Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: abril 2015 (page 1 of 5)

O feijão e o sonho no roteiro da vida do Santos

Dívidas a curto prazo chegam a R$ 190 milhões

De acordo com o balanço financeiro publicado pelo Santos nesta quinta-feira, no ano passado o futebol deu um prejuízo de R$ 58,955 milhões ao clube, o patrimônio líquido chegou a R$ 203 milhões negativos e as dívidas de curto prazo chegaram a R$ 190 milhões ao final de 2014, fim da administração de Odílio Rodrigues.

Clique aqui para ver matéria sobre o balanço do Santos


Robinho e a Bola, por Ivan Storti (Santos FC)

“O feijão e o sonho” é o título do livro mais conhecido do escritor brasileiro Orígenes Lessa (Lençóis Paulista, SP, 12 de julho de 1903 — Rio de Janeiro, 13 de julho de 1986). Dono de raro talento para as letras, Orígenes trabalhou como jornalista, publicitário, romancista e se tornou membro da Academia Brasileira de Letras. Homem de convicções claras, foi preso na Revolução de 1932 e ficou encarcerado na Ilha Grande. No livro “O feijão e o sonho” ele conta o dilema do poeta Campos Lara, dividido entre seguir o seu dom artístico ou priorizar o sustento da família. Creio que o nosso Santos Futebol Clube sempre viveu essa mesma inquietação, o que se torna mais evidente em momentos como este, da final do Campeonato Paulista.

Não recrimino quem se deixa levar pelo sonho. Eu mesmo, tão calmo e racional para quase tudo na vida, fico com as mãos geladas durante os jogos decisivos do nosso Santos. Uma vitória, um título, lavam a alma, mesmo que sejam no humilde Paulistinha.

Sim, porque nós, santistas, talvez mais do que os outros torcedores, somos românticos, vivemos um sonho e, muitos de nós, não queremos acordar dele. Levar uma decisão de campeonato para a Vila é seguir sonho antigo, bem antigo; acreditar que o adversário se amedrontará por pisar no sagrado gramado do Urbano Caldeira é uma ilusão que já virou pesadelo várias vezes; confiar que os mesmos jogadores santistas que preferem jogar na Vila também escolherão continuar no Santos mesmo que o salário oferecido pelo clube seja muito menor do que a proposta de outros, é outro sonho.

Estou apenas constatando, mas nem posso criticar essa visão das coisas, pois também sou um santista romântico sonhador. Talvez por isso tenha dedicado tanto tempo da minha vida a escrever livros e estudar essa vida feérica do Santos e de seus grandes jogadores. Acredito que a atração pela fantasia que representa os grandes feitos do nosso time ainda tenha o dom de cativar pessoas, de atraí-las para o nosso lado. Mas talvez eu esteja errado, não sei.

Lembro-me que discordei quando Marcelo Teixeira aceitou que os dois jogos da final do Campeonato Brasileiro de 2002 fossem no Morumbi, com torcida dividida. Como o Santos havia vencido bem as partidas eliminatórias na Vila Belmiro, por que arriscar as duas partidas no Morumbi, contra um adversário poderoso e popular? Pois assim foi feito, e os Meninos ganharam os dois jogos, com um público de 74 mil pessoas na segunda partida – a maior parte delas, santistas. Eu estava errado, ainda bem. De lá para cá, não deixei de ser sonhador, mas tento manter os pés no chão.

Antes, como o mesmo Marcelo Teixeira na presidência, o Santos levou a decisão do Rio-São Paulo de 1999 para o Morumbi, contra o Vasco, e o time perdeu por 2 a 1 diante de 32 mil pessoas. No mesmo Morumbi, em 2003, jogou a final da Libertadores contra o Boca Juniors, e perdeu por 3 a 1, mas assistido por 74 mil pessoas, e em 2007, na decisão do Paulista, também fez os dois jogos da final no Morumbi, e foi campeão depois de perder a primeira partida por 2 a 0 e vencer a segunda pelo mesmo placar, com 32 mil pessoas no primeiro jogo e 59 mil no segundo (lembro-me que nesta segunda partida, para a qual eu nem tinha comprado ingresso, cheguei quando o jogo já tinha começado, passei minha carteirinha de sócio na catraca e entrei, rápido e sem nenhum problema). Lembro tudo isso para mostrar que Marcelo Teixeira não era tão provinciano como alguns fazem questão de dizer. Ele também sabia que saco vazio não para em pé.

