Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: março 2015 (page 1 of 6)

O que mais Leandro Damião quer tirar do Santos?

Já viu essa? Real Madrid contrata Danilo e Santos deve receber R$ 10 milhões. Clique aqui para ler. E continue com a vela acesa…

Leandro Damião
Foto da chegada do bonde Damião (Ivan Storti/ Santos FC).

O atacante Leandro Damião não aceitou a proposta do Santos, em audiência na 4ª Vara do Trabalho de Santos, e novo encontro entre o jogador e o clube se dará em 29 de maio. Damião quer receber salários atrasados, o que é seu direito, mas quer também ganhar passe livre, rompendo os vínculos com o Santos e desobrigando-se de cumprir os quatro anos de contrato com o clube. Isso já seria um crime, pois todo o ônus ficaria para o empregador, que ainda terá de arcar com um empréstimo despropositalmente milionário.

Como se sabe, Damião passou um ano ganhando salário de R$ 700 mil por mês no Santos e nem ao menos conseguiu ganhar a posição de um garoto de 18 anos, no caso Gabriel. Com dificuldade motora para dominar a bola, correr com ela, driblar, passar, cabecear e chutar a gol, Leandro Damião se revelou o pior investimento do Santos em toda a história do clube – negócio funesto do presidente Odílio Rodrigues e do Comitê Gestor, que pediram emprestados 42 milhões de reais à Doyen Sports, empresa com sede em paraíso fiscal, para sacramentar a incompreensível contratação, cujo montante já saltou para cerca de 47 milhões em 2015 e subirá 10% ao ano – em euros! – até o final do contrato.

Ou seja, se Damião ganhar a causa e se desligar do Santos, ao clube só restará pagar a imensa dívida, como aquele sujeito que compra um carro maravilhoso mas não faz seguro, dá perda total na primeira curva e é obrigado a pagar anos a fio por um bem que já não existe.

A coisa é muito séria, minha gente. Tão séria, que deveríamos acender uma vela para o advogado do Santos no caso, o solerte José Ricardo Tremura. O futuro do Santos depende mais de Vossa Senhoria do que do nosso ataque. Você não ficou com tremura (ops)?

Gabriel
Público de apenas 5.100 pagantes para ver o Santos de Gabriel contra o São Bento por pouco nem chegou a cobrir as despesas na Vila Belmiro.

Com a renda de domingo Santos já garantiu o salário. Do massagista…

Com renda total de R$ 106.920,00 e “Despesas Diversas” de R$ 48. 035,97, o Santos teve um lucro de R$ 8.810,41 de sua partida contra o São Bento, domingo, na Vila Belmiro. Acho que ao menos o salário do massagista está garantido. Veja o balanço financeiro do jogo:

Balanço Financeiro do jogo Santos 2 x 2 São Bento, na Vila Belmiro


Domingo o time do povo enfrenta o time do poder

Só neste mês de aniversário do Santos você encontra aqui o livro “Segundo Tempo”, de Pelé, por apenas R$ 74,90. Não perca o melhor presente que um santista pode dar e receber em abril.
eu, Pelé e as crianças - livro segundo tempo

Um dos dois times que participará do maior clássico alvinegro da Terra está sempre envolto em dívidas, tem problemas crônicos com seus confusos dirigentes e invariavelmente é prejudicado pela arbitragem em jogos decisivos. Seus torcedores só não se dizem “sofredores” porque, apesar de tudo, e sabe-se lá como, esse time costuma revelar jovens jogadores de talento, ou atrair outros experientes e já desacreditados que se transformam ao vestir sua camisa.

Este primeiro time, ainda, já jogou o futebol mais bonito e ofensivo visto neste planeta. Formou, do nada, um grupo de artistas que por quase duas décadas encantou plateias de todos os continentes, parando até guerras e ensinando a todos que a capital do Brasil não era Buenos Aires. Como estrela da companhia, ainda exibia o melhor jogador de todos os tempos, um verdadeiro Rei, malabarista, sábio e corajoso como seus irmãos brasileiros. É por isso que este time improvável, underdog da história, simboliza tudo o que é puro, nobre, romântico e belo no futebol.

