A Band desativará o jornal Metro. Clique aqui para ler minha última coluna no jornal: “Sempre haverá algo a se discutir“. Aproveito para agradecer a todos que acompanharam a coluna nos 41 meses em que ela foi publicada – no site do Metro e todas as sextas-feiras no jornal Metro de Santos.

Sabe aquele jogo em que dá tudo errado para o Santos, como num pesadelo? Pois é. Ponte Preta 3, Santos 1, foi assim. Aquela cisma de que ao enfrentar um ex-jogador do Santos, ele vai arrebentar com o jogo, aconteceu. Rildo deitou e rolou e ainda fez um gol. Aquela história de que o melhor jogador do Santos é convocado para um jogo caça-níquel da Seleção Brasileira, fica o tempo todo no banco de reservas, como ocorreu com o Robinho diante da França, e desfalca o Santos em um jogo decisivo, aconteceu.

Aquela sonolência que faz o Santos sumir de campo, principalmente quando joga fora de casa, aconteceu. Aquelas falhas da arbitragem, que não enxergam o impedimento no gol do adversário – o primeiro da Ponte, de Biro-Biro -,e nem um pênalti em David Braz, segundo o comentarista Belletti, do Sportv, aconteceram.

Aquele descontrole de alguns jogadores que não conseguem marcar o time adversário na bola e apelam para faltas duras, acabando expulsos do jogo, aconteceu. Valencia e Cicinho foram expulsos (e deveriam ser expulsos do Santos). Na verdade, Elano, que entrou aos 31 minutos do segundo tempo, também fez o suficiente para levar um cartão amarelo e só não levou também o vermelho porque o árbitro não viu uma cotovelada que ele deu em Renato Cajá, um dos melhores do jogo.

Sabe aquela má sorte de ver jogadores importantes se machucarem gravemente, a ponto de ficarem fora do time por um bom tempo? Pois é, aconteceu. O goleiro Vanderlei, que vinha de grandes atuações, falhou no segundo gol da Ponte e, no segundo tempo, ao fazer uma defesa arrojada aos pés de Rildo, sofreu uma pancada do joelho do atacante no seu rosto e fraturou o nariz. O Santos vai para a fase decisiva do Paulista com Vladimir no gol.

Sabe aquelas estatísticas maravilhosas que estão próximas de acontecer, tais como: maior séria de vitórias de um técnico do Santos desde os anos 50; sequência da invencibilidade no ano, que já chegava a 14 partidas; liderança do Campeonato? Pois é. Uma derrota acachapante e tudo isso se perdeu. Agora, com três pontos a menos do que o Corinthians, que venceu o Penapolense por 5 a 3, o Santos terá de vencer os três jogos que faltam, um deles no Itaquerão, contra o Alvinegro da Capital, se quiser ir para a fase decisiva com a melhor campanha. Ou seja, ficou muito difícil.

Dificuldades previstas

Como respondi antes do jogo ao Waldomiro, um assíduo leitor do blog, vencer a Ponte Preta em Campinas sempre foi uma tarefa complicada. Não é à toa que nos últimos quatro jogos lá o Santos tinha perdido todos. Em seu campo a Ponte toma a iniciativa, luta pela bola com ferocidade e ataca sem medo sempre que possível. Se o adversário não entra na mesma velocidade, acaba ficando na roda. Foi o que ocorreu no primeiro tempo.

Sem espaço, Lucas Lima não encontrou lugar no campo para jogar, Geuvânio e Gabriel correram a esmo e Ricardo Oliveira, encaixotado entre os zagueiros adversários, nada pode fazer. Preocupados com os rápidos ataques da Ponte, os laterais Cicinho e Vitor Ferraz ficaram presos à defesa e o Santos assistiu à Ponte jogar. Vejamos quais foram os principais lances do primeiro tempo:

