primeiro, merecia perder. Então, o empate acabou sendo o resultado mais justo. No domingo, às 19h30, o Santos mandará o seu jogo contra o Red Bull no estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, em São José do Rio Preto, onde conquistou o título brasileiro de 2004. Os ingressos já estão à venda. Algo me diz que domingo o time voltará a jogar os 90 minutos.

Atuações dos santistas

Vladimir – Continua sem inspirar confiança, mas está invicto e hoje ao menos fez uma boa defesa. 5.

Victor Ferraz – não deve ser o titular, mas está quebrando bem o galho. Ao menos se empenhou e não levou bola nas costas. 6.

David Braz – Não é um Mauro Ramos de Oliveira, mas também não é um Camilo. Ótimo nas bolas altas. 6.

Gustavo Henrique – Como David Braz, muito bom nas bolas altas. Ainda fez boas coberturas e sofreu um pênalti que o péssimo árbitro Leonardo lima não deu. 7.

Chiquinho – Desta vez não apoiou tão bem e ainda deixou um salão de baile aberto para quem caísse pelo seu lado. 4.

Alison – Se tivesse a quantidade de neurônios que tem de fibras musculares, seria um Beckenbauer. Lutou, trombou e levou um cartão amarelo bobo. 5.

Renato – Cansou, atrapalhou-se com a bola, mas jogou com a experiência. 5.

Lucas Lima – Era um dos poucos do time que jogava bem no primeiro tempo, mas o campo molhado e a pressão de organizar todas as jogadas o cansou. 5.

Geuvânio – Não fez absolutamente nada na primeira etapa, mas voltou outro na segunda, criando no mínimo três chances de gol. 7.

Robinho – Também nada fez no primeiro tempo, mas, na base da raça, cresceu muito no segundo. Quase fez um golaço. 6.

Thiago Ribeiro – Correu mais do que costuma, mas pouco fez de útil. 4.

Dos que entraram, destaque para Ricardo Oliveira, que já mostrou velocidade, força e presença de área. Elano não comprometeu e Marquinhos Gabriel mal pegou na bola.

Enderson Moreira – Não conseguiu fazer o time jogar no primeiro tempo, quando a equipe voltou à sua tática defensiva preguiçosa que às vezes usa quando atua fora de casa. Melhorou no segundo. 6.

Público e renda dos times grandes na rodada

Palmeiras 0 x 1 Ponte Preta
24.695 pagantes, R$ 1.765.765,00

São Paulo 4 x 2 Capivariano
7.498 pagantes, R$ 240.995,00

Mogi Mirim 0 x 0 Santos
2.906 pagantes, R$ 78.960,00

E você, o que achou do Santos fora de casa?