Assim como o imortal Orígenes Lessa teve de conciliar o trabalho de publicitário com o de escritor, para sustentar a família e, ao mesmo tempo, não permitir que seus sonhos morressem – drama com a qual convivo desde sempre, aliás – o Santos precisa encontrar um meio termo entre não perder a fantasia e continuar a crescer.


Este é o genial Orígenes Lessa. Respeito com o mestre.

Mas a realidade é dura e impõe necessidades às vezes incompreensíveis para um romântico. Veja que enquanto Corinthians e Palmeiras já batem na casa dos 100 mil sócios, o Santos não conseguiu 1.000 novos associados em 2015 e, pelo que lemos e ouvimos, está perdendo muitos deles com essa decisão de excluir a maioria da decisão de um título. E se compararmos arrecadações, patrocínios e verba de tevê, perceberemos tudo o que nosso coração reluta em aceitar.

Nosso time se apequena e se volta para a sua cidade, para o seu bairro, para os seus amigos de bar e sua turminha do tamboréu no canal X, diante da barraquinha Y. Neste caso, nem é possível dizer que segue o seu sonho, pois, como ensinou o visionário Athié Jorge Cury, o sonho do Santos tem o tamanho da Terra.

Reveja a bela matéria do Globoesporte sobre a última vez em que o Santos ganhou um título para um público superior a 40 mil pessoas. Exatamente 59.063 torcedores viram o emocionante Santos 2 x 0 São Caetano, no Morumbi, em 6 de maio de 2007.

E pra você, como transformar os sonhos do Santos em realidade?


“A gente sabe da nossa força” (Vitor Ferraz)

O lateral Vitor Ferraz deu entrevista coletiva e mostrou que o espírito dos jogadores para a decisão de domingo é dos melhores. Ele acha que com o apoio da torcida o Santos vai jogar cem por cento o tempo todo e será campeão. “Estamos totalmente confiantes. A gente sabe da nossa força”, disse ele. Veja a entrevista:

Robinho e Valencia não participaram do rachão, mas Gustavo Henrique esteve presente. Parece que o time de colete tinha jogadores a mais…

E você, está confiante como Vitor Ferraz?


Vamos ver Robinho e Lucas Lima antes de irem embora

Olha que música e que trabalho de produção sensacional de Ricardo Peres, que compôs esta música com seu filho Fábio Peres. Pra incentivar o Santos antes da final:


Corra para ver estes dois enquanto estão no Santos (Ivan Storti/Santos FC)

Robinho deu corridas no campo do CT Rei Pelé e deve jogar domingo, assim como Lucas Lima. Quem teve a sorte de comprar ingresso para a final, neste domingo, aproveite bem para ver a dupla de craques de perto, preste atenção, tire fotos, pois ambos estão de saída do Santos.

Robinho tem contrato com o Milan até agosto de 2016. A estratégia do presidente Modesto Roma para convencer os italianos a prorrogar o empréstimo do atacante é a de convencê-los de que se Robinho ficar no Santos, de graça, seu passe será mais valorizado. Sim, provavelmente o passe se valorizará mesmo, mas que vantagem o Milan terá? Se não vender logo, o contrato chegará ao fim.

Enfim, por mais boa vontade que tenha o presidente do Santos, acho que os dirigentes do Milan não entrarão nessa. O mais provável é que Roma inclua o passe do jovem e bom zagueiro Gustavo Henrique na negociação. Mesmo assim, não será fácil.

Quanto a Lucas Lima, dói o coração pensar que em janeiro de 2014 o Santos poderia ter comprado 80% do seu de por 6 milhões de reais, mas preferiu comprar apenas 10% e investir 41 milhões em Leandro Damião (dívida que aumenta a cada mês e já está se aproximando de 50 milhões de reais).

