voo de robinhoRobinho voou no Pacaembu. Aqui, no primeiro gol (Ivan Storti/ Santos FC).

Acabo de chegar do Pacaembu. Que festa! Quantas crianças! Que noite gloriosa! A vitória foi boa e o Santos poderia ter vencido o Linense com mais tranquilidade não fossem os erros da arbitragem e a má substituição de Valencia por Elano, quando o time ganhava por 3 a 0. O público foi bom e melhor do que o noticiado. Tem gato na tuba nesse negócio de renda e arrecadação no Pacaembu. Mas primeiro vamos falar do jogo.

Robinho mais uma vez desequilibrou, com dois belos gols – um no começo e um no final do jogo – e o passe para Ricardo Oliveira participar do terceiro (que a arbitragem deu para o goleiro Anderson, contra). Mas o melhor e mais habilidoso jogador do time continua sendo Lucas Lima, um armador que já merece chance na Seleção Brasileira.

Outros destaques positivos do Santos foram Geuvânio, autor de algumas boas arrancadas; Renato, que fez, de cabeça, um de seus raros gols com a camisa do Santos; Ricardo Oliveira, que enquanto teve fôlego se apresentou mais para o jogo e fez grande jogada no terceiro gol; Valencia, que fez uma boa estreia; Lucas Otávio, que deu mais segurança ao meio-campo quando a vitória corria perigo, e Gabriel, que entrou nos últimos 10 minutos, mas puxou contra-ataques, criou jogadas e sacudiu a inércia ofensiva do time.

Mas há críticas a serem feitas. Desta vez a defesa dormiu no ponto. Werley e David Braz deram algumas pisadas de bola. Muitos torcedores com os quais conversei querem Gustavo Henrique de volta na zaga. Elano, como eu já disse, tem sido um jogador figurativo. Sua contratação está se revelando um grande erro. Por mais que Ricardo Oliveira tenha melhorado, é difícil saber que um jogador rápido e artilheiro como Gabriel está no banco de reservas.

O técnico Enderson Moreira tem de encontrar o meio termo ideal entre a experiência e a juventude. Em alguns momentos da partida parece que o time recua para ganhar fôlego, e justo nesses momentos passa a ser pressionado pelo adversário. A entrada de mais dois ou três meninos pode dar ao time uma configuração mais equilibrada.

O Santos vencia por 3 a 0 até metade do segundo tempo e tudo estava tranquilo quando Enderson Moreira cismou de tirar Valencia e colocar Elano. Não há nenhuma dúvida sobre a categoria de Elano com a bola no pé, mas se ele nunca foi um jogador de grande mobilidade, agora está estático. Não marca ninguém e não tem mais fôlego para ajudar o ataque e voltar para fechar o meio-campo. Consequência: o Linense dominou o setor central e passou a apertar a defesa santista.

O árbitro Douglas Marques das Fores viu um pênalti contra o Santos aos 23 minutos, em jogada na qual o santista atinge primeiro a bola. Na Europa não dariam. Cinco minutos depois ele deu escanteio em uma bola chutada por Werley que não parece ter ultrapassado totalmente a linha de fundo. O Linense, que já estava entregue, aproveitou os presentes e diminuiu para 2 a 3, tornando o jogo quase dramático.

Confesso que esse tal senhor Flores não estava me cheirando bem desde o primeiro tempo. Como sempre tem acontecido nos jogos do Santos, o adversário pode cometer faltas duras, parar jogadas intencionalmente, e nada de cartões. Mas para os santistas, a tolerância é zero. Não sei se é recomendação dar cartão amarelo a quem comemora gol no alambrado, mas só posso dizer que o cartão a Robinho, logo aos 7 minutos de jogo, é o tipo de coisa brochante para o espetáculo futebol.

Creio que seja tudo uma questão de bom senso. Admito que em alguns estádios há o risco de o alambrado vir abaixo, como ocorreu quando Ronaldo comemorou o seu primeiro gol ao voltar ao Brasil. Mas é só comparar o peso de Ronaldo e o de Robinho para constatar que o reforçado alambrado do Pacaembu jamais sofreria algum risco com a rápida comemoração do atacante santista. Punir o artilheiro, o ídolo, aquele que dá espetáculo e atrai pessoas ao estádio, justamente no seu momento de maior alegria, é sacanagem.

Público maior do que o anunciado

Lá pelos 35 minutos do segundo tempo, eu, meu irmão Marcos e o Iai, primo da Suzana, olhamos com atenção todos os departamentos do Pacaembu e fizemos projeções de quanto daria o público. Veja bem que eram três pessoas, que conhecem bem o estádio, analisando a porcentagem de lugares ocupados em cada departamento do Pacaembu que, segundo dados oficiais, tem uma capacidade de 38 mil pessoas.

Chegamos à conclusão de que o estádio tinha cerca de metade de seus lugares tomados. Mas, em dúvida, para não dizer que fomos otimistas, concordamos que 40% da lotação seria o mínimo possível. Então, teríamos 15.200 pessoas, certo? Errado. O placar eletrônico anunciou o público e lá estavam 10.954 pagantes, com 13.118 no total, dois mil a menos do que nossos cálculos. Com renda de R$ 324.680,00

De qualquer forma, pelas informações que peguei com santistas de Santos, ontem foi um domingo que deu praia, e como enfrentar o humilde Linense não motivaria o torcedor, na Vila Belmiro o jogo não teria atraído mais do que seis mil pessoas. A escolha do Pacaembu foi super acertada e é evidente que se os jogos na capital passarem a ser menos esporádicos, a tendência é de que o público cresça progressivamente.

Museu, Show e a volta dos legítimos Baleiinha e Baleião

Dois estandes montados em caminhões – um com exposição do museu itinerante do Santos, e outro que serviu de palco para um show da dupla Brothers of Brazil, de Supla e seu irmão João Suplicy – divertiram os santistas que chegaram mais cedo à Praça Charles Miller. As novidades foram muito bem recebidas. O evento, batizado de “Santos Truck – O Peixe na Estrada”, ocorreu devido a uma parceria com a empresa Truck Van. O clube está tentando tirar o alvará para vender produtos oficiais em um desses caminhões.

Outra novidade que alegrou os torcedores foi a volta das originais Baleiinha e Baleião. Crianças se apertaram nos alambrados para vê-los de perto. Aqueles personagens murchos que inexplicavelmente os substituíram saíram com a última gestão.

Santos 4 X 2 Linense
Pacaembu, 18h30, domingo, 1º de março de 2015
Público pagante: 10.954. Total: 13.118. Renda: R$ 324.680,00.
Santos: Vanderlei, Cicinho, David Braz, Werley, Victor Ferraz; Valencia (Elano), Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Lucas Otávio), Robinho e Ricardo Oliveira (Gabriel). Técnico: Enderson Moreira.
Linense: Anderson, Bruno Moura, Adalberto, Álvaro e Igor; Memo, Moisés Ribeiro, Gilsinho (Felipe Augusto) e Clébson; William Pottker e Diego (Gabriel). Técnico: Luciano Quadros.
Gols: Robinho aos 7 e Renato, aos 38 minutos do primeiro tempo; Anderson (contra) aos 4, Diego (pênalti) aos 24, William Pottker aos 28 e Robinho aos 45 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Douglas Marques das Flores (ruim, prejudicou o Santos), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Fernando Afonso Gonçalves de Melo.
Cartões amarelos: Robinho e David Braz (Santos) Moisés Ribeiro (Linense).

E você, o que achou de Santos 4 x 2 Linense?