Na reunião do Conselho Deliberativo, o presidente Modesto Roma disse que Alex Fernandes deixou as funções de gerente de marketing por problemas de saúde e assegurou que Paulo César Verardi ainda não foi contratado e não é o nome preferido do CEO Dagoberto Fernando dos Santos. Eu, como o prometido, falei das malfadadas “Despesas Diversas”, lebre cantada neste blog pelo colega Douglas Aluisio e, baseado em um estudo preliminar, conclui que elas se devem à farta distribuição de ingressos gratuitos para torcidas organizadas e patrocinadores.

O Conselho Fiscal apresentou um trabalho no qual concluiu que as “Despesas Diversas” se devem a quatro fatores: Monitoramento (das torcidas organizadas), Autônomos (Gandulas, Monitores, Mascotes baleiinha e Baleião etc), Controladores de Acesso e “Ingressos Cedidos.”

Deu para perceber que, excluindo-se os “Ingressos Cedidos”, o custo fixo das “Despesas Diversas” fica em torno de 23 mil reais. Portanto, em um jogo contra o Linense, em que essas Despesas chegaram a absurdos 173 mil reais, pode-se imaginar a fortuna em ingressos que foi distribuída a patrocinadores e às torcidas organizadas.

Ponderei que seria necessário especificar que patrocinadores são esses, quantos ingressos recebem cada um, que torcidas são essas, quantos ingressos recebem cada uma, e, no final de tudo, perguntei se era mesmo necessário distribuir tantos ingressos gratuitos.

Comparei o jogos entre Mogi Mirim e Santos, com mando de jogo do Mogi Mirim, e Santos e Linense, com mando do Santos, no Pacaembu. No primeiro, mesmo com uma renda bruta de apenas 78.960 reais, o Mogi teve uma receita líquida de 38 mil reais. Suas “despesas diversas” foram de apenas 2 mil reais. A partida contra o Linense teve renda bruta de 324 mil reais e gerou um prejuízo de 19 mil reais. As “Despesas Diversas” foram de 173 mil reais e as despesas gerais alcançaram 343 mil reais!

Tinha muitos outros exemplos a dar, mas o presidente da mesa, Fernando Bonavides, pressionou-me para não ultrapassar o limite de quatro minutos. Deu tempo, entretanto, para colocar uma questão no ar: se o associado de uma torcida organizada paga uma mensalidade para ser sócio da mesma, mas não é sócio do Santos e ainda ganha ingresso de graça para ver os jogos do time, o que o clube ganha com isso? Enquanto o Santos está no vermelho, as organizadas estão no azul. Será que não está na hora de rever essa relação?

O presidente Modesto Roma concordou que o clube distribui muitos ingressos e que isso tem de ser revisto. Disse ainda que esse tema poderá ser debatido e votado no Conselho. Seria importante se isso se concretizasse. Nada como ouvir todos os lados envolvidos e tomar uma decisão justa, que seja melhor para o clube. Se esta for secar a fonte dos ingressos gratuitos, que assim seja.

Após a sessão, conversando com colegas do Conselho, fiquei sabendo que alguns deles, em jogos decisivos, já compraram ingressos de torcidas organizadas. Fica mais uma pergunta no ar: todos esses ingressos distribuídos pelos clubes às organizadas são mesmo utilizados para levar seus integrantes ao estádio, ou alguns são vendidos clandestinamente? Isso, obviamente, seria lesar o clube, pois o dinheiro não entraria nos cofres do Santos.

Tenho conhecidos em todas as torcidas organizadas do Santos e sei que a grande maioria de seus integrantes é gente boa e honesta, tão apaixonada pelo time como nós. Sei também que a maioria não se opõe a pagar seu ingresso, como qualquer outro torcedor. Acho que chegou a hora de repensar essa prática que está sangrando o clube. Esse assistencialismo não combina com profissionalismo.

A confecção de ingressos gera despesas, assim como a taxa de monitoramento, que visa justamente vigiar os torcedores organizados. Portanto, se os torcedores organizados não pagarem ingresso, a realidade é que o clube pagará para que eles assistam aos jogos.

Os ingressos distribuídos gratuitamente entram no borderô do jogo, mas são descontados como essas “Despesas Diversas”. Isso explica porque clubes de torcidas bem menores do que o Santos, com públicos e rendas igualmente menores nos estádios, estão tendo maior lucro nas arrecadações do que o Alvinegro Praiano.

O exemplo mais palpável, como o companheiro Khayat postou aqui neste blog, é o do São Bernardo, que mesmo gerando metade da arrecadação total do Santos (800 mil contra 1,7 milhão de reais), obteve até aqui uma renda líquida de 568 mil reais, enquanto o Santos tem 413 mil reais.

Todo mundo pagando ingresso já

Depois da minha fala, o conselheiro Reinaldo, ligado a uma torcida organizada, lembrou que nós, conselheiros, também não pagamos ingresso. Sim, ele está certo. Se bem que o número de conselheiros que vai ao estádio não se compare ao de torcedores organizados, eu concordo que conselheiros também deveriam pagar ingressos para ver o Santos.

O clube está vivendo um momento financeiro delicado e creio que nenhum santista se sinta confortável de assistir ao time sem pagar nada. Que se estude ao menos um valor especial para todos os que até este momento vem sendo agraciados com ingressos de cortesia. Não é hora de perguntar o que o Santos pode fazer por nós, mas sim o que podemos fazer pelo Santos.

Você não acha que todo santista deveria pagar ingresso?