Veja, senhor Odílio Rodrigues e membros do Conselho Gestor que decidiram comprar 100% do passe estratosférico de Leandro Damião e pechincharam na hora de contratar o único craque oferecido pelo Internacional: não faço a mínima questão de lembrar os nomes dos senhores, mas a cada vez que falamos da penúria atual do Santos, que fatalmente obrigará o clube a se desfazer de Lucas Lima e ficar sem Robinho, lembro-me de vocês.

Hoje, o Santos está obrigado a pagar por Leandro Damião um valor que é o triplo do que ele realmente vale, o triplo de sua cotação no mercado, ao mesmo tempo que receberá apenas 10% de uma negociação do passe de Lucas Lima, que no momento, para o mercado europeu, vale mais do que 20 milhões de euros.

Bem, incompetência não é crime. Então, sigamos, apaixonados pelo Santos, sofrendo com a possibilidade de mais um título paulista, mas preparados para a debandada que virá a seguir. Sim, porque faltará dinheiro para segurar os melhores jogadores do time. Quem sabe um jogo no Morumbi gerasse o suficiente para segurar, ao menos por um tempo, Robinho e Lucas Lima. Mas não. Vamos confiar nos fantasmas da Vila. Na Vila de Ghost.

Clique aqui para ler notícia dizendo que o Santos compraria 80% do passe de Lucas Lima

E você, o que acha disso tudo?


Os prós e os contras de jogar uma decisão na Vila Belmiro


Faz tempo que jogar na Vila é um pesadelo para os visitantes

Veja os bastidores do Santos no primeiro jogo da final:

Tenho recebido comentários desanimados de sócios do Santos que não conseguiram comprar ingressos para a final de domingo e, por isso, estão pensando seriamente em não serem mais associados do clube. Agora mesmo interrompi a redação deste post para atender ao amigo Ricardo Rangel, sócio do Santos desde 1978, conselheiro suplente nesta gestão, que queria comprar ingressos para ele e seus filhos, mas entrou no site do clube logo que abriram as vendas e, segundo ele, os ingressos já estavam esgotados.

Escolher um estádio que só comporta 14 mil pessoas, das quais menos de 12 mil devem ser santistas, sabendo que o clube tem cerca de 25 mil sócios adimplentes, é uma temeridade. Já que a única vantagem do sócio do Santos é pagar meia entrada nas partidas, não poder assisti-las torna essa associação inútil, alegam eles. A meu ver, porém, a situação não é tão simples e permite análises de vários ângulos, favoráveis ou não à escolha da Vila Belmiro para este jogo. Vejamos alguns:

1 – Somos sócios para ajudar o Santos. Se em algumas partidas nossa ajuda presencial não é necessária, pois seremos bem representados por um estádio lotado empurrando o time, então que nos conformemos. É óbvio que, qualquer que fosse o tamanho do estádio, muitos santistas interessados em ver o jogo ficariam de fora.

2 – Nestes confrontos decisivos, os jogadores e a comissão técnica do Santos têm preferido jogar na Vila Belmiro. Então, cabe a pergunta: historicamente, o Santos tem mesmo uma probabilidade maior de vitória quando manda seus jogos na Vila Belmiro? Mesmo sem fazer todas as pesquisas necessárias, eu diria que sim. Mas é uma diferença mínima para o Pacaembu, por exemplo. Na verdade, nos últimos anos, o Santos tem vencido mais quando manda seus jogos no estádio paulistano.

3 – Se for campeão, o Santos ganhará um prêmio de três milhões de reais. Se jogasse no Pacaembu, ou Morumbi, provavelmente já ganharia esse dinheiro com a renda do jogo, independentemente de conquistar o título ou não. Fica a pergunta: vale a pena perder dinheiro com a arrecadação e descontentar torcedores e sócios pela vantagem teórica – que não representa 10% a mais de chances de vitória – de jogar na Vila Belmiro? Os jogadores e a comissão técnica acham que sim e a diretoria, que também tem o objetivo político de satisfazer o seu curral eleitoral na cidade de Santos, concorda. O presidente Modesto Roma disse que ouviu os torcedores, mas, certamente, se referiu aos torcedores mais próximos dele. Se ouvisse a maioria dos santistas de todo o Brasil, fatalmente a decisão seria outra.