06m00s – Em penetração pela direita, Rodinei chuta de fora da área e Vanderlei espalma.
10m10s – Em um contra-ataque, Gabriel dá ótimo passe para Ricardo Oliveira, mas este não consegue dominar a bola.
20m03s – Rildo penetra livre, mas Vanderlei sai bem e consegue rebater. Biro-Biro pega o rebote e chuta, mas a bola ricocheteia em Renato.
22m00s – Geuvânio chuta de fora da área, fraco, rasteiro e para fora. É o primeiro chute a gol do Santos, depois de cinco da Ponte Preta.
24m00s – Há uma inversão no ataque: Gabriel vai para a esquerda e Geuvânio vem para a direita.
28m24s – Renato Cajá cruza da direita para a esquerda. Biro-Biro domina em impedimento e bate alto e cruzado, para abrir o marcador. Ponte Preta 1 x 0 Santos.
34m48s – Gabriel aparece livre diante do goleiro da Ponte, faz o drible, mas, com o gol vazio, se desequilibra e bate fraco. O goleiro volta e defende com facilidade.
35m00s – Cicinho faz falta feia em Rildo e leva cartão amarelo. Já tinha feito uma falta feia antes no mesmo Rildo.
35m57s – Renato Cajá cobra falta cruzando para a área do Santos da esquerda para a direita. A defesa falha, Bruno Silva toca para o gol, Vanderlei não consegue fazer a defesa e o mesmo Bruno Silva empurra para marcar. Ponte Preta 2 x 0 Santos.
37m00s – Gabriel volta para a direita e Geuvânio para a esquerda.

Análise do primeiro tempo: Mesmo com um primeiro gol ilegal, a verdade é que a Ponte Preta mereceu vender a etapa, pois marcou e atacou melhor, teve mais disposição e criou mais oportunidades de gol. Bem marcado, Lucas Lima pouco produziu. Gabriel, Geuvânio e Ricardo Oliveira não conseguiram trocar passes no ataque. O meio-campo não se aproximou do ataque e esse buraco entre os dois setores foi ocupado pelos jogadores da Ponte. Uma substituição que parecia óbvia era a entrada de Thiago Ribeiro no lugar de Gabriel, que mal conseguia dominar a bola e dar sequência às jogadas. Eu arriscaria mais uma: Elano no lugar de Valência. No íntimo, não tinha esperanças sequer de um empate. Mas, quem sabe, com essas mudanças, o time ganhasse outro ânimo. Ficou evidente, ainda, a falta que Robinho faz. Com ele o Santos é outro. O duro é saber que viajou para jogar na Seleção Brasileira e ficou no banco de um tal Firmino.

A esperança durou pouco

Na segunda etapa, o Santos conseguiu diminuir logo aos 56 segundos, com Gabriel aproveitando um passe de Vitor Ferraz. Mas quatro minutos depois Rildo dominou na entrada da área e teve todo o tempo do mundo para preparar e chutar. A bola ainda resvalou em Cicinho e entrou no canto esquerdo de Vanderlei. Com 3 a 1, o jogo estava praticamente decidido. Só com muita garra e tranqüilidade o Santos poderia ao menos buscar o empate. Mas alguns jogadores perderam a cabeça, Valencia e Cicinho foram expulsos, e os 3 a 1 acabaram de bom tamanho. Agora, como disseram Lucas Lima e Ricardo Oliveira depois do jogo, o negócio é usar esse jogo como lição do que não deve ser feito nas próximas partidas. Veja agora como foram os principais lances do segundo tempo:

00m56s – Em bom ataque pela esquerda, Vitor Ferraz passa para Gabriel na pequena área. Mesmo pressionado, o atacante marca o gol do Santos. Ponte Preta 2 x 1 Santos.
05m00s – Ataque da Ponte. Rildo domina a bola pela meia-esquerda, tem tempo de preparar e chutar. A bola resvala em Cicinho e entra no canto esquerdo de Vanderlei. Ponte Preta 3 x 1 Santos.
07m00s (tempo aproximado) – David Braz domina a bola na área da Ponte, o zagueiro tenta fazer o corte, não pega na bola, mas pega a perna do santista. O comentarista Belletti, do Sportv, disse que foi pênalti. Mas nada foi marcado.
08m28s – Geuvânio recebe de Lucas Lima e chuta, mas o goleiro espalma.
11m00s – Rildo recebe passe em profundidade, Vanderlei chega antes e o atacante da Ponte bate o joelho no rosto do santista, que fratura o nariz, sai de maca e é substituído por Vladimir. Não houve maldade no lance.
15m21s – Bate-rebate na área da Ponte termina em escanteio. Cansado, o time de Campinas recuou e permitiu a pressão, desordenada, do Santos.
28m00s – Chutão da defesa da Ponte pega Biro-Biro livre. Valencia faz falta escandalosa e, como já tinha cartão amarelo, é expulso. Santos fica com um jogador a menos.
37m58s – Elano, que sete minutos antes tinha entrado no lugar de Gabriel, faz falta dura e recebe cartão amarelo. Ele já tinha dado uma cotovelada em Renato Cajá que o árbitro não viu. Papelão de um jogador veterano que deveria mostrar mais equilíbrio.
50m21s – Cicinho faz falta por trás e, como também já tinha cartão amarelo, recebe vermelho e é expulso. Ele estava nervoso por ter saído com bola e tudo em um lance anterior e ter reclamado de falta. É muito difícil a partida em que esse jogador não recebe cartão.