Seu adversário, de origem humilde, mas tornado rico e poderoso pelas conveniências políticas e mercadológicas, recebe benesses do governo em forma de estádio moderno e patrocínio milionário de empresa estatal, e também é privilegiado pela empresa que domina e manipula a comunicação no País. Não precisa se preocupar com a arbitragem, pois, em dúvida, ela sempre estará ao seu lado. Este é o alvinegro do status quo, que tem o chefe do sistema político nacional como seu maior lobista.

Mas por essas diferenças é que este encontro sempre vale a pena. Ele acaba com as neutralidades aparentes, separa crianças de homens e testa o senso estético e ético dos brasileiros. Ele divide opiniões e paixões. E faz até os deuses do futebol tomarem partido.

Veja agora este jogo, decisivo para o título Paulista do Santos em 2006: árbitro não deu pênalti e ainda expulsou o santista que reclamou. Menino Geilson fez o gol sozinho contra a defesa adversária e depois Cleber Santana fez um gol de falta que o árbitro não deu. É mole? Mas o Santos ganhou e seguiu rumo ao título:

Veja Alison visitando os companheiros no vestiário do Santos:

Pra você, qual dos dois alvinegros representa o povo brasileiro?


Péssimo empate para o Santos. E para o campeonato

Gabriel
Com a bola, Gabriel geralmente abaixava a cabeça e tentava fazer a jogada sozinho. Esse individualismo irritou a torcida (Ivan Storti/ Santos FC).

Foi como se o jogo não valesse os mesmos três pontos conquistados contra o Palmeiras, por exemplo. Ao contrário daquele time vibrante, concentrado, que se entregou em busca da vitória no último clássico jogado na Vila Belmiro, o Santos enfrentou o São Bento em ritmo lento, como se estivesse treinando e a vitória viesse normalmente. Porém, o bom esquema defensivo do time de Sorocaba e duas falhas individuais – de Vladimir e David Braz – acabaram resultando em um empate de 2 a 2 péssimo para o Santos e péssimo para o Campeonato Paulista, pois o confronto com o Corinthians, no próximo domingo, que poderia definir a primeira colocação desta chave, agora só valerá pela rivalidade.

O técnico Marcelo Fernandes resolveu escalar todos os titulares. A única ausência foi a de Robinho, na Seleção Brasileira. Lucas Lima e Geuvânio, mesmo pendurados com dois cartões amarelos, foram para o jogo. Mas, desta vez, repetindo a atuação contra a Ponte Preta, nenhum dos dois jogou muito bem. Lima ainda armou vários ataques, mas Geuvânio só conseguiu participar de uma boa jogada no cruzamento para o gol de Gabriel. Provavelmente com Lucas Crispim e Thiago Ribeiro o time teria sido mais aguerrido, não porque esses jogadores sejam melhores, mas porque quereriam mostrar serviço e não jogariam preocupados em não levar o terceiro cartão amarelo.

Com cinco pontos a menos do que o Corinthians, o Santos, na prática, não tem mais chance de ser o líder desta fase de classificação. Agora, o desafio do técnico Marcelo Fernandes e da comissão técnica é manter o ânimo dos jogadores para o clássico do próximo domingo, no Itaquerão. Um fato que pode ser motivador será tentar quebrar a invencibilidade do adversário neste Campeonato Paulista. Mas se o time entrar com o pé mole, como fez contra Ponte Preta e São Bento, levará uma bela sapecada.