4 – Mesmo endividado, será que o título não pode trazer ao Santos maior visibilidade e maiores possibilidades de conseguir um bom patrocínio? Neste caso, não vale a pena correr o risco de perder dinheiro a curto prazo, mas aumentar a chance de ganhá-lo em maior quantidade em médio e longo prazos? Outra pergunta que se aplica no caso é: há um plano para capitalizar um possível título Paulista e transformá-lo em ações de marketing, ou passará em branco?

5 – Mas um time grande, com uma grande torcida, poderá chegar ao patamar de 100 mil sócios e de arrecadar o mesmo que seus principais rivais jogando em um estádio pequeno? Não está na hora de o Santos trabalhar esse aspecto psicológico de seus atletas para que se sintam em casa em qualquer estádio, desde que sejam incentivados por 90% dos torcedores presentes, como ocorreria se jogasse no Pacaembu ou Morumbi? Ou alguém diria que o Alvinegro Praiano, na época em que realmente era Gigante, se sentiu fora de casa enfrentando o Milan, no Maracanã?

6 – Desprezado pela TV Globo, que tem a sua própria divisão geopolítica do futebol brasileiro, e pelos grandes patrocinadores, que não o vêem como um time de massa (e a própria direção do clube lhes dá boas razões para pensar assim), as opções mais viáveis para o Santos arrecadar o dinheiro suficiente para se manter como time competitivo é conseguir grandes arrecadações e aumentar significativamente seu quadro de sócios, e isso é incompatível com a filosofia de jogar seus grandes jogos na Vila.

7 – Se a decisão definitiva é mandar seus jogos na cidade de Santos, então é evidente que o estádio Urbano Caldeira, neste formato reduzido em que está hoje, não comporta os sonhos de um Santos maior. Ou ele tem de ser bem ampliado, ou o clube deveria buscar uma parceria com os coirmãos Portuguesa Santista e Jabaquara e, principalmente, com a Prefeitura de Santos, para a construção de um grande e moderno estádio municipal, com capacidade de 30 a 40 mil pessoas. Um estádio amplo, mais confortável, com visão total do jogo, melhores condições de estacionamento e segurança, atrairia muito mais torcedores, faria o paulistano voltar a descer a serra para ver jogos de seu time e com isso a média de público beiraria 15 mil pessoas, tirando o Santos do limbo em que se encontra.

8 – Por outro lado, esta decisão de campeonato em casa, com todos os detalhes da organização do espetáculo nas mãos da diretoria do Santos, nos dará uma boa ideia do nível de organização do clube com esta nova gestão. Diante de tanta procura por ingressos, será inadmissível se o estádio não estiver completamente tomado e se todos os ingressos não forem comprovadamente vendidos. Se surgirem entradas nas mãos de cambistas, ou se forem distribuídos ingressos de cortesia para um jogo em que tantos querem pagar para assistir, alguma coisa estará errada, muito errada. Ah, e que não vejamos também aqueles buracos enormes nas cativas, e nem sejamos surpreendidos por uma lista gigante de despesas diversas.

Estádios das decisões do Santos desde 2002

2002 – Brasileiro – Morumbi – campeão
2003 – Libertadores – Morumbi – vice
2004 – Brasileiro – Teixeirão (S.J. do Rio Preto) – campeão
2006 – Paulista – Vila Belmiro – campeão
2007 – Paulista – Morumbi – campeão
2009 – Paulista (1º jogo) – Vila Belmiro – vice
2010 – Paulista – Pacaembu – campeão
2010 – Copa do Brasil (1º jogo) – Vila Belmiro – campeão
2011 – Paulista – Vila Belmiro – campeão
2011 – Libertadores – Pacaembu – campeão
2012 – Paulista – Morumbi – campeão
2012 – Recopa Sul-americana – Pacaembu – campeão
2013 – Paulista – Vila Belmiro – vice
2014 – Paulista – Pacaembu – vice
2015 – Paulista – Vila Belmiro – ……

Agora veja lances da vitória do Sub-15 sobre a Portuguesa Santista, no estádio Ulrico Mursa. Só por estes lances gostei do goleiro, de um zagueirão, de um meia canhotinho e já percebi que o juizão não deu falta clara para o Santos na entrada da área:

E você, acha que a escolha da Vila Belmiro foi acertada?