Análise do segundo tempo: O gol de Gabriel, logo no início da etapa, poderia ter mudado a partida, mas a Ponte marcou quatro minutos depois e ali praticamente definiu a vitória. O Santos tentou na base do abafa, mas não teve técnica e nem tranqüilidade para tirar a justa vitória do time de Campinas.

Atuações dos santistas

Vanderlei – Desta vez cometeu uma falha grava, ao soltar a bola no segundo gol da Ponte. Mas também fez boas defesas, como na corajosa saída nos pés de Rildo que lhe custou uma fratura no nariz. 6.
Cicinho – Suas costas são a avenida sonhada por todo ataque que enfrenta o Santos. No ataque também não consegue dar andamento ás jogadas. Expulso mais uma vez, por pura irresponsabilidade, pois o lance não levava perigo e faltavam segundos para encerrar a partida. Este rapaz está fazendo hora-extra no Santos. 2.
David Braz – Fez o que pode, mas sem a ajuda do meio de campo, a defesa ficou exposta. 5.
Werley – O mesmo que David Braz, com a diferença de que saiu ao ataque buscando o gol. 5.
Vitor Ferraz – algumas falhas na marcação, mas apoiou reçativamente bem pela esquerda. Um dos poucos que se salvou. 6.
Valencia – Muito limitado tecnicamente, lento e sem tempo para fazer o corte. É outro que não deveria ficar para o campeonato Brasileiro. 3.
Renato – Um dos menos ruins do Santos, mas mesmo assim foi envolvido pelos adversários. 5.
Lucas Lima – Nulo no primeiro tempo, melhorou no segundo com o cansaço de seus marcadores. Mesmo assim, mereceu apenas um 6.
Geuvânio – Uma de suas atuações mais apagadas. 4.
Ricardo Oliveira – Lutou, trombou, mas pouco fez de útil. 5.
Gabriel – Apesar do gol, pouco produziu para o time e não deu sequência à maioria das jogadas. 4.

Dos jogadores que entraram, o goleiro Vladimir mostrou-se seguro e fez uma boa defesa. 5. Thiago Ribeiro movimentou-e mais e saiu-se melhor do que Geuvânio, a quem substituiu. 5. Elano participou de algumas jogadas, mas parecia mais preocupado em agredir os adversários. Não foi expulso por acaso. 4.

Técnico Marcelo Fernandes – Desta vez não conseguiu fazer o time escapar da marcação da Ponte, que fechou o meio-campo e pressionou a defesa do Santos. Substituiu bem, mas não deu para mudar muito o time. A maioria dos jogadores não jogou bem. Robinho fez falta. 5.

Ponte Preta 3 x 1 Santos
Estádio Moisés Lucareli, 26/03/2015, quinta-feira, 21 horas
Público: 4.907 pagantes. Renda: R$ 131.070,00
Ponte Preta: João Carlos, Rodinei, Tiago Alves, Pablo e Jeferson; Josimar, Bruno Silva, Fernando Bob e Renato Cajá (Adrianinho); Biro Biro (Thomás) e Rildo (Roni).
Técnico: Guto Ferreira.
Santos: Vanderlei (Vladimir), Cicinho, Werley, David Braz e Vitor Ferraz; Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Thiago Ribeiro), Gabriel (Elano) e Ricardo Oliveira.
Técnico: Marcelo Fernandes.
Gols: Biro-Biro aos 29 e Bruno Silva aos 35 minutos do primeiro tempo. Gabriel aos 56 segundos e Rildo aos 5 minutos do segundo.
Arbitragem: Luiz Vanderlei Martinucho, auxiliado por Alberto Macedo e Renata Ruel Xavier de Brito
Cartões amarelos: Fernando Bob, Jeferson, Rildo (Ponte Preta). Cicinho, Valencia e Elano (Santos)
Cartões Vermelhos: Valencia e Cicinho (Santos)

Veja os batidores do jogo:

Veja a entrevista de Renato, agora com 250 jogos pelo Santos:

E pra você, o que significou essa derrota do Santos em Campinas?