Atuações dos santistas

Vladimir: Falou no primeiro gol do São Bento ao ficar grudado embaixo da trave. Falhou de novo ao ficar no meio do caminho em outro cruzamento no segundo tempo. Não passa segurança nas bolas cruzadas para a área. Ao menos contra o Rio Claro, na última rodada, o técnico deveria testar Gabriel Gasparotto. 3.
Vitor Ferraz: Caiu um pouco com relação aos últimos jogos, mas manteve o rendimento mediano. 5
David Braz: Estava só rebatendo. Falhou no segundo gol do São Bento, ao escorrer na hora de fazer o corte. Ele e Werley deixaram o jogador do São Bento cabecear livre no primeiro gol. 4
Werley: No mesmo nível de David Braz. 5.
Zeca: Altos e baixos. No todo, merece um 5.
Lucas Otávio: um bom reserva. Não pode ser titular. Falta-lhe jogo e personalidade. 5.
Renato: Regular. 5.
Lucas Lima: Prendeu demais a bola, mas na maioria das vezes por não ter para quem passar. 5.
Geuvânio: Deu o passe para o segundo gol. Criou pouco. 4.
Ricardo Oliveira: Brigou, fez o gol de pênalti, mas no todo deixou a desejar. desta vez, só vai receber um 4.
Gabriel: Fez um gol, levou vantagem sobre o seu marcador do primeiro tempo, mas perdeu oportunidades por enfeitar demais a jogada. Entrou em atrito com a torcida. 5.

Técnico Marcelo Fernandes: Faltou-lhe ousadia. Podia ter aproveitado o fato de Lucas Lima e Geuvânio estarem pendurados para testar outras formações e jogadores. Não quis correr riscos contra o humilde São Bento, na Vila, e acabou perdendo a chance de jogar pela liderança no Campeonato Paulista no próximo domingo. No mais, não teve culpa, pois o Santos perdeu a vitória por erros individuais. 4.

As substituições do Santos foram feitas apenas nos últimos 15 minutos de jogo, quando os jogadores entram sem tempo de fazer nada de especial. Mesmo assim, gostei da determinação de Lucas Crispim e Thiago Ribeiro. Elano também entrou em campo.

Santos 2 x 2 São Bento
Vila Belmiro, 29/03/2015, domingo, 18h30

Público: 5.149 pagantes. Renda: R$ 106.920,00.

Arbitragem: Flavio Rodrigues de Souza, auxiliado por Vicente Romano Neto e Fausto Augusto Viana Moretti.
Cartões amarelos: Lucas Otávio e Gabriel (Santos).

Santos: Vladimir; Vitor Ferraz, Werley, David Braz e Zeca; Lucas Otávio (Elano), Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Lucas Crispim), Gabriel (Thiago Ribeiro) e Ricardo Oliveira.
Técnico: Marcelo Fernandes.
São Bento: Henal; Alex Reinaldo, Wanderson, João Paulo e Marcelo Cordeiro; Éder, Serginho Catarinense, Renan Teixeira (Xandão) e Renan Mota (Chico); Giovanni e Nilson
Técnico: Paulo Roberto Santos.
Gols: Renan Teixeira, de cabeça, livre, aproveitando escanteio, aos 10 minutos, e Ricardo Oliveira, cobrando pênalti, aos 14 minutos do primeiro tempo; Éder, aos 12 minutos, e Gabriel aos 22 minutos do segundo tempo.

Arbitragem: Flavio Rodrigues de Souza, auxiliado por Vicente Romano Neto e Fausto Augusto Viana Moretti.
Cartões amarelos: Lucas Otávio e Gabriel (Santos).

Veja os melhores momentos do Santos, segundo a SantosTV:

E você, o que achou de Santos 2 x 2 São Bento?


Eu pouparia Lucas Lima e Geuvânio

Geuvânio
Geuvânio treinando a pontaria (Ivan Storti/ Santos FC).

Logo mais, às 18h30, na Vila Belmiro, o Santos enfrentará o São Bento, que não tem maiores pretensões no Campeonato Paulista. A vitória é importante, pois dará ao time a oportunidade de brigar pelo primeiro lugar na classificação geral no confronto direto com o Corinthians, no Itaquerão, próximo domingo. Porém, para não correr o risco de entrar para o jogo mais importante desta fase sem dois de seus principais jogadores, eu pouparia Lucas Lima e Geuvânio – ambos pendurados com dois cartões amarelos – do jogo contra o São Bento.