Por que o maior medo dos santistas é a arbitragem

Primeiro jogo da final alcança 23 pontos no Ibope

Como se previa, a audiência de Palmeiras e Santos bateu o recorde do futebol na Globo neste Campeonato Paulista. No próximo domingo é bem possível chegar a 25 pontos.
Clique aqui para checar o ótimo Ibope de Palmeiras X Santos.


Marcelo Rogério e Valdívia, ambos do time da Crefisa, durante jogo contra o Botafogo de Ribeirão Preto.

Sinto que muitos santistas ficaram bem desconfiados depois do primeiro jogo da decisão, no estádio palmeirense. A arbitragem de Vinicius Furlan, extremamente danosa ao Santos, foi decisiva para a vitória do time da casa e aumentou o temor de que as coisas já estejam encaminhadas neste Paulistão.

Por tudo que se ouve e se lê, parece que os “astros” estão convergindo para tirar o Palmeiras de uma fila sem títulos. Do site Yahoo Esportes leio a seguinte frase de um artigo do colunista Jorge Nicola: “O mais curioso é que nenhum outro clube tem tão boa relação com a cúpula da FPF quanto o Palmeiras. A sintonia tem a ver com a amizade entre Nobre e Marco Polo Del Nero… Del Nero votou em Nobre nas últimas duas eleições presidenciais do Verdão. Sucessor de Del Nero na Federação, Reinaldo Carneiro Bastos também é alinhado ao Palmeiras…).

Então, temos uma Federação simpática ao Palmeiras? Isso não é novidade, já que se chegou ao cúmulo de o clube da Água Branca e a equipe de árbitros estampar no uniforme o mesmo patrocínio da Crefisa. Imagine o Museu Pelé com seu nome nas camisas do trio de arbitragem e o Santos, com o mesmo patrocínio, decidindo o título em casa, ao lado do Museu do Rei do Futebol… Seria uma falta de ética incrível, não é mesmo? Pois é o que está havendo, só que do outro lado.

O que posso dizer, sem tirar os méritos do Palmeiras, é que o alviverde realmente tem tido, digamos, muita sorte com as arbitragens, que têm errado em lances capitais a seu favor. Na partida contra o Botafogo de Ribeirão Preto, pelas quartas-de-final, já se anulou equivocadamente o gol do time do Interior, que terminaria o primeiro tempo com a vantagem de 1 a 0.

Sei que alguns árbitros, como Sálvio Spínola, mais um que veio do futebol para virar jornalista esportivo, dizem que houve falta em Fernando Prass, porque ele já estava com a bola dominada naquele gol do Botafogo. Mas não mesmo. Quantas vezes você já não viu, querido leitor e leitora, um goleiro fazer uma ponte, dominar a bola com categoria, e soltá-la ao cair ao gramado? Pois a defesa só está completa quando o lance termina e o goleiro tem a bola totalmente dominada.

Naquela jogada da partida do Botafogo, ato contínuo ao pegar a bola, Prass se chocou contra o jogador adversário e a soltou, propiciando o gol contra sua equipe. Em nenhum país do primeiro mundo do futebol seria marcada falta naquele lance.

Dois pesos e duas medidas

Vamos, agora, ao jogo deste domingo, em que Vinicius Furlan aplicou dois pesos e duas medidas em várias jogadas, invariavelmente beneficiando o time patrocinado pela mesma empresa que patrocina o departamento de árbitros da Federação Paulista de Futebol. Logo no início, causou espécie a inversão de dois laterais, um deles contrariando a sinalização do bandeirinha, que confirmava o arremesso para o Santos.

Cobrado rapidamente, quando os jogadores do Santos já tomavam posição de ataque, o lateral pegou a defesa santista desprotegida e quase provoca um lance de gol para o Palmeiras. Depois, houve o impedimento mal marcado de Geuvânio, que teria a oportunidade de penetrar pela esquerda, levando perigo à meta palmeirense.