Há jogadores no elenco que não foram devidamente testados pelo técnico Marcelo Fernandes no Paulista. Lucas Crispim e Leandrinho são dois deles. Creio que Thiago Ribeiro também poderia entrar no ataque, no lugar de Geuvânio. Então, meu time para o jogo de hoje seria Vladimir, Victor Ferraz, David Braz, Werley e Zeca; Lucas Otávio, Renato e Lucas Crispim; Gabriel, Ricardo Oliveira e Thiago Ribeiro.

Você poderá me perguntar: mas por que não o Elano? Eu direi: preocupa-me muito a forma física do Elano, que contra a Ponte Preta, mesmo entrando apenas nos 15 minutos finais, demonstrou não ter fôlego ou velocidade para acompanhar os adversários e em alguns casos apelou para a violência para parar a jogada. Temo que se iniciar a partida contra o São Bento, Elano poderá ser expulso. E também não vejo motivos para lhe dar a titularidade, já que vem jogando muito mal.

Para ser sincero, preocupo-me também com a escalação de Ricardo Oliveira. Acho que o experiente atacante poderia ser preservado para o grande jogo do próximo domingo, quando o Itaquerão receberá o confronto da maior rivalidade alvinegra do mundo. Alguns podem fingir que não, mas sabem que enquanto o novo estádio construído com nosso dinheiro não receber o Santos, não estará devidamente batizado.

Assim como previ que Santos e Palmeiras dariam a maior audiência de tevê do Campeonato Paulista, adianto desde já que Corinthians e Santos, no próximo domingo, às 16 horas, baterá todos os recordes. O Santos de Robinho no Itaquerão garantirá um interesse pelo espetáculo que nenhum outro time chegou perto. Esperem e verão.

Mas, voltando ao jogo de hoje, eu acrescento que não considero ausências as faltas de Cicinho e Valencia, excluídos do jogo por serem expulsos contra a Ponte. São dois jogadores com problemas técnicos evidentes. Cicinho tem outro agravante: é desequilibrado emocionalmente, a ponto de ser o jogador mais vezes suspenso do elenco do Santos. Enfim, é ruim e não tem espírito de equipe. Para mim, não estaria no elenco para o próximo Campeonato Brasileiro.

No último confronto, eles venceram

Sem chance de se classificar para a fase final, o São Bento só precisa de um ou dois pontos, em três jogos, para escapar do rebaixamento. Creio que conseguirá. O que poucos sabem, entretanto, é que no último confronto entre os dois times, pelo Campeonato Paulista de 2007, em 17 de fevereiro, o São Bento venceu o Santos em plena Vila Belmiro. Com dois gols no finzinho da partida (Roberto Santos aos 43 e Sérgio Júnior aos 47 minutos do segundo tempo), o time de Sorocaba ganhou por 2 a 0 e quebrou a então invencibilidade santista no campeonato. O resultado, porém, não impediu que o Santos fosse campeão e o São Bento rebaixado.

Veja os gols dessa surpreendente vitória do São Bento na Vila:

Veja agora uma vitória do Santos no ano campeão de 1984:

Para dizer como vão as coisas pelos lados do São bento eu recorro ao texto do repórter Eric Mantuan, que escreve para o jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba. Diz o Eric:

Com aplicação tática do meio campo para trás, a equipe de Sorocaba espera conquistar pelo menos um dos dois pontos que faltam para garantir a permanência na Série A1. Por isso, o técnico do Azulão deve promover o retorno do volante Renan, que estava no departamento médico, para fortalecer o poder de marcação. Na última rodada, o desempenho do Azulão nesse aspecto foi reprovado pelo técnico. “Vamos enfrentar uma equipe que tem apresentado, ao lado do Corinthians, a melhor qualidade técnica. Passamos isso para o grupo: são leves e rápidos, costumam sufocar na Vila. Contra o Bragantino, tivemos uma queda de produção na maioria dos atletas e vamos ter que retomar o bom nível para enfrentar um time perigoso como o Santos”, avisa.