Isso tudo logo nos primeiros minutos, enervando os jogadores do Santos e criando um clima de insegurança na equipe. Pois, experientes que são, jogadores profissionais de futebol sabem que no dia em que a arbitragem está errando muito para o adversário, tudo fica muiiito mais difícil.

Então, aos 29 minutos de um jogo equilibrado e até certo ponto amarrado, em que o Palmeiras não tinha dado um único chute ao gol, veio o lance que abriu o marcador. Já falei sobre ele e volto a repetir: um jogador que recebe a bola naquelas circunstâncias e faz um corta-luz que engana o defensor e favorece a penetração de seu companheiro, obviamente influiu na jogada e, como estava em impedimento, a jogada deveria ter sido imediatamente paralisada pelo bandeirinha – que, diga-se de passagem, estava a dois metros dela.

Depois, em outro lance decisivo, tivemos a marcação do pênalti e a expulsão do zagueiro do Santos, Paulo Ricardo. Nessa hora, todos nós sabemos que a marcação depende dos humores do árbitro. Se ele quiser, marca quando a falta começou, bem fora da área; se também quiser, dá o cartão amarelo. Mas, se preferir, dá pênalti e expulsa o defensor, usando da maior severidade que a regra lhe confere. Okay. Vamos aceitar que tenha agido corretamente neste caso.

Porém, se a intenção do árbitro era seguir a regra à risca, deveria, no mínimo, ter aplicado o cartão amarelo, por simulação, ao jogador palmeirense que deu um salto acrobático quando foi marcado por Geuvânio na área santista. Você já viu um jogador ser calçado e, ao invés de cair ao chão, voar pelos ares? Pois foi exatamente isso que o palmeirense fez, tentando forçar um pênalti no qual nem foi tocado, jogando o estádio lotado contra a arbitragem.

Aliás, vendo e ouvindo as reclamações de alguns palmeirenses da mídia, fico aqui pensando quantos gols irregulares, quantos pênaltis e quantas expulsões de santistas eles ainda queriam para achar que a arbitragem de Vinicius Furlan foi boa para eles?

Enfim, como todo santista, eu só quero que a arbitragem na Vila Belmiro seja justa, imparcial, e que ganhe o melhor time. E, é claro, que o título fique com a melhor equipe ao longo de todo o campeonato. E quero também que o Santos entre em campo com o mesmo espírito que o levou ao título brasileiro de 2004: que às vezes é preciso marcar dois gols para valer um.

Vladimir
Contra o Palmeiras, por duas vezes Vladimir foi abalroado por jogadores adversários ao interceptar um cruzamento. Esta foi uma delas. Em nenhuma das oportunidades foi marcada falta no goleiro santista. Fernando Prass já teve mais sorte contra o Botafogo de Ribeirão Preto (Ivan Storti/ Santos FC).

Atitude civilizada e exemplar da torcida do Santos

Nenhuma cadeira foi quebrada, nenhum dano ao estádio do Palmeiras foi causado pelos torcedores santistas que foram ao primeiro jogo da final do Campeonato Paulista. Essa atitude, que não passa de obrigação em um país civilizado, deve ser elogiada e servir de exemplo no futebol brasileiro. Isso é bonito e enche de orgulho a todos os santistas. Principalmente porque a torcida do Corinthians tinha quebrado mais de 40 cadeiras no estádio palmeirense e, por sua vez, os palmeirenses quebraram 800 cadeiras, além dos banheiros, no estádio do Corinthians. Quando isso voltar a acontecer, os clubes não devem ser responsabilizados, mas sim os torcedores, ou as torcidas organizadas que praticaram o vandalismo. Creio que hoje todos os santistas estão percebendo como é bom agir corretamente. Comportamentos assim acrescentam muito mais para o clube do que demonstrações de selvageria. Parabéns aos torcedores do Santos que foram ao estádio do Palmeiras. Vocês agiram como verdadeiros SANTISTAS!

E você, acha que o santista tem motivos para temer a arbitragem na Vila?


Older posts

© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