O desfalque do Azulão é o meia Éder Loko, que continua tratando um pequeno estiramento. Diego Barboza pode ser mantido no time titular ou ceder espaço a Renan Mota, retomando o condicionamento físico após algumas rodadas machucado. Nas laterais, os titulares estão garantidos: Alex Reinaldo, que machucou o joelho e foi substituído no intervalo contra o Bragantino, faz dupla com Marcelo Cordeiro, de volta após cumprir suspensão na última rodada. E na zaga, a missão de Wanderson e João Paulo será a de marcar Ricardo Oliveira, que tem cinco gols no Paulistão. Robinho não joga”.

Times prováveis

Santos: Vladimir, Victor Ferraz, David Braz, Werley e Zeca; Lucas Otávio, Renato (Elano) e Lucas Lima (marquinhos Gabriel); Geuvânio (Thiago Ribeiro), Ricardo Oliveira e Gabriel. Técnico: Marcelo Fernandes.

São Bento; Henal, Alex Reinaldo, Wanderson, João Paulo e Marcelo Cordeiro; Renan e Serginho Catarinense; Éder, Giovanni e Diego Barboza (Renan Mota); Romário. Técnico: Paulo Roberto Santos.

Árbitro: Flávio Roberto Santos. Auxiliado por Vicente Romano Neto e Fausto Augusto Viana Moretti.

Despesas Diversas

O trabalho da Comissão Fiscal sobre “Despesas Diversas” em jogos do Santos apresentado na última reunião do Conselho Deliberativo, baseou-se no jogo Santos x Ituano, na Vila Belmiro, na abertura do Campeonato. Seria interessante saber também como são essas despesas nos jogos que o Santos transfere para o Pacaembu. Provavelmente entram nesse quesito transporte, hospedagem, alimentação… Porém, nem esses outros custos justificariam um montante de 173 mil reais em “Despesas Diversas’, como ocorreu na partida contra o Linense.

Portanto, não são apenas os ingressos distribuídos gratuitamente que provocam esses valores absurdos. O total de ingressos distribuídos às torcidas organizadas é estabelecido pelo estatuto do Santos. A questão é que, também por estatuto, não podem ser negociados. Se estão sendo, isso preciso ser investigado. No conjunto da obra, porém, a questão não é proibir as organizadas, mas chegar a um ponto de equilíbrio que seja bom para o cube e para elas.

Ao menos a discussão nesse sentido começou. Como Regis Almeida, presidente da pioneira Torcida Jovem, também é conselheiro do Santos, teremos oportunidade de conversar com calma e chegar a um consenso que mantenha a vibração e o entusiasmo das organizadas e ao mesmo tempo reverta essa participação em maior faturamento e maior segurança para o torcedor do Santos que vai aos jogos. A ideia nunca poderá ser desunir, desagregar, mas sempre unir os santistas.

Jogo de hoje, só na Vila ou no Premiere…

Nenhum canal de TV, nem mesmo por assinatura, está anunciando o jogo do Santos nesta tarde. Para quem faz questão de assistir a todos os jogos do Alvinegro Praiano e não poderá estar na Vila Belmiro logo mais, sobram as opções do canal Premiere (pay per view), ou alguma outra solução criativa… Após a partida, convido a todos para comentar o jogo aqui. Por volta de 21 horas o novo post estará no ar. Até mais.

Que Santos você escalaria para enfrentar o São Bento?


Em busca da transparência

paulo schiff
Paulo Schiff, ex-presidente do Conselho Deliberativo do Santos na gestão Luis Alvaro Ribeiro/ Odílio Rodrigues, hoje editor do site “Transparência Santista”.

Como tantos santistas, tenho recebido e-mails de um site que se auto-intitula “Transparência Santista”. Seu editor é o jornalista Paulo Schiff, presidente do Conselho Deliberativo na última gestão que dirigiu o Santos. O site tenta explicar que todas as ações da diretoria anterior foram realizadas dentro da maior lisura e não há motivos para desconfiar de ninguém que fez parte dela. Bem, não quero ensinar o Padre Nosso ao vigário, mas se o colega Schiff está mesmo interessado em transmitir credibilidade e mostrar transparência aos santistas, é imprescindível que o site explique, bem explicadinho, as duas mais nebulosas transações de jogadores já feitas na história do Santos: a contratação de Leandro Damião e a venda de Neymar.

O milagre de ter quatro milhões em caixa e gastar dez vezes mais

Se o clube não tinha dinheiro no início de 2014, como o presidente Odílio Rodrigues revelou para dezenas de veículos de comunicação, e se o valor liberado para contratações naquele ano, ainda segundo ele, era de apenas quatro milhões de reais, por que decidiu gastar 41, 6 milhões de reais na contratação do limitado Leandro Damião, que já estava em baixa e era reserva do Internacional?

E por que, em suas entrevistas iniciais sobre o interesse do Santos por Leandro Damião, Odílio insistiu que estava conseguindo um “parceiro” para fechar o negócio? Por que manteve esse mesmo discurso de “parceria” e mesmo em 31 de março de 2014, em entrevista para a Agência Estado, afirmou: “O Santos, como qualquer outro clube, não tem dinheiro para o investimento. Resolvemos trazer o Leandro Damião e buscamos um investidor, que nos permitiu trazê-lo.”

Durante muitos daqueles dias o santista ficou com a ideia de que a Doyen Sports, a “parceira”, estava comprando o jogador e usando o Santos como “barriga de aluguel”. Menos mal que fosse assim, pois seria uma temeridade fechar o negócio nas bases oferecidas pela Doyen – empresa suspeita, que tem sua sede em um paraíso fiscal – como alertaram dirigentes de outros clubes paulistas que já tinham recusado fazer contratos com a tal empresa.

Por que o presidente Odílio entrou nesse negócio de extremo risco, mesmo sabendo que o dinheiro emprestado pela Doyen não seria pago durante o último ano de sua gestão? É uma das perguntas que um site sobre transparência deveria responder. Há um ditado popular que diz: “Dize-me com quem andas, eu te direi quem és”. Se nenhum outro clube consultado quis fazer negócios com a Doyen, por que o Santos aceitou?

Meu caro Paulo Schiff, sabemos muito bem que um banco não é um investidor, mas um emprestador de dinheiro, que não corre nenhum risco no negócio, pois empresta a juros altíssimos e esfola quem não paga. No caso da contratação de Damião, a Doyen agiu simplesmente como um banco. Não foi “parceira” coisíssima alguma. Emprestou o dinheiro a juros de 10% ao ano com correção em euros. Imagine a que valor chegou o montante agora, pois um ano já se passou e o real está sendo vertiginosamente desvalorizado.

Aliás, foi preciso que a Doyen fizesse um comunicado público para esclarecer que não era parceira, que não dividia risco algum na contratação de Leandro Damião, era apenas a empresa que havia emprestado dinheiro ao Santos, mas que esperava recebê-lo com juros e correção. Só depois da divulgação da Doyen é que o presidente Odílio Rodrigues deixou sua versão anterior e explicou melhor como se deu o negócio.

E por que, finalmente, mesmo correndo tamanho risco, mesmo investindo o maior valor já gasto por um clube em uma contratação em toda a história do futebol brasileiro, o Santos concordou em ganhar apenas 20% de um hipotético lucro com a venda do jogador? Que negócio absurdo foi esse, prezado Paulo Schiff, em que um dos lados assume todo o risco e fica só com 20% do lucro?

Esse negócio horrível e mal explicado da compra de Leandro Damião continua sangrando o clube até hoje e, infelizmente, deverá continuar a fazê-lo por muito tempo. O valor que o Santos pagou pelo passe de Damião é irreal, totalmente fora de mercado. Além do valor do passe, o Santos concordou em lhe dar salário de 650 mil reais e mais 50 mil reais de auxílio moradia. Ou seja, 700 mil reais por mês de despesas para um jogador que, devido à sua falta de qualidade técnica, se tornou reserva de um garoto de 18 anos (Gabriel) e hoje está emprestado ao Cruzeiro, que lhe paga 400 mil reais por mês – o restante do salário continua sendo pago pelo Santos, que tem essa despesa sem utilizar o jogador.

Como sócios, como torcedores, e, no meu caso, também como jornalista especializado em futebol, dono deste blog voltado para a comunidade santista, e ainda conselheiro eleito do Santos, nós temos a obrigação de saber os detalhes e os porquês desse negócio.

Na pior das hipóteses, o Código de Defesa do Consumidor nos dá o direito de exigir respostas. Somos consumidores da marca Santos, pagamos anuidades e ingressos para os jogos, damos audiência para o time na tevê, nos alegramos ou sofremos com os resultados do Santos, temos o direito, sim, de saber exatamente o que a gestão anterior fez para levar o clube à situação de penúria que vive hoje, após cinco anos de uma administração da qual o senhor foi um dos cabeças, senhor Paulo Schiff.

Mas este, infelizmente, não foi o único caso estrondoso sem explicação realizado no tempo em que o senhor presidia o Conselho Deliberativo do Santos. Estrondoso porque até hoje tem grandes repercussões internacionais. Falo da obscura venda do passe de Neymar, o melhor jogador brasileiro dos últimos tempos, ao Barcelona.

Ser o dono do passe de Neymar e ganhar menos que todos

Como o senhor deve estar sabendo, na Espanha o ministério público solicitou a prisão do presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e do ex-presidente, Sandro Rossell, pelas irregularidades encontradas na contratação de Neymar, em 2013. A pena pedida para Rosell é de sete anos e três meses de detenção, e a de Bartomeu, de três meses. O ministério público espanhol também solicita que o Barcelona seja multado em € 33 milhões (R$ 115,3 milhões). Portanto, a transação foi super nebulosa e precisa ser esclarecida.

Como o Santos, que era o detentor dos direitos do passe de Neymar, fica nessa história toda? Qual é a versão do Santos, tim-tim por tim-tim, para este marcante imbróglio futebolísitico internacional? Por que o Santos, dono do passe de Neymar, foi o que menos recebeu com a transação? Quanto, exatamente, entrou nos cofres do Santos? Alguém mais ganhou comissão nessa transação? Quem e quanto?

Então, veja bem, colega Paulo Schiff, é normal que as pessoas pensem e falem coisas diante de certas circunstâncias. Se estas negociações envolveram fortunas e não foram muito bem explicadas, é compreensível que surjam desconfianças por parte do torcedor, das pessoas comuns, infelizmente acostumadas a tantas falcatruas em nosso País. Um time de futebol é parte importante da vida dessas pessoas, que de uma hora para outra viram o seu clube, de um dos mais ricos do País, se tornar um dos mais pobres. A indignação é normal. A indignação é o estado de ânimo que precede a correção de todas as injustiças.

A desconfiança, no caso, também é natural e necessária. Um investigador de polícia e mesmo um promotor de justiça usam da desconfiança para elaborar perguntas, buscar provas, juntar fatos e estabelecer a verdade. Toda investigação parte de uma desconfiança. Mas ela só persiste se os testemunhos não encaixam, se os fatos não batem. Os que não devem, entretanto, não têm por que temer.

De qualquer forma, se você, colega Paulo Schiff, que eu reputo honesto e bem-intencionado, se dignou a lançar um site com o nome de “Transparência Santista”, é porque admite que há muito da gestão anterior a ser esclarecido. Faço votos de que consiga esclarecer convenientemente ao menos esses dois casos que citei: a compra de Leandro Damião e a venda de Neymar, que, juntos, explicam a maior parte da terrível crise financeira pela qual passa o nosso querido Santos Futebol Clube.

Mesmo sem Robinho, o time sem colete ganhou mais uma no rachão:

Meninos da Escolinha do Santos no Japão visitam o CT Rei Pelé. Eles foram campeões estaduais no Japão vencendo um campeonato com 300 participantes:

E você, acha que houve transparência na gestão Laor/Odílio